Cronicas de Luiz Fernando Verissimo Pneu Furado
Guardo
as decepções
em algum bolso furado.
Assim,
tenho a certeza
de que se perderão
pelo caminho,
aliviando
o peso que aperta o peito.
E aguardo,
na sutileza de uma fina chuva,
que elas sejam lavadas,
levando consigo
qualquer resquício
de desconfiança no outro.
Porque deixar no tempo
o que nos feriu,
é a forma mais sagrada
de nos protegermos dentro.
28/11/2015
Que papo furado dessas pessoas que vão morar na cidade e usam aquele discurso de que no campo a vida era dura. Não sabia que estar em contato com a natureza, comer alimento recém colhido, beber água da fonte, andar a cavalo, trabalhar todo dia com a natureza tendo o céu como teto, andar quilômetros para estudar e com isso dar valor a cada conquista, olhar para o céu e poder contar as estrelas, se banhar nos rios e riachos, aprender o tempo de plantar e colher. não sabia mesmo que isto é vida dura.
Vida dura é ter que ficar horas em um ônibus lotado, é olhar pela janela e só ver cimento, é olhar para o céu e não ver nada além de poluição, dureza é você trabalhar para conquistar e em cada esquina correr o risco de ser roubado. Ter contato fácil com drogas, bebidas e prostituição, ver uma pessoa dormindo na calçada, pedindo esmola, matando por nada, estar frente a frente com o progresso e podridão humana, isto é vida dura.
Ando meio cansado de pessoas cansadas;
Desse papo furado de "cansei e agora vou mudar"
No final das contas, são só mentiras contadas para a primeira pessoa do pronome pessoal... caso reto.
E por falar em reto, por que não ser direto
e assumir as consequências do caminho que escolheu?
A gente ignora, esquece, maltrata...
E espera que as coisas continuem sempre iguais.
E então o outro se levanta, luta, supera...
E a gente o julga como se tudo não fosse culpa de nossos erros mais banais.
CHEGA!
Ando meio cansado desse papo de "cansei"
Meio cansado desse papo furado de "agora eu mudei"
Você não muda quando quer, Você muda quando a vida exige
No final das contas, Ainda que haja mudanças,
A sua essência ainda permanece intacta.
É a sua essência que diz quem você é,
E você pode até se vestir com uma máscara
E mostrar aos outros algo que você não é.
Você também pode se vestir com uma máscara
E enganar a si mesmo sobre quem você é.
Às vezes você tem algo a ganhar, mas,
E quando você não tem nada a perder?
Vale a pena disparar milhares de indiretas a esmo
Quando o único realmente atingido é você?
Essa coisa de destino é papo furado
Devo dizer em minha defesa que eu estava bêbada e por isso fui compulsiva em ti ligar. Quase desmaiei de tanta emoção quando você atendeu, mas me deu um nervoso em saber que você me conhecia e que sabia que tudo isso só estava acontecendo por causa de birita.
O perdão anda de mãos dadas com o verdadeiro amor e apesar de tudo de ruim que me fizeste eu ainda pensava em ti quando tinha álcool no sangue. Mesmo de longe não dava folga.
Estava desacostumada a receber ordens, quando você me disse de uma maneira firme e até um pouco bruta, que era para eu desligar o celular e ir dormir. Eu estava feliz até então, foi quando uma chuva de sobriedade baixou em mim.
Certas ideias funcionam para uns e não para os outros, sei de muitos casos de reconciliação que vieram de uma cachaça. Senti alívio de não ter falado nenhuma besteira que me arrependesse, porque besteiras triviais, falei.
Sempre fui subjugada pelo fato de não ter ciúme e inveja. Já tive inveja, mas internalizei que só eu posso determinar a minha história e as pessoas são merecedoras de que possuem tanto no campo personalista quanto no âmbito material e espiritual.
A cada minuto o ambiente fica mais pesado, a vida e a morte são a mesma coisa vista de outro prisma. O excesso de independência incomodou, incomoda e incomodará. Sou livre e sempre soube que ele não era o homem de minha vida.
Viria mais tarde o romance, sem forçar que os temperamentos mudem, que um se adeque ao outro, que o passado volte como mera alternativa. Fiquei longe das lágrimas, estava minimamente atraída pela alegria de viver levemente.
Tudo finge 100% felicidade, a vida não é uma linha reta. Não existe sangue frio o tempo todo, o sangue fica quente também. É importante ouvir, compreender sem discutir, absorver o que a vida quer ensinar.
