Coleção pessoal de gabrielparice

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recomeçario

Ele percebeu que tinha mudado no dia em que entrou no próprio quarto e sentiu que estava visitando alguém.

Os mesmos móveis, os mesmos objetos, os mesmos cantos onde tantas histórias tinham acontecido. Mas havia alguma coisa estranha naquele lugar. Como se tudo pertencesse a uma pessoa que ele conhecia, mas já não conseguia alcançar.

Ele ficou parado na porta por alguns segundos, tentando lembrar em qual momento havia deixado de ser aquele cara.

Talvez tivesse sido aos poucos.

Talvez ninguém perceba quando uma pessoa começa a desaparecer de si mesma.

Ele ainda fazia as mesmas coisas. Acordava, respondia mensagens, saía, conversava, ria quando era esperado. Aprendeu perfeitamente a imitar a própria presença. Era bom em parecer alguém que estava bem.

O problema era quando ficava sozinho.

Porque no silêncio sempre apareciam as versões antigas.

O garoto que acreditava que tudo teria uma explicação.

O homem que achou que finalmente tinha entendido a vida.

A pessoa que prometeu nunca repetir certos erros.

Todos eles apareciam sentados ao redor da mesma mesa, olhando para ele como se esperassem uma resposta.

“Quem você virou?”

Era uma pergunta simples.

Mas ele nunca sabia responder.

Ele passou anos tentando fugir de si mesmo, como se mudar de lugar fosse suficiente para deixar para trás aquilo que carregava. Trocou hábitos, ambientes, pensamentos, criou novas versões de si mesmo e chamou aquilo de evolução.

Mas toda noite, quando a casa ficava escura, ele encontrava os mesmos fantasmas usando roupas diferentes.

Ele percebeu uma coisa que nunca quis aceitar:

às vezes a gente não muda.

Às vezes a gente apenas aprende novas maneiras de repetir os mesmos padrões.

Ele lembrava de todas as vezes que jurou que seria diferente. Todas as promessas feitas em momentos de lucidez, quando a dor parecia grande o suficiente para ensinar alguma coisa.

Mas a dor passa.

E quando ela passa, a memória dela fica mais fraca.

Então ele voltava.

Voltava para os mesmos lugares, procurava as mesmas sensações, fazia escolhas que já conhecia o final.

Era como assistir ao mesmo filme várias vezes e continuar esperando que, em alguma exibição, o personagem principal tomasse uma decisão diferente.

Uma noite, ele abriu uma caixa antiga guardada no fundo do armário.

Dentro dela estavam fotos, bilhetes e pequenos pedaços de uma vida que parecia pertencer a outra pessoa.

Ele olhou para aquele rosto mais jovem e não sentiu vergonha.

Pela primeira vez, sentiu apenas cansaço.

Aquele cara também estava tentando.

Talvez esse fosse o problema de passar tanto tempo odiando quem você foi: você esquece que aquela pessoa também estava fazendo o melhor que conseguia com a consciência que tinha.

Ele fechou a caixa.

Não porque tinha encontrado uma resposta.

Mas porque percebeu que talvez nunca existisse uma versão final esperando por ele.

Talvez a vida fosse apenas essa sequência de encontros com pessoas que você já foi.

Algumas você abraça.

Algumas você perdoa.

Algumas você tenta esquecer.

Mas todas continuam vivendo em algum lugar dentro de você.

Naquela noite, ele deitou sem saber se tinha finalmente se encontrado ou se apenas tinha parado de fugir.

E, pela primeira vez em muito tempo, essa dúvida não parecia assustadora.

Porque talvez o maior erro dele tivesse sido acreditar que precisava se tornar alguém completamente novo.

Talvez ele só precisasse aprender a conviver com todos aqueles que já existiam dentro dele.

assassinato do auto ego

Existe um momento estranho em que o ego começa a perder a voz.

Não é uma morte completa, mas uma espécie de silêncio. Como se todas as certezas que eu carregava fossem uma casa construída com paredes de vidro, e bastasse uma queda forte o suficiente para perceber que, na verdade, eu nunca estive tão protegido quanto imaginava.

Talvez seja necessário chegar em algum tipo de fundo para enxergar.

Porque enquanto estamos no alto, tudo parece absoluto. Nossas dores parecem eternas, nossos desejos parecem indispensáveis, nossas versões parecem definitivas. A gente acredita que aquilo que sente naquele instante é a verdade final sobre quem somos.

Mas quando tudo desmorona, quando o personagem perde a fantasia, começa uma visão diferente.

Você começa a enxergar as próprias versões que já morreram dentro de você.

A pessoa que você era antes de certas dores. A pessoa que você tentou ser para ser aceito. A pessoa que você fingiu ser para não demonstrar fraqueza. A pessoa que você criou na sua cabeça e passou anos tentando alcançar.

