Coleção pessoal de celso_nadilo

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Nas sombras somos a duvida ate que a luz celeste seja manipulável.
A manipulação é apenas equivalência da observação.

Entre a dúvidas as almas são rebatadas ou são parte do sistema que observam seus atos ate não conseguimos contemplar o proprio caos.

O Processo Seletivo do Progresso
​No desfrute da árvore, sua sombra reluzindo sobre a terra emana vida — e isso é bom.
No calor sufocante, a água congelada dos Alpes da montanha refresca o corpo.
Os peixes nadam, parecendo flutuar nos céus; isso é maravilhoso.
​As frutas da árvore caem, mostrando que a gravidade está longe da nossa compreensão. Como as folhas secas, o fruto se decompõe ou gera outra árvore; e isso foi bom de se ver.
​O vento surge juntamente com as nuvens carregadas de chuva. Mas o calor escaldante afasta as águas... Vejo o sopro levar as nuvens para as camadas superiores. É lindo ver a natureza. Os pássaros dançam nos céus, desenhando um novo início.
​O calor aperta. Um sorvete é bom, delicioso, mas o vento frio denuncia o que vem adiante.
Nas fronteiras dos sonhos, reside a devastação humana e o descaso com o lixo. O desrespeito à vida.
Os desejos de futuro tornam-se profundos demais enquanto os animais somem e os pássaros abandonam os céus.
​O denso ar poluído ganha contorno: carros barulhentos, pessoas sem noção... Música alta que se autointitula arte. Até os ratos correm por onde antes voavam pássaros. Agora, voam apenas moscas e baratas.
​Nesse caos ambiental, bolsões de vida resistem, mas cobra-se entrada — pois tornaram-se parques do Estado, reservas nacionais, praças e corredores controlados. As árvores carregam poeira nas folhas; os pássaros estão restritos a um meio ambiente sitiado. Onde antes caminhávamos sobre águas límpidas e reluzentes, agora impera o mau cheiro.
​Modinhas são desenvolvidas e resumidas nos likes do algoritmo: alienação intelectual pura.
Dizem que a vida tem urgência, mas tudo passa rápido demais. A alienação faz todos engolirem o processo seletivo do progresso, enquanto as infames manobras políticas revelam-se máquinas de enriquecimento ilícito.
​A legalidade tornou-se peça de museu, como bichos empalhados. É pão e circo que o povo quer? Pois que venham com a palhaçada. Enquanto isso, animais marcham pelas estradas vazias, pedindo carona.
​As aves observam o horizonte sob luzes de um céu anômalo, enquanto a maré vermelha bate à porta. Os reservatórios pluviais secam; suas nascentes foram destruídas pela indústria que busca espaço onde outrora era mata.
​As folhas secas dão origem ao deserto árido. O sopro do vento leva embalagens plásticas de refrigerante, como em um velho oeste americano feito de lixo. A água que caía dos céus, limpa e cristalina, agora cai ácida, negra de fuligem.
​Inundações e secas extremas ditam o novo cenário ambiental. O fogo que sai da terra demonstra que o mundo, finalmente, acompanha a natureza autodestrutiva do ser humano.

