Corpo
"Respeite a si mesmo e ao próximo: recuse consumir o que degrada o corpo humano e banaliza os sentimentos."
O corpo agora é apenas a moldura de uma tela , fomos colonizados pelo ruído e hoje assistimos a nossa própria vida como quem olha através de um vidro sujo.
A vida virou um rastro de dados, e o corpo , um endereço onde não mora mais ninguem : fomos despejados de nós mesmos pelo ruído do mundo que acabe na palma da mão.
Quando a beleza das palavras ganha corpo na força das ações, o discurso floresce em fenômeno. É onde o companheirismo cria raízes, a lealdade se torna abrigo e a sinceridade vira o solo firme onde crescem a irmandade e a amizade verdeira.
Corpo nutrido, mente desperta e rotina blindada: o básico bem feito é o que constrói o extraordinário.
O ferro molda a resistência do corpo, a leitura afia o discernimento da mente, e o autocontrole governa o destino de ambos.
Os logotipos especistas mantêm o animal visível o bastante para que seu corpo seja vendido e consumido, mas invisível o bastante para que sua morte deixe de ser reconhecida como violência e não perturbe a continuidade do consumo.
Não Existe Piloto Automático
O corpo memoriza.
A mente decide.
O braço repete o gesto
até que o gesto deixe de exigir consciência.
A força aprende o caminho,
e a carne obedece.
O pensamento, não.
Não há automatismo na inteligência.
Não existe stand by para quem raciocina.
Toda conclusão cobra análise.
Toda escolha exige renúncia.
Toda estratégia impõe cálculo.
O músculo vence pelo hábito.
A razão vence pela lucidez.
A primeira constrói paredes.
A segunda constrói civilizações.
Quem trabalha apenas com as mãos
desgasta o corpo.
Quem trabalha com a mente
desgasta o tempo,
enfrenta o caos
e transforma o invisível em realidade.
Porque a força move a matéria.
Mas somente a consciência
é capaz de mover o mundo.
Chegar ao ponto mais alto de uma jornada exige silêncio da alma, esforço do corpo, persistência do espírito e a coragem de se transformar.
Superar os obstáculos é reconhecer que o corpo é um lugar de encontro interior. Cada passo um despertar.
Amor invisível
Eu amo alguém sem rosto, sem corpo e sem nome. Amo como se o próprio amor me abraçasse. É um sentimento que não sei explicar, mas sinto, com certeza, que ele existe. Está em algum lugar deste mundo ou talvez além dele. É como se nossas almas se reconhecessem nessa travessia silenciosa, ainda sem encontro, mas já entrelaçadas no invisível.
Não é como o amor carnal. É encontro de essência, de espírito, onde não há distância nem tempo. Ali, nos reconhecemos, nos entregamos, e nos alimentamos desse laço sutil.
Assim como o corpo precisa do alimento físico, a alma também busca o seu sustento. E é nesse amor invisível que ela se fortalece, se nutre e continua a existir.
Rosa porque tu és assim
Por fora meiga e atenciosa
mas com o coração espinhoso
teu corpo lindo e tão cheiroso
Aí que droga errei de novo
O silêncio chega sem aviso, atravessa o corpo e nos obriga a olhar para o abismo do que somos. O “eu” é apenas um fio, tecido por memórias que se apagam e ecos que nunca nos abandonam, e o infinito não está lá longe: pulsa na respiração que falha, no coração que não cabe na caixa torácica, na mente que tenta nomear o indizível.
Entre o eu e o infinito, há apenas um instante de lucidez. Um sopro onde todas as certezas desmoronam, onde a consciência se abre como pétala que não se fecha, onde o universo, finalmente, se revela dentro de nós. E quando passa, o eu retorna diferente: mais leve, mais profundo, mais inteiro.
— Douglas Duarte de Almeida