E então vem a parte mais estranha:

perceber que nenhuma delas era realmente você.

E talvez nenhuma delas fosse falsa também.

Eram apenas momentos.

Porque no fim, tudo parece ter essa natureza passageira que a gente tenta ignorar. O sentimento que ontem parecia impossível de superar, um dia vira uma lembrança distante. A certeza que parecia inabalável, um dia parece uma ideia de outra pessoa. As coisas que jurávamos que definiriam nossa vida acabam sendo apenas capítulos pequenos em uma história que continua mudando.

A gente passa tanto tempo tentando encontrar significado em tudo, como se existisse uma explicação escondida esperando ser descoberta.

Mas talvez o universo nunca tenha prometido sentido.

Talvez nós sejamos seres tentando organizar o caos, criando narrativas para suportar a passagem do tempo.

Chamamos de destino aquilo que aconteceu.

Chamamos de aprendizado aquilo que conseguimos aceitar.

Chamamos de personalidade aquilo que são apenas padrões repetidos até parecerem permanentes.

E quando o ego fica despido, quando não existe mais a necessidade de parecer certo, forte ou invencível, sobra uma percepção quase assustadora:

nós somos muito menos fixos do que imaginamos.

Somos feitos de fases, encontros, perdas, memórias e versões que vão surgindo e desaparecendo conforme atravessamos a vida.

Talvez o fundo do poço não seja apenas um lugar de destruição.

Talvez seja o único lugar onde a gente consegue olhar para cima sem mentir sobre a altura que caiu.

Porque lá embaixo não existe mais personagem.

Não existe imagem para sustentar.

Não existe plateia.

Existe apenas você, diante de tudo aquilo que tentou esconder, percebendo que talvez a maior ilusão nunca tenha sido o mundo lá fora.

Talvez tenha sido a ideia de que algum dia nós realmente fomos uma coisa só.

A nuvem negra não chegou de uma vez.

Ela não apareceu como uma tempestade anunciando que tudo iria mudar. Ela veio devagar, quase educada, como uma sombra que aprendia os caminhos da casa antes de tomar conta dela.

No começo eu ainda conseguia enxergar o céu.

Ainda existiam dias bons, momentos que pareciam provar que aquilo era só uma fase. Eu dizia para mim mesmo que amanhã seria diferente, que alguma coisa dentro de mim iria voltar ao lugar.

Mas o tempo passou.

E a nuvem ficou.

Ela não precisava mais esconder o sol, porque eu já não lembrava exatamente como era sentir o calor dele.

As coisas continuaram acontecendo ao meu redor, pessoas rindo, histórias sendo criadas, músicas tocando em algum lugar. O mundo nunca parou por minha causa. E talvez essa tenha sido uma das partes mais estranhas: perceber que tudo continuava em movimento enquanto dentro de mim alguma coisa permanecia parada.

Eu comecei a existir mais do que viver.

Os dias viraram uma sequência de obrigações, os momentos viraram apenas momentos. Eu estava presente em lugares onde minha mente nunca estava. Eu respondia, conversava, sorria quando precisava, mas parecia que uma parte minha tinha ficado para trás em algum lugar que eu não conseguia encontrar.

E por muito tempo eu procurei um culpado.

Procurei em cada escolha errada, em cada palavra que eu poderia ter dito diferente, em cada versão minha que eu queria apagar. Eu carregava meus próprios erros como uma mochila cheia de pedras, e mesmo quando ninguém mais falava sobre eles, eu continuava voltando para buscá-los.

Até que um dia eu percebi que talvez eu nunca tenha sido o monstro que eu criei na minha cabeça.

Talvez eu só fosse alguém cansado.

Alguém que tentou, errou, perdeu coisas, machucou e foi machucado. Alguém que passou tanto tempo tentando entender onde tinha falhado que esqueceu que também estava sofrendo.

Talvez eu tenha finalmente conseguido me perdoar.

Mas o estranho é que o perdão não trouxe aquela paz que eu imaginava.

Não abriu o céu.

Não fez a nuvem desaparecer.

Ela continuou lá.

Só que agora eu não estava mais brigando comigo mesmo dentro dela.

E talvez esse seja o lugar mais estranho para se estar: quando você para de se odiar, mas ainda não sabe como voltar a se encontrar.

Quando você finalmente solta as correntes que você mesmo colocou, mas percebe que ainda está perdido no mesmo lugar.

A nuvem negra continua acima de mim.

Às vezes mais distante, às vezes tão baixa que parece tocar meu rosto.

E eu continuo andando sem saber exatamente para onde.

Não porque acredito que vou encontrar alguma coisa.

Mas porque ficar parado também já não parece uma opção.

Talvez esse seja o máximo que eu consigo fazer agora:

carregar a mim mesmo por caminhos que eu ainda não reconheço, tentando descobrir se em algum lugar existe uma versão minha que eu perdi no caminho.

