Corpo

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⁠"Sei que meu corpo esta envelhecendo, sei que minha cabeça já não é mais a mesma de outrora, mas meu espírito ainda é jovem..."

Eu vi.
Bem de longe, mas vi.

A sombra cansada,
o corpo fraco de lutar.

Vês o mundo
com olhos para os outros.

Mas quem vê o teu?

Eu vi

Eu vi.
Bem de longe, mas vi.

A sombra cansada,
o corpo fraco de lutar,
o peso escondido
na forma de continuar.

Não perguntei.
Não era o meu lugar.

Há distâncias
que também são uma forma de cuidado.

Mas vi.

Vi-te olhar o mundo
com olhos para os outros,
guardar palavras,
amparar silêncios,
deixar um pouco de ti
em quem precisava.

E pensei:

quem vê os teus?

Quem repara
quando o sorriso pesa,
quando o corpo pede descanso
e tu continuas?

Talvez nunca saibas
quantas pessoas levam consigo
um pouco da tua bondade.

Talvez quem cuida
raramente veja
até onde chega o cuidado.

Mas chega.

E se algum dia
o mundo te pesar demasiado,
não precisas de me contar o mundo.

Fala-me de elefantes.
De paredes.
Do tempo.
De coisa nenhuma.

Ou não fales.

Há silêncios
que também sabem ficar.

Não te escrevo para salvar-te.
Nem saberia como.

Só para que,
entre tantos olhos
que ensinaste a olhar para dentro,

saibas que houve uns,
bem de longe,

que olharam para ti.

E viram.

Estado acorrenta os pulsos e a religião acorrenta a alma; enquanto o primeiro pune o corpo, a segunda santifica a dor, garantindo que o escravo nunca se levante contra o seu mestre.

Eu te quero com toda a minha alma, porque o corpo é pouco para o tamanho do que eu sinto por você.

Mudo de século, mudo de corpo, mudo de estrada. Mas nunca mudo de rumo. Se o destino não nos permitir nesta vida, te encontrarei na próxima. Até logo, meu grande amor. O universo que nos separou hoje terá que nos aguentar juntos amanhã.

A UTI não cura apenas o corpo; ela despeja a vaidade do mundo para nos mostrar que viver é a urgência de amar, dar atenção a quem importa e lembrar que a saúde é o nosso único templo real.

A história do seu corpo ganhou um capítulo duro, mas a caneta que escreve o final feliz ainda está na sua mão.

A pior traição não é a do corpo, é aquela que usa o nome de Deus para justificar a falta de caráter.

Nós viramos escultores de fantasmas. Passamos duas, três horas por dia cavando o próprio corpo na academia, empurrando ferro para construir uma armadura que, no fundo, só serve para proteger um ego que está morrendo de medo. É a maior hipocrisia da nossa era: o sujeito gasta uma energia brutal para desenhar um abdômen perfeito, mas não aguenta cinco minutos de conversa profunda sem precisar olhar para a tela do celular em busca de validação.


Formatamos o corpo para caber no feed, mas a alma está deformada, atrofiada por falta de uso. De que adianta erguer 100 quilos no supino se o peso da sua própria mediocridade esmaga a sua humanidade? A beleza virou um produto de prateleira, e quem só consome isso acaba virando apenas uma embalagem bonita cheia de nada dentro.

O que os olhos não veem, o coração não sente. Mas o corpo fala mais alto do que aquilo que se pode ocultar: o inconsciente entrega.⁠

A calma na hora do nervoso,
te trará mais vida para seu corpo!

Daqui não se leva o corpo,
nem o disfarce.


Só o que fomos
quando ninguém estava olhando.


Do que vale uma vida de vaidades e aprovação comparado a eternidade?

Antes da alma, o corpo. De P. H. Amancio.




Cuidar do corpo é melhor — e talvez mais difícil — do que cuidar da “alma”.


A alma é agraciada quando o corpo se alimenta bem, dorme bem, abandona lugares ruins, distancia-se de pessoas ruins e larga os vícios em busca de uma vida mais prazerosa.


Talvez tenhamos cometido um erro ao imaginar que, para transformar aquilo que chamamos de alma, precisamos alcançá-la diretamente.


Quando nos sentimos desprotegidos dentro de uma casa, reformamos a casa. Não mexemos diretamente nos moradores.


Por que seria diferente conosco?


Se o corpo é a morada daquilo que chamamos de alma, talvez seja nele que devamos começar a reforma.


Mudamos os hábitos. Mudamos os lugares. Mudamos as companhias. Mudamos aquilo que consumimos. Dormimos quando precisamos dormir. Comemos quando precisamos comer. Afastamo-nos do que nos destrói. Aproximamo-nos do que nos proporciona prazer e segurança.


E, pouco a pouco, aquilo que chamávamos de “alma” começa a habitar uma casa diferente.


O movimento do corpo talvez tenha um propósito mais aceitável do que o movimento da alma.


Porque o corpo não precisa de uma explicação sobrenatural para justificar sua necessidade de movimento. Ele se move porque existe, porque envelhece, porque sente, porque deseja, porque precisa continuar.


Talvez cuidar de si não seja salvar uma alma escondida dentro do corpo.


Talvez seja simplesmente tornar habitável a existência que recebemos.


E, se existe alguma coisa que mereça ser chamada de alma, talvez ela seja apenas o nome que damos àquilo que sentimos quando a casa finalmente começa a parecer nossa.

O ser humano precisa...


Comer, para o corpo se manter.
Vestir, para o nu cobrir.
Se abrigar, para o refúgio conquistar.
Estudar, para o cérebro estimular.
Trabalhar, para a habilidade aprimorar.
Se entreter, para a mente não adoecer.
Socializar, para alegrias compartilhar.
Em família conviver e a cada dia um pouco da vida aprender.


25/09/25

Se você não tem tempo pra viver, seu corpo é um cativeiro de alma, não um templo do espírito.

Resista a preguiça mental apenas tirando um tempo para ler, descansando o corpo.

A beleza física é apenas um detalhe do corpo humano que temporariamente ilude as pessoas.


09/06/26

AFETO PESSOAL
Meus olhos que guardam marés, deito o corpo, mas não descanso a história. Levo um brilho úmido no olhar, de quem já chorou rios e ainda assim cultiva fontes. Tenho um rosto que é território sagrado, mapa de lutas silenciosas, de noites longas e amanheceres insistentes. Cada fio deste meu grisalho é um tempo que não se rendeu, é memória viva que se recusa a ser apagada. Tenho uma boca firme, carrego palavras que o mundo ainda precisa escutar. E mesmo no cansaço, há em mim uma força ancestral que não se curva, que não se cala, que não se perde. Sou uma mulher com existir poesia, dessas que não se escrevem, se atravessam. Eu sou Eli Odara Theodoro

Por que vives em mim?


Conto os dias desde que partiste,


mas partiste apenas de corpo.


Tua alma ficou.


Assim como teus olhos,


tua boca,


teus trejeitos.


O que faço sem ti?


Apenas vivo.


Espero, a cada dia,


o retorno do meu amor.


Desistir de ti não me passa pela mente.


Machucaste-me fundo —


e eu também te machuquei.


Perdoo-te todos os dias,


assim como me perdoei.


Não posso fazer mais nada.


Mas o que posso, não canso de fazer:


amar-te com tudo o que tenho a oferecer.