Ficção
Algumas pessoas com mentalidade de retrovisor ficam abaladas quando digo que gosto de televisão e assisto qualquer coisa, desde novelas até documentários. A magia da ficção me leva a esquecer, por alguns momentos, a sordidez da realidade. Inclusive para esquecer as pessoas com mentalidade de retrovisor.
Não. Não. Não!
Não te iludo
Não se iluda
Te dou a mão
Não o coração
Sou amiga
Não me fira
Seja amigo
Não perigo
Não me assuste
Pise no chão
Voar no meu céu
Nem na ficção
Tudo está claro
Não se confunda
Toma cuidado
Não quero bagunça.
[10/11/2014]
Se eu pudesse dar um recado aos mais jovens, eu diria para deixarem os celulares de lado e aproveitarem mais a vida, para caminharem mais a beira mar, a apreciar as cores do pôr do sol, a ouvir músicas de qualidade, a deixar o coração falar e escrever em forma de poesia. A ler bons livros, sejam dramas, aventuras, policiais, suspense ou ficção, até mesmo sobre política.
Eu diria aos mais jovens, que a vida passa rapidamente. Portanto, façam mais campinhos em terrenos baldios, joguem bafo, rodem seus piões, empinem suas pipas (mas sem cerol), nadem, corram, apanhem frutas direto do pé. Pratiquem, e muito, a gentileza, a simpatia e a educação, pois um dia vão adorar ver que seus filhos assimilaram bem esses ensinamentos.
Eu diria aos mais jovens que exercitem mais seus bom dia, boa tarde, boa noite, com licença, por favor e muito obrigado, pois são palavras que desmontam qualquer tipo de grosseria.
Eu diria para que cultivem mais os amigos verdadeiros, que os preservem, pois muitos permanecerão em suas vidas e outros serão boas lembranças, que certamente proporcionarão grandes reencontros.
Eu tenho um orgulho muito grande de meus filhos. Apesar das falhas, como todo pai, eles exercitam tudo o que descrevi aqui.
Tenho certeza absoluta de que, se todos os novos pais ensinarem o mesmo para seus filhos, independentes da classe social, pois isso não conta, em poucos anos teremos um mundo realmente melhor.
A tecnologia nos transforma em avatares de nós mesmos e nos torna cada vez menos humanos.
E no final, creio que esse texto serve também para nós, adultos, que um dia pudemos ser crianças, adolescentes e jovens. Existe vida ao nosso redor.
Preciso parar de vê filmes de romance e de lê contos amorosos, pois a realidade requer ação e não ficção.
Viagem...
Noite de lua cheia
Eu quero sair
Noite de lua cheia
Eu vou prosseguir
E buscar nas cordilheira
O rastro de um avião
E na campanha o sangue Chê
Da revolução
Mirar o pôr do sol
Seguir alado embalado na canção
Sentindo o fogo derradeiro em meu coração
E ver o homem como índio dessa estação
Zica...
Zica é dona de modos antigos
Português arcaico e meio embolado
Filha de italianos e radicada no Brasil
Foi morar nos confins de Almenara
Muito depois da cidade iluminada
Vivia com seus bichos e sua paz
Tinha rádio a válvula, e funcionava
Era sua ponte com o que havia no mundo
Zica, na sua ingenuidade, se pegou confusa
Ouviu dizer que haviam outras zicas
E que todas vinham de um mosquito
Seu espanto superou a indignação
Tomou banho, penteou os cabelos
Atrelou a mula Brivana na carroça
E foi pra cidade encontrar uma resposta
Quantas outras zicas haviam além dela?
Foi complicado pro Dr. Genival
Explicar a Dona Zica que de gente Zica
Só ela havia e que a outra zica gente não era
Era nome de doença, por picada de mosquito
Anna Helena é menina rara... dessas de muitas letras e poucas falas. Com a coragem dos bandeirantes, desbrava, desde páginas que vão de versos que contam aventuras e encantos milenares até as quase indecifráveis de seus complicados estudos e, de tudo, sempre volta mais viva, falando de Pasárgada, dos Montecchios e Capuletos e, entre citações da boa obra de Adélia Prado ou de Fernando Pessoa, conjuga suas amigas fórmulas e associações de glicerídios e triglicerídios... óxidos... hidróxidos, ácidos fortes... ácidos fracos... até de uns tais H ionizáveis...
Certa manhã, inconformada com as injustiças do mundo, Anna esbravejava que, se preso fosse, o carbono teria direito a quatro ligações, enquanto o hidrogênio nem família tinha e, pra piorar, a cadeia do hexano era aberta...
E não parou por ai... questionava porque uma mulher com o nome de Florbela Espanca escrevera Conto de Fadas? Foi a gota d'água!
Em poucos minutos, Anna Helena foi levada de seu quarto ao consultório médico. Depois de muita conversa, doutor Orozimbo saiu do consultório e disse à mãe de Anna: “Lamento muito senhora, mas não há muito o que se fazer por ela... essa moça é um caso meio complicado de química e poesia”.
Arco-íris...
Havia em minha fantasia uma passagem perdida
Iniciada num desvio secreto na rua das Fadas
Passando em meio a terra batida e pedras deitadas
Ladeada por ramos rasteiros e lenda inventada
E foi nela adentrando que vi o céu se escurecer
E já me perdia da trilha de volta e medo sentia
Em não mais encontrar, na mata fechada
A vereda que queria sob o céu que gotejava
Segui em frente e fui encontrar guarida
Às margens de um rio claro, doce e lento
Que passava peixes e folhas de toda cor
E mesmo molhada, distraída me encantei
Me peguei perdida sem conhecer a volta
Que tanto queria e já não me havia
Mas pra minha alegria formou-se no céu
Um arco-íris de cores tão belas e amigas
Que veio dar seu começo aos meus pés
E sendo de luz a ponte nascida em milagre
Me convidara por ela seguir, mesmo sem asa
Numa jornada que findou à porta de minha casa
Desde a década de 1980 revelo me muito preocupado pois não existe uma co-relação factível de conteúdo e valor entre a blogsfera - universo digital com a atmosfera - universo real. São dois universos bem distintos que até tentam doutrinariamente dialogar midiaticamente mas o digital é cada vez mais efêmero, midiático, mutante e por vezes ficcional e a nossa antiga atmosfera é, foi e sempre será resultados e consequências das trajetórias físicas geo-politicas sociais de nossa realidade sem os retoques apropriados e os véus do que seria melhor por nossa imaginação.
Inventar pra que se a fiel realidade brasileira já é por si só um universo prospero inacabado e super fantástico muito alem de qualquer utópica impossível e criativa ficção.
Valorizar e desenvolver com o que VI, selecionar e monitorar o que vou VER. Essa é a essência de VIVER.
A projeção criou forma na tela dos sentidos. Não conteve as lágrimas ao perceber que a realidade tinha o formato da ficção.
A humanidade evolui. É assim que nós sobrevivemos. Por eras glaciares, pestes, guerras, desastres... nós adaptamos nossas capacidades, nossas linguagens, nossos próprios corpos, para podermos viver.
A Terra é o nosso lar, mas apenas enquanto nos mantem a salvo. Quando este mundo já não puder servir esse propósito,haverá outro planeta, outra colônia, outra chance...
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