Ou se eu estou apenas procurando por alguém que nunca mais vai voltar.

“I think I, I think I finally found a way to forgive myself”.

Eu tenho medo da química que precisa ser fabricada.

Daquelas conexões que chegam com manual de instrução, onde cada palavra é escolhida, cada gesto é calculado, cada demonstração parece uma tentativa desesperada de convencer o coração de que existe algo ali.

Eu odeio esse amor que precisa ser empurrado ladeira acima, como se duas pessoas tivessem que carregar uma montanha nas costas para provar que vale a pena.

Porque o que é verdadeiro não pede tanto esforço para existir.

Não deveria parecer uma apresentação, uma entrevista, uma prova de merecimento. Não deveria ser preciso implorar para que alguém enxergue a beleza daquilo que você entrega.

Existe algo triste em tentar transformar faísca em incêndio usando apenas as próprias mãos. Em soprar uma chama que nunca quis nascer, acreditando que talvez, se você cuidar o bastante, ela finalmente escolha aquecer você.

Mas algumas coisas não são destinadas a queimar.

E talvez a maior crueldade seja perceber que você não estava errado por sentir. Você só estava tentando encontrar profundidade em um lugar onde talvez existisse apenas superfície.

Eu não quero mais a química construída no desespero, a proximidade criada pela insistência, o carinho que aparece porque alguém tem medo de perder e não porque realmente quer ficar.

Eu quero o tipo de encontro que parece uma lembrança antes mesmo de acontecer.

Aquela paz estranha de não precisar convencer ninguém.

De não precisar mostrar mil versões suas para provar que existe algo bonito aí dentro.

Porque o amor que precisa ser forçado pode até parecer intenso, mas no fundo carrega uma pergunta silenciosa:

“Se eu parar de tentar, ainda existe alguma coisa aqui?”

E eu cansei de procurar respostas em lugares onde eu sempre precisei gritar para ser ouvido.

Há quem diga que esquecer é questão de tempo. Eu desconfio. O tempo só aperfeiçoa a memória; ensina ela a usar máscaras melhores.


Sem perceber, eu continuo te procurando.


Não em fotos. Essas eu já conheço de cor. Te procuro nas coisas que nunca te pertenceram, mas que aprenderam teu idioma.


Quando o primeiro acorde de Arctic Monkeys atravessa o silêncio, meu peito ainda olha para a porta, como se alguma parte de mim acreditasse que certas músicas continuam sabendo o caminho de volta. Oasis faz pior: transforma saudade em paisagem. É como caminhar por uma rua antiga onde ninguém mora mais, mas todas as janelas permanecem acesas.


Eu te encontro nos livros que compro sem motivo. Há sempre uma frase que teria arrancado um sorriso teu, e, por um instante, leio em voz baixa para alguém que já não está. Fecho a página como quem fecha uma conversa interrompida.


Também te procuro nas pessoas.


Não porque elas se pareçam contigo. Seria injusto com elas e impossível contigo. Mas existe um gesto, um silêncio, uma maneira de inclinar a cabeça enquanto escutam, um riso que dura meio segundo a mais... e, por um instante vergonhoso, meu coração pergunta se finalmente te encontrou de novo. Nunca encontrou. Eram apenas desconhecidos carregando pedaços que a minha memória decidiu roubar.


Há cidades que conspiram.


Volto a lugares onde estivemos e eles insistem em manter tua ausência exatamente onde você a deixou. A mesa continua pequena demais para duas pessoas. A calçada ainda sabe a direção dos nossos passos. O vento atravessa a mesma esquina com a mesma delicadeza, como se ignorasse que agora sopra apenas contra um corpo.


É estranho viver assim.


Como alguém perseguido por um fantasma que não assombra a casa, mas os detalhes. Um perfume na rua. Um casaco da mesma cor. Uma música tocando ao fundo de um café. A dedicatória esquecida na primeira página de um romance. Nada é suficiente para trazer você de volta, mas tudo parece suficiente para lembrar que um dia esteve aqui.


Talvez seja esse o verdadeiro peso de amar alguém.


Não é sofrer pela ausência da pessoa. É perceber que ela contaminou o mundo inteiro. As músicas deixam de ser só músicas. Os livros deixam de ser só livros. As ruas deixam de ser ruas. Tudo passa a existir em dois tempos: antes de você e depois de você.


E eu sigo vivendo.


Converso, sorrio, conheço rostos novos, aperto outras mãos. Mas existe uma parte de mim que continua fazendo comparações em silêncio, como quem procura uma constelação específica num céu cheio de estrelas. Não porque as outras sejam menores, mas porque meus olhos aprenderam, há muito tempo, exatamente onde repousava aquela luz.


Talvez um dia eu pare de te procurar.


Ou talvez não.


