Entenda como Quiser So Nao me Julgue
Acreditar em forças sobrenaturais como causadoras de nossos infortúnios e vícios é,
a meu ver, desacreditar na capacidade humana de produzir tanto o bem
quanto o mal que
ambiciona!
A mais desafiadora de todas curas, como
acentuou Jesus, o Cristo, muito além de
estancar nossas anomalias físicas, consiste narestauração de nossa lucidez como
espíritos em continuado
aprimoramento!
E mesmouma legítima busca pela nossa felicidade acolherá — como indispensável tempero — uma
incômoda, porém breve,
infelicidade!
Estar em Cristo é como estar na arca. O mundo pode estar acabando do lado de fora, mas de dentro: o salvo tem abundância de paz.
O Cristianismo de hoje é tão abaixo do normal que, se qualquer Cristão começasse a agir como um Cristão normal do Novo Testamento, ele seria considerado anormal.
Uma igreja sem o fogo do Espírito é como um altar sem o sacrifício aceitável.
Sermons on Various Subjects, Sermão XI, p. 230.
QUANDO FALTA FORÇA, A GRAÇA BASTA
Muitas vezes, esse versículo é usado como um amuleto para o sucesso financeiro ou a superação de metas terrenas. Mas a verdade bíblica é muito mais profunda e libertadora. Na perspectiva bíblica, a graça de Deus não é um salvo-conduto para o triunfalismo, mas sim a graça capacitadora (ou cooperante) que atua na nossa vontade e nos sustenta no sofrimento. É o poder de Deus aperfeiçoando-se na nossa fraqueza e nos capacitando para suportar as seguintes privações:
- Em Damasco, logo após a conversão, o apóstolo precisou escapar escondido em um cesto (Atos 9.25; 2Co 11.33);
- No início de seu ministério, enfrentou profunda desconfiança e rejeição por parte da igreja em Jerusalém (Atos 9.26);
- Em Antioquia da Pisídia, foi severamente perseguido e expulso da região (Atos 13.50);
- Em Listra, acabou apedrejado, arrastado para fora da cidade e dado como morto (Atos 14.19);
- Na Macedônia, especificamente em Filipos, foi açoitado com varas e lançado na prisão (Atos 16.22-24);
- Em Éfeso, enfrentou violentos tumultos incitados contra o seu ensino (Atos 19.23-41);
- Em Jerusalém, foi preso, espancado pela multidão e ameaçado de morte (Atos 21.27-36).
Assim, o "tudo posso" de Paulo é, na verdade, um "tudo posso suportar". É a firme convicção de que, seja na escassez, na rejeição ou na dor, a graça santificadora nos molda e nos mantém firmes. Você não é forte sozinho, mas o Espírito Santo habita em você para te dar resiliência.
Pense nisso e ótima semana,
Marcelo Rissma
Entre as passagens,
repletos de esperas,
os olhares se moveram
como bailam os planetas,
eles se reencontraram
para acertar os ponteiros,
os aromas dos entremeios
entre perfumes e a plateia,
como fôssemos cometas,
para fugir da alcateia,
e abrir novos caminhos.
Navegar nos teus olhos
me fez outra pessoa,
das esferas dos anseios
tu me viste e veio
com poéticos enleios.
Atração irreversível
dos corações a aurora,
paixão irrepreensível.
Meu espírito a gosto,
nas mãos de novembro
bem naquele momento
que o mundo parou,
a tua pele me arrepiou.
Encanto irremediável
das histórias o poente,
paixão incontrolável.
Por nós tu interveio,
porque sabes de mim
e do tímido silêncio.
Ainda não tivemos,
nem a glória do tempo,
entrecruzadas passagens:
dádivas do bom amor,
você me disse e repetiu:
- Você tem valor!
Só o tempo irá dizer
se sou eu o teu amor.
Um anjo que brinca entre as nuvens,
Seduz, envolve,provoca e reluz,
É como um demônio que seduz,
Um anjo brincando entre as nuvens...
Sim, é nesse esconde-esconde o anjo
Segue furtivamente te surpreendendo
Entre poemas e beijos alados...
Batendo as asas e dando cambalhotas,
E escrevendo os desejos mais safados...
Destemidamente levando os teus beijos
Com as mãos, elevando aos recantos
Mais recônditos e cônscios...
Provocando mil miragens entre as nuvens...
Um anjo meio demônio, um demônio que é
Um anjo: sou eu ocupando os teus sonhos,
Ainda incógnito e suspenso nos jardins
Dos teus mais altos desejos
- sou o teu anjo -
O mais lindo e supremo encanto.
Decidi sacudir e tirar-te do teu canto,
Soprar no teu ouvido o desafio mais vadio...
Agora, o teu coração não será mais erradio;
O amor com destino certo, eu sou o teu caminho.
É engraçado como vou passando pela vida,
Umas vezes de pé,
Outras a aprender a levantar-me.
E, por mais que a vida me ponha à prova,
Há algo em mim que teima em não desaparecer:
A esperança.
Nem sempre compreendo o que me acontece,
Nem sempre sei lidar com aquilo que sinto,
Mas continuo a acreditar
Que viver é uma dádiva
Da qual não quero desperdiçar um único instante.
