Ficção
Procure friccionar pedras no escuro e ainda assim em meio ao brilho das estrelas, elas te darão luz
O mundo em que vivemos...
Ontem assistindo ao NCIS... ouvi algo mais ou menos assim de Leroy Jethro Gibbs: "o mundo já é um lugar bem ruim de se viver,,, você não tem o direito de torná-lo pior".
Tenho uma facilidade muito grande de me afastar de qualquer situação e olhá-la de fora... fiz isso com o próprio mundo... ou melhor, com nosso querido e amado planeta.
Fechei os olhos e me projetei... voei... e no meu voo o que avistei?
Um mundo poluído, caído... pessoas desonestas... procurando se fazer de espertas... o roubo, os enganos, as mentiras, a maldade tomando formas as mais variadas... pessoas desesperadas. A fome, a miséria, o descaso, o pouco caso... o atraso. O medo, a ignorância, a esperteza, a estupidez... a honestidade perder a vez. A imbecilidade, a desigualdade, a imoralidade... independentemente da idade. A opressão, a maldição, o preconceito... a perda dos direitos... um mundo cheio de pessoas sem coração. Maldição!
Um mundo, enfim, cheio de defeitos... um mundo que não toma jeito e não tem mais jeito. Um mundo completa e totalmente imperfeito.
Cansei e de olhos fechados, cansada, desanimada... uma nuvem procurei e lá me instalei.
Adormeci e mais nada vi...
... e o tempo passou...
O sol deu o ar da graça e com ele apagou todas as desgraças... acordei, me espreguicei e lá do alto da nuvem macia pra baixo de novo olhei. Um novo olhar... coisas novas a procurar. Sabe o que vi?
Um mundo florido, do mal despido. Um mundo atraente cheio de gente... gente levinha, branquinha, suave, amorosa, carinhosa, educada, falando mal de nada... Um mundo cheio de gente contente. Um mundo repleto de afeto. Um mundo feliz e sorridente... sorrindo como toda gente. Um mundo de gente olhando pra frente. Um mundo feliz do jeito que eu sempre quis.
Tem razão, Osho quando diz: "O mundo é um lugar que faz eco [...] Odeie, e será odiado; ame; e será amado".
Tudo ficou bem melhor com meu olhar descansado.
Este texto que escrevi é pura ficção... e eu me reservo o direito de concordar com ele ou não.
Capítulo XVII — Dá-me uma única lágrima, Camille.
Do Livro: Lírios Do Abismo De Monfort.
A noite parecia suspensa entre dois silêncios. Nenhum vento movia as cortinas, e ainda assim, o ar tremia. Camille estava ali — imóvel, quase transparente — como se sua presença fosse apenas a lembrança de uma presença. A chama da lamparina vacilava, e por um instante, pareceu reconhecer nela o contorno de uma alma que não pertencia mais ao tempo.
Ele, sentado diante do piano, não ousava tocar. As teclas, brancas como neve antiga, guardavam o eco de músicas que só o coração poderia ouvir.
— Dá-me uma única lágrima, Camille… murmurou ele, num tom que não era pedido, mas prece.
Camille ergueu o olhar.
Nos olhos dela havia o oceano e o abismo, a ternura e a dor do mundo.
Uma única lágrima formou-se, hesitante, e deslizou por sua face como se o próprio destino a tivesse esculpido.
Ao cair, não se ouviu som. Apenas um perfume leve se espalhou pelo ar — o perfume da saudade que cura. E, no instante em que a gota tocou o solo, uma brisa varreu o quarto, soprando pelas janelas abertas.
Tudo o que era sombra pareceu recolher-se.
E ele, que antes chorava em silêncio, sentiu a dor dissolver-se em luz.
Camille aproximou-se. Sua voz era quase um sussurro que o coração entendia antes do ouvido:
— As lágrimas, meu amado, são sementes de eternidade. Elas não caem: renascem. Cada dor que se oferece em amor torna-se bálsamo para o mundo.
Então, desapareceu lentamente, como se se recolhesse ao próprio firmamento.
Mas o perfume ficou.
E, sobre o piano, onde antes havia apenas o vazio, repousava agora uma única gota cristalina, cintilando à luz da madrugada a lágrima de Camille guardando em si o mistério de quem chorou pelo amor e curou pela alma.
“Há dores que não se apagam; transmutam-se em luz, e nessa claridade silenciosa, os espíritos se reconhecem.”
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