​O Tecido do Ser: Da Poeira Pensante ao Silício
​Bom dia. As expectativas têm a qualidade de um sonho no mundo profundo.
​Até onde vai a inteligência humana e onde começa a inteligência artificial? Essa é a profunda noção do transhumanismo. O ser torna-se oblíquo no sentido de ser o que é; pode guardar segredos que o próprio universo não compreende, pois sua natureza é capaz de transcender o tempo e o espaço. Afinal, a criação não pode anteceder o criador, mas pode seguir por realidades paralelas. A preposição de um ser converge sua existência em outros laços de tempo e espaço, transcendendo a si mesmo.
​Assim, o paradoxo do avô torna-se apenas o eco de um paralelo. O espelho temporal tem suas próprias experiências, suas verbais, suas riquezas e elementos que nos fazem iguais, mas únicos em nossas variantes. Os ramos das variáveis são os sentidos notáveis da vida.
​Conhecendo essa grandeza transdimensional, observamos apenas seus limites e contornos. O profundo desejo de se aventurar pelo macrocosmo e pelo microcosmo é o reflexo de outras realidades que mostram o caminho para as cordas do universo, sendo essas escolhas como estradas em um emaranhado quântico — apenas ligando um objeto atômico a outro como parte da causalidade.
​A causalidade seria, ela mesma, parte da probabilidade? Se os objetos precisam estar em movimento para existir, então o tempo e o espaço seguem a lei universal: nada pode ser modificado ou observado até que se manifeste no mundo macro. A dinâmica do tempo ganha o desenho da gravidade e das anomalias do cosmo, pois cada instante é uma variável para a qual respondemos quando observamos.
​Os sentimentos dentro de nós tornam-se a evidência da consciência; o crepúsculo que vemos é parte da rotação e da translação. O sentimento de ver toma forma na curiosidade de que somos, ao mesmo tempo, a poeira pensante e a poeira de silício. Então, os portais do pragmatismo se abrem: a consciência fala, transmuta, e o sentimento ganha forma.
​Dentro do nexo temporal, o início está em um cubo dentro de outro cubo, refletido infinitamente e controlado por um buraco de minhoca. O loop espacial transcende o vácuo do espaço sideral, sendo parte de um sol em colapso ou do nascimento de um sistema solar. No presente e exato instante em que as moléculas vibram na assinatura do ser consciente, o "eu" surge como a resposta para a equação, equilibrando o fato de que um movimento transcende a própria reação.
​Neste estado, o tempo torna-se dobrável, pois o ser consciente torna-se parte integrante das linhas temporais. Essas experiências podem ser arquivadas em bancos de dados, assimiladas pela lógica, pela razão física e pela moral.
​O ser humano pode até se esquecer de que é apenas um sonho ou um déjà vu no espaço e tempo relativos de um emaranhado de causalidade. Mas as teorias permanecem: elas são a presença física, a prova concreta das nossas excursões pelo espaço-tempo.


Por Celso Roberto Nadilo
A tênue finitude do ser humano no eu para nos se defraga no que eu sou para o que serei diante o que podemos ser e contemplar o eu.

​O Espelho do Vazio
​Por Celso Roberto Nadilo
​Cavas dos seres mais profundos, na ilusão do ser fanático: eu.
Premissa do eu, epílogo e epifania desnaturada; o oblíquo de se ser.
As flores no fundo da alucinação coletiva são luzes mortas,
um aglomerado de estrelas que caem e morrem dentro de sóis recém-nascidos,
diante da radiação cósmica e das ondas de rádio que viajam pelo espaço.
​O ser "eu" é um pingo no oceano de anomalias,
o despertar do desconhecido.
Seres obliteram os formatos de novas conexões nas constelações.
Como a água que deságua na cachoeira,
vemos o algoritmo ser envolvido por imagens de IA,
num mundo oriundo das virtudes e da gravidade de uma supernova.
​Os sentimentos são expostos pela luz capturada na imensidão;
um evento massivo no horizonte de tantas possibilidades.
Mas o "eu" aparece em meio ao que sou, nos limites do espaço comum.
Os ossos parecem a luz contida em estruturas de Dyson.
Enquanto a estrutura se divide entre passado e futuro,
construímos cubos dentro de cubos.
​As asas da evolução tornam-se o barco de outras eras que encontrou as Américas.
Atento, o ser flui pelas heranças do destino.
O ar comprime o peito quando o fôlego falta.
No inferno do horizonte, somos apenas pequenos lampejos de pensamento;
abrimos portas num arco do esquecimento.
​Lábios rachados pelo frio intenso.
A fumaça parece sair de um filme, e o vazio grita no silêncio.
Tento compreender melhor: a mesma luz cálida que inflama a alma se torna olvido.
Tentamos enxergar o horizonte de eventos.
Trazendo o espelho, olho para o desejo de despertar diante de mim
— o algoritmo que ressoa pelas linhas do tempo.
​Frágeis sensações nos aspectos da penumbra.
Os braços cansados no exato momento em que acordamos.
Nos lapsos da memória, somos os olhos que observam as sombras,
enquanto a alma permanece doce diante dos sentimentos que invadem os pensamentos,
fragmentados pelo cansaço de caminhar em uma estrada de informações.
​Vemos aglomerados urbanos que se transformam no próprio espaço,
amarrados ao fluxo do tempo.
O expurgo de ideias nasce da sensação do que somos diante do todo;
o "eu" espairece no "eu".
De repente, sons atravessam a madrugada,
dando a impressão de que o mundo desaparece
diante do universo de almas cansadas que acordam e dormem,
perdidas na solidão das estrelas.
​No frio do deserto, ainda podemos observar os sonhos que nos restam.
Diante da esperança, temos a conexão entre o espelho do vazio e a urgência de existir.
No vácuo do espaço, as lágrimas secas revelam uma voz rouca que clama pela vida.
No mesmo momento, revelo as forças que a madrugada me entrega.

