Textos Fortes Morte Amor e Melancolia

Cerca de 14 textos Fortes Morte Amor e Melancolia

"Ultimamente a morte vem me cercando...
Rondando a minha vida.
A dor, tristeza, angustia, problemas...
Tudo isso a minha volta.
Sinto-me como em um baile, antecipando o meu fim,
E nesse baile uma lamina é o ingresso que carrego em minhas mãos.
Hoje pretendo ficar com ela; a morte."

(Trecho de - A dama de preto - GustavoAleixo)

GustavoAleixo
Inserida por GustavoAleixo

A dama de preto

Ultimamente a morte vem me cercando...
Rondando a minha vida
A dor, tristeza, angustia, problemas...
Tudo isso a minha volta.
Sinto-me como em um baile antecipando o meu fim,
E nesse baile uma lamina é o meu ingresso que eu carrego em minhas mãos.
Hoje pretendo ficar com ela; a morte.
Como a morte esta sempre perto
Eu olho ela e ela me olha.
Ela é linda, esta vestida de preto hoje.
Ah... Que bela dama!
Então convido a para dançar,
Bebemos um ótimo vinho,
Infelizmente o vinho estava quente.
Então percebo que o vinho na verdade era meu sangue,
Olho a minha volta todos os problemas, a dor, angustia... Todos...
Todos sumiram!
Restaram apenas a morte e eu
Hora perfeita, dia perfeito.
Estamos no meu banheiro, eu nu e ela sobre mim,
Meu pulsos abertos, e ela se esfregando em meu corpo.
Uma foda inesquecível!
Depois disso, ela fica sobre o meu peito na banheira,
Escuto a última gota do meu sangue a bater no chão.
Então fecho os olhos, em um leve e o meu último suspiro,
Digo; Que alívio!
Então acabo com a minha vida e a dela, que ambas já não existiam.

GustavoAleixo
Inserida por GustavoAleixo
1 compartilhamento

Olá Você

Olá, meu amor
Por que você voltou?
Não que eu não te queira por perto
Mas é que depois que se foi fiquei mais esperto

Ainda não deixei de te amar
Mas será que você já me esqueceu?
Acho que não
Já que voltou pra perto d'eu

Outra pessoa que nos reaproximou
Tenho de me lembrar de agradecer
Ela trouxe de volta a luz da minha vida;
Fiquei novamente perto de você.

Eu estava com saudades
Desse teu sorriso que me faz sorrir
Não acho que conseguirei parar de te amar
Mas talvez quando eu partir

Lara Bicalho Avelar
Inserida por lara_bicalho

Saudade

A saudade não me deixa te esquecer
É a única coisa que me resta de você
Tenho medo de te procurar
Pois sei que iria me ignorar

O tempo passa
E a saudade só aumenta
O que fazer para te ver?
Sei que meu coração já não mais aguenta

Quando os outros falam de você
O que mais sinto é meu peito doer
Quero te encontrar
Mas sei que você não iria gostar

Você não quer me ver
Nem se meu coração parar de bater
E é isso que acontecerá
Se um dia eu não parar de te amar.

Lara Bicalho Avelar
Inserida por lara_bicalho

Em meio ao caos flutuante
Ouço só o meu vazio.
Minha alma contorce-se de frio,
Teu gás impulsiona incêndio fulminante.

Da dor sem trégua me cobri,
Em meio a fogo, sumiste
A deusa morte agora assiste
Entre cinzas e sombras o perdi.

O desespero no andar de baixo,
Toda fuligem visível se dissipa.
Teu corpo, agora sem vida.
Procuro consolo, não acho.

Ao passo descalço do rancor,
As lápides te trazem no prefácio,
Outrora feito inoculado,
Perdi em mim teu fulgor.

E ao perpassar dentre estes mármores eternos
Estive comigo a pensar,
Se amou-me ou há de amar
Até tuas carnes perderem os méritos.

Perdoa-me pela fúria indomada,
Acostumei-me com a lama,
Fiz do chão leito e cama,
Perdoei-te pela vida estragada.

Direciono o olhar a estas mesmas plantas mortas,
Te enxergo distante,
Olhares oscilantes,
Guardei meu inferno e abriste as portas.

