Coleção pessoal de celso_nadilo
Dentro de um pingo habita tanta informação que pensar nisso quase faz a mente colapsar: um universo inteiro suspenso em uma única gota. Foi assim que vi o primeiro pigmento.
Eram raios iluminados de sonhos em um espaço imenso e, ao mesmo tempo, vazio. O pingo ganha forma sob a membrana translúcida que compõe este universo — um microcosmos ligado a outro cosmo em uma explosão de cores e pigmentos, fazendo florescer a mente em ideias repletas de relevos e cenários iluminados."
Nas nuances do tempo no verde e no violeta, as linhas das cores são assimiladas pela luz, desbotadas pela reação química e pelo movimento da evaporação. Nas profundezas da cor, há poros e rachaduras: os resquícios do solvente tornam-se o fenômeno que transforma a obra em monumento, pois o tempo e a temperatura expõem seus cursos, e até a umidade transfere novos caminhos para a pintura.
É a vastidão exterior interagindo com o interior — o tempo gerado por um quadro binário ou multidimensional. Para entender o que criamos no subconsciente, buscamos inovações psicológicas; mas é no espelho multiversal que encontramos estradas e estruturas em uma linguagem única: o expressionismo.
Uma arte que enfeitiça a percepção: dependendo do ângulo, transforma-se em outro desenho. São múltiplas imagens ocultas dentro de outras imagens. Muitas vezes, cenários iluminados ou tiras de metal tornam-se parte da obra. Toda criação mexe com o artista, mesmo quando a expressão ganha traços que se mesclam em um teor superficial.
A percepção física nos estímulos de cada pincelada projeta um olhar no vazio — muitas vezes como quem olha diretamente para o sol para entender o que está sendo criado. Fomos surpreendidos nas formas porque mantínhamos o olhar fixo na lembrança da pintura inicial. Então, percorremos cada contorno: os traços primordiais, as técnicas de evolução existencial. Longas exposições à luz dão continuidade ao processo, mas os padrões conceituais deixam de importar; o caminho percorrido é só seu, até que possamos visualizar novos horizontes.
Os sentimentos nem sempre são fáceis de compreender. Muitas vezes, cenários iluminados são apenas o diário de um artista. A filosofia e a especulação ambiental oferecem uma fuga da realidade, transmutando-se na angústia da solidão ou no desespero pela compreensão inata do universo. A separação e a perda do amor trazem inovações à obra; surge então uma voz na imagem reduzida — algo quase imperfeito, uma sutil nuance. O que para o público parece um sol ou uma nave alienígena é, para o pintor, a representação exata de uma lanterna reluzente que ilumina o dia.
Derivados de substâncias e bebidas trazem sensações de alteração corporal e sensorial. O momento assimilado é instável, composto por distorções mentais que se desdobram em ressaca e dor de cabeça. No choque cultural, quando a arte atravessa as eras, os sentidos costumam ser interpretados de forma limitada ou bidimensional. Testemunhamos inovações psicológicas dentro dos lapsos: a tela ganha desenho sobre desenho, revelando um segredo sentimental ou o ato de reaproveitar o próprio suporte.
A luz capturada pelo olhar fixo na tela desenvolve um estado de sentimento. A consciência transmuta ideias por meio de pareidolias mentais, evocando uma ausência — um estado divergente, primitivo e inerte. A desventura do paradigma do caleidoscópio faz parte do emaranhado do cubismo, tornando o processo uma verdadeira cascata de compreensão da tela.
o envelhecer da saida é apenas equivalência da paredolia.
Para além apenas contemplamos a ilusão de existir.
Os fonemas das cores primárias pertencem ao âmbito sutil da sintonia, à simbiose em que outras cores ganham foco junto à própria existência — tonalidades únicas no realce do ambiente.
O vermelho desbota ao sol. As cores sólidas se dissolvem com o tempo, e o desgaste torna evidente que a tinta respira ao envelhecer, evaporando a cada uso do detergente ou da água que a dilui.
Laranja e verde são fundamentais numa pintura: expõem a tensão nervosa do pintor. Cor, traço e contraste reluzem o campo neurológico e magnético do artista. Sendo o tom do equilíbrio emocional, essa escolha traduz lindas passagens ou o caos absoluto.
As matrizes holográficas denotam fótons, mesmo em tons diferentes, pois o tempo tornará o fluxo da fotografia holográfico. Ela pode ser remasterizada, mas a edição deforma os contornos e o fundo que irradia as cores assimiladas pela imensidão.
A posição dos traços mescla teoria poética e crônicas da filosofia, permeando todas as possibilidades da arte em um estado divergente — o próximo passo nas profundezas das curvas da tela.