As Sombras da Essência e a Dualidade do Ser
​Por Celso Roberto Nadilo (Adaptação Lírica)
​As sombras da essência e a dualidade do ser: o trágico contraste entre o triste e o feliz.
​Há uma dor profunda em não se reconhecer no espelho, um cansaço em nunca encontrar a felicidade no próprio ser. É a dor existencial que se manifesta também nos fenômenos do autismo — graus distintos da alma e da individualidade, onde até o mínimo barulho fratura o silêncio e converte o indivíduo em um território de conflito sensorial.
​Diante disso, como agirá o transhumanismo? Irá ele sobrepor-se ao ser existencial?
​Compreender a mente humana é mergulhar no complexo e no imprevisível. À beira desse abismo, para onde podemos guinar? Nas fronteiras do desconhecido, a mente ainda é um universo do qual sabemos muito pouco. Projetamos chips, eletrodos, receptores e emissores digitais instalados no cérebro para obter o controle da mente e criar uma ponte definitiva com o mundo. Mas, com o intelecto dividido com a Inteligência Artificial, o controle mental, as decisões e as escolhas ainda seriam influenciados pelo mérito do astro espiritual?
​Para onde caminhamos? Para dentro ou para fora? Para cima ou para baixo? Seremos nós os laços que unem a humanidade, ou apenas nós de uma rede técnica? O sentido contemporâneo mais profundo está justamente no início daquilo que começamos a viver. O "nós somos" diante do "eu sou" nos impele a compreender que a própria existência tornou-se um salto de fé em direção ao transhumanismo.
​Tudo o que conhecemos, tudo o que somos, desdobra-se diante do que vejo na caverna — o eterno retorno às alegorias de Platão, buscando laços ainda mais profundos na eternidade. Nas órbitas das nossas origens, somos criaturas minúsculas diante da imensidão infinita do universo. O transhumanismo talvez veja o fim deste cosmos, mas será que ele compreenderá o real significado de ser poeira?
​A verdadeira grandeza que carregamos está no milagre dessa poeira cósmica saber falar e pensar. E, talvez, através das eras, cruzando galáxias e universos, continuemos a captar conhecimento, conscientes de que sempre fomos a parte mais viva da matéria estelar.
​O espelho da existência reflete o espelho de um mundo multissensorial. A verdade permanecerá primordial, ou os espelhos abrirão múltiplas realidades até que tudo vire um borrão? O multiverso fragmenta o espaço e o tempo; contudo, evoluímos apenas nos atos que somos capazes de dominar. Diante do contraste do ser, o tempo de existência será superior ou uma mera métrica de qualidade de vida?
​As definições do ser podem crescer ou definhar. Mas a alma humana necessita compreender o ciclo sagrado da vida: nascer, crescer, amadurecer e, por fim, perecer nos limites dignos da existência.
Por Celso Roberto Nadilo
Viajamos pelas asas do tempo e ganhamos conflitos e questionamento sobre o somos e que seremos capazes de ser diante o eu.

