Káliston samuel
"A vida é vazia, vazia de ser, pois há uma necessidade de manter aparências. Viva a vida de forma que o 'eu' represente mais que o 'eles!.."
O que é o vazio? Não é o nada, é a falta do sentido de ser ou existir. Já o nada é um lugar desocupado da razão sobre as ideias.
Quão grande é o peso no meu coração,
Pesado é o fardo da aflição.
Flecha ardente de perdição,
Supra-sumo que caiu no chão.
Oh, tardio é o alegrar,
Longínqua é a dor a queimar.
A marca exposta nos versos de poesia,
O peito tendo arritmia.
O esplendor do vazio,
O rasgar da alma no frio.
Tal cena é horrenda,
Perfurante ao entrar na fenda,
Cavidade do eu, apelido momento,
No bravio mar de rosto,
Da felicidade é o oposto.
Desesperante flor da vida,
Ânsia que fora pela partida,
Prostrado diante das lamúrias,
Tal qual, é alto o rasgar de um trovão,
O estrondo da lágrima é ao tocar o chão.
Bradou, bradou!
Da dor virou marca.
Este momento começou,
Grande é o canto em Harpa.
Não há mais o agora,
Fugiu a razão e foi embora.
Onde o encontrarão?
No mais inútil canto de um coração.
Beldade da existência,
Inquietante é a sua ciência.
Ser o elo entre a dor e o ser,
Na amarga rotina de viver.
Genial é um inseto.
Voa pelos ares incertos,
Não há preocupação,
Apenas resta a quietude de não saber o que sentir no coração.
Dor dilacerante do existir,
Buraco ao qual não vai extinguir.
A lança do pensar,
A nota de pesar.
Tal qual um sonho,
Doeu, suponho.
Ali está o eu,
Muitos dizem que morreu.
A mitologia da felicidade,
Tudo se fez vaidade.
Aqui faz uma mente,
Já se foi aqui o presente.
O diário de de um homem fiel,
De suas ideias ele virou réu.
A condenação eterna do pensar,
O cérebro corroeu o bem-estar.
O penhasco da máquina,
A humanidade que se exprima.
Tormenta física e mental,
Aproximando do momento final.
Mórbidos dias de agonia,
Aos poucos perdendo empatia.
Os pensamentos putrefeitos,
Neles, nada além de defeitos.
A alma perece na inquietude,
Se esvai a plenitude.
São mil lâminas com plutônio,
Semelhança ao rei Babilônio.
A caverna do juízo final,
O átrio da existência coronal.
Até o fim da oscilação de ruína,
Da morte vive a sua doutrina.
Jesus a rocha da presença,
Nele é necessário nascença.
Luz do mundo e sal da Terra,
Só há esperança naquele que não erra.
Alfa e omega, princípio e fim.
Por nós jorrou seu sangue carmesim.
Seu sacrifício redentor do Éden.
O velho jaz e o novo vem.
Em três dias de volta aos vivos,
Da vida e morte ele tem os crivos.
Tríplice unicidade do ser,
Creia nele para eternamente viver!
Cumprimento da tábua mosaica,
Juíz polido dentro da arca.
Ele faz do céu cair fogos,
A razão do logos.
O trono da luz divina,
A presença trina.
A antítese do impossível,
O destruidor do abominável.
Deus, Jesus e Espírito Santo,
Toda o templo se enche do seu manto.
Adoração eterna no céu,
Na cruz, rasgou-se o véu!
Pressentimento ruim,
Breve virá o fim,
Dor de dilacerar um rim,
O mental é o estopim.
Nada mais resta fazer,
Dor e lágrima a cozer,
O caminho a escurecer,
Olhos a esmaecer.
Criminosa solidão,
Domina o coração,
Caiu o próprio sermão,
Veio o apagão!
Ele é o vazio almanaque,
O Mortuário de embarque,
A escuridão do charque,
A alma vazia de palanque.
Frívolo pilar longínquo,
Imutável e oblíquo,
Honorário pulsante,
Averso de semblante.
Oscilante atômico,
Crespo cômico,
Contradiz o advento imaginário,
Permeia e nada em um aquário.
Maresia da fertilidade,
Desbravam-no na futilidade.
Quem é este ser incompreendido?
Picada no vespeiro momento,
Teorizam seu comportamento,
Faz-se um ensinamento,
Convém ter seu conhecimento.
Ela já se fez em relíquia sagrada,
É vista em um conto de fada,
Tem seu fim na espada,
Por vezes é ceifada.
Senhorita vida, tu é o início e partida!
Viu-se o levantar,
Viu-se amar,
Viu-se arruinar,
Viu-se recomeçar.
Não foi bem,
Não foi mal,
Não se fez drama,
Não fugiu da lama.
Ouçam o vento,
Ouçam o agora,
Ouçam o viver,
Ouçam o morrer.
O amor
É doar-se em alma,
Manter-se a calma,
Conexão mortal,
Casamento final.
Matrimônio único,
Ato benéfico,
Compreender o nós,
Desatar o entre nós.
Vibração somática,
Por vezes errática,
Cultural é sua prática,
Monumental e metálica.
O fim da melancolia?
Doce morte sombria,
Nevoeiro da primazia,
Suprassumo da apatia.
Ríspido rasgar psicossomático,
O mundo tem sido monocromático,
Amargo é o pensamento dramático,
O resplendor do ser errático.
O falso sorriso neurotraumático,
As sequelas do passado fático,
O algoz do presente lunático,
Sem um futuro fanático.
Aqui jaz o ser do meu eu,
Tal qual dizer o que doeu,
Aquele homem em mim morreu!
A silenciosa dor apareceu.
A estrondosa morte bateu,
O dia de fim aconteceu,
O eu lírico morreu,
Esvai-se o eu.
Trêmulas mãos suadas,
Rápido! O fim breve vem,
Já vejo o túnel do além,
A morada das pessoas finadas.
O batimento caindo,
A morte sorrindo,
Ausente de medo,
Ciente do enredo.
Céu almejado,
Pós morte sonhado,
Eis o diário de um finado,
Aqui morre o citado!
Preto sombrio,
Sombra de pavio,
Escuro labor.
Noite de breu,
O dia escureceu,
O olho esmaeceu.
Ausência de cor,
Tom de calor,
Sem seu furor.
