Contos sobre a Fome
Viva e contemple a miséria
Viva e prove da dor
Sucumba ao desespero
Sinta a fome doer
Sinta o desprazer de está vivo
Se beneficie de promessas
E limite sua existência
Torne-a insignificante
Para almeja o paraíso que tanto prometem
Comtemple quase que imutavelmente
Seu desejo pela morte
E desista graças ao medo.
agora que é agosto
e nós já sentimos
sono e sede
fome e angústia
agora que seguimos
vivas neste país
a febre dos trópicos
o inverno da guerra
agora que o ano
já escorregou em
definitivo para o
lado do fim
eu coloco meu corpo
voltado cada vez mais
ao sul do mundo
e aceno com os
braços cansados
enquanto sussurro
boas-vindas
ela vem
para me lembrar
que dor é matéria
de pegar
com as mãos
para me lembrar que
dor se contém
que dor também se
traça
igual cabelo
BEM-ME-QUER
Sou alimento que chega à tua mesa nas horas mindinhas, eu, que sacio a fome dos teus e, ensino teu estômago a pensar.
Sou o calçado novo do teu filho, tuas botas confortáveis que acaricia teus pés, mas te impeço o caminhar.
Sou óculos de grau que te revela o argueiro, mas, te esconde o leão, sou venda de seda, sou grade, prisão.
Sou passagem aérea em avião de luxo, banco de couro, cálice de ouro, copo de vinho, sou conforto, sou torto, maquiado, sou O cala-boca.
Sou ultrassom, tomografia, ressonância, endoscopia, teste de aids, cesariana, vasectomia, bengala, dentadura, cadeira de rodas, não sou cura.
Sou abraço vazio, beijo gelado, dono do gado, chicote estalado, cerca de arame farpado, muro e cadeado.
Sou grande e pequena, do Norte, do Sul, de todas as regiões, sou fascista, imperialista, capitalista, racista, sexista, vampiro, sou mulher, sou homem, gigante e “anão”, da academia, do povão, sou ditoso, religioso.
Se eu fosse você não me queria, sou às oligarquias.
***
O Desespero botou a cara na rua
E estava tão feliz, pois matou a saudade
Do Medo e da Fome de quem tem
Sob os aplausos dos ditos “cidadãos de bem”.
E foi tanto brado e tanta festança
Do coro civil puxado pela D. Ignorância
Que afugentou personas non gratas
Como a Empatia, a Educação e a Tolerância.
Sórdido
Seu algoz é fome...
Entre temores ambientais
Mostra se feliz com o mundo que não existe mais.
Justiça se faz de cega.
Se existe alguma justiça?
Nobres
Momento que vivemos apenas pela esperança de viver.
A tendência é o abandono.
Sendo assim mesmo mortos...
Pois é essa a justificativa.
Se uma pessoa que tem um bom trabalho, não passa fome ou sede, não sente frio, tem uma casa onde morar, tem pessoas que gostam dela, não lhe falta nenhum membro do corpo e não sente qualquer dor física, ainda pensa constantemente em morrer, o que lhe falta?
GRATIDÃO!
É o que falta na vida dela.
Gratidão por tudo o que ela tem e muita gente gostaria de ter.
Nenhuma riqueza será suficiente para quem não agradece pelo que a vida lhe deu.
Do mesmo jeito que você gostaria de parar de comer, existem pessoas com fome querendo alimento
Do mesmo jeito que você gostaria de perder peso, tem pessoas querendo ganhar
Do mesmo jeito que você gostaria de ter alguém, tem pessoas que gostariam de estar sozinhos
Do mesmo jeito que você gostaria de ser mais velho, tem pessoas querendo voltar no tempo para reviverem sua juventude
A reflexão principal é, enquanto você tentar ir atrás do que não tem, muita gente gostaria de ter o que você tem ou ser quem você é
Seja grato sempre por tudo que você tem, e antes de querer algo diferente tente evoluir primeiro como ser humano.
A gente fica aqui, mendigando repasse do aumento da mensalidade pro nosso salário de fome, mas eu só vou acreditar no futuro do Brasil quando o professor ganhar salário de alto executivo! Eu sei que isso é uma utopia inalcançável. Qualquer utopia é inalcançável, mas a função da utopia é te colocar andando pra frente, como diria o Galeano. A minha luta é por um piso salarial de trinta mil reais por mês. Trinta mil reais por mês é o mínimo que eu mereço!
Fruto Proibido
A carne adocicada da fruta-pele
desliza ao céu da boca
amaciando a fome com seu gume
tirando lascas da língua
inocente de sua safra
chega ao estômago mostrando
ter apenas sabor idêntico,
e num simples deslizar sorrateiro de garganta
se desfaz de suas cascas de alimento
revelando ser fruto proibido
pronto pra saciar a vida
do degustador sedento pelo seu
sumo.
Daqui a alguns tempos os seres não morrerão de fome.
Iremos morrer contaminados aos poucos por fertilizantes.
Comeremos em mesas fartas, porém contaminados sem imaginar que o modificado geneticamente e molecularmente é oque está livre de impurezas.
Estão fortalecendo um bio tipo, o qual tomaremos remédios cada vez mais pesados mas como se fosse um formol pra viver sem prazer de viver, um mero está de olhos abertos, perceptível da dor em cada minúscula parte de nossos corpos.
E, pior, com antídotos e remédios os quais não surtem efeito, a não ser, o colateral.
[DIVERSIDADE NA PERCEPÇÃO DAS PAISAGENS]
Há uma paisagem da guerra, da miséria, da fome, do medo, das classes sociais em luta, da religiosidade, do lazer, da tecnologia, da moda, dos estilos arquitetônicos, do controle disciplinar, do poder midiático que se espraia sobre uma região e aí estabelece seu domínio e práticas manipuladoras sobre a população local. Estas diversas paisagens referentes a extratos específicos de problemas, ou a instâncias singulares da realidade, às vezes são perceptíveis espontaneamente, outras vezes não
[extraído de 'História, Espaço, Geografia'. Petrópolis: Editora Vozes, 2017, p.56].
A DOR DA FOME
a dor da fome rasgava suas carnes como já rasgara ontem e antes de ontem.
não morrera ainda porque sempre há um naco de alguma coisa que alguém lhe dá.
não ficara a vida inteira na espera da esmola, não, batera muito martelo, batera muita marreta nesta vida marrenta.
houve labuta, muita luta, muito esperneio...mas o cansaço veio e lhe pegou de jeito, bem feito.
por que não lutou mais? Afinal, as oportunidades são iguais, basta querer- diziam-lhe.
"oh gente sem entendimento que não vê que as portas que se abrem, não abrem pra gente da minha cor... incolor, invisível!" - pensava.
Elas precisam ser forçadas...
a dor rasgava suas carnes como já rasgara ontem e antes de ontem.
a dor do abandono consumia as poucas forças que lhe restavam...
abandonado... em que estado!
_____ angela dias.
A guerra, a doença, a fome e todos outros males são a única forma que as pessoas com poderes usam para se tornarem ainda mais poderosas!
Eles promovem a desigualdade pelo mundo, condicionam o estilo de vida das pessoas, tornando as cada vez mais dependentes e sem muitas escolhas se não as escolhas deles, é tudo um jogo orquestrado, bem desenhado, eles criam e prevêem o futuro. Com as diferenças ou desigualdades pelo mundo fica mais previsível de saber o que as pessoas necessitam e escolherão!
Afeganistão… FOME… falta de HUMANISMO/UNIÃO…
Que bonito tem sido todos vermos;
a humanidade UNIDA, em pra SALVAR;
mas quão triste, é isto em TAL se dar;
mas quão triste, é disto ainda em nós termos.
Apreciai multimilionários;
o que a falta, de o em vós, exagerado;
nos pobrezinhos tão tem provocado!!!
deixai-vos, pois, por tal de ser otários.
Utilizai pra o BEM, vossa fortuna;
que um dia em esta Terra, irá ficar;
pra tentardes SALVAR, ESTA GENTINHA…
Que não tem culpa de ser POBREZINHA;
que até está disposta a trabalhar!!!
retirai, pois, OS TAIS desta lacuna.
Aplicai a fortuna, para SALVAR;
Não deixando a má FOME, OS mais MATAR;
Nem VELHOS MAUS, a ANJINHOS; violar!!!
Com uma indescritível, mágoa;
Ninguém viu
Ninguém viu, quando em dias de muita fome, nos deram de comer, mas tive de dividir um prato de comida e duas colheres com minha irmã, quando ainda éramos inocentes.
Ninguém viu, quando ainda criança, trabalhei debaixo de sol, sendo explorado por adultos, carregando peso acima de minhas forças, para ajudar no sustento de meus irmãos.
Ninguém viu, quando no terceiro dia de fome, depois de muito choro, tristeza e temor, de seis crianças ao seu redor, minha mãe conseguia farinha para fazer um pirão e comermos e aplacarmos a nossa dor.
Ninguém viu, quando morando em um quartinho sem banheiro, ao lado de meu primeiro amor, defecava em um jornal para jogar na lixeira que encontrava no caminho, confiando em um futuro de alegria e amor.
Ninguém viu, quando chorava sozinho por não ter com quem compartilhar minha dor, pois condenavam o meu caminho, que foi de tristeza e dor.
Ninguém viu, quantas noites passei cuidando de um amigo alcoólatra, para não deixá-lo se perder, e hoje como meu inimigo, essa lembrança faz meu peito doer.
Ninguém viu, quando meu amigo de fé e companheiro meu sócio comercial, me traiu e de mim a sorte, sem misericordia ele tirou.
Ninguém viu, quando arrastei meus filhos comigo por não ter com quem deixar, para na minha ausência deles cuidar.
Ninguém viu, quando se aproveitaram de minha situação e usurparam tudo o que podiam, até meu coração.
Ninguém viu, quando sem grana me humilhava diante de portas fechadas para junto com meus filhos me alimentar.
Ninguém viu, quando fui roubado por quem confiei meu espaço e minha amizade, sem saber que queriam meus bens tirar.
Ninguém viu, quando dei 100 dias de meu trabalho a uma grande amiga e doente ficando me desprezou e não me visitou.
Ninguém viu, quando o dinheiro acabou e sozinho fiquei e minha vida doei e trabalhei para cumprir a palavra que dei.
Ninguém viu, quando ganhava uma quentinha no almoço e dividia com a janta, por não ter como pagar.
Ninguém viu, quando ouvi de meu amor, que não tinha como propósito cuidar de um doente, quando me encontrava como tal, na sua frente em um hospital.
Ninguém viu, quando quem eu tanto amei, e fui fiel, me atacou com unhadas tirando sangue de meu corpo e empunhou uma faca contra meu pescoço, simplesmente por, na minha fidelidade não confiar.
Ninguém viu, quando tentei um novo amor, mesmo sabendo não amar, mas me empenhando para conseguir, tentei me fazer entender, e fui menos valorizado que um aparelho de tv, mas hoje se arrepende por não mais, meu amor ter.
Ninguém viu, quando me apaixonei cega e perdidamente e depois de alimentar uma ilusão em meio a um vendaval de paixão, fui deixado na mão com um dilacerado coração.
Ninguém viu, quando estendi a mão e ajudei a levantar um irmão e o mesmo depois de sair da lama, pisou na minha mão..
Ninguém viu, quantas vezes chorei escondido, por humilhações sofridas por meus mais queridos.
Ninguém viu? Ninguém viu? Será!!! Deus viu!!!
J C Gomes
Conversa de comadres: Palma
Terra seca: Palma
Fome aperta: Palma
Mãos furadas: Palma
Boi babão: Palma
_Sabe, comadre: Não é todo mundo que sabe preparar a palma!
_Deus nos livre de engolir um espinho!
_Perde a voz! Perde a vida!
_Oxente, comadre!
Barriguda sabe preparar palma como ninguém!
_Como o boi nunca se engasga, comadre?
_ Sei lá! Vai ver a gente precisa aprender a ruminar!
_Ruminar a vida!...
A cegueira da fome
Uns dizem que é um cenário escuro,
Outros dizem que é um cenário daquilo que plantamos,
No conhecimento de uma gramática,
Maldita é a serpente que predomina nos olhos humanos,
Essas barricadas que nós adquirimos no olhar,
Sonolenta não é essa minha inspiração,
Nesse paraíso formal,
Não é tão assim um colossal como dizem,
Numa coleção de pensamentos meus,
Vão se misturando ideias e opiniões,
Filtro então,
O que é do ceu,
E o que é da terra,
Não falo da fome só de alimentos não,
Falo de uma fome que muitos não enxergam,
Na conjunção de algumas frases,
Simples e notórias aos olhos da luz,
Adianta gritar e dizer;
Barriiiigaaaaassssssss,
E claro que não,
Essa vida não é só arroz e feijão não,
Aqui ou em qualquer lugar,
Sempre teremos poetas cegos,
Políticos cegos,
Jornalistas cegos,
Pais e mães cegos,
Filhos cegos,
Os poderes nas mãos maus apagado,
E não deixando abrir os seus olhos,
Dos pobres que já estão cegos,
Autor:Ricardo Melo.
O Poeta que Voa.
Cabra, só Deus sabe da minha má fase
Tinha fome e devorava o som
Guardo cada face, cada frase
Como base pra não ser em vão
Cada porta que abre é um milagre
Só me cabe ser muito mais que bom
Vou chegar ao céu mantendo os pés no chão
Quando componho tenho o mundo em minhas mãos
- RAPadura Xique-Chico
Eu tenho fome de ti.
Eu amo o jeito que me decifra, mesmo quando me escondo.
Eu amo que ame meu jeito mofado e velho.
Eu amo que ame me ver reclamando de tudo.
Eu amo como me acalma quando estou indo para meu mundo louco e triste.
Eu amo quando diz que tenho olhos de jaboticabas. Faróis baixos.
Eu amo te olhar olhando para o nada. Amo porque sei que habito esses pensamentos perdidos. Em algum lugar, eu hábito em ti.
Amo que me deixa ser eu mesma, mesmo eu sendo uma bagunça.
Amo quando olha nos meu olhos e pede para me entregar, e me entrego.
Perdi o medo de te amar, você me mostrou que amar é simples e leve. Ri do meu medo, me faz ter coragem.
Corro até você, você sorri e me abraça. Fico segura e sei que meu lugar é dentro desse abraço.
• Ass: Noju.
ERVA DA FOME -
Sou Erva da Fome
que nasce da terra
da solidão que nos come
à morte que enterra!
Sou Erva da Fome
não sou Erva ruim
na esperança que dorme
tão perto de mim!
Sou Erva da Fome
que nasce e persiste
na dor que consome
faz de mim um ser triste!
Sou Erva da Fome
correndo vales e montes
e afogo o meu Nome
no silêncio das Fontes!