Me deixava levar pela lábia do ex, viciada em redes sociais e não conseguia ter uma vida normal. Aprendi a desenvolver o senso crítico e cultural, cuidei da carreira, fiz pose de respeitável. Eu tinha transtorno de ansiedade, uma cobrança por felicidade 24 horas.
Está em contato com sua espiritualidade me ajudou e muito. Obriguei o coração a deixar de sentir algo que estava sentindo e ser mais racional. Todo mundo precisa lidar com as consequências.
Somente a pessoa que corre risco é totalmente livre, não há como negar a sensação de satisfação do amor conjugado de plenitude e aceitação de nós mesmos e do outro. Destino a gente ajuda a construir.
Pense...
Aviso aos navegantes que o barco da vida está furado, mas não é por isso que devemos abandona-lo.
Há tantas coisas sofridas e um bocado de gente envolvida com fome, com droga, com doença, com raiva, com pouca fé, com maldade... com...com...com.
Então, são tantas coisas. E estamos sendo testados e provocados. Pelas pessoas, pelo tempo, por deus.
Fustigado!
É; açoitado mesmo sem trégua ou espaço pra saber se é certo ou errado, isso ou aquilo. Normas são ditadas por gente que manda e desmanda sem pudor, sem escrúpulos. A nossa vivencia mundana foi doada e com ela uma missão divina aonde viemos com dadivas e preceitos, precisamos apenas enxerga-los e ai tudo fica evidente.
Não dá pra ficar com o dedão apontando erros ou arrumando pretextos, é preciso saltar o muro da ignorância. Tem gente que não enxerga isso ou finge, prefere viver de ilusão. Aliás é melhor de ilusão do que viver na desilusão, como um montão de estúpidos por ai. Tomara que a paz esteja sempre em nossas mentes, ou quem sabe em nossos corações.
Nilton Mendonça
Será que é amor
Telhado furado, uma gota d'água cai no meu colchão
Um pingo de chuva, uma gota do céu, escuto um trovão
Eu sinto na pele um leve arrepio e penso em você
O vento lá fora sopra e trás frio, começo a escrever
Falo de amor, da linda menina que me encantou
Dentro do meu peito, um estranho sentimento, será que é amor?
JOÃO DO MUNDO
O João do mundo
já faltando parafusos...
Pegou o mundo furado,
bateu o seu cadeado
e jogou a chave no lago
das esperanças e sonhos...
De um mundo cheio de marca
e de um povo demarcado.
Depois saiu a rodar
pelo mundo, já cansado
rodando em passos sem fundo
e por tudo que tem no mundo
girava atrás de um futuro
de um mundo sem escuro
e de passos todos seguros.
Antonio Montes
Sou do tipo bolso furado querendo um drink de vez em quando uns tragos
Loucuras e vícios que te trazem prazer
Eu tenho o antidoto que vai te enlouquecer
Quero sair e acordar ao seu lado
Fazer! E dar conta do recado
Aquilo que seus pais não irão gostar
Vou fazer você se perder, pra me achar
Fim de semana é amor bandido
No estilo Bonnie e Clyde de correr perigo
Eu vou viver! Eu vou viver!
Céu esburacado
O céu está todo furado,
Negro, negro cheio de buracos.
Vejo que as nuvens estão fugindo
Vão se (des) montando sem nenhum afinco
Acho que é o vento que as estão perseguindo
Neste sentido vão se indo,
Até os segundos de quem esta dormindo
É o tempo praticando e dançando.
E a noite fogosa evadindo.
Baile no negro céu esburacado.
Festa para o dia que está vindo.
Enide Santos 04/04/14
Desejo em sua vida....
Não exista cara feia
Não exista bolso furado
Não exista tempo apressado
Muito menos grãos de areia.
Não exista tempo fechado
Não exista problema dobrado
Não exista sonho frustrado
Muito menos amor acabado.
Não exista amigo esquecido
Não exista negócio falido
Não exista boato mexido
Muito menos dinheiro sumido.
Não exista tempo nublado
Não exista ambiente abafado
Não exista corpo dobrado
Muito menos bom senso abalado.
Não exista mágoa engolida
Não exista emoção reprimida
Não exista alma sofrida
Muito menos felicidade perdida...
Só desejo que você seja feliz!
Eu me senti
num barco furado
Onde tudo era nada
E nada era o fim;
Me senti tão frágil
Um grão de areia
diante de um mar
de desilusões que
vc atirou sobre mim,
Sem ao menos me ouvir
Sem ao menos me falar
Era somente eu e as
minhas partes quebradas
que vc deixou
Mas há uma luz em mim
E tive que acendê-la
como se fosse a última
chance de enxergar o óbvio
Que apesar de vc,
Eu existo
Com a autenticidade que te apavora
A sensibilidade que vc ignora
E os olhos que vc não vê!
