Melancolia
Quando eu esqueço de me escolher
Hoje, a melancolia chegou sem pedir licença.
Talvez porque, mais uma vez, eu tenha percebido o quanto consigo dar importância a pessoas que, tantas vezes, só me procuram quando precisam de um lugar para despejar os próprios vazios. E o que mais dói não é não saber. É saber de tudo e, ainda assim, abrir a porta.
Se fosse qualquer outra pessoa, eu já teria ido embora há muito tempo. Eu sei partir. Sei fechar ciclos. Sei me proteger.
Mas com ela, alguma coisa em mim desaprende.
Não sei explicar o que existe entre nós. Só sei que, quando ela se aproxima, minhas defesas silenciam. Eu fico vulnerável, esqueço das cicatrizes e me entrego como quem ainda acredita que, desta vez, talvez seja diferente.
E então tudo se repete.
Eu perdoo o que me feriu, abraço o que me faltou, aceito migalhas como se fossem banquetes e chamo de esperança aquilo que tantas vezes já me provou ser ausência.
Talvez minha maior frustração nem seja o que ela faz comigo.
Talvez seja perceber o quanto eu me abandono quando se trata dela.
Porque eu sei que mereço mais. Sei que deveria escolher a mim mesma. Sei exatamente onde esse caminho termina.
Ainda assim, existe uma parte de mim que continua voltando.
Como quem conhece o abismo pelo nome, sabe a profundidade da queda, lembra de todas as vezes em que se machucou...
e, mesmo assim, caminha até a beira outra vez.
Talvez o amor mais difícil de aprender seja aquele que começa quando finalmente decidimos não nos perder de nós mesmos para permanecer na vida de alguém.
As lembranças de alguns momentos de outrora transformam a saudade numa alegre e profunda melancolia!
Oh, grande melancolia
Tão suave e avassaladora
Minha alma grita desesperadamente
Por seu abraço inexistente.
Oh, bela vida
Tú és a arte guiada pela existência
Onde encontro a insignificância!
Oh, grandioso tempo imparável
Tú és tão silencioso e inalcançável...
Em meu rosto, chuvas de meteoros atlânticos caem incessantes,
Com vossas águas salgadas e incansáveis.
Em meu coração, ele pede por paz
Mas eu lhe dou a solidão com vista ao abismo.
Em uma varanda, observando o mar e o pôr do sol,
Sentindo-se a euforia e a paz reinando em minha alma.
Numa profundidade assombrosa, mas viva e única.
Em uma alma perdida, encontrei a direção até o sol.
Lá avistei a metade que me faltava, que eras tú:
Felicidade!
A melancolia é o eco silencioso das histórias que nossa alma esqueceu de contar — e que insiste em sussurrar nas noites vazias.
EduardoSantiago
"A melancolia não é o anúncio da derrota, é o recolhimento estratégico do predador; é o momento em que a alma mergulha no próprio silêncio para recalibrar o peso do mundo, sabendo que as mentes mais brilhantes só voltam à superfície quando estão prontas para vencer."
Tua ausência tornou-se o compasso vazio dos meus dias. Há uma melancolia profunda em redescobrir o mundo sem o brilho do teu olhar para iluminar os pequenos detalhes que só nós sabíamos decifrar. Dizem que o tempo cura todas as feridas, mas, para mim, ele tem sido apenas um relógio parado — um eterno inverno que se instalou desde que nossos caminhos se desencontraram.
Sinto uma saudade latente da simplicidade de sermos, apenas, um só coração. Daquela época em que a nossa maior promessa era o próximo encontro e o meu tesouro mais sagrado era o som da tua risada, que ecoava como música em minha alma. Perdi-me em labirintos de palavras não ditas e em gestos que o orgulho ou o medo adiaram. Hoje, com a clareza que só a saudade traz, percebo que, no afã de viver a vida, esqueci que o meu mundo só possui sentido pleno quando está ancorado no teu porto seguro.
