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Coleção pessoal de Eliot

341 - 360 do total de 1102 pensamentos na coleção de Eliot

⁠É Natal -

É Natal e nós precisamos de Natais ...
Precisamos de um mundo melhor
Cheio de paz e harmonia ...
É Natal e nós precisamos de Natais ...
Precisamos de toda a beleza do mundo
para enfeitar a vida de cada homem ...
É Natal mas nós precisamos de fazer Natal,
hoje, amanhã e sempre ...

Feliz Natal de para todos com as bençãos de Cristo nascido a brotarem em todos os corações. E não se esqueçam ... façam o Natal acontecer onde quer que estejam, com quem quer que estejam ...

⁠Ó Fadistas do Passado -


Ó Fadistas do Passado
venham comigo a meu lado
reviver noites bairristas;
a cantar à desgarrada
até que seja madrugada
venham daí ver as vistas!

Um Fadista cantando
uma Guitarra trinando
assim se fez a tradição;
venham comigo a meu lado
ó Fadistas do Passado
dar sentido à solidão!

É Destino assim cantado
dar a Voz ao nosso Fado
não tenham medo da Fama
de cantar à desgarrada
até que seja Madrugada
em qualquer canto de Alfama!

⁠Folhas ao Vento -

Folhas caem ao vento
sobre a luz do meu olhar
como a queda do tempo
que me impede de sonhar!

E estrelas bailam no Céu
como silêncios no ar
e vejo os olhos de Deus,
então, espelhados no mar!

Por mim chama a solidão
que só leva a mau caminho
e ai do pobre coração
que faz dela o seu destino!

Há dor e esquecimento
na cama ao meu lado,
folhas caídas ao vento
sobre o chão do meu Passado!

⁠Horas Caídas -

Horas caídas num triste silencio
gente perdida sem direcção ...
Olhar parado que rosto enfeita?!
Tantos pecados de mão em mão!

Quem se aninha, quem se deita
numa cama sem ter pão,
sente que a vida o rejeita
e lhe serve, à mesa, a solidão!

Tantas vezes que a fome nos parece
ser maior do que a razão
porque toda a gente a sofre e padece!

E não deixa de sofrer, de ter razão,
horas caídas num triste silencio
tantos pecados de mão em mão!

⁠Queda d'onde vim -

Morri caído!
Por isso nasci caído!
Porém, nesta queda que é a vida,
serei firme como a Rocha ...
Ninguém me verá cair
mais do que a queda d'onde vim ...
Se morri caído, renasci caído!

Eu sou a queda, eu fui a queda
e sempre serei a queda d'onde vim
numa estrada controversa
de mim a mim ...

E rio, e canto, e escrevo, e grito ...
... e enlouqueço os levantados ...
... coitados! Coitados! ...
Não suportam a firmeza d'um caído
que da queda não se ergue, só se ri!
E dizem:"Nunca vi!!! Tal coisa nunca vi!"

Pois eu, entre ser assim e vós,
escolho-me a mim, à minha queda
e ao que dela possa vir,
'inda que seja pó.
Não vos suporto, nem vos quero,
nem tolero!

De repente, todos arredaram,
partiram sem falar ...

Não faz mal!
Quando alguém se vai embora
é porque gente bem melhor
pode chegar!

⁠Exaltação -

Não sou Poeta!
Nunca o quis ser ...
Quis antes não ter dor
quis vida concreta
e o que fiz foi de cor.

Estudei a solidão!
Matéria que não quis ...
Quis tanto ter amor,
afoguei o coração
e dormi sobre a dor.

Eu sou Poeta!
Alguém quer entender?!
É meu segredo
ter Alma d'asceta
e um pouco de medo.

⁠Tempo sem tempo -

A saudade é inocente
face a toda a desgraça
e a dor é permanente
quando a vida a abraça ...

Se tudo me foi vedado
porque fica, não mingúa
a lembrança, o passado
que traz passos de Lua?!

E o que sou porque sou
nem eu sei d'onde vem
onde vou porque vou
nem o sei eu também!

E se vos canto esta dor
é p'ra que fiquem sabendo
que na verdade o amor
traz um Tempo sem Tempo ...

⁠Pressa -

Nada é o que devia ser!
E o destino tem pressa,
tudo passa, embora peça,
terei um dia de morrer!

E eu sou o que sou
mas o que sou não chega
e a minh'Alma vive presa
por afinal ser quem sou!

E quem sou eu, por meu mal,
nesta pressa de saber
se sou alguém afinal?! ...

E se há noite no coração
o que tenho eu a perder
se vestir agora a solidão?! ...

⁠Eco de Mim -

Tenho fome de palavras e olhares
nestas horas de tanta ansiedade
em que se escutam horizontes e pesares
gritando no silencio da saudade!

Tenho fome de sentir o teu amor
como as fontes pelos campos a jorrar
e já não sei como arrancar de mim a dor
que nasce por quem só te quer amar!

⁠Pensei ter Asas -

Trago um vazio
talvez um frio
dentro de mim
um Amor Maior
que sei de cor
uma dor sem fim.

Trago um segredo
viver do medo
que nos dá a vida
destino ardente
Fado inclemente
minh'Alma ferida.