Encontro-me na simplicidade,
Na educação com que procuro tratar os outros,
Na consciência de que não preciso de muito
Para reconhecer aquilo que realmente importa.
Tenho esta mania de tentar compreender
Até aquilo que parece incompreensível.
Talvez porque, antes de julgar,
Prefira perceber.
E, mesmo quando não consigo,
Procuro não perder a sensibilidade
Que me faz olhar para além de mim.
No fundo, sei que estou só de passagem.
Não sei quanto tempo me pertence,
Nem tudo aquilo que a vida ainda me reserva.
Mas, enquanto cá estiver,
Quero poder dizer que vivi,
Que senti,
Que caí e me levantei
Sem deixar de ser quem sou.
E se a vida é apenas uma passagem,
Que a minha seja bonita.
Não necessariamente fácil,
Nem livre de tempestades,
Mas verdadeira.
E que, no fim de tudo,
Eu encontre a paz
De saber que fui fiel
À pessoa que sempre procurei ser.
Eu senti-te.
No calor do teu corpo,
nas mãos que demoravam nas minhas,
na forma como os teus olhos,
cor de mel ao sol,
pareciam sempre procurar os meus.
Durante uns dias,
achei que também me tinhas sentido.
Depois veio a distância
e, com ela, a dúvida:
se aquele mel era para mim
ou se eu apenas o provei
quando já pertencia a outra pessoa.
Quando sorris,
as tuas bochechas erguem-se devagar,
como se o rosto inteiro
se abrisse à luz.
Os teus olhos quase se fecham,
mas ainda consigo ver neles
qualquer coisa que me prende:
um brilho breve,
uma ternura distraída,
um segredo que não sei nomear.
Fico a olhar,
a guardar esse instante
como quem tenta memorizar
a forma exacta da felicidade.
Ao acordar, lave o rosto com as águas da sabedoria e use a paciência como combustível da mente. Assim os objetivos do dia se tornam leves.
MONÓLOGOS DE UM MISERÁVEL
Cap. IV: Como São Chamados: Monstro ou Deus?
Todo ser humano carrega um monstro dentro de si.
Um monstro invisível aos olhos alheios, mas dolorosamente perceptível às emoções de quem o abriga. Nenhum instrumento é capaz de detectá-lo. Ele habita os recantos mais obscuros da alma, nutrindo os desejos mais vis e orientando as ações mais destrutivas.
Chamam-no de “deus”, mas esse deus não cria mundos, não concede vida, não oferece consolo. Apenas consome. Apenas destrói. Reina soberano sobre o caos interior de cada indivíduo.
Esse monstro manifesta-se por meio de conflitos, ódios, exclusões, cobiças, luxúrias, ciúmes, invejas e desprezos.
Não pede licença. Impõe-se.
E, em troca, oferece algo: a promessa de auxiliar-nos na realização de nossas ambições desde que entreguemos a consciência em sacrifício.
A inveja, por exemplo, não se limita a corroer; ela propõe um pacto. Sugere o caminho mais curto para a ruína daquele que mais se destaca.
A “deusa inveja” apodera-se do coração humano e o converte em predador.
Nada permanece fora de alcance: matar, trair, manipular, sacrificar os próprios aliados; tudo em nome da autopreservação, tudo em nome de si mesmo.
O ser humano criou deuses, fetiches, sistemas de crença, na tentativa de dominar a si próprio — e fracassou.
Agora, essas entidades imaginárias conduzem a sua ruína.
Todos querem parecer heróis. Todos querem ser vistos.
Mas ninguém admite agir movido pela vaidade. O elogio é uma droga que inflama o ego; a vergonha, uma coleira que aprisiona a vontade. Ambos são grilhões.
No início, todos tentam resistir ao monstro que os habita. Logo, porém, percebem que esse monstro constitui a própria essência. E rendem-se. A emoção prevalece. A razão cede. Resta, então, a obstinação cega — destrutiva.
Não se deve mudar ninguém. Cada ser escolhe o que é: ou o que merece ser.
Assim, o monstro nasce da escolha livre daquilo que se decide ser.
O ser humano é um resíduo. Uma aberração ambulante. A sua existência é uma sentença: uma enfermidade. E, por isso, está condenado ao sofrimento. Nada o salvará: nenhum deus, nenhum amor, nenhuma sociedade.
O mesmo miserável que se viu ameaçado pelos seus semelhantes criou a polícia para se proteger. E a polícia — essa encarnação da lei — tornou-se, hoje, um dos seus mais cruéis inimigos. Finge proteger enquanto reprime. Finge servir enquanto saqueia.
O mesmo desgraçado elegeu um governo para guiá-lo e protegê-lo. E agora rasteja sob o peso daquilo que criou. O poder que ergueu o esmaga. O monstro que alimentou o devora.
E agora ele vive...
Reclamando;
Mendigando dignidade;
Carregando uma existência miserável, hostil e inútil.
O ser humano é incapaz de aprender com o próprio erro.
Repete, repete e repete — como um tolo fascinado pelo próprio fim, governado pelos monstros (ou deuses) que ele mesmo engendrou.