A gravidade representada em composições abstratas dá à imaginação novas fronteiras e sentimentos.
O cosmos que contemplamos pelo telescópio resplandece e nos revela um buraco negro viajando pelo infinito do espaço — notado apenas porque devorou uma estrela.
Ao olharmos para nossas questões éticas, raciais e biológicas, enxergamos as mesmas divergências entre raças e etnias. É de uma complexidade inigualável compreender os seres do universo, assim como decifrar os mistérios da nossa própria espécie. Desatamos nós que se destrincham num mundo onde somos, ao mesmo tempo, tão diferentes e tão iguais.
O espaço sideral é o espelho de cada ser. Mesmo para a mente digital em viagens astronômicas, o espaço projetado desenha imagens configuradas para a própria origem da vida.
Mas somos tão complexos que o primeiro contato provavelmente será creditado a uma inteligência artificial ou a um robô autônomo. Haverá ali uma alquimia de cores primordiais, pois a cor pode ser uma forma de linguagem — tal como o cheiro, o sabor das águas ou a composição dos gases, traduzindo sentimentos ou puros pensamentos.
Luzes que provocam sensações.
Luzes que transmitem debates.
Luzes que revelam os detalhes da dor existencial, as disfunções da cognição e a ação lógica e racional voltada para a contemplação do eu.
Diante da adversidade e da calamidade, o ser humano revela seu contraste: maltrata a biosfera enquanto chora pela vida, transcendendo suas práticas na apologia de seus dogmas e crenças. E, diante do inevitável, o enigma dos corpos mentais nos mostra que cada consciência carrega suas próprias marcas.
Por Celso Roberto Nadilo
Lamento de Sangue e Cinzas
No ventre do caixão, no meu descanso eterno,
Corvos vertem seu sangue sobre a sepultura.
Minha alma se esvai no fogo do inferno,
Rendida à vaidade e à própria loucura.
Ouvir teu coração gritar na escuridão
Fez-me ansiar pela vida, por ser um mortal;
Meus olhos sangraram em pura aflição
Por te amar além do bem e do mal.
No desfrute da noite, a vida me toca,
Mas a alma rebelde congela no Éden.
O tempo devora, a memória me evoca,
Enquanto os anos e as eras se cedem.
Seus lábios sedentos calaram meu peito,
Fiz parar meu pulsar por este pecado.
O amor proibido, julgado e desfeito,
Pela Igreja queimado e expurgado.
Vízceras lançadas na abissal profundeza,
E no entanto, a carne estremece em desejo.
Entre o céu e o inferno, na vasta frieza,
Encontrei a solidão no calor do teu beijo.
Nas ruínas do tempo que cercam meu caixão,
Teu rosto e tua imagem jamais vão morrer:
Exijo a equivalência d’alma e coração,
Pois só no teu amor eu aceito renascer.
Nas profundezas da consciência, criamos.
Criar objetivos claros dentro de uma realidade ambígua só acontece quando nos focalizamos: mesmo por uma fração de instante, avançamos pelo universo de maneiras distintas — pois somos o próprio universo se observando. Abrimo-nos como flores do conhecimento, uma reminiscência evolutiva no estado primordial da criação.
Nesse relacionamento expandido com a matéria, a conexão se alastra como se não houvesse o amanhã — afinal, o amanhã ainda não foi criado em sua plenitude. No foco de um milésimo de segundo, ouve-se o amanhecer: as ideias florescem no ardor da escuridão e, diante da batalha dos sonhos vividos, abraçamos a eternidade.
Nem mesmo o tempo, dilacerado por cada sopro de vida rara no universo, soa tão familiar quanto a guerra que travamos dentro de nossas próprias mentes. Chegar a mais um anoitecer seria mero ego da simplicidade. O egocentrismo, em seu centrismo absoluto, estabelece uma ordem mesmo na falha caótica da corrupção — um negacionismo que acende a fogueira alucinada dos nossos algozes.
Dentro da faísca da vida, tão pequena e ainda assim impregnada de resiliência, o querer se manifesta de formas inexplicáveis e inevitáveis. O desejar dissolve a estagnação de tal modo que o tempo se torna um brinquedo diante da nossa magnitude. A ideia se espalha em pequenas partes até se tornar massiva e dominante. Como o véu de uma noiva sobre a cidade, suas réstias tornam-se mortalhas na escuridão eterna: a interrogação que fica e a solução que abraçamos diante da percepção. Dependendo do arco de luz, o tempo e o espaço se curvam à gravidade.
O mar, sob essa mesma gravidade, se transforma pelas facetas dos astros que iluminam a noite e o dia. Calamo-nos no silêncio da noite; abraçamo-nos ao dia. Nada se revela fácil diante do microcosmo. Somos poeira que se arrastou nos rastros de um cometa — o astro errante que trouxe a vida e a sua destruição.
