Douglas Figueiredo
Facultativa mental
tu tiveste
vida breve,
tão leve
mas bonita,
digna, olha,
pare e pense:
Tudo que morre
é entregue
ao tempo
e suas memórias.
Insaciável,
olha a fera!
O teu cupido
lhe fertou;
Foi preciso
um copo d'água doce,
deve ser nostalgia
ou ouro de tolo,
a minha vez
com menos por quês
mantendo-se sóbrio
mas se teu coração dilata
tenho gigantesca certeza:
Tô morto
de novo!
Pássaros a cantar,
variações
de uma vida bela,
veloz,
certeira,
formada
ou não intencional;
Flor!
É com lágrimas
nos olhos
e aperto no coração
que me despeço
de ti,
tô tão disperso
sem esforço
por as vezes
me lembrar
que de você
esqueci.
Minha filosofia
é falha,
meu sistema
é débil;
A volúpia
escorre-me
pelas mãos,
junta-me os destroços
como se eu fosse avião
punido por ir
longe demais,
ferido por não saber
se defender.
Antônia,
por que fostes
se perder?
Eu que não dependo
de ti
mas infeliz
á bons
e indiferentes olhos;
Me chama,
me ama,
me perturba,
com ou sem torpor
da ganância típica
de um jovem sonhador.
Á contragosto
da oposição,
um opositor
louco,
dispara,
mata,
envenena;
Enterra,
tua tese de segurança
já não pode
mais nada,
não anda,
não manda,
não sente,
pra tocar o terror
sempre aparece alguém
mas quem te estende
a mão,
fala sério!
Francamente!