CARTA I: A Condenação
Eis que a multidão estava tão agitada como as ondas do mar, e exclamavam — homens e mulheres, jovens e idosos — com tom azedo:
— Heeee! Heeee! Matem-no! Matem-no!
— Deem-no de comida aos cães!
— Rebelde! Rebelde! Rebelde! Rebelde!
Então condenaram-me por agir indiferente à multidão. Apedrejavam-me antes mesmo que eu lhes revelasse os seus pecados. Queriam silenciar-me antes que o karma e a justiça testemunhassem por mim.
Houve alguns que se ofereciam como escravos às mãos que tiranizavam a nação; outros reduziam-se a servos daqueles que dissipavam os poucos fragmentos de dignidade ainda existentes entre nós. Por recusar servi-los e por negar-me a participar das suas práticas imundas, sentiram-se confrontados pela minha posição.
Antes que me lançassem à masmorra, arrastaram-me com cordas diante de nomes pomposos. E, no cemitério da minha esperança, apenas tumbas se formavam.
As crianças riam; os velhos zombavam de mim. E os meus próximos… esqueceram que eu existia. Diante deles fui visto como vento: invisível, intangível. Aliás, o vento ainda é perceptível; infelizmente, para mim, ninguém me percebia. A minha presença, para eles, reduzia-se a números, diminuindo pouco a pouco, até que não restasse unidade alguma.
Fui abandonado e entregue pelos meus próprios amigos, vizinhos e parentes, que também vociferavam pela minha sentença ao lado da multidão:
— Condenai-o! Condenai-o!
— Enforquem-no! Enforquem-no!
— Joguem-no ao calabouço! Joguem-no ao calabouço!
Uns até debochavam, dizendo:
— Não és tu o herói? Então por que não ages contra nós? Onde está a tua coragem?
E soltavam gargalhadas em tom agudo:
Hahahahaha! Hahahahaha! Hahahahaha!
Outros cuspiam-me no rosto, enquanto os opressores falavam:
— Não sabes tu que não deves ir contra as leis da sociedade?
Então respondi-lhes:
— De que servem as leis se não visam proteger os fracos dos poderosos? De qualquer maneira, este julgamento não busca a verdade; apenas ratifica a culpa de quem é vítima.
Eles insistiram:
— Todos estamos subordinados às normas da sociedade. O que te dá o direito de desobedecê-las?
E eu respondi:
— Seja qual for a resposta — satisfatória ou não — o resultado será o mesmo: condenação. A lei está ao vosso serviço, não vós ao serviço dela.
Novamente perguntaram:
— Quem pode estar acima das normas? Por acaso não são elas que nos orientam?
Então respondi-lhes:
— As normas não podem estar acima da vida. Somos nós que as criamos; nunca elas que nos criam. Somos nós que as instituímos para que nos orientem.
Furiosos com a minha resposta, disseram:
— Desgraçado! Como te atreves a desrespeitar-nos? Já que não queres submeter-te, far-te-emos arrepender deste dia.
A multidão, cega e incauta de esclarecimento, apoiava veementemente os opressores. Não conseguiam distinguir o certo do errado; o puro do impuro; o joio do trigo; a tartaruga do cágado; o leopardo do guepardo.
E eu olhava para eles como um bando de jumentos sem direção. Então perguntei-lhes:
— Se a lei não condenasse os mais vulneráveis,
vós temeríeis as tropas que vos deviam proteger?
Não ousaríeis confrontar o que vos oprime?
Não teríeis o direito de exigir que vos tratassem com justiça?
Não protestaríeis contra aqueles que vos governam?
Os lordes, temendo que tais perguntas despertassem o povo e que, conscientes da verdade, pudessem rebelar-se, imediatamente ordenaram que me conduzissem à prisão de Kakanda, para que, dentro de dois dias, se realizasse o meu julgamento.
Durante esse intervalo, não comi nem bebi.
Dois dias depois daquela agitação diante dos lordes, organizaram um banquete para celebrar o meu julgamento e rir-se do meu atrevimento. Estavam presentes homens de todas as classes — nobres e plebeus — reunidos para assistir ao meu juízo.
"E, enquanto brindavam à minha sentença, eu era conduzido às trevas do calabouço."
In Cartas de Um Condenado. ✍️
Nem todos que tem DISPOSIÇÃO tem DISPONIBILIDADE,
assim como nem todos
que tem DISPONIBILIDADE
tem DISPOSIÇÃO!
Quando os pais têm mais medo de desagradar os filhos do que de fracassar como educadores, a infância vence, a maturidade perde e a família inteira paga a conta.
A humanidade descobriu como se conectar com todos, mas desaprendeu como se relacionar com alguém. A liquidez das relações humanas está liquidando o próprio significado de ser humano.
Vamos repensar?
Nietzsche — “Quem tem um porquê enfrenta qualquer como.”
“Quem encontra um propósito suporta caminhos difíceis; mas quem nunca questionou seus próprios porquês passa a vida carregando objetivos que nem escolheu. O sentido não é encontrado pronto: é construído pela consciência.”
Carlos Eduardo Balcarse
