Entenda como Quiser So Nao me Julgue

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Nada retira a autoridade
de ter visto ou vivido,
Ainda é bem vívido
como se tivesse ido
agora para encontrar um
povo gentil que sabia
receber a qualquer hora,
Sem marcar parecia
estar esperando desde
a aurora matutina.


Ali lado a lado de nós,
sem questionar --
e sem importar da onde
veio ou para você onde vai,
olhar para o relógio
não estava em questão.


Nostalgia de Ardósia
bruta ou em placa --
de quem tem memória
estradeira até chegar
de longe em Paraobepa,
Sem mesmo atentar
que ía pavimentando-se
o tempo naquela terra,
e trazer à tona a poeta.

Quando a palavra me fere


como Jacarandá de espinho


elejo ser porque floresce,


e a indiferença não fenece.






Espargindo flores e carinho


trazendo beleza solene


infinita pelo caminho,


sem nos deixar sozinhos.






Somente me defino sob


a régua da Via Láctea,


nem o bloqueio a Cuba


amordaça a minha fala.






Os Românticos de Cuba


coloquei à meia-luz da sala


para o ambiente preparar


esperando me encontrar.

Venero-te como o Tingui-preto
finca as raízes na terra serena,
O teu olhar apolíneo me rega,
concede milhões de asas --
e ainda não nem é primavera.


Do Tingui-preto com carinho
preparo a surpresa de banhar,
O meu ser de Mata Atlântica,
é o teu paraíso de descansar,
entregar e de doce enredar.


Como a palma da minha mão
é o caminho para o coração
sem tempo e sem distância,
Porque de ti sou eu a ilustre
habitante sublime e romântica.

Ela era lavadeira, cantadora
e fazia do coração grande
um altar como devota
zelosa de Nossa Senhora;
A criançada gostava
de ajudar a pendurar
as roupas só para ouvir
a saudosa Idalina cantar.


Ela era nordestina e irmã
presente das vizinhas,
que oferecia sempre
o melhor para alegrar,
Coragem naquela mulher
tinha para esbanjar.


Nunca esqueci do dia
que ela pediu ao marido
colher côcos para uma
surpresa nos preparar,
Os anos se passaram,
e nada da memória
conseguiram apagar.


De um dia para o outro
quando voltamos como
de costume para ouvir
ela cantar enquanto
as roupas ela lavava,
A gente também cantava
se importar com nada.


Era somente a gente
naquele distante lugar,
não havia ninguém
para da algazarra reclamar
e o tempo passava
por nós sempre devagar.


Assim que terminou
de lavar as roupas
que não eram poucas,
Nos chamou até a sala,
vimos a mesa arrumada
com uma bela toalha
e guardanapos rendados,
Como a realeza viesse
ali conosco se sentar.


Ela pediu para esperar,
fez a criançada rezar,
E foi assim que não fui
somente eu que provei
o mais autêntico Manjar,
que deixou essa memória
bonita para compartilhar.

Pode parecer ambiguidade
manter vivo o que adversa
como forma de resistência
sem abrir a porta para a guerra,
Desta maneira é que se prova
a própria sabedoria e resiliência,
porque conviver desafia,
e também pede a nossa paciência.


Busca não se deixar pelo conflito
deste mês de março que está
cruzando para enfeiar o caminho;
A realidade pode ser moldada,
merecemos o melhor destino,
mantenha o olhar atento
para não ser por nada distraído.


Busque folhas de Caroba branca
para fazer o teu carinhoso banho,
Não desvie do teu bonito plano,
não permita que nada desequilibre,
porque tu estás firme caminhando,
e não merece ser desmobilizado.


O convívio desafia diariamente,
mas muito pior é ter que lidar
com quem quer a distância alimentar
o conflito e a desesperança,
para que a tempestade tu venhas arcar.

Corram de políticos cheios de probleminhas como quem corre de uma relação cheia de probleminhas. Não precisamos resolver probleminhas dos políticos. Somos apenas eleitores. Se recusem a entrar no circuito deles!

Novo Horizonte


Como é lindo ver o Sol
nascer em Novo Horizonte,
E lembrar tudo o que fez
a gente na vida crescer,
Com a chegada dos alemães
e italianos pela rota
do amado Rio Grande do Sul,
A nossa cidade surgiu
em meio ao verde, canções
e devoção por Santa Lúcia.


Quando você chegar vou
te levar para ver de perto
o Salto do Rio Bonito,
Verás que Novo Horizonte
pode te surpreender
como destino escolhido,
Em noite de céu aberto
tocarás estrelas comigo.


O nosso lugar acolhedor
no Oeste de Santa Catarina,
Tem na mesa herança e sabor,
Por esta terra nós temos
muita gratidão e infinito amor.