E como todo filme de terror tem um fim,
Vens a mim, submergindo,
Despeço-me, sorrindo.
Vivo estás, mas não para mim.

Thaylla Cavalcante
Inserida por ThayllaCavalcante
1 compartilhamento

Oração

Café quente e água ardente não se negam a ninguém.
Pois bem,
Fui ninguém
Um ninguém ao teu dispor.

Quando deito no travesseiro
Você que vem à minha mente.
Um sorriso descontente
Para meu total desespero.

Perco-me em lembranças
E desatino a pensar
E se meu coração sangrar,
Meus pulsos serão lanças.

Se em teu peito a dor atina,
Rogo para que não cesse.
Que deus atenda minha prece
Que te doa toda a sina

Que tuas feridas não fechem,
Que teus cortes não cicatrizem.
Não sejas o que dizem
Já basta que te enterrem

Dá-me a mão,
Juro não ler leal,
Prosseguir com teu ponto final
Ainda que digas "não".

E que nesta terra miserável
Tu tenhas vergonha de quem és,
Tua imoralidade vale por dez
Uma infidelidade louvável.

Que teu sangue cheio de toxinas
Afague sua alma
Desejo que não tenhas calma
Que o cheiro da morte te invada as narinas.

Sinto nojo de tudo que pensei ser meu,
Mais um presente tenebroso
Dos que me vieram com esse sorriso desgostoso
Que só podia ser teu.

E se falo meias e poucas verdades,
Engulo mais uma garrafa de vinho barato
Desceu como você, amargo e ingrato.
Culpa minha por ter tais vontades.

Culpa minha por acreditar em você
Décimo primeiro maço de cigarros,
Trigésimo quarto quilômetro rodado nos carros,
Inafortunadamente, precisei de tempo para crer.

E sabes o que dizem do mal,
Vivendo como animais
Tornamos-nos tais,
Até os contos de fada tem ponto final.

Thaylla Ferreira {Poesias sobre um amor inatingível}

Thaylla Cavalcante
Inserida por ThayllaCavalcante
1 compartilhamento

Último dia na terra (Parte |||)

As sacolas que estavam em minhas mãos foram ao chão sem que nem ao menos eu percebesse. Agora estou rindo ao lembrar que uma das meninas, parecia ser a mais nova, segurou a garrafa de bebida como se fosse uma boneca, enquanto eu e seu avô nos soltávamos aos poucos. Não demorou muito para que uma mulher de aparência um pouco mais velha que eu, saísse de dentro do casebre. Seu dedo trazia uma aliança igual a dele, e só então percebi o que havia acontecido. Ele nos apresentou, eu, sua velha amiga de bebedeiras, a moça que salvou sua vida no dia em que ele queria se matar. E ela, a moça que saiu da vida dele, e levou junto seu coração, fazendo com que ele desejasse apenas a morte. A esse ponto, já me parecia engraçado como tudo se encaixava. Ela me convidou para entrar, na idade em que estamos, não parece ter muito sentido morrer de ciúmes de um companheiro de longa data. Digo isso porque a casa deles era cheia de fotos, viagens, filhos, netos. Afinal, eles deixaram seu legado.
A casa era realmente minúscula. Alguns brinquedos espalhados e um punhado de poeira que parecia ter sido jogado propositalmente em cima de cada um dos móveis. 50 anos de casados. 2 filhos, três lindas netas, e uma intrusa em sua casa. Tomei uma xícara de café, odiava café. Ouvi uma música que me doeu os ouvidos e inventei algum compromisso ao ponto que me perguntaram sobre minha família. Voei casa a fora.
Hoje é meu aniversário. 83 anos muito mal vividos, agora percebo. Casa grande, três carros na garagem (não os uso a muito tempo, é certo dizer), uma piscina invejável, e uma área de lazer que daria orgulho a qualquer multimilionário. O amor de minha vida foram meus livros, uma biblioteca com aproximadamente 5000 exemplares, todo lidos, alguns escritos por mim, inclusive! Meu ateliê tem quase 2000 peças pintadas, entre folhas telas e cerâmicas, todas feita com minhas muitas horas vagas. O que mais posso dizer de minha vida? Fui uma boa advogada. Estou no livro de ouro de algumas universidades, e em minha casa tem algumas boas fotografias de viagens ao exterior. Todas sozinha, ou com pessoas sem importância o bastante para que os nomes me venham à mente.
Aquela família, a família dele, nunca precisou de muito para ser feliz, eu tive tanto e não fui. Parece clichê, não? Meu testamento é um pouco incomum por ter sido escrito e reformulado durante tantos anos de minha vida. Agora, com os olhos cheios de lágrimas peço a você, senhor advogado, meu sucessor nesse cargo. Envie para aquela família tudo que eu possuir, passe para eles meus bens, casa, carros, e principalmente, a grandeza de minha alma, se eu ainda a possuir. Neste momento, vou desligar a turbina que me mantém viva, essa coisa que chamam de respirador, minha hora já passou a algum tempo, não existe mais nada para mim nesta vida.
Quanto a ti, não seja como eu. Largue os vícios. Todos eles, entorpecentes ou pessoas, tua vida vale mais. Lembre, há tanta vida para viver, mesmo quando chegamos ao nível loucura. Ah, é essa a parte em que tudo fica interessante.
Uma boa vida.

