Melancolia

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“Aprendo todos os dias a viver, e ainda assim sinto que não entendi. Sou feita de melancolia e de breves instantes de felicidade. Talvez te perguntes, leitor, como se vive assim. Eu diria: não vivo — espero. Espero a onda forte que me arraste ao fundo, pois é no afundar que encontro o impulso para voltar à superfície e lutar. Mas, ao retornar, sinto saudade da dor que me agoniza — e então volto à tristeza, como se nela estivesse a prova de que ainda estou viva… e, paradoxalmente, onde reconheço a minha alegria.”

"A melancolia me traz alegria, não desejo este sentimento, mas não sinto arrependimento. Quero poder sentir outras ilusões esperançosas, mas, nessa realidade inconsistente e indiferente, sinto o desespero ardente pelo que é diferente."

A beleza da melancolia, um sentimento que me destrói aos poucos por dentro, mais algo tão discreto desperta em mim uma curiosidade que me puxa pra perto.

A chuva traz o silêncio.
Minha alma se acalma,
os sentimentos se aguçam.
Na melancolia, chega também o entusiasmo,
e o alento me compensa
com momentos tão bons.


O pingo na telha…
e um coração em paz.


Otávio Mariano.

A mesma coisa que me faz alcançar o auge da felicidade é a que me rebaixa ao auge da melancolia. Tenho a impressão de que isso não é saudável.

TANKA 001


Ah como te sonho!
Como te cobiço em mim!
És minha alegria,

prazer e melancolia,
no calor do pôr-de-mim!

A melancolia é o eco silencioso das histórias que nossa alma esqueceu de contar — e que insiste em sussurrar nas noites vazias.⁠




EduardoSantiago

​"A melancolia não é o anúncio da derrota, é o recolhimento estratégico do predador; é o momento em que a alma mergulha no próprio silêncio para recalibrar o peso do mundo, sabendo que as mentes mais brilhantes só voltam à superfície quando estão prontas para vencer."

O devaneio de minha melancolia, faz de mim silente e lúgubre.

A escrita me encontra na noite, instante em que a melancolia se aproxima e se torna minha mais fiel companhia.

Melancolia é a poesia da alma que se recusa a ignorar o peso da existência.

A melancolia é a poesia que a alma escreve quando a tirania da alegria se torna insuportável.

A melancolia é a poesia da alma que se recusa a ser anestesiada pelo entretenimento barato e pela felicidade de plástico que vendem nas esquinas. É a coragem de encarar o tédio e a dor, encontrando neles a substância real da nossa jornada humana.

A melancolia é o eco das histórias que a nossa alma esqueceu de contar e que agora insistem em sussurrar nas noites vazias, pedindo para serem registradas. Eu sou o escrivão desses fantasmas, o secretário de uma dor que não tem nome mas que exige ser ouvida.

A melancolia não deve ser vista como uma sombra que nos persegue, mas como a penumbra necessária para que as luzes da alma brilhem. Sem o contraste do escuro, a claridade da nossa própria resiliência se tornaria cega e sem profundidade alguma para o olhar atento. É no tom menor da existência que as lições mais cruas e honestas são sussurradas ao ouvido de quem tem coragem de ouvir. Aceite a sua tristeza como uma mestra rigorosa que te prepara para os grandes palcos da vida eterna.


- Tiago Scheimann

O amor é como as Gymnopédies de Erik Satie: Uma repetição hipnótica de melancolia e paz, onde o vazio entre as notas diz mais que o som. Amar exige a coragem de ser vulnerável em um mundo que idolatra a frieza e o descarte imediato das emoções. É aceitar que a tristeza faz parte do arranjo, e que sem o grave, o agudo não teria onde se apoiar para brilhar. Que o seu afeto seja profundo o suficiente para não temer o silêncio do outro.


- Tiago Scheimann

A melancolia é uma visita que chega sem avisar e senta-se à mesa para tomar um café frio conosco, o segredo não é tentar expulsá-la aos chutes, mas ouvi-la com atenção, pois ela sempre traz notícias de partes de nós que esquecemos de cuidar no meio da correria.

Há em mim uma melancolia antiga, quase litúrgica, como se minha alma carregasse memórias de tempestades que minha própria consciência já não consegue nomear.

Eu conheço a melancolia pelo modo como ela acende as coisas simples: uma xícara, uma janela, um nome antigo, e tudo passa a doer com elegância.

Minha melancolia não é desistência, é o modo que encontrei de olhar o abismo sem negociar minha humanidade.