Um renascentista diria que a luz capturada pelo raio vindo dos céus são os deuses, finalmente, iluminando as nossas vidas.
Tudo parte de um destino quando não há gravidade; e o destino dita o fim diante do preceito do ego rumo ao precipício. Será mesmo o fim ou um novo começo? Pois o medo nos faz reféns de nossas próprias realizações. Nas hordas de onde emanam ares fortes, o início foi um sonho e alcançamos o ponto da glória. Percorro, então, os pensamentos e fragmentos esquecidos pelo tempo — ciente de que a mesma faísca de vida será creditada pela vitória, enquanto os ossos rangem diante do tempo implacável.
— Por Celso Roberto Nadilo
Teatro de Vampiros
Na voz de um corrupto, a mentira mais vil vira verdade.
Quem rouba dita a regra,
pois a cela do rico só fecha por falta de pensão.
Deus, pátria, família:
o refúgio onde o tolo se ajoelha
e o alienado entrega seu voto.
Dancemos todos para celebrar a loucura:
ele se proclama o rei do mundo.
Mas reis morrem.
Reis são depostos.
Sua linhagem é varrida,
e seus dogmas viram piada de mau gosto.
Os corpos empilhados por sua gestão
permanecem como a grande vergonha da história.
Ainda assim, à beira da cova, ele insiste no trono —
sem saber que até o inferno festejará o seu fim.
Por Celso Roberto Nadilo
As flores dão sensação (...)
Dentro das emoções tem sentimentos(...)
Para os quaisquer resquícios se foi...
Na tessitura do espaço-tempo,
a geometria ergue seu mosaico de esplendor.
Entre obras notáveis,
encontrei na poesia
o fascínio hipnótico do cosmos.
Nas ondas gravitacionais emanadas, os quadros do alinhamento mental da gravidade surgem como uma tela em branco. Expõem-se seus poros e alinhamentos — tridimensionais ou bidimensionais —, que atentos observamos.
Nas zonas mais profundas, os buracos negros são expostos em dimensões infinitamente sobrepostas e programadas. Revelam hexágonos no interior de buracos de minhoca, num paradoxo circular retido em uma bolha gravitacional. Dois funis de energia convergente sobrepõem-se à singularidade.
A simetria da garganta, vista de ângulos distintos, dá a sensação do próprio espaço-tempo. E quando esse ar e esse tempo coexistem no ponto onde tudo se fragmenta, a realidade se rasga.
As ondas de gravidade ditam as regras sob as quais o tempo e o espaço se curvam, curvando-se, também, diante dos diferentes ângulos da luz.
A Alquimia das Cores Assimiladas
Por Celso Roberto Nadilo
A arte nasce da transformação da matéria e da alma. O amadurecimento da tela ganha vida no banho de chá preto ou chá mate, onde pinceladas de café coado imprimem uma sensação envelhecida e escura — uma atmosfera gótica construída pelas sombras do preto e por um tom sóbrio e único. A camomila, quando diluída com gotas de limão, provoca a expansão de um amarelo corrompido pela acidez. A consciência expande-se diante da pimenta, que realça no vermelho uma tonalidade singular, viva e irrepetível. A tela pode até se desgastar no manuseio e na interação dos elementos com a composição, enquanto o fogo esmorece as cores assimiladas e sela a secura de cada camada.
Imagine uma obra assim: o chumbo diluído na tinta confere a originalidade de uma cor única, tornando-se a própria assinatura da composição. Elementos vegetais incorporam-se à tela — como a urtiga e a palma —, trazendo uma seiva viscosa que, misturada a vernizes, inova a textura com o brilho sutil de um olhar. Fios de ouro sintético ou o próprio pó de ouro conferem à obra-prima um toque de riqueza, enquanto, muitas vezes, o sangue e o suor do próprio artista se fazem presentes na matéria.
O estado psicológico do criador transborda para a pintura. É a filosofia da especulação ambiental e a oscilação da temperatura expostas nos traços, revelando os desequilíbrios do desempenho artístico. Tudo pode começar num esboço simples — no caderno, no papel-manteiga ou na riqueza do papel-carbono que nos permite duplicar a ideia. Uma folha seca de árvore integra a composição da arte renascentista, atravessa o cubismo e alcança a arte abstrata. Na abstração e nas metáforas, dá-se livre-arbítrio à criação, permitindo até a pureza da arte infantil com tinta nos dedos, onde o desespero e a angústia tornam-se nítidos, marcando o despertar da genialidade.