Thaylla Ferreira {Poesias sobre um amor inatingível}

Thaylla Cavalcante
Inserida por ThayllaCavalcante
1 compartilhamento

Último dia na terra (Parte l)

Gostaria de ser como Brás Cubas e escrever algumas singelas memórias póstumas, mas felizmente ou infelizmente ainda permaneço viva, podendo portanto, escrevê-las anteriormente à minha tão próxima morte.
Estou num bar. Minha taça, cheia pela metade, algumas marcas de batom nas bordas e algumas esperanças dissolvidas no álcool. Conheço todas essas pessoas à minha volta. Todos estranhos, nenhum realmente importante. Permaneço aqui, sozinha num recinto tão cheio de gente vazia, de si e do mundo. Alguns destes já tentaram se matar, outros, se matam todos os dias enquanto se afogam em bebidas e noitadas. Creio que pertença aos dois grupos. Transito entre eles sem permanência fixa em nenhum.
O balcão é empoeirado, por trás, uma garçonete loira com um decote imenso, acho que faz com que os clientes consumam mais, na esperança de poder vê-la por mais alguns minutos. Detestável a depravação moral a que homens se submetem por um rostinho ou um corpo bonito. Quanto a isso, nunca fiz nenhum dos dois estilos, sem rosto ou corpo bonito, cabelos desgrenhados, olhos vermelhos e rímel borrado. Era essa a minha diretriz de sempre para sempre.
A garçonete me serviu mais uma dose de vodka, a engoli enquanto minha garganta queimava, bati com o copo na mesa e caminhei até o terraço, ali não haviam muitas pessoas. Um casal que brigava sem motivo aparente e um homem alto com um cigarro na mão. "Posso pegar um?" Disse-lhe. Ele estendeu a mão me mostrando o maço, puxei um, levei a boca e ele o acendeu com um isqueiro azul. Não trocamos nenhuma palavra por um longo período de tempo. Eu olhava para o chão através do parapeito, pensava em tudo o que aconteceria caso me jogasse, finalmente cheguei à conclusão de que muita coisa não mudaria. Permaneci ali. "Está pensando em pular? Caso esteja, ao menos deixe-me sair de perto. Não gostaria de ser acusado de homicídio", foram suas exatas palavras. Eu ri, a hipótese de um suicídio nunca tinha me parecido engraçada, agora parecia. Creio que algumas pessoas possuem esse poder, nos fazer ver graça até na morte. Mas eu não pularia, ao menos não agora.
Eram 3:00 da manhã, muitas pessoas já tinham ido embora, estariam agora em suas camas quentinhas ou nos braços de outras pessoas aleatórias das quais elas nem lembrariam o nome pela manhã. Eu só continuava ali, fumando o décimo quinto cigarro, bebendo mais alguns goles da terceira garrafa de whisky, esperando uma ligação que não chegaria tão logo eu quisesse. Aquele homem permanecia ao meu lado, não sei bem o motivo, mas ele tinha um coração parecido com o meu, eu sabia, com toda a certeza que nunca tive. Ele também pensava em pular, também acabava com seu corpo ao tentar acabar com um sentimento que sabia que não terminaria. Ele também não se importava com a chuva fina que nos orvalhava a pele, e também ria de tudo isso. Parecíamos nos conhecer a muito, mas na verdade era muito, muito pouco.
Ele tinha uma barba fina cobrindo o rosto, olhos castanhos, e um cabelo longo que lhe caía sobre o rosto. Eu pensava que nunca havia visto ninguém tão bonito, e talvez ele realmente fosse, ou talvez eu apenas estivesse bêbada, o que era mais provável, claro.