Talvez algumas pessoas não terminem quando vão embora. Elas apenas se espalham. Ficam escondidas entre acordes, páginas, esquinas e olhares alheios, transformando o mundo inteiro numa coleção discreta de lembranças.


E o mais cruel é que ninguém percebe.


Só quem continua procurando.

Eu quero aquilo que interrompe o funcionamento normal das coisas.

o tipo de acontecimento que faz os velhos instintos parecerem obsoletos. que invade sem violência, mas quando vai embora leva junto a pessoa que existia cinco minutos antes.

não procuro conforto.

conforto conserva.

eu quero uma força que torne meus antigos refúgios inutilizáveis, que faça meus excessos perderem o gosto sem que eu precise travar guerra contra eles. quando a mudança é verdadeira, o esforço vira detalhe.

quero desaprender naturalmente.

como quem esquece um idioma porque encontrou outro mais bonito para pensar.

quero ser confrontado por algo que me obrigue a crescer na mesma velocidade em que destrói minhas desculpas. que embaralhe minhas certezas até eu não reconhecer mais o mapa que passei anos desenhando.

e, quando tudo terminar, que não reste a satisfação de ter vencido.

quero restar diferente.

há transformações que parecem acidentes.

as melhores sempre foram destino disfarçado.

porque existe um ponto em que insistir na antiga versão de si mesmo deixa de ser fidelidade.

e passa a ser desperdício.

ou talvez não.

talvez eu queira exatamente o contrário.

que nada me alcance fundo o bastante para exigir uma reconstrução. que tudo passe como passam os estranhos na calçada: vistos por um instante, esquecidos na esquina seguinte.

quero permanecer intacto.

que meus hábitos sobrevivam a qualquer novidade. que minhas convicções envelheçam comigo. que nenhuma experiência seja convincente o suficiente para mudar a direção dos meus passos.

não quero perder o gosto pelas velhas fugas.

nem descobrir um idioma novo se isso significar esquecer o primeiro.

prefiro os mesmos erros pela intimidade que construí com eles.

prefiro reconhecer o teto das minhas limitações do que correr o risco de descobrir que ele nunca existiu.

há uma tranquilidade quase elegante em jamais ser surpreendido.

em nunca precisar rever.

em nunca precisar ceder.

no fim, talvez a maior ambição seja essa:

atravessar a vida sem deixar que ela atravesse de volta.

há dias em que eu me convenço de que existe uma conta aberta em meu nome. uma dívida antiga que eu nunca lembro de ter feito, mas que a vida faz questão de cobrar todos os dias.

talvez eu mereça. talvez cada ruína tenha sido construída pelas minhas próprias mãos. eu sempre encontro um jeito de tocar no que amo com tanta força que, sem perceber, também encontro um jeito de quebrar. construo casas para depois assistir ao teto desabar sobre mim. e o pior é que, mesmo conhecendo o roteiro, eu continuo acreditando que dessa vez será diferente.

já tentei me absolver. sentei diante dos meus erros como quem visita um velho amigo, esperando ouvir que tudo ficou para trás. mas eles nunca respondem. apenas me olham em silêncio, como espelhos que insistem em refletir a pior versão de mim.

o que mais me machuca não é perder. é nunca entender a lição. se toda dor existe para ensinar alguma coisa, então por que eu continuo repetindo o mesmo capítulo? quantas tempestades ainda faltam para que o mar finalmente aceite que eu já aprendi a afundar?

carrego um oceano de raiva que nunca encontra a praia. e uma tristeza tão antiga que às vezes parece ter nascido antes de mim. ambas dividem o mesmo peito, disputando espaço com um coração que ainda insiste em acreditar nas pessoas, mesmo depois de colecionar ausências.

eu não queria milagres. nunca quis promessas impossíveis. só queria experimentar, por um instante, a estranha sensação de receber na mesma intensidade em que entrego. descobrir como é estender a mão e encontrar outra vindo na direção contrária, em vez de mais um adeus.

mas existe uma crueldade silenciosa em continuar remando quando a maré parece ter escolhido o lado oposto. você se esforça, sangra as mãos nos remos, perde o fôlego, e ainda assim termina exatamente onde começou. às vezes até mais distante da margem.

e talvez seja isso que mais destrói o gabrieu: não o peso das derrotas, mas a dúvida de não saber se está lutando contra o mundo… ou contra si mesmo.