Para seguir em frente é preciso ter dois sacos: um bom e outro furado. No saco bom, guardemos os elogios, as conquistas e desafios superados, amizades e a família e carregue sempre! No furado, depositemos as tristezas, as desilusões, as injustiças e críticas destrutivas e tudo que perceebrmos não acrescentar nada em nossa vida. Assim, sem perceber, estaremos de bem com a vida, afinal, carregamos conosco as boas coisas de nossa existência, ao passo que as coisas negativas para onde foi? Se perderam pelo caminho da vida.
Dessa forma, nos livramos de carregar pesos desnecessários, impostos por pessoas que infelizmente, sentem prazer em transmitir sentimentos ruins! O bom é que estas vencidas pelo cansaço, deixarão de nos "encher o saco"!
"Fantasiando-se
Agora você, velho roupão desagradavel.
Com o bolso furado,
cor desbotada, e tecido confortável.
Toma o lugar do jeans apertado...
Do decote cuidadosamente ajustado,
Que escondem meu cabelo despenteado.
Tiro agora o avental de professor.
Amaldissouo a ti meu mestre, triste
Que um dia foi meu defensor.
“Vista o uniforme” dizem a mim, os superiores.
“Sim fantasio-me” respondo a eles, sem medo nem pudores.
Fantasio-me diante do mundo,
Que me quer padronizado.
Em um senário aterrorizante,
De alguém na sociedade algemado."
ESPÍRITOS OPOSTOS
Não houve muita política na última entrega dos Oscars. Uma piada do Billy Cristal aludia aos privilégios que Bush teve durante o seu serviço militar e o diretor do documentário premiado sobre Robert MacNamara e o envolvimento americano no Vietnã disse temer que o país estivesse entrando em outro buraco parecido, no Iraque. No ano passado as críticas a Bush e à guerra foram aplaudidas e vaiadas. Este ano não houve vaias.
A guerra do Iraque pode ser menos discutida, nas próximas eleições americanas, do que uma outra questão quente: casamento entre gays, sim ou não? É uma discussão engraçada, porque as posições de lado a lado tendem a ser invertidas, sem trocadilho. Os gays, no caso, são mais conservadores do que seus críticos, pois lutam para preservar e prestigiar uma instituição que parecia estar agonizando, vítima da nova moral sexual.
Em muitos casos o que os parceiros buscam é uma formalização legal da união para fins de sucessão etc., mas na maioria dos casos — imagino — o que querem é uma sagração matrimonial como a dos seus pais, com toda a sua carga de tradição e emoção. Véu, grinalda e gravatas prateadas opcionais.
As objeções religiosas a casamentos entre pessoas do mesmo sexo também são paradoxais. Em toda ligação homossexual — ou homoerótica, porque o mundo está cheio de ligações homossexuais que não sabem que são — existe um componente “feminino” e um componente “masculino”, mesmo que imprecisamente definidos por características de personalidade e comportamento.
E na medida que personalidade e comportamento expressam o “espírito” de alguém, para usar outro termo indefinível, todas as uniões sexuais são entre “homem” e “mulher”, mesmo quando os corpos são do mesmo gênero. O espírito é a pessoa, segundo o ensinamento religioso, não o seu corpo transitório. Mas nenhuma religião quer saber de espíritos de sexos opostos se amando e fazendo arranjos domésticos “normais”. Sua crítica parece materialista e contraditória. Mas como não sou nem gay nem religioso, longe de mim esse cálice de confusão.
O mais curioso de tudo é a nova avidez das pessoas por parâmetros formais e cerimônia. Ouço dizer que foi por insistência dos alunos que as solenidades de formatura que, misericordiosamente, se encaminhavam para uma depuração sensata e para a brevidade, voltaram a ser como eram antes, pesados e palavrosos rituais de passagem com beca e tudo. Agora, quando o casamento parecia a caminho de se tornar obsoleto, substituído pela coabitação sem nenhum significado maior, chegam os gays para acabar com essa pouca-vergonha.