Não te peço que apagues as cicatrizes ou esqueças as dores, pois elas também narram a nossa história. Peço apenas que permitas que a ternura prevaleça. Lembra-te do toque que desarmava qualquer tempestade e daquela conexão que parecia ter sido escrita nas estrelas, muito antes de os nossos corações aprenderem a bater.
Se ainda restar, nas profundezas da tua alma, um pequeno refúgio guardado para o que fomos, deixa-me provar que podemos ser ainda mais. Não desejo voltar para o mesmo lugar de antes, mas sim construir um novo destino, como alguém que finalmente compreendeu o valor inestimável do que possuía e que hoje está pronto para lapidar esse sentimento como o mais raro e precioso dos cristais.
O meu coração, teimoso e eternamente fiel, ainda pulsa no ritmo do teu nome. Estarei aqui, no nosso cais particular, observando o horizonte e esperando para ver se o vento, em um sopro de misericórdia, decide trazer-te finalmente de volta para casa.
Jogo de azar
Era doce a maneira de como ela via o amor. Para ela a melancolia era uma palavra bonita, uma forma romântica de ficar triste. Tanto quanto a solidão e a ingratidão. Palavras que já conhecia muito bem. O tempo a tranquilizava, dava uma certa paz. Ela sempre soube que o amor era um jogo de azar, nunca apostou nele . Apenas o amor não realizado poderia ser considerado como romântico e belo. Ela vivia aquele amor, sem jamais ter a pretensão de receber algo em troca, da pequena janela branca via a vida passar admirando a distancia. Com brilho nos olhos, um livro na mão e o cigarro na boca, ela seguia.
E a vida?
A vida era uma longa e surpreendente aventura do qual ela jamais desperdiçou.
Noites de lua cheia me trazem um pouco de melancolia. Ninguém me ensinou á ficar bem sem seus sinais. Vou enlouquecer por te imaginar nesses quatro cantos do mundo. Vou enlouquecer sem qualquer notícia. Será que anda fumando? Será que ainda toca naquele bar que nos conhecemos? Eu poderia passar por lá como quem só quer afogar as tristezas num copo de Absinto, mas e se você não estiver? Vai doer mais ainda porque pensei que poderias estar lá?
Depois de tanta amargura absorvida,tanta raiva,tanto medo.desgosto,melancolia e imperfeição…meu sangue permanece doce e com o mesmo sabor.Isso me faz perceber que tudo é superficial e que apesar de tudo eu continuo VIVA.
Tempos que não voltam são feitos para serem guardados com saudosismo, não com
melancolia. O que passou passou e a gente tem que seguir.. porque tem uma vida pra criar...
Melancolia
Eu vejo a melancolia
Na maçaneta das portas,
Na mesa das salas
E de todas as escolas.
Eu vejo a melancolia
No teto de todas as casas,
No nó das gravatas
E até na barra das saias,
Nas caixas de remédios
E até no terraço dos prédios.
Onde não se imagina
Eu vejo a melancolia,
Eu vejo a melancolia
No vidro fosco dos carros,
Nos cadarços dos sapatos
E no olhar desconfiado.
Eu vejo a melancolia
No som do desespero,
Dentro de todo gemido,
Na saliva de cada beijo;
Quando me olho no espelho, Na rótula do meu joelho,
Nos sorrisos de alegria,
Na luz do sol que brilha
E nos curativos sujos de pus
Feitos em mim
Depois da cirurgia.
É algo muito esquisito
Não tem como explicar,
Eu vejo a melancolia
Nas agulhas que a enfermeira
Crava na minha veia,
Nas promessas não cumpridas,
Quando estou no banheiro
E embaixo do chuveiro.
Pode até parecer absurdo
Haverá quem me interne?
Eu sinto a melancolia
Até quando penso nos extraterrestres;
Em todos os detalhes,
Nas folhas que caem,
Nos músculos que se contraem,
No calafrio da barriga,
Nas manchas de sangue do mês
Talvez!
É mesmo um absurdo,
É tudo muito irônico,
Eu vejo a melancolia
Até nas ânsias de vômito.
