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“Aprendo todos os dias a viver, e ainda assim sinto que não entendi. Sou feita de melancolia e de breves instantes de felicidade. Talvez te perguntes, leitor, como se vive assim. Eu diria: não vivo — espero. Espero a onda forte que me arraste ao fundo, pois é no afundar que encontro o impulso para voltar à superfície e lutar. Mas, ao retornar, sinto saudade da dor que me agoniza — e então volto à tristeza, como se nela estivesse a prova de que ainda estou viva… e, paradoxalmente, onde reconheço a minha alegria.”
"A melancolia me traz alegria, não desejo este sentimento, mas não sinto arrependimento. Quero poder sentir outras ilusões esperançosas, mas, nessa realidade inconsistente e indiferente, sinto o desespero ardente pelo que é diferente."
"A dor que sinto não expresso, apenas vivo. É nessa dor que encontro o único ponto que me conecta a você. Então, me aconchego e sinto o conforto; não tento lutar, apenas me afogo nesse mar que mata lentamente, submersa nesses pensamentos, recusando-me a nadar."
Um sentimento que me corrói por dentro, um conforto desesperador, uma alegria indefinida, essa é a melancolia.
A beleza da melancolia, um sentimento que me destrói aos poucos por dentro, mais algo tão discreto desperta em mim uma curiosidade que me puxa pra perto.
Como explicar que sou por composta bilhões de vasos sanguíneos individuais, centenas de veias principais, com em média, 86 bilhões de neurônios e ainda me sinto vazia por dentro.
Quando a música provoca sentimentos nunca sentidos afetando a profunda camada da sua alma, seria talvez o despertamento lento de uma vida passada?
Sinto uma vontade desesperadora de nadar até o fundo do mar. Há algo assustadoramente confortável nesse sentimento, e talvez seja isso o que mais dói em meu peito. Carrego um sentimento sem nome, sem direção, sem origem aparente. Não sei para onde apontar, por onde começar ou o que dizer. Só sei que estou cansada de lutar contra algo que nem consigo explicar.
É uma agonia enorme que sorri e me impede de continuar, mas eu sigo em frente, vivendo dessa forma monótona e consciente de que, muitas vezes, o arrependimento de não explorar esse mar é menor do que deixar-me afogar.
Eu quero no final me arrepender, me arrepender de ter feito tudo quero sentir essa lacuna sendo preenchida e não esquecida que eu me arrependa de ter feito mais nunca de não ter tentado. Que eu antes de dormir lembre das vergonhas, risadas e mancadas mais depois durma tranquila por ter tentado.
Talvez o sentido já estivera em mim mais sai procurando-o por ai, talvez você leitor encontre o sentido no amor, talvez as estrelas saibam o sentido do brilhar, talvez a lua sinta a dor de não poder nadar no mar apenas o observar, talvez nem o sol suporte o seu calor, mais não é sobre astros é sobre como talvez você se incomode com o sentido de ser você em um mundo que julga até a sua própria dor.
O porquê do conhecer surge quando nos perguntamos sobre aquilo que não conhecemos. Logo, o porquê de eu existir surge quando não sei o porquê. Mas, se não sei o porquê e procuro conhecê-lo, encontro respostas ao me perguntar sobre esse porquê.
Então percebo que o porquê não está em você, não está no céu nem no mar, não está no sol nem na lua. Talvez estivesse em mim. Mas saí procurando o porquê, me perdi no caminho e agora nem eu sei qual é o porquê.
Mas, antes que seja tarde, você deve descobrir sozinho o porquê da sua vida, pois talvez seja justamente nessa busca que esteja o sentido do existencialismo.
