Estrada
Tristeza de criança
Criança, eu queria estar contigo nas ruas da sua infância.
Correr os campos e jardins com flores.
E dar-te os olores
que a vida te negou.
Queria trocar nossos sapatos,
talvez gostasse mais dos meus.
As minhas roupas (das sobras também), te daria.
Mentiria... Por um sorriso de quem ganha um novo presente...
E você nunca saberia que eu houvera trocado meu riso
pelo teus tristes olhos, contentes!
Eu estou aprendendo a fazer sentenças, eu estou curando a ESMESC, eu sou advogada, eu sou formada, eu sou escritora, eu sou eu e eu sou feliz da maneira como sou, com cada detalhe, cada cicatriz, cada queda que me conduziu até aqui. Eu sei que estou ainda no começo de uma longa jornada até a magistratura, mas sinto que neste ano eu subi alguns degraus importantes. Então, se eu fosse falar sobre minha versão de novembro, eu diria que ela é determinada. Capital inicial canta: “ são águas passadas, escolha uma estrada e não olhe pra trás” e a música está certa. Eu escolhi minha estrada e sou muito grata a tudo e todos que me trouxeram até aqui. As coisas boas eu vou guardar comigo e levar sempre , mas as ruins , as dores, ansiedades, aflições e traumas apesar de importantes para minha evolução, são águas passadas , eu não me prenderei a sentimentos ruins de impotência, baixa-autoestima e culpa. Eu escolhi minha estrada e não olharei para trás.
Quando tudo parecer perdido, lembre-se que você tem apoio, que você tem para onde voltar, tem para onde seguir. Pegue seus pedaços, coloque um fone de ouvidos, ouça sua musica predileta, jogue algumas roupas na mochila e aproveite a próxima oportunidade. E se não der certo novamente, faça de novo, de novo e de novo, até esvaziares por dentro e perder a sua estrada. Nesse momento poderás dizer: "tentei ser feliz, mas ninguém me mereceu".
SONHO COMPRIDO
Aonde vai, menina,
Com este vestido florido?
Este vestido que sonha
Um sonho comprido?
Deixou seus cabelos
No vento...
Lá se vão eles, compridos
Como seus pensamentos.
Corre, corre, corre!
Desarme-se da espada.
Vá em busca, menina,
Da sua hora estrelada!
Vai, sem medo
Da curva, nem de nada.
Apenas use o vestido
Para florir a estrada.
Tem gente que ainda acha que a vida é o melhor caminho para se conseguir construir no passado um presente cheio de sonhos e ilusões sendo que a realidade da vida é repleta de decepções.
Estamos procurando a paz em meio ao caos,
Buscando a liberdade,
Enquanto nos "imprensam"...
Temos o direito em querer saber quem somos nós, em meio a essa pandemia: confusão.
Para nos libertarmos, vivermos e respirarmos um ar puro, salutar e edificante. E assim: oxigenados, possamos olhar para o alto e sentirmos esse grande amor, vibrando, dentro dos nossos corações: que é a nossa própria libertação para podermos seguir uma estrada segura, onde todos possam andar dando as mãos, olhando com confiança e fé: nesse futuro PRESENTE, e sem medo de ser FELIZ.
Querendo:
Somente querer se redescobrir nesse turbilhão de informações. Sendo essa metarmofose ambulante, vou peregrinando para quebrar meus próprios tabus.
A vida sempre nos coloca no caminho certo, nós é que somos teimosos e na pressa de querer chegar tomamos atalhos errados.
O caminho que leva à felicidade não tem setas, nem placas indicando a direção. A única forma de chegar até ela é ligar o GPS da intuição e arriscar.
Que nunca percamos a capacidade de sorrir e fazer a nossa luz brilhar, mesmo que diante de rostos endurecidos e escuras estradas que temos de trilhar. Que nunca percamos a capacidade de ter a nossa paz interior e de ter a fé que nos sustenta, mesmo perante as turbulências da vida e o ceticismo de muitos sobre Deus. E que tenhamos sempre a capacidade de sentir amor, independente do que recebemos das pessoas.
Ladeira ou Abismo
Em um momento
De angústia e aflição
onde você se encontra
em um espaço de linha tenue
entre a ladeira ou abismo,
é aí que você encontra
em plena reflexão
o verdadeiro sentido
este que por sua vez
enobrece teu ser
ou padece você.