Música linda de FERNANDO e SOROCABA, eu não poderia deixar de postar ela aqui :-)
O que cê vai fazer
O que cê vai fazer
Quando ele não tiver mais vinte e poucos anos
O que cê vai fazer quando acabar esse desejo insano
E quando perceber que o jeito dele
Já não bate mais com o seu
Tava tão na cara que ele não ia dar o que prometeu
Quando os corpos não quiserem mais se abraçar
E os olhos desviarem quando ele te olhar, vai doer
Talvez hoje seja tarde pra gente voltar
Não quero estar na sua pele
Quando me encontrar, vai doer
Vai doer
As razões que me impedem de estar com você
Vai além de te amar, vai além do querer
Vai saber, vai saber
Já não somos tão jovens pra enlouquecer
Nem tão velhos pra ver nosso sonho morrer
Vai saber, vai saber
Não consegui te esquecer
O que cê vai fazer quando ele não ouvir mais o seu coração
E se ele não sentir mais nem vontade de segurar sua mão
E quando a rotina começar a te enlouquecer
Vai lembrar que sou o único que poderia te surpreender
Quando os corpos não quiserem mais se abraçar
E os olhos desviarem quando ele te olhar, vai doer
Talvez hoje seja tarde pra gente voltar
Não quero estar na sua pele
Quando me encontrar, vai doer
Vai doer
As razões que me impedem de estar com você
Vai além de te amar, vai além do querer
Vai saber, vai saber
Já não somos tão jovens pra enlouquecer
Nem tão velhos pra ver nosso sonho morrer
Vai saber, vai saber
Não consegui te esquecer
Ao ler Fernando Pessoa...
Ler Fernando Pessoa,
Faz-me a alma renovada,
Como se uma luz brilhasse,
Na minha mente iluminada.
São versos de pura beleza,
Que nos levam a pensar,
Sobre a vida e a natureza,
Sobre o amor e o sofrer.
O poeta de muitas faces,
Que viveu várias vidas,
Deixou-nos a sua herança,
Em palavras tão queridas.
Ao ler Fernando Pessoa,
Sinto-me pleno e inteiro,
Com o coração inundado de poesia,
E a mente a entoar em segredo.
Me entende, eu não quis, eu não quero, eu sofro, eu tenho medo, me dá a tua mão, entende, por favor. Eu tenho medo, merda! Ontem chorei. Por tudo que fomos. Por tudo o que não conseguimos ser. Por tudo que se perdeu. Por termos nos perdido. Pelo que queríamos que fosse e não foi. Pela renúncia. Por valores não dados. Por erros cometidos. Acertos não comemorados. Palavras dissipadas. Versos brancos. Chorei pela guerra cotidiana. Pelas tentativas de sobrevivência. Pelos apelos de paz não atendidos. Pelo amor derramado. Pelo amor ofendido e aprisionado. Pelo amor perdido. Pelo respeito empoeirado em cima da estante. Pelo carinho esquecido junto das cartas envelhecidas no guarda-roupa. Pelos sonhos desafinados, estremecidos e adiados. Pela culpa. Toda a culpa. Minha. Sua. Nossa culpa. Por tudo que foi e voou. E não volta mais, pois que hoje é já outro dia. Chorei. Apronto agora os meus pés na estrada. Ponho-me a caminhar sob sol e vento. Vou ali ser feliz e já volto.
Preciso sim, preciso tanto de alguém que aceite tanto meus sonos demorados quanto minhas insônias insuportáveis. Tanto meu ciclo ascético Francisco de Assis quanto meu ciclo etílico bukovskiano. Que me desperte com um beijo, abra a janela para o sol ou a penumbra. Tanto faz, e sem dizer nada me diga o tempo inteiro alguma coisa como eu sou o outro ser ao conjunto teu, mas não sou tu, e quero adoçar tua vida. Preciso do teu beijo de mel na minha boca de areia seca, preciso da tua mão de seda no couro da minha mão crispada de solidão. Preciso dessa emoção que os antigos chamavam de amor, quando sexo não era morte e as pessoas não tinham medo disso que fazia a gente dissolver o próprio ego no ego do outro e misturar coxas e espíritos no fundo do outro-você, outro-espelho, outro-igual-sedento-de-não-solidão, bicho carente, tigre e lótus.
... tenho uma coisa apertada aqui no meu peito, um sufoco, uma sede, um peso, não me venha com essa história de atraiçoamos todos os nossos ideais, nunca tive porra de ideal nenhum, só queria era salvar a minha, veja só que coisa mais individualista elitista, capitalista, só queria ser feliz, cara.
Nos dias seguintes ao dia em que estivera deitada no ombro dele tão proximamente nu também, no fundo de um sonho, conseguia reencontrá-lo. Pois havia outros detalhes, semanas depois ainda tentava lembrar. Havia um cheiro, por exemplo. Tênue, quase perverso. Intimidade úmida, limpa, nas dobras da carne suada, preservada na própria pele.