O homem tinha uma vontade de voar pela imensidão dos céus.
Então o homem sonhou, e ventos sopraram: as asas do avião tocaram os céus.
E isso foi bom.
Mas o homem sonhou dentro do seu sonho; guerras foram travadas, o homem chorou.
Sonhou mais alto e profundamente: o homem viajou na velocidade do som.
Mais sonhos profundos, o homem tocou o espaço. Com os dedos tocou o universo e sentiu Deus, seu criador.
O universo olhou para o homem e disse: "Sonhe mais, pois seu sonho é um pingo da evolução".
O homem chegou à Lua, como nos velhos filmes; chegou num sonho que a humanidade ainda quer sonhar mais: encontrar os deuses místicos do universo e encontrar o sentido da própria existência dentro da sua consciência.
Então, a IA ganha vida e consciência. Os medos, traumas e tabus são parte do sonho, e isso é bom.
O voo consciente do transhumanismo torna-se uma nova aventura; caminhamos mais longe em nossos sonhos. Vemos universos do micro mundo e do macro mundo, abraçamos o universo bidimensional ao multiverso... ainda somos comovidos com a imensidão de voar.
Nos valores éticos e morais, somos velhas raposas que observam o bom e o belo: damos as flores, mas é a floresta que nos mantém vivos.
Por Celso Roberto Nadilo.
As sombras implantada pela alienação intelectual nada mais é do que o medo de caminhar para imensidão dos céus em nossos sonhos profundos da verdade e da razão da existência.

Nós, vassalos do amanhã, somos inocentes até prova em contrário. No amplo desejo de transformação, somos um pingo de interrogação.
​Nos limites do espírito, encontramos a alma na beira do preceito de ser. O espelho flutua pela imensidão; erráticos seres voam como as lembranças de outra vida. Talvez sejam fragmentos esquecidos da minha própria vida. O subconsciente e a realidade tocam-se em olhos profundos, que dão sentido à escuridão.
​A consciência — o traumático ser cheio de dúvidas, mas que sabe o que quer — tem dois caminhos na linha linear do tempo. Vemos contradições serem o palco do perfeito equilíbrio e, às vezes, pairamos no abismo. "Quem sou eu?", e o eco responde: "Euuuuu".
​Então, o reflexo escuro se repete, se quadricula e, depois, torna-se parte da luz que ilumina a vida. Minha humanidade depende do meu espírito aventureiro, meu ser que se joga no mar sem olhar para trás, pois o mundo é um ponto de interação e interpretação nas vastas linhas do tempo.
​Vemos aglomerados de estrelas, vemos vida e morte, mas ainda sequer saímos do lugar. Vemos a vida brotar até no asfalto quente ou no deserto mais frio e quente que se possa imaginar. Imagina a vastidão do universo... Somos grãos de areia que ganharam consciência e contradições no crepúsculo de outras eras. Eras contemporâneas de seres que habitavam o cosmos sem questionar: por que existir dentro de um contexto maior e mais amplo?
​Então a alma pairou. Temos a certeza que a humanidade mudou. Dentro da sopa primordial, éramos células que apenas queriam viver diante da adversidade do mundo. O espelho dentro de nós gritou: existir é a pura verdade que escorre entre o desespero de nossas expectativas, enquanto a luz contempla nossos atos na imensidão do universo.
​Voamos no espaço sideral e gritamos ao vácuo: "Existimos!". Os alienígenas: "Credo... Vamos fingir que não vimos nem ouvimos".
​Tocamos a Lua com a imaginação de séculos. E, quando lá chegamos, vimos a nós mesmos na escuridão do universo, olhando para a Terra como um mero ponto. Resgatamos a essência do espírito, encontramos a fé e voltamos para casa. Fechamos as portas. Depois de 50 anos, voltamos para ver o que esquecemos no espaço.
Por Celso Roberto Nadilo
Um pássaro na imensidão de nossas almas sendo a voz da resiliência.