Alma e coração
criados bem feitos
como passarinhos
[Poemas sobre fios].

Como quem de cima
do seu próprio cavalo,
enxerga o chão sagrado
que o abriga e sustenta,
Vê tudo com clareza,
incluindo a vil vileza,
Com toda a sutileza,
espírito de galpão e tropa
e chimarrão na mão.


Não nego a herança filial
do vento pampeiro
que ninguém controla,
De Sul a Sul balança
o ipê-roxo-de-sete-folhas
em preparação,
em maio, para a sagração
da absoluta floração.


Das raízes ao coração,
fincadas as origens
com apego a este chão,
Carrego alma briosa
de Sepé Tiaraju, que não
permite que a História
sofra mais alteração.


A herança de qualquer povo
ninguém retira,
independente de quem ali guia,
porque, gostando ou não,
quem manda passa, e o povo fica.

O Mangue-vermelho




Simplesmente ser como um Guará
sob a proteção do Mangue-vermelho,
da vida não ter nenhum medo,
Viver não pede receita de bolo ou segredo;
No Mangue-vermelho se proteger,
nutrir e com confiança viver;
e adiante, no curso, com coragem seguir.


Se permitir ser couro a ser curtido
e pintado pelo Mangue-vermelho,
Não ter nenhum vínculo passado,
orgulhar de ter as raízes expostas,
deixarque a ciência encontre a cura
e não se fazer em tudo --- absoluta.


Ser paciência pura com gente dura,
que não enxerga um palmo adiante do nariz,
como o Mangue-vermelho, ser refúgio feliz,
mesmo quando não for visto como merecido,
dizer com honra para sim: - Eu existo, e resisto.

Mantendo lembranças vivas
como quem planta camélias,
colhe e com elas se enfeita
por onde quer que se passe.


O espírito abolicionista sabe
que a justiça e a liberdade
ainda não chegaram de verdade
e pedem de todos continuidade.


O abolicionismo vigilante
e atuante deve ser mantido
como pacto pela Pátria inteira,
porque queira ou não queira.


Só assim teremos, enfim,
a tão sonhada harmonia perfeita.
Enquanto houver um só irmão
sob o jugo de qualquer senhor,
todos estaremos acorrentados.


Devemos afastar-nos do passado
que, mesmo sem pensar, ainda vive
nos velhos hábitos que nos prendem
e nos perpetuam como aprisionados.

Ninguém ou qualquer
situação rompe a paz
de quem assumiu a paz
como filosofia de vida,
sem precisar performar
para ninguém no dia a dia,
o que fascina ou não;
busca só o que faz bem
ao redor e ao coração.


A real autopreservação
feminina não é nenhum
pouco da boca para fora,
não tem nada a ver
com abrir trincheiras,
e nem carregar desespero
por qualquer validação:
é manter para si a direção.


Como a haste de uma
íris-da-praia em maio,
em alguma restinga
em Santa Catarina,
se dobra diante da força
das correntes, tal qual
reconhece quem é
ou não capaz de a deixar
de joelhos, e se tornou
o habitante dos secretos
e fascinantes devaneios.

Fincar-se na terra, semear-se,
permitir-se crescer, florescer
e frutificar-se como o pomar
de frutas doces entre rochedos
e os ventos, para alimentar
o pavão em todas as estações,
é o meu mais ambicioso plano,
literal, secreto e paradisíaco,
para a celebração romântica
da revelação do seu colorido
entre as minhas montanhas.


Obedientes ao rito da primavera
e à maturidade que exige
de ambos os dois pés na terra,
embora estejamos flutuando
e o tempo esteja passando
como o rio entre as pedras,
nossas mentes e corações
todos os dias se encontram,
desde o primeiro dia em que nos
conhecemos, estamos namorando.


São inatos nas nossas veias
a dedicação, a consciência e o sacrifício,
à altura dos desafios, em nome
das conquistas grandiosas
que incluem a honra e a liberdade.


Por isso, tornarmo-nos o grande amor
um do outro é inevitável,
porque está escrito no Universo
que, em breve, despejados dos egos,
reuniremos nossos hemisférios
como águias que não temem
cruzar céus e montanhas.
Seremos espada e escudo —
vitoriosos diante das batalhas.

Diante do oceano que és,
como ave e livre poema,
sobrevoo com asas intensas
nas tuas regiões costeiras,
sem permitir que me vejas,
para abrigar-me nos manguezais
do teu consciente e inconsciente,
e ousar ser o pulmão e a respiração.


Súdita dos teus ensinamentos corajosos
que permanecem mesmo em fase
de maré bravia que a presença me priva,
a mente vira árvore e rochedo
onde o savacu-de-coroa se abriga.