Quando o dia amanheceu eu estava em minha cama, com os lençóis molhados em resposta às minhas roupas. Estava sozinha novamente, sem qualquer rastro da madrugada, a não ser por uma insistente dor de cabeça que relutava em me abandonar. Levantei, tomei um banho quente e troquei-me. Em cima da mesa um bilhete dizia "Obrigada por ter me dado o imenso prazer de te conhecer, de alguma forma fez com que valesse a pena." Era dele, eu sabia. Só não entendia muito bem o que queria dizer, e continuei assim por algum tempo.
Um dia depois, parti rumo ao bar das bebedeiras. Costumava não manter a periodicidade, ir a um, depois a outro. Sempre alterando a rota enérgica de meus drinks, mas essencialmente nesta noite, precisava voltar lá, vê-lo novamente, compartilhar mais algumas histórias, tristes ou não. Precisava loucamente de alguém que me entendesse, de alguém que sentisse o mesmo que eu. Cheguei no bar às 23:00, saí as 3:00, e nem sinal dele. A bebida não tinha o mesmo gosto, não me era consumida com a mesma voracidade, não possuia aquele sabor errante que tanto fazia bem. Quando o bar fechou, fui para casa um tanto quanto decepcionada. Senti falta dele, a primeira pessoa que conseguiu me entender em meses, anos, ou quem sabe uma vida inteira. E eu nem sabia seu nome...
A janela lateral sempre foi o meu refúgio. Agora mais do que nunca... As estrelas pareciam encher o quarto com um brilho tão angelical que me fazia planar. As três Marias sempre foi a minha constelação favorita, perdi horas e horas admirando. Estrelas são tão grandes, e ao mesmo tempo tão pequenas. Me faziam lembrar de como podemos ser vistos por diferentes pessoas em condições diversas.
Ele veio a mim como um astro. Emanando luz, enchendo a minha vida de brilho e cor, daquela cor. Estou aqui sentada, tomando um gole de whisky com a tristeza, minha velha conhecida. A encontro de tempos em tempos, conversamos por algumas horas diversas, trocamos lamentações, drinks e tragos de cigarro.

Thaylla Ferreira {Poesias sobre um amor inatingível}

Thaylla Cavalcante
Inserida por ThayllaCavalcante
1 compartilhamento

Iridescência

O que é a vida se não um enigma
Um jogo de esgrima sem vencedor
O que é a vida se a gente não finda
De uma vez por todas o que começou

O que representa esta grande impotência
Da loucura desvairada
Que teu pai te proporcionou
E em qual esquina esteve marcada
Esta promessa que tu nunca concretizou

Nesta eloquência desvairada
Encontrei meu salvador
Entreguei a ti, tudo que de mim sobrou,
Não que fosse muito, sei, sou quase nada

Mas se nada sou, eis-me aqui entregue
Torcendo pra não ser tomada,
Ainda assim, cá estou, abandonada,
Desejando-te da alma à epiderme.

Porque sim, tenho mil amigos
Uma estante repleta de livros e Cd’s
Sim, tenho mil e um escritos,
Mas só um poema é sobre você

E este tem-me sido um companheiro incansável,
Na batalha das decepções que o presente da vida veio a ser
Desde então colmei-me de difíceis escolhas e percebi
Nada mais será bom o bastante sem a dádiva de te ter.
Nada sou perto de tua iridescência admirável.

Conheço uma única pessoa
Capaz de emanar todas as cores mesmo sem permitir
Tens sido excepcional ao ponto de me refletir.
Pois sei, é preciso arriscar pra se libertar,
Prometo estar aqui enquanto decidires ficar.