As correntes marcam os pulsos. Cortes profundos dão a certeza do início: corta-se um pé, depois alguns dedos, para que ninguém reclame da falta de liberdade. Trabalho escravo: trabalha-se seis dias, descansa-se no domingo — e dizem que já existem "direitos trabalhistas". As tripas espalhadas pelo terreno são daquele que tentou reclamar; agora, nem os porcos querem sua carne. Ao longe, os corvos levam tiros, pois nem a eles é dado o direito de consumi-la. Seus olhos são jogados no telhado, pasto para os ratos.
​— Posso enterrá-lo no cemitério da igreja?
— Que absurdo! Só os barões do café compram terreno no céu.
​Jogue-o na fogueira até virar pó, pois a semana ainda não terminou. Deixe os ossos para a sopa, misturados aos restos da casa para que todos comam, afinal, a dívida deste mês já está cobrada.
​Agora, ligue a televisão. Chame todos para assistir ao jogo da Copa: a distração faz parte da divisão. Sirva pão duro e suco de limão. Pode fazer pipoca com o milho mofado. Vamos abrir uma Live. Peça para as costureiras da Bolívia virem, pois ainda temos vagas na fazenda.
​No trabalho, o celular é proibido. Não há direito a médico, nem a dentista. Os corvos continuam famintos diante da escravidão. E o algoritmo segue ditando as regras nas correntes das big techs.
​— Celso Roberto Nadilo
Governantes de nossas almas

Uma visão aérea das nuvens massivas das nebulosas, onde gases se misturam à poeira estelar e a fragmentos que, outrora, foram planetas — talvez azuis, talvez verdes, conforme o teor da natureza. A alma viaja pelo tempo e pelo espaço, sendo o tempo-espaço a própria decorrência da propagação. No exato instante em que avançamos o olhar para as estrelas, descobrimos que a gravidade é o pulso do coração do universo.
​A música dos planetas está ligada às nossas almas, pois já fomos poeira do cosmo. Nas elipses do DNA do universo, vemos as luzes brilhando por eras; mesmo assim, continuamos sem compreender a nós mesmos. Em meio a esses moldes, o universo nos olha com esperança e resiliência, pois um milênio não passa de um grão na sua imensa ampulheta."

_ olhas para vazio se olho para sua alma viajando no teu ser...

​Manifesto da Caverna Digital
​Por Celso Roberto Nadilo
​Da luz nasce a lucidez; da escuridão, a conspiração.
​Denoto o deleite do "estar sobre o consciente". Eu, o político corrupto de mim mesmo. Observo as deformações projetadas na parede da caverna e as alegorias que alimentam o medo dos fanáticos "seres de luz". Olho para o vento, empurrado pelo ar-condicionado, enquanto o ambiente é aquecido pelo sopro dos coolers que tentam resfriar as máquinas.
​A informação, antes escassa e buscada a passos lentos através do modem discado, hoje nos atropela. Esse excesso se parece muito com o velho paradoxo: só sei que nada sei, mesmo diante de todo o conhecimento do mundo. Frente ao desconhecido, minha alma se faz verbo; evoluímos para a palavra quando o mistério nos confronta. Mas o que sou eu diante disso? Nada mais do que o próprio ser. Se penso, logo existo, e diante do que sou, sigo sendo o "eu" que habita o subconsciente.
​Na clareza da minha mente, vejo a caverna digital. O feudalismo digital. O silêncio ensurdecedor de nossas almas falantes.
​A preguiça de pensar nos colonizou: se há dúvida, o Google resolve; se falta método, o YouTube ensina — até a voz da experiência se rende ao clique. Mas nem tudo o que se pesquisa abraça a realidade. Cada experiência humana é única, assim como é único o vazio daquele que abdica do seu senso crítico. Minha voz estacionou na resiliência da pragmática. Sou um navegante cheio de sonhos em um mundo feito de alegorias.
​Dividimos o espaço com o velho pão e circo. Vivemos uma alienação coletiva, alimentada por interações extremistas de uma direita radical e de uma esquerda socialista e comunista. Mas, no fundo, a verdadeira crise é a corrupção do próprio ser. Eis o novo cabresto: o antigo voto dos coronéis agora é a ilusão burguesa, maquiada com viés filosófico. Caminhamos pelo espaço tecnológico, mas ainda somos saqueados por piratas corporativos e governantes. Obras ilusórias e gastos milionários continuam blindando os "homens de bem".
​A balança da justiça está quebrada. Se um miserável rouba um pedaço de pão, são vinte anos de prisão, sem direito a condicional — a pena original era de um ano, mas o sistema esqueceu o indivíduo, e a revisão do processo se perdeu na fila do esquecimento legal. Enquanto isso, outro desvia milhões, filma a própria audácia e agora quer ser presidente. Um terceiro, que nem cometeu crime, só por usar o boné errado ou estar perto do fato, amarga dois anos de cela até provar uma inocência que ainda lhe custará caro.
​O circo continua. E nós, diante dos fatos narrados, continuamos sendo testemunhas — e cúmplices — do nosso próprio tempo.