Não apenas feita de algum sinal,
mas da raiz até a alma sambaquiana,
sob a proteção do Hemisfério Austral,
nas correntes da Baía da Babitonga,
pronta para com amor te tomar sem conta.


Porque reinar sob a glória do teu amor
a mim me destina com toda a honra
e pompa que sei que serei digna,
sob o teu olhar feito de fidalguia:
o desejo sedento, a adorável malícia,
e constelação que n'amplidão te ilumina.

Diante do teu olhar entreguei
beleza, mistério e poder
como a marianeira ao frutificar
generosa concede ao sabiá,
estamos dispostos a esbanjar,
e sei que a gente se envolverá.


O nosso silêncio há de vir
com a progressão voluptuosa
dos fatos e do encontro
para a gente envolver
a mente, o coração e a alma,
e com a mudez derreter.


De longe ando percebendo
quando fala ou pensa em mim,
até a sua respiração muda.
Isso não é sedução por acaso —
é o retorno à ordem universal:
o masculino e o feminino
em encontro se rendendo total.


Olhe para mim. O que passou, passou.
Não me interessa nenhum pouco
o que não pude fazer antes de te conhecer;
a sua peregrinação já me previa antes de ser.


O que importa é que, depois de mim,
toda carícia conhecida será esquecida,
e só irá obter o desejável êxtase
com a minha atemporal delícia.


Longe de mim querer igualdade,
o que desejo entre nós é intimidade.
Você foi feito para ser meu
com magnitude e intensidade,
nos teus toques que nos dissolverão
nos andares da alta sedução,
como âmbar e mel em fusão.


Ser além da curva com reverência,
acariciado com a minha presença
e adorado na alma por eu que
sei como solenemente cortejar,
e não irei jamais precisar implorar.


Sempre que for necessário,
virei ou receberei sem pedir
por tudo aquilo que é meu
por natureza: a sua entrega total
para alcançarmos juntos o sideral.

Irretratável, coloco-me à mostra:
sem timidez, como uma artista de rua
que se expõe diante de ti em praça pública,
onde és o único pedestre e interesse
que com gentil presença permeia
hipnótico de uma indescritível maneira.


O mundo não me tem dito mais nada.
Até agora vivi entre os calendários
e os relógios — até descobrir
por antecipação que há poemários
em a serem traduzidos e lidos
sob todas as luzes e ângulos.


Irretocável e irrefreável, trazes-me
perto do pomo inexorável
dos teus fascinantes lábios,
Quero eu te apresentar os meus
lábios e também os astrolábios.


Faço a evocação à sua força
e a sua serenidade porque o que
importa é o ápice além zênite
e a curva onde alcança o nadir
desde que se encontrem em seu poder;
sob as formas alquímica e de obra-prima
para nos labirintos da sedução e do prazer,
entrarmos em alinhamento e na sintonia
do beija-flor que com a caliandra se alinha.

Quando a tua pele solar
unir-se à minha lunar,
como doce maldição,
irei nos braços embalar
contínua e implacável...


​No mar de amor, colada
ao teu coração
que pensava que ia brincar,
Sussurrarei elogios:
​— Os ais favoritos teus
que sempre serão advindos
do coração e da alma
unidos aos meus...


​Porque sou um mistério
que hemisfério nenhum desvendará,
E como um peixe experiente,
sei enfrentar tempestades em alto mar.


​Assim, os teus suspiros
serão capturados pelos meus,
Desse amor feito de laços infinitos...
convictos não iremos escapar.

Na tua madrugada
surjo como galáxia,
A sua atenção trago
toda concentrada.


Balança a ventania
a Canela-sassafrás,
A aurora em sintonia
solene acompanha.


O aroma das flores
paira e aqui fica,
e de mim não desliga.


Trago o carinhoso
sopro de harmonia,
paz, fé e amor para a sua vida.

Como brasileira, sou nacionalista romântica, considero a minha segunda cidadania a sul-americana, sou latino-americanista radical com pendência ao panamericanismo, político-filosoficamente sou transcendentalista porque é a ideologia mais genuína das Américas.

Poesia precisa de chão
para nascer e crescer;
assim como o amor,
para a gente viver,
precisa da coragem
contida no seu peito.




Sim, eu vi a florada
do manacá entrelaçada
com o Ipê-amarelo,
que tem a sua florada
por mim esperada.




Ciente disso, percebi
que o inverno rigoroso,
aqui em Rodeio,
no Médio Vale do Itajaí,
que seja deste jeito,
não detém a beleza
por causa do tempo.


Se for para florescer,
sobre nós que seja
o florescer dos manacás.
Que seja do jeito que estás,
com leitura prazerosa,
e doçura sem nenhuma aspas.