P.S: Fica!

Thaylla Ferreira Cavalcante

Thaylla Cavalcante
Inserida por ThayllaCavalcante
1 compartilhamento

Confissões de passageira

Cá estou, na janela do avião,
Admirando a luz energizante deste sol que nos ilumina,
Analisando os prós e os contras de manter-te em minha sina,
Comparando-te a esta imensa vastidão (de ambos, conheço tão pouco!)

Longe de ti, o mundo parece vago,
Vivemos um romance nunca escrito,
Mas, ah que autor maldito!
Mantém-te longe de tudo que trago.

Até meu cigarro tornou-se morno
Quero tua boca, o gosto do teu corpo,
Descobrir em ti caminhos, desses que conheço pouco.
Devolva-me o o prazer de uma vida sem você!

Como um sopro de epifania traduzo tuas línguas,
Minhas mãos leem-te como braile,
Te acariciam de um jeito que bem sabes,
Ainda que não digas.

Hora quero-te perto,
Noutra, mais ainda
É loucura que não se finda,
Muito fogo pra pouca palha,
Seja meu pecado incerto.

Difícil é saber o que queres,
Mais difícil saber como podes brincar com meu pensamento
Logo eu, tão frígida no assunto sentimento...
Já não sei mais a que santo rogo para atender minhas preces

Teu corpo atrai,
Tuas curvas enlouquecem,
Conheço-te por completo sem nunca ter-te tocado.
Trago-te comigo, em minha pele gravado.
Tuas palavras me aquecem
Meus lábios de ti não saem.

És minha contradição favorita,
Anseio-te de cabelos assanhados
Nossos corpos suados, colados,
És o paraíso que mais me excita

Quem tem sentimentos sabe que vive a perecer...
Sou louca por ti, mas imploro,
Me ame, me use, me tenha,
Só não faça-me enlouquecer!


Thaylla Ferreira Cavalcante (Sou nós)

Thaylla Cavalcante
Inserida por ThayllaCavalcante
1 compartilhamento

​Ave Maria

Quando tu vai,
a saudade chega e aperta,
mais do que aperta em saber que tu tá longe.

Quando tu vai,
meu coração se fecha
Até que chamo,
Mas ele nem responde.

E pra abrandar teu sumiço,
Rezo pro meu padrinho padre Ciço,
Pra afastar essa tua falta.

E quando tu chega,
faço dos teus braços, meus,
Do teu abraço,
o meu deus,
A ele entrego minha devoção.

Nessa vida de nordestina bruta,
Nem Maria Bonita atura,
Tem dias em que sou o cão.

E ainda assim tu me aguenta,
Foguenta.
Aproveita e fermenta essa nossa paixão.

Porque no teu carinho me vejo inteira,
Da tua vida eu sou prisioneira,
A quem interessar digo,
Não me alforrei não!

E se for castigo,
Tu têm sido meu pecado e minha perdição.
Mas me prenda em teus braços
Que eu digo ao delegado,
Seu doutor,
Não quero libertação!