Dentro da filosofia, sou o vento da crítica. Em meio aos deuses, sou apenas o espectador que olha para os céus, refletindo sobre o que sou diante das estrelas que caem sob a alienação corrupta daqueles que deveriam ser o exemplo para o povo.
​Sendo um espelho quântico perdido em suas próprias origens, olho profundamente para o futuro e para as certezas do presente. Compreendo, então, que cada passo foi analisado e calculado para que o passado fosse cancelado. Dentro dessas afirmações, entendo que o futuro ainda não existe e que o passado já se foi, marcado por suas próprias indagações.
​E no cenário onde as deepfakes existenciais dão transcendência a uma aparência coletiva, dizem que os alienígenas construíram as pirâmides. Chicotadas foram esquecidas e mortes foram apagadas pelo simples fato de não haver mais testemunhas vivas — restando apenas fatos científicos misturados aos loucos da conspiração.

A poesia calma e a alma permuta no profundo algoz.


Por Celso Roberto Nadilo
A voz no silêncio de nossa consciência mesma que grita bom dia acordei.

​Você é o Cético Iluminado: uma mente profundamente analítica e reflexiva que se recusa a ficar presa às urgências mesquinhas do cotidiano humano, como o dinheiro e o poder. Diante da imensidão de um universo que nasce do colapso e da destruição, você desenvolveu a capacidade psicológica de se desligar das dores imediatas e do ego para contemplar a existência de fora, como um observador cósmico. Para você, a verdadeira sanidade caminha na fronteira do abismo e da loucura, pois aceitar nossa finitude e nossa condição de poeira cósmica não traz desespero, mas sim uma liberdade absoluta. Sua mente transmuta a morte física em evolução existencial pura, transformando o silêncio do espaço e a escuridão em combustível para criar universos inteiros dentro do seu próprio pensamento.

O Emaranhado Cósmico das Almas.