Não do jeito infantil que promete o impossível, mas do jeito desesperadamente humano de quem encontra alguém e pensa: é aqui que eu posso repousar a minha alma.

eu queria ser o lugar onde você encosta a cabeça quando o mundo pesa mais do que seus ombros conseguem suportar. queria ser a primeira voz que te acalma depois de um dia cruel e o último pensamento antes do sono vencer seus olhos.

eu queria viver um amor onde a rotina fosse uma forma sofisticada de romance. onde comprar pão numa terça-feira tivesse o mesmo encanto de atravessar oceanos. porque, quando o amor encontra a pessoa certa, até o ordinário aprende a florescer.

eu queria ser indispensável sem que isso parecesse uma prisão. ser a chave esquecida no teu bolso, a música que você canta sem perceber, o perfume que insiste em permanecer nas roupas muito depois do abraço terminar. não por necessidade, mas porque algumas presenças deixam de ser companhia e passam a ser parte da arquitetura da vida.

eu queria que o nosso amor fosse tão íntimo que as palavras se tornassem um excesso. bastaria um olhar atravessando a mesa, uma mão procurando a outra no escuro, um sorriso quase imperceptível para dizer tudo aquilo que o idioma nunca conseguiu inventar.

e, se um dia o tempo tentasse desgastar o que construímos, eu não pediria promessas. pediria apenas que continuássemos nos escolhendo. porque amar, para mim, nunca foi sentir intensamente por alguns meses; sempre foi acordar milhares de manhãs e ainda encontrar beleza no mesmo rosto.

eu não sonho com paixões que queimam cidades. sonho com incêndios silenciosos, daqueles que aquecem uma casa inteira durante uma vida.

eu queria ser teu da forma mais simples e, justamente por isso, da forma mais absoluta.

não para te possuir.

mas para que, quando alguém perguntasse onde mora a paz, você pudesse responder sem pensar:

“nos braços dele.”

carta aberta para mim

você entra em uma sala como quem procura saídas de emergência.

não porque queira fugir de mim, mas porque alguém fez do amor um incêndio e, desde então, qualquer faísca parece suficiente para reduzir tudo às cinzas.

eu percebo isso na maneira como você demora para acreditar em um elogio, como transforma carinho em coincidência, como espera que eu vá embora mesmo quando acabei de chegar.

quem foi que te ensinou que afeto sempre cobra um preço?

quem foi que fez você acreditar que toda gentileza esconde uma intenção e que toda promessa nasce com prazo de validade?

às vezes eu tenho vontade de pedir que você descanse.

não nos meus braços.

na ideia de que, desta vez, talvez ninguém esteja tentando vencer uma disputa invisível. talvez ninguém queira moldar você até caber nas próprias expectativas. talvez existir ao lado de alguém não precise ser um jogo onde sempre há um perdedor.

você não precisa me amar hoje.

nem amanhã.

eu só queria que, por um instante, você parasse de conversar com o passado como se ele ainda tivesse direito de responder pelo presente.

porque eu não sou as portas que bateram.

não sou as palavras que diminuíram você.

não sou os silêncios usados como castigo.

e seria uma injustiça comigo carregar a culpa por mãos que nunca foram minhas.

é estranho…

às vezes quem mais precisa de amor é justamente quem menos consegue reconhecê-lo quando ele chega. não por falta de coração, mas porque passou tempo demais aprendendo a sobreviver. e quem vive sobrevivendo esquece que carinho não precisa ser uma negociação.

eu não quero convencer você de nada.

o amor que precisa de provas o tempo inteiro acaba se tornando um tribunal.

eu só queria que um dia você olhasse para mim sem esperar a parte em que eu decepciono.

como quem finalmente entende que nem toda história precisa repetir o mesmo final.

e, quando esse dia chegar, talvez a pergunta deixe de ser “quem foi que te machucou?”

e passe a ser:

quem foi o primeiro que fez você acreditar que ainda era possível não se machucar?

Existe uma beleza cruel na decepção.

Ela chega sem ser convidada, quebra os móveis da esperança, rasga os retratos que insistíamos em chamar de futuro e, por alguns dias, nos convence de que nada além da dor permanecerá de pé. Mas a decepção nunca veio para destruir; ela veio para devolver.

Antes dela, chamávamos de amor aquilo que muitas vezes era apego. Não à pessoa, mas à promessa. Não ao que existia, mas ao que imaginávamos existir depois de tempo suficiente.

É curioso como insistimos em regar jardins onde as flores já decidiram morrer. Dizemos que é persistência, maturidade, lealdade. Às vezes é apenas medo. Medo de admitir que o castelo em que depositamos tantas horas nunca passou de um andaime.

Então a decepção faz aquilo que o afeto não teve coragem de fazer: arranca nossas mãos do que já não nos pertence.

Ela nos obriga a olhar para o outro sem o filtro da saudade antecipada, sem a maquiagem das expectativas. Pela primeira vez, enxergamos pessoas como elas são, e não como precisaríamos que fossem para justificar nossa permanência.

Há uma violência quase divina nisso.

Porque dói descobrir que não perdemos alguém; perdemos a fantasia que construímos ao redor dessa pessoa.

E fantasias morrem gritando.