Thaylla Ferreira Cavalcante

Thaylla Cavalcante
Inserida por ThayllaCavalcante

Vocábulos vazios

Alguns dias são piores que outros. Na maioria das vezes me perco em pensamentos. Deito-me, olho o teto do quarto e espero o tempo passar, se perder. Alguns dias nada faz sentido, não me lembro de ações anteriores, não meço meus atos posteriores, me perco no relógio. Alguns dias eu queria apenas algumas horas a menos, dormir e acordar sem compromissos, planejamentos ou regras a seguir. Em alguns desses dias, o mar é meu refúgio, imagino-me prostrada sobre a areia fina, observando o céu, as constelações, dando nome a todas elas, uma por uma.
Em outros desses dias, sinto minha garganta queimar, meus pulsos arderem e meu peito doer, cada vez mais forte, cada vez por mais tempo, e assim o tempo passa. Algumas vezes uma pintura, uns escritos, são o bastante pra me definir. Algumas vezes, me encontro em meio a um punhado de lágrimas e soluços ritmados com meu coração. Algumas vezes, para ser sincera, não vejo em mim muito mais que uma pilha de pincéis, palavras e livros lidos, ao se tirar isso, não sobra muito de mim.
Sou fraca, você me disse uma vez, lembra? Eu concordei, mas acho que essa frase nunca fez tanto sentido quanto agora. Sou fraca com relação a você e ao mundo. Sou fraca por não conseguir lidar com minhas emoções, principalmente quando se trata de você. Às vezes dói, às vezes faz mal, e às vezes eu só queria mais um cigarro e uma dose daquele whisky barato que comprei na esquina outro dia. Cada dose te tirou um pouco de mim, e ao final do litro, nem conseguia dizer o teu nome. Talvez fosse bom, talvez eu realmente quisesse que você evaporasse junto com cada um daqueles tragos de cigarro dos tantos que dei. Talvez você já tivesse evaporado, se misturado com o ar, talvez eu só não soubesse.
Algumas horas eu penso em te deixar, em outras dessas eu não vejo muito futuro sem você. Meu pensamento é como uma bola, e você, um jogador empenhado, daqueles que são realmente bons. Você chuta uma vez, duas, três, de novo e de novo, enquanto tudo se agita por dentro, enquanto tudo se mistura e nada mais fica estático. É sempre assim quando te vejo, já percebeu? Meus olhos vidram nos teus castanhos vivos, nas tuas órbitas que parecem querer juntar-se as constelações que estariam ali, acima do mar. Você também ama o mar não é? Te ouvi dizer isso uma ou duas vezes, não lembro. Guardei comigo só o que considerei importante, todo o resto foi descartado, junto com tudo que me lembrasse você.
O teu "adeus" me perfurou a carne, como uma furadeira entrando por meus órgãos e me causando hemorragia em cada um deles. Um sangue imperceptível e coagulante que a ti pouco importava.
"Espere por mim", você dizia em meus sonhos, e neles, você realmente vinha, mas a vida real não funciona assim. Meu sangue se infectou por todas as manchas negras causadas pela nossa separação, meu corpo desidratou por todas as lágrimas derramadas em teu nome. E minha cabeça girava, minha boca, seca e meu sorriso, sem vida. Este e aquela, antes se iluminavam ao te ver, emanavam uma luz quase tão ofuscante quanto tua própria presença.
Se meus sonhos pudessem se tornar realidade, meu peito agora não doeria, minha voz não falharia, minhas pernas não estariam a fraquejar. Se aquela praia estivesse comigo, meus pulmões teriam o mais puro ar, poderia vislumbrar as estrelas, e te ver acima de mim, em cada uma delas. Já que não posso, essa tarefa cabe a ti e somente a ti. Quando vir as estrelas, quando for à praia, lembre-se de mim uma vez ou outra. Lembre que te amei um pouco mais a cada dia, até perder o controle por completo de mim mesma. Lembre que seu rosto, seu sorriso, seu abraço, são as melhores coisas que eu já experimentei nesse mundo, que tu fostes meu abrigo nos tempos de tempestade, minha calmaria em meio ao nevoeiro, e agora tem minha vida em suas mãos.
Eu, carbono, ei de me decompor logo mais, você, com seu desamor seja feliz pela presença que te invade, vais e não magoe ninguém mais...

Thaylla Ferreira {31/07}

Thaylla Cavalcante
Inserida por ThayllaCavalcante
1 compartilhamento

ASFIXIA

Escrevo estas palavras póstumas nestas linhas sem sentido afim de descrever todo o percurso transcorrido nestes últimos anos. Não absorva toda esta melancolia, são só versos de solidão.