REFERÃO:

Pensei ter asas
p'ra voar p'lo cais do Coração,
mas meu voar, perdeu a confiança,
pensei ter asas
p'ra rasgar a solidão,
mas fiquei triste e vazio, e a dor, a dor é tanta!


Ando p'la rua
com a Alma nua
já não m'importa
que toda a gente
saiba o que sente
uma Alma morta.

Que mal profundo
que neste Mundo
já não me larga
que no meu seio
sinto e não creio
que o amor é nada.

⁠DUAS ESTRELAS -

No meu peito há dois lamentos
nos meus olhos dois silêncios
que me prendem à saudade;
duas histórias que passaram
duas vidas que deixaram
tantas horas d'ansiedade.

Minha Mãe o teu sorriso
de que tanto 'inda preciso
em horas tristes sem vida;
e meu Pai, o teu regaço,
aquele olhar, o teu abraço,
ao dizeres, minha querida.

Esta mágoa que hoje canto
será sempre um triste pranto
uma espada no meu peito;
porque dá e tira a vida
tanto amor sem despedida
que tristeza no meu leito.

Mas no meu triste horizonte
junto à voz de cada fonte
ponho a minha voz também;
no Altar há duas velas
no meu Céu há duas Estrelas
são meu Pai e minha Mãe.

Para o Fado...

⁠Consequências sem sequência -

Já fui mais novo
já tive mais esperança
sinto-me morto
e sem confiança.

Restou tão pouco
do que foi meu sonho
que o amor d'um louco
em nada o ponho.

Que saudade a minha
de quem fui um dia
quando nada tinha
quando nada via.

De mim para mim
o amor disponho
nada sou por fim
perdi-me do sonho.

⁠Amnésia Parcial -

Não encontro palavras
que definam o meu estar,
o meu corpo sem asas
sem paz nem lugar.

Já não vejo o caminho
que me tire daqui
o meu estar é destino
do sonhar me perdi.

E perdi-me de mim
de quando um dia nasci
e já não sei, por fim,
se vivi ou morri.

E há palavras vazias
a bailar nos meus dedos
uma dor que eu não via
no meu corpo de medos.

⁠Quando o sonho se Revela -

Quando o sonho se revela
eis que tolda o pensamento
e lá no Céu há uma Estrela
que alivia o sofrimento.

Mas aquele que não sente
que o sonho mata a solidão
é levado na corrente
de quem perde o coração.

É poço sem ter água
é nascente sem caudal
alguém que leva a mágoa
da criança sem Natal.

Quem sente e nunca fala
quem não fala do que sente
no silêncio em que resvala,
fica só, inteiramente.

⁠Mal me vejo -

Mal me vejo
mal me toco
mal me sinto ...
O que desejo?!
Teu corpo.
Não minto.

Não te amo
não te quero
mesmo assim,
por ti chamo
por ti espero
ai de mim!

E o que farei?
Sem ti quem sou?
De olhos tristes
onde irei?!
Vou? Não vou!
Amor ... não viste ...

O Fado é espaço que meu espaço amplia,
Braços que meus braços aconchegam,
Olhos em que se perde o meu olhar!
Tino, desatino, destino, ilusão, desilusão,
A mágoa de um Povo, a Alma da Nação!

⁠Há Páginas -

Há páginas em branco
no meu peito, por escrever,
mas é triste, sou-vos franco,
porque afinal ninguém quer ler.

É pesado o meu destino
num silêncio a doer
eu tão só pelo caminho
sem saber o que dizer.

Há no livro do meu Ser
tantas linhas por traçar
e da saudade de te ver
tantos versos por acabar.

⁠Sem resposta -

Porque trago um coração
com vontade de parar?!
Porque trago a solidão
dos meus dedos a pingar?!

Porque trago no destino
tantos fados p'ra cantar?!
Tantas pedras no caminho
como dores p'ra chorar?!

Porque sinto esta agonia
como sendo o próprio frio?!
Esta noite que é meu dia
nas margens do vazio?!

Estou cansado de estar só
d'ir aos tombos pela vida
digo adeus calando a voz
só me resta a despedida!

⁠Retaguarda -

E há dilemas que habitam o vazio
há vontades no corpo dos passantes
há verdades que sentimos como frio
e mentiras que nos fazem ser errantes!

Há desejos que nos ocultam cada culpa
induções que a poesia tanto aguarda
cada dor que nasce de uma luta
é um verso que está na retaguarda!

E tudo o que há em mim vem da poesia
da fome que o meu corpo me trazia
na vontade d'ir além do que é doer!

E há em nós uma ingente melancolia
talvez um cansaço que pesa o dia-a-dia
na indomável loucura que é viver!

⁠Detalhes -

Naquela casa ao fundo
vim à vida como sou
e lá morreu o meu avô
num silencio profundo.

Alta noite em solidão
passa a vida em sopro lento
passo eu e passa o tempo
só não passa o coração.

Faz doer lembrar que a morte
nos deixa secos e tão sós
naquela casa , por sorte,
sempre lembro os meus avós.

E quando um dia eu partir
não me chorem por favor
já me basta toda a dor
de ter vivido sem sorrir.