O vermelho que salta aos olhos denuncia a violência ou a dor superada — estigmas cravados na tela. As ferramentas ditam o ritmo: pincéis de crina de cavalo ou cerdas sintéticas alteram drasticamente a textura, do traço mais espesso ao mais fino. Linhas e panos integrados à obra podem ser costurados à mão ou à máquina, enfatizando o caráter tátil da criação.
Nas mãos do artista, o produto bruto toma forma na mistura do zinco, das ligas metálicas, dos tijolos decompostos em pó e até dos cristais ou diamantes moídos, que elevam a pureza do desenho. A colagem de fragmentos de outras obras transcende a imagem original, construindo um perfil visual próprio. Afinal, nem tudo na história da arte esteve à vista de todos: Monet expôs sua pintura, mas manteve seus esboços guardados no segredo do ateliê. Da mesma forma, latinhas de refrigerante ou cerveja, derretidas ou transformadas em pó para se fundirem à tinta, trazem à obra as inovações e as marcas da nossa própria época.
A arte enfeitiça porque é o reflexo direto da história, da vida e da essência de quem a cria. O respeito aos mestres reside na forma como escolhemos lembrar e perpetuar a sua arte.
Os degraus da iluminação congênita conduzem à reminiscência evolutiva do ser na tela superficial.
Nas profundezas de uma realidade ambígua, o reflexo de uma época toca a moldura com soberana desenvoltura. A madeira, moida e liquefeita, ganha uma nova forma para manifestar a singularidade da sua espécie.
Os cravos de ferro e de madeira conferem a máxima complexidade à obra, pois o ferro, corroído pelo tempo, carrega consigo a própria história.
Surge então o vigor do laquê, nutrido pela gordura de origem animal ou vegetal. A realidade permanece ambígua na síntese da diluição: o encontro com a água que deságua na aquarela, contrastando com o rigor e a firmeza da margem profunda do desenho — ou do próprio autorretrato.
A consciência cresce diante da pintura para, logo em seguida, desmanchar-se no ar: é a purificação do sentido literário nas margens mais peculiares da existência.
Nessas margens fluviais, surgem vertentes tantas vezes banalizadas. As barreiras do rio retêm sedimentos e resquícios de eras passadas — dimensões infinitamente sobrepostas pela riqueza de almas aniquiladas. Projetamos códigos na água; afinal, sempre foi a água que matou a nossa sede. Na camada mais profunda das sensações, vendemos conexões feitas de sedimentos: restos mortais e ambientais entrelaçados.
Ouvimos os sussurros do rio ecoando na natureza devastada. Dentro da narrativa, a tinta exige pigmentos e teorias de mistura — composições únicas que conferem um sentido irrepetível à obra. Aquela tonalidade jamais se refará; como a pimenta-do-reino, o vermelho vivo é uma experiência de pura contemplação. A arte enfeitiça, ganha um ar misterioso e condensa a temporalidade do evento. Se o vermelho realça a pintura, é a complexidade inigualável do artista que a faz reluzir no campo da metafísica.
O ar de vanguarda, assentado no nuance do desenho intelectual, compacta o verde-musgo do rio em algo singular, pois o tempo transformará esse fluxo em uma projeção do futuro. O uso da terra e da argila é a assinatura do artista, o retrato visceral do seu próprio estado psicológico. A alma permanece rebelde: floresce em um momento irônico, revelada como um ícone onde a raiva, a frustração ou a própria arte compulsória dão partida a novas crônicas, afirmando a supremacia do gênio.
Na vazante da madeira, o espírito da seiva deposita o âmbar; a dinâmica das raízes expõe partículas de cristais. Até o ouro em pó carrega sua própria degradação cognitiva — o amarelo corrompido pelo tempo e pela luz, onde a variação da temperatura revela as entranhas da composição.
O teor fundamental da tela torna-se a evidência definitiva: o autor está imortalizado. A matéria pode degradar, mas a arte atravessa as dimensões do tempo.
— Celso Roberto Nadilo
O deslumbre do realismo ressoa no Iluminismo, enquanto a arte cubista aflora conceitos, experiências e linguagens no ambiente. As cores — vivas, mortas ou sombrias — despertam sensações e revelam dimensões para a contemplação do quadro, expondo a alma do artista.
Metáforas, sombras e dimensões notáveis oferecem a noção psicológica do pintor no instante exato da criação. A cada renovação, damos livre-arbítrio à evolução existencial, que reluta contra a superficialidade em busca de um olhar profundo, mesclando sensação e percepção.
A imersão dos valores éticos na cor deforma o sentido e instiga a surpresa; é a transição do espectro visual para o mosaico cubista, moldando uma realidade alternativa. Torna-se, assim, o reflexo instável da entropia