Agora tudo que resta é um punhado de folhas mortas, alheias a toda e qualquer movimentação que o mundo lhes ofereça. Os móveis se enchem de poeira, camadas e mais camadas que se acumulam sobre o plástico que os devia proteger. A vida que existia, se esvaiu completamente.
Eu por outro lado, sentia a cada dia um dor crescente que me consumia por inteiro e me fazia querer gritar até que as portas e janelas se rompessem, relevando todo o vazio que aquela casa demonstrava. Era um sentimento sujo que me maculava a alma e transbordava todos os meus pecados. Tudo o que sobrou foi encaixotado, na esperança da venda do máximo que conseguisse. A casa foi posta à venda, e comprada muitos anos depois por um jovem casal que vinha de longe e não conhecia toda a história misturada com o cimento daquelas paredes. Até as fotos foram jogadas fora mas estas foram resgatadas por mim.
Quando finalmente consegui encaixar todas as peças do quebra-cabeças, todas as que tinha, minha luta pareceu ser inválida. Não importava a maneira que tentasse coloca-las juntas. Nada jamais voltaria a ser como antes e o vazio me pressionava o peito a ponto de esmagar, me fazendo sentir e pensar em coisas para as quais nem consigo achar vocábulos descritivos. O que ficou no final não era vida. Não era viver. Não era sobreviver. A vida, essa palavra linda que sempre derrotou a morte no curso natural das coisas estava agora sem o mínimo valor.
O relógio continuava funcionando, pendurado na parede de uma sala escura em pleno meio dia, negra como minhas esperanças. Os ponteiros giraram por incontáveis vezes até que as pilhas acabaram, e ninguém estava ali pra repor. Iniciei sozinha um processo quase impossível de esquecimento, e nesta longa jornada, só a dor me acompanhou.
Os mais velhos conseguiram tocar a vida com bem mais facilidade que eu, como se nada tivesse acontecido, ou nada de novo sob o sol. Andando em seus cavalos, se encontrando para o happy hour, para jogar bola com os amigos, ou apenas numa tentativa vazia de socializar o imcompartilhável. Pareciam conhecer todo o roteiro daquela história, como algo já vivido nesta vida ou noutra.
Era um verão quente. As mulheres usavam saias cada vez mais curtas que atraíam cada vez mais olhares. Transcorridos pouco mais de cinco anos desde o dia em que cortei pela primeira vez os pulsos, espalhando todo aquele veneno pelo ar, naquele ar disforme em que eu mesma me contaminei. A mim, a você e a todos a nossa volta.
O rio local teve um considerável aumento no cheiro de enxofre, talvez pela excessiva produção de fosfato, talvez o acúmulo das mentiras contadas, que criou uma bolha ao redor da cidade, fazendo com que todos se rendessem a seus pecados. O que é certo é que dezenas de noivas desmarcaram seus casamentos, infelizes com o azar de ter escolhido uma data de que todos lembrariam negativamente, seja pelo odor ou pelos fatos.
Eu por outro lado, só penso em asfixia, por tudo que me tira o ar e me rouba o sono. Como todo mundo, queria poder esquecer do que aconteceu. Nada melhor do que não absorver. As drogas funcionaram por um tempo, o álcool me mantinha entorpecida e os cigarros me ocupavam. A boca, os dedos e o coração. E a cada trago eu me entregava, sem a coragem de fazer o que você fez.
Tanta coisa que falaram de você ao longo de todos esses anos, mas ninguém nunca te conheceu como eu, ninguém nunca soube verdadeiramente a resposta. Você nunca me ouviu, e ainda não ouve quando te chamo, quando grito por você nas madrugadas de pesadelos. Sei que podia ter sido diferente. Você deixou este quebra-cabeças pra que eu montasse mas não importa o que eu diga ou faça. Sempre irão faltar peças.
A árvore que você gostava foi cortada e eu lamento por não conseguir impedir. Queria ter dito que te amo, mas só percebi quando era tarde demais. O fato é que depois de você finalmente percebi, um dia a gente vai ser apenas uma fotografia na estante empoeirada de alguém e depois nem isso.

PS: Estou indo te encontrar.

Thaylla Ferreira Cavalcante

Thaylla Cavalcante
Inserida por ThayllaCavalcante

Hoje me vejo fadigado,
Triste e melancólico.
Estou farto por isso ocorrer,
Exausto por não ter você.
Hoje me sinto meio morto,
Melhor dizendo,
Me sinto completamente morto.
Morto de saudades,
Morto de vontade,
Morto de desejo,
De ter você,
De estar com você.
Hoje me sinto morto,
Por não poder beija-la.
Te amo minha vida,
Amo morrer de amores por você.

Djonatan S. Oliveira
Inserida por dj0natan