A decepção tem a elegância dos carrascos antigos. Não ergue a voz, não pede licença, não explica seus métodos. Apenas corta, com precisão suficiente para separar quem somos daquilo em que insistíamos em nos prender.

Depois, resta um silêncio.

No início, ele parece abandono.

Mais tarde, entendemos que era liberdade.

A verdade é que nossos maiores cárceres raramente têm grades. São feitos de expectativas, de lembranças editadas, de versões idealizadas de pessoas comuns. Passamos anos chamando isso de destino, quando era apenas apego usando roupas bonitas.

Por isso, hoje desconfio dos finais que chegam sem decepção.

São os desapontamentos que arrancam de nós as últimas ilusões. Eles devolvem a lucidez que o encantamento havia roubado.

Que privilégio descobrir, ainda em vida, que aquilo que julgávamos indispensável era apenas um hábito emocional.

Há perdas que diminuem um homem.

Mas há decepções que o devolvem a si mesmo.

E talvez seja essa a mais silenciosa das libertações: perceber que a dor nunca veio para nos ensinar a viver sem alguém. Ela veio para nos ensinar a viver sem a necessidade de transformar qualquer pessoa no centro da nossa existência.

Como é bela a decepção.

Porque toda corrente, antes de ser rompida, faz barulho.
Depois, resta apenas o som discreto da liberdade.

Conheço meu potencial e tudo o que posso entregar, mas eu me pergunto: você é digna?

Tem que ter disposição. Prometa-me a sua alma e eu a faço arder como chamas meteóricas. O meu afeto não cabe em medidas humanas. Quis compará-lo a um astro, pensei em Netuno. Netuno, não. Netuno ainda é um lugar, ainda conhece fronteiras. O que eu ofereço não orbita, invade. Alimentaria você para além do espaço e do tempo, até que confundisse a minha presença com a gravidade que mantém os corpos de pé.

E então, no dia em que eu diminuísse a intensidade por um único instante, você chamaria isso de ausência. Não porque eu tivesse ido embora, mas porque acostumar-se ao excesso transforma qualquer sobra em abandono. É assim que nascem os dependentes: primeiro recebem o infinito, depois aprendem que o infinito também cansa.

Eu sei o que causo. Em mim, antes de qualquer outro. Toda luz exagerada cobra seu preço de quem a acende. Não existe estrela que queime sem consumir a própria matéria.

Mereço passar por isso? Claro que sim. O karma que carrego eu mesmo financiei. Assinei cada parcela sorrindo, como quem acredita que algumas dívidas nunca vencem. Hoje pago tudo com juros compostos de memória.

E eu já sabia. Sabia quando prometi mais do que um coração consegue sustentar. Sabia quando fiz do afeto um espetáculo, como se amar fosse incendiar tudo ao redor para provar que havia calor. No fundo, sempre soube que quem transforma o próprio peito em sol acaba condenado a viver cercado de planetas frios.

Talvez o meu maior castigo nunca tenha sido perder alguém. Foi ensinar as pessoas a sentirem falta de uma versão minha que nem eu consigo habitar para sempre.

Querida,


eu gostaria que o mundo estivesse acabando amanhã.


Então eu poderia pegar o próximo trem, atravessar Portugal inteiro, cruzar o mar até a Inglaterra e bater à sua porta sem precisar explicar nada. Quando você abrisse, eu não perguntaria se ainda há espaço para mim. Apenas estenderia a mão e diria:


Venha comigo.


Nós vamos nos amar sem medo, sem orgulho, sem o peso das palavras mal colocadas, sem o receio de quem vai embora primeiro.


Porque o mundo está acabando amanhã.


E, quando o mundo acaba, ninguém precisa fingir que é forte.


Ninguém precisa esperar o momento certo.


Ninguém perde tempo tentando vencer uma discussão que, no fim, nunca importou.


Se o mundo acabasse amanhã, eu não teria vergonha de dizer que senti sua falta todos os dias em que permaneci calado. Não esconderia que, por muitas noites, imaginei como seria ouvir sua voz outra vez, nem confessaria isso com a esperança de mudar alguma coisa. Apenas porque algumas verdades merecem existir antes do fim.


Nós caminharíamos sem destino.


Entraríamos no primeiro café aberto, pediríamos qualquer coisa e riríamos do absurdo de ainda existir café quando o céu estivesse desmoronando.


Você seguraria minha mão.


E, pela primeira vez em muito tempo, nenhum de nós precisaria perguntar o que o outro está sentindo. O fim do mundo teria nos devolvido uma simplicidade que a vida insistiu em roubar.


Eu olharia para você como olhei tantas vezes antes, mas dessa vez sem pensar no passado, sem medo do futuro, porque ambos deixariam de existir em poucas horas.


Só haveria o agora.


E o agora seria suficiente.