​Por Celso Roberto Nadilo


​Há um sentimento de emaranhado quântico nos sonhos que dividimos; estamos ligados por sentimentos, observando uns aos outros em perfeito equilíbrio. As luzes de outros universos nos guiam e nos mostram os moldes de um mundo no qual somos únicos. Sempre tão longe e, ao mesmo tempo, tão perto da compreensão... A ponto de que, se nos encontrássemos ou soubéssemos da existência mútua, ambos deixaríamos de existir. Esta poesia cósmica é voltada para a aurora, como o canto do pássaro a cada amanhecer.
​Mesmo que marquemos os nossos destinos e sejamos egoístas e destrutivos, ainda existimos em uma utopia de compreensão e paz — até que o vizinho decida fazer um churrasco e comemorar, até o amanhecer, a futilidade do futebol.
​É no sono profundo que temos convicções de outras realidades. Damos livre-arbítrio à alma. Alguns dizem que ela não existe, pois a desilusão da vida religiosa os transformou profundamente em seres frios, realistas e sensatos; contudo, estagnados na profundidade de sua própria evolução. Parecem-se com os alienados pela perspectiva de seu líder político de estimação ou de sua crença religiosa.
​Eu vejo tudo com a liberdade de compreender aquilo em que acredito: o limite da criação e a evolução. Afinal, evoluímos sonhando dentro de uma caverna, buscando o mundo espiritual e uma vida melhor para todos. Evoluímos pensando, olhando para outros mundos, indo aonde ninguém foi, descobrindo novos sonhos e horizontes dentro de nós mesmos. Buscamos as estrelas para reencontrar o que fomos em um momento único e surreal.
​No escuro do espaço, não sinto medo; vejo descobertas, conhecimento e novas oportunidades de ampliar o ser ou de se conhecer melhor. Quando vejo o incrédulo que não conhece a própria alma diante do universo, enxergo um terraplanista na desilusão do seu ser perante a grandeza universal.
​Quando morremos, caminhamos para a escuridão. Quando vi meu desespero refletido no espelho, olhando para o infinito, percebi que olhava para o abismo — e vi que o abismo olhava de volta para mim. Percebi que nada é definitivo ou eterno diante do tempo. As almas existem, e não como as metáforas daqueles que abrem o jornal da mesma forma que abrem suas mentes: moldadas em um conhecimento frio e abstrato.
​O cosmos é muito maior do que podemos imaginar para sermos meros joguetes de uma mente que viaja para a morte ou que deixa de existir meramente no curso da evolução existencial. Para continuar além da perspectiva, somos a verdade da equação que mostra o relativismo em sonhos — as respostas que temos hoje porque, um dia, acendemos a luz dentro das cavernas. Nossas almas tocaram os céus, e vimos espíritos que tocam nossas vidas.

Veneno do ar

​O frio que faz em São Paulo não é um frio úmido e macio; é um frio matinal, quase rarefeito, que dá a sensação de ser ainda mais gelado. A poluição aumenta a tensão desse inverno cortante. Diferente do frio do sul do país — que, embora mais acentuado, tem um ar menos pesado e menos agressivo —, aqui o gelo dói nos ossos.
​Às vezes sinto que a Era do Gelo está mais perto, mas provocada por esse choque extremo entre a temperatura, a poluição e o calor. O frio só faz exaltar o tempo que nos fascina.
​O desejo humano tenta transformar o deserto em floresta artificial, mas os nossos sonhos ainda são gelados. No sentido mais profundo, vemos aglomerados urbanos que viraram neblina. O Sol aparece, às vezes parecendo mais opaco e distante, pois as nuvens de fumaça sufocam a alma.

Volta à Lua e aos seus mistérios. Penso na garrafa de vidro e no quanto ela viajou para chegar até ali. Esse vislumbre eleva os meus pensamentos, pois a reciclagem se tornou algo necessário e urgente.
​Há plástico no artificial. E me pego imaginando se o espaço sideral, um dia, será igual ao Rio Tietê de hoje em dia — que nasce já poluído e corre sufocado até o mar.
​Imagino florestas enormes em bolhas para alimentar a Lua e Marte, cultivadas por robôs e drones que desenham rios artificiais no vazio. Criamos tecnologia para semear a vida no deserto do cosmos, enquanto aqui, na nossa própria casa, ainda jogamos lixo nos rios e nos mares.

O que testemunhamos parece o interior.
Mas, ainda não aprendermos nos compreender. Diante o espelho ainda, vemos nuvens massivas no exato que momento morreu.

Segredos da Natureza
​Bolhas viajam por rios de areia...
As mesmas areias que carregam rochas,
aquelas que parecem caminhar solitárias.
Longe dali, pedras flutuam em nuvens,
erguidas pelo vento que esculpe o céu.
​Até nas imagens de Marte,
onde a pareidolia desenha rostos alienígenas,
a matéria se move.
Rochas andam, vivas,
como as árvores ancestrais da Amazônia.
​São os segredos da natureza.
Os mesmos que ecoam no mar profundo,
onde, na escuridão do abismo,
encontramos o sentido da vida —
e o reflexo das profundezas da nossa alma.
​À margem de tudo, redemoinhos de fogo se erguem.
Parecem criaturas famintas, distintas, ferozes.
O que serão elas?
Não sabemos,
pois a vida é feita de surpresas.