Na maçaneta das portas,
Nas mesas das salas
E das escolas,
No chão dos corredores,
No botão dos elevadores,
No teto de todas as casas
No nó das gravatas
E até na barra das saias;
Nas caixas de remédios
E até no terraço dos prédios,
Onde não se imagina
Eu vejo a melancolia:
No vidro fosco dos carros,
Nos cadarços dos sapatos
E no olhar desconfiado.
Quando me olho no espelho,
Na rótula do meu joelho,
Nos sorrisos de alegria,
Na luz do sol que brilha,
Nos curativos sujos de pus
Feitos em mim
Depois da cirurgia,
No banheiro,no chuveiro,
Em todos os detalhes,
Nos extraterrestres,
Nas folhas que caem,
Nos músculos que se contraem,
No calafrio da barriga,
Nas manchas de sangue
Do mês talvez!
É tudo muito irônico,
Eu vejo a melancolia
até nas minhas ânsias de vômitos.
No nó das gravatas,
Na barra das saias
E no teto de todas as casas.
Isso é algo tão absurdo
Que nem Freud explicaria
Esse meu excesso
De melancolia.
Para hoje eu precisava menos do vazio.
A decepção e a melancolia já não me significam.
O silêncio e a solidão não me são boas companhias.
Talvez a sua voz, acho que é isso...
As suas palavras me fariam bem.
Talvez a sua presença, acho que é isso...
O seu calor me faria bem.
A melancolia já havia comprado um terço das minhas emoções, e as suas palavras inundavam dentro de mim como uma chuva fina. Assim, os meus olhos caíram na travessia dos últimos momentos.
SAUDADE
Na melancolia da escuridão quando a noite avançava e os sons entoados eram regados de ruídos únicos, Ela mais uma vez se entregou aos pensamentos. Buscou recordar-se em que momento do caminho havia se perdido, achava ter se distanciado de sentimentos que a transportavam para um passado distante e impudor. Ela queria o poder de descrever com palavras a saudade embebida de amor.
Então cerrou os olhos, tentou imaginar como reproduzir minuciosamente com palavras a saudade. Induziu seus pensamentos a mover-se como o vento nas paisagens mais distantes de sua imaginação, relembrando momentos que pudessem expressar tamanha exatidão.
Descrever a saudades é tentar esquecer o impossível. É imaginar os desejos como um sonho que se esvai, em meio a um mar de sentimentos e palavras que nunca foram ditas. É como um abraço ambicionado, desejado que nunca aconteceu. É como o impulso repentino e avassalador do último encontro. É como estar novamente encurralada nos braços de um amor que acabou. É lembrar-se de um grito desejado e entoado no ápice do devaneio, a princípio acanhado, no meio desinibido e no fim arrependido. É a tristeza que invade a alma ao término de todo encontro. É pairar sem equilíbrio na imensidão do amar exprimindo particularidades que só coração pode perfazer, narrar. É contemplar disfarçadamente sem querer mirar, mas os olhos de quem ama estar destinado eternamente a observar. É o amor quando transcende o olhar e integra o mais lindo limiar do desejo de querer e não poder tocar. É o turbilhão de sensações que torna ébria a alma e faz todo ser pleitear ser observado eternamente por um único olhar.
Abriu os olhos, e descreveu a saudade como uma tarefa inglória, sem o charme de uma conquista constante, sem o glamour das promessas, só com o lado obscuro da despedida que antevê sempre sufocado no silêncio das palavras nunca ditas, ficam lacunas, hiatos de vontades não realizadas e de quimeras que lentamente se transformam num oceano de lágrimas que se dissipam em meio uma torrente, no vai e vem da vida, que nunca será esquecida.
Ela nunca se despediu. Por fim, sorriu ternamente e partiu...
Nasci com a medida exata de melancolia que me deixa certamente diferente de qualquer medíocre lógica!
O amor sozinho é teoria. O amor a dois é alquimia. Aos ausentes de amor, melancolia. Aos indiferentes sobre o amor, ironia. À você, que procura por sua companhia, um até breve.