Acalma-te tua alma
feito brisa leve quando vem
Não desesperes, mantenha calma
És a chance que tu tens
Use com saber suas asas
Sinta o cheiro da chuva que vem
não voe por essas estradas
não gostará de asas molhadas
espere pelo arco-íris
e o Sol que irá nascer também.
"Quem me dera que a minha vida fosse um carro de bois que vem a chiar, manhãzinha cedo, pela estrada. E que para de onde veio volta depois quase à noitinha pela mesma estrada".
(Em O guardador de rebanhos)
É que não sou perigo pra você, é que não conto.
Não te causo arrepios, não te provoco...
Não há desejo na tua boca, não há vontade no teu olhar.
Pra você é tanto faz,
Se tou com frio, se tiro a roupa.
Pra você tanto faz que eu fale, cale.
Não diga nada
Não aumento, nem subtraio.
Sou nada,
Já você é tudo !
Meu riso solto, minha estrada...
As despedidas estão aí, não para entender, Mas para viver; a tristeza da partida e a felicidade da chegada. No caminho que se termina na parada eu me despeço dessa estrada
O belo não garante a beleza
As cores não garantem a alegria
O grande não garante a grandeza
A água não garante a transparência
A terra não garante a vida
O céu não garante a paz
Mas a estrada, meus amigos, sempre garantirá surpresas.
O caminho que você julga
ser o certo, pode ser o certo
só pra você... Não imponha
a sua opinião a ninguém,
como sendo a única opção
correta a se seguir...
Cada qual, com a sua estrada...
A mesma estrada que abre o
horizonte pra um, pode ser sem saída
para outro.
Alma Viajeira
E perguntei-me ao fim da longa viagem:
- E agora aonde irei ter se, novamente, tiver de prosseguir noutros caminhos
a viagem sem fim na qual perdendo
me vou para salvar-me desde o início?
Que hei-de fazer de mim sem mais andança, eu, que caminho; sou, mais que pousada?
Eu que sou, no que sou, um ser em viagem e que às vezes me sinto o mais das vezes não um ser a mover-se em espaço e tempo, senão que a passagem mesma do ser móvel?
Assim aonde irei ter se esta viagem acaba para mim, que não termino e que vou, pela minha alma, sempre adiante?
Sei que sempre haverá novos caminhos, alma assim viajeira, assim inquieta que sempre além se põe de onde há chegado.
Mas aonde irei ter, já finda a viagem, quando me for à aventura dos caminhos?
E a minha própria alma viajeira
– feita de inquietação e movimento –
a minha alma, que os pés de vagabundo não deixam se detenha nas pousadas onde o senso de estar se recupera,
é ela própria, a minha alma, que me fala, no profundo silêncio, a mim, que a escuto.
Aonde irás ter, perguntas, se de novo tiveres de seguir outros caminhos
no fim desses caminhos já seguidos?
Pois bem sabes que aquele que viaja
não no espaço de fora e no extensivo tempo de humana seiva carecentes
senão no Espaço e Tempo, substâncias
e ritmo do Amor que a Vida move,
esse viaja sempre, embora às vezes pareça repousar, como o pareces agora que, no entanto, mais sem termo,
mais estranha e esquisita e pura viagem
é a que estás a fazer pelas infindas, silenciosas águas das paixões obscuras
de que se faz a vida e a vida criam,
que parar não te deixam um só instante, aspirações que são de eternas formas ideais e divinas que te arrastam
como exemplares causas de teus sonhos para além do que és, ao infinito
do teu querer, que é o teu destino de homem.
Aonde irás ter, se o fores?
Que adianta perguntares agora, alma viajeira?
Não saberias nunca. A estrada chama,
a alma chama, os pés chamam, a vida chama.
Andar, sair, caminhar sempre – é isto
o que tens a fazer, eterno peregrino,
e o que sempre em agonia vens fazendo na insatisfeita busca de ti mesmo.
Vai, pois, sem nem saber aonde caminhas. Ainda sem roteiros indagares.
Que o mistério da vida, que a beleza
da vida só se dá, gratuita e plena,
a quem, andando sempre, ama a Viajem porque a Viagem é a estrada
e a Estrada é a Vida.