Se o mundo acabasse amanhã, eu pediria perdão por tudo aquilo que descobri tarde demais. Pelas vezes em que o meu silêncio falou mais alto do que o meu amor. Pelos instantes em que o orgulho venceu o desejo de permanecer.


Você talvez me dissesse que também errou.


E eu responderia que já não importa.


O mundo está acabando amanhã.


Não existem culpados quando o relógio decide parar.


Existem apenas duas pessoas que se encontraram tarde demais para um tempo curto demais.


Talvez, quando o último trem deixasse a estação, nós estivéssemos sentados lado a lado olhando a paisagem desaparecer pela janela. Não conversaríamos muito. Algumas pessoas foram feitas para dividir o silêncio, e o nosso sempre disse mais do que qualquer palavra.


Quando a noite chegasse, eu encostaria minha cabeça no seu ombro e pensaria que a eternidade nunca significou viver para sempre.


A eternidade, às vezes, cabe em alguns minutos vividos da maneira certa.


E, quando as luzes do mundo finalmente se apagassem, eu não pediria mais um dia.


Não pediria mais um ano.


Não pediria outra chance.


Porque você estaria ali.


E descobriria, no último instante da existência, que o único fim que realmente me assustava não era o do mundo.


Era o nosso.


Com amor,


Gabriel.

Não tão próximo quanto a lua desejaria, nem tão distante para deixá-la ir. o sol atravessava seus dias com uma luz que alcançava tudo, menos o vazio que existia entre os dois. a lua, em silêncio, fingia que algumas sombras eram suficientes para sobreviver. dizia a si mesma que amar também era aceitar o inverno, que nem todo calor precisa ser sentido para existir. mentia bem. porque toda noite ainda esperava que o sol esquecesse, por um instante, de iluminar o mundo inteiro e escolhesse aquecer apenas ela. nunca aconteceu. e, ainda assim, a lua permaneceu no mesmo céu. deverá acostumar-se ao frio de quem nasceu para ser calor, mas nunca soube aproximar-se o bastante para queimá-la.


Dizem que o sol jamais compreenderá o frio da lua. ele nasce disposto a aquecer, ela, acostumada ao silêncio, acredita que toda aproximação dura pouco. então afasta-se antes que precise sentir. o sol insiste por um tempo, confunde a distância com prudência, o silêncio com paz. até descobrir que há quem ame sem tocar, quem permaneça sem permanecer. talvez esse seja o preço do equilíbrio: aceitar que algumas luas nunca deixarão de ser inverno. e o sol… deverá acostumar-se a aquecer de longe.


O sol nunca percebeu que a lua esperava ser aquecida. acreditava que sua simples presença bastava. enquanto isso, a lua colecionava silêncios, caminhava ao lado do próprio brilho sem jamais sentir o calor que imaginava existir. não havia abandono, apenas uma ausência difícil de explicar. perto o suficiente para alimentar a esperança, distante o bastante para fazê-la duvidar de si. e talvez seja essa a mais cruel das órbitas: aquela em que ninguém parte, mas ninguém realmente chega. a lua continuará olhando para o céu. o sol continuará nascendo. e ambos chamarão isso de equilíbrio.

Na quietude de uma noite sem fim, onde as estrelas eram os únicos vigias e o céu parecia guardar os segredos de impérios antigos, eu a vi. Não como alguém comum atravessando a fumaça dourada da cidade, mas como uma visão arrancada das páginas esquecidas da história. Ela surgia diante de mim como Cleópatra renascida, não a rainha contada pelos homens, mas a mulher que existia entre o mito e o caos, grande demais para caber nas mãos erradas.
E eu, como Júlio César diante do inevitável, senti o mundo mudar no exato instante em que nossos olhos se encontraram.
Havia algo nela que fazia o tempo se curvar. Como se Roma ainda queimasse em algum lugar distante, enquanto neon e concreto refletiam em sua pele como ouro derramado. Ela caminhava entre as sombras daquele futuro desconhecido carregando o peso de quem sempre foi intensa demais para amores rasos. Grande como sempre foi, mas nunca amada da forma certa. Nunca compreendida por inteiro. Nunca tocada como um império merece ser conquistado.
Mas eu a via.
Via a fome escondida entre os exageros, a tempestade disfarçada nos sorrisos, o desejo absurdo de se entregar sem limites, mesmo fingindo que não precisava de ninguém. E talvez tenha sido exatamente ali que tudo começou. No instante em que minha licença poética decidiu transformá-la na rainha que o mundo sempre teve medo de amar.
Juntos, éramos mais do que duas pessoas atravessando madrugadas vazias. Éramos César e Cleópatra reinventados num século que já não acreditava em eternidade. O passado e o presente se misturavam numa dança silenciosa enquanto caminhávamos pelas ruas iluminadas, como se cada esquina escondesse um pedaço do nosso destino.
Na canção que ecoava baixa entre nós, éramos eu e você contra o mundo.
E o mundo odiava isso.
Havia olhos por toda parte. Olhares carregados de inveja, admiração e medo. Sussurros atravessando corredores, bocas dizendo que nosso amor era impossível, intenso demais, destrutivo demais. Diziam que pessoas como nós nunca terminavam inteiras. Que amores assim sempre acabam em ruínas.
Mas eles não entendiam.
Não entendiam que toda vez que tentavam nos separar, nós brilhávamos ainda mais. Como duas constelações condenadas a colidir. Como dois impérios destinados à guerra, mas que escolheram o amor antes da destruição.
Criamos nosso próprio refúgio entre noites longas, confidências e excessos. Entre doses de tequila e o álcool com que lavávamos a alma, nós nos despíamos das versões cansadas que o mundo exigia. E ali, longe das expectativas alheias, você finalmente podia se esbaldar dos exageros que sempre quis viver. Sem culpa. Sem limites. Sem precisar diminuir sua intensidade para caber no peito de alguém.
Porque eu nunca quis que você fosse menos.
Eu queria tudo.
Queria teu caos, tua fúria, teus exageros, tua maneira quase trágica de amar. Queria teus silêncios pesados, teus medos escondidos, tua vontade absurda de sentir o mundo inteiro de uma vez só. E enquanto você me olhava como se tentasse entender por que eu permanecia, eu só conseguia pensar que nenhum homem antes de mim soube amar uma rainha sem tentar prendê-la.
Seu antigo exército caiu justamente por isso. Pareciam gigantes vistos de longe, mas de perto eram apenas um mar raso tentando conter um oceano.
Você nasceu para profundidades que assustam.
E eu também.
Talvez por isso nossos nomes tenham se reconhecido antes mesmo de nossos corpos se tocarem. Como se em alguma outra vida César já tivesse encontrado Cleópatra sob outro céu, em outro império, prometendo outra vez que o mundo jamais seria suficiente para separá-los.
Nos momentos de silêncio, quando a madrugada cansava de existir e o universo parecia respirar devagar ao nosso redor, olhávamos para o futuro como quem encara algo inevitável. Sabíamos que éramos mais do que dois nomes passageiros tentando sobreviver ao tempo.
Nós éramos um pacto.
Uma promessa silenciosa feita entre ruínas e estrelas.
Talvez César não queira mais atravessar o mundo para conquistar outros impérios, porque ele enxergou em Cleópatra a sua castra.
E mesmo que o mundo inteiro desabasse ao nosso redor, ainda haveria nós dois, lado a lado, reinventando o amor como quem desafia a própria história.
Porque algumas pessoas nascem para viver romances simples.
Mas nós?
Nós nascemos para virar lenda.

equiparo as cicatrizes como marcas
marcas que fisicamente se eu olhar, consigo sentir exatamente a dor do que lhe causou
olho para o meu joelho e ela está lá aparente
as vezes, e na maioria das vezes, esqueço que ela está lá, mas quando a olho consigo sentir naquele instante tanto o motivo, quanto a dor.


existem cicatrizes que não conseguimos olhar, como essa do meu joelho, mas analisando a situação, consigo sentir intrinsecamente exatamente onde dói, geralmente a lembrança da dor tem olhos lindos, aqueles que um dia já jurei admirar para o resto da minha insignificante vida.


acho que cicatriz é sobre isso, é sobre saber que existe e que deixou marcado, foi vivido, foi real e a marca muito das vezes deixa uma feridinha, que se você cutucar porque as vezes por instinto temos essa intenção, ela pode sangrar novamente, ou, se você esquecer por bastante tempo ela pode sarar de vez e só virar uma marca.


refletindo sobre cicatriz, percebo que meus domingos que eram melancólicos agora estão se tornando apenas “domingos de descanso”, um corpo para se entrelaçar, sentir o cheiro, dar um beijo na testa de eu to aqui cuidando de você, e acordar de madrugada somente para admirar o rosto da pessoa em calmaria dormindo, virou o “pô, tenho bastante espaço pra dormir e liberdade aqui”.


o que era sufocante causado por uma falha na história, e que causava carência pela falta, está virando a parte normal da vida. e sabe o que é mais louco? não deixo de sofrer nenhum momento, tanto quanto sofria pela falta, como agora acostumando com ela.


talvez as cicatrizes não deixam eu esquecer que tenho alma, mesmo a deixando em segundo plano, talvez tudo o que a gente tenha se transformado ecoe na minha cabeça as vezes, mas tudo bem porque você está bem, não é?
eu não preciso estar bem, somente devo pagar com juros o que eu lhe devo, e estou pagando com correção monetária e impostos.


te deixar ir daqui de dentro também é desesperador e olha só que irônico, o que eu mais pedia pra acontecer está acontecendo e eu não gosto dessa ideia, achei que nosso adeus não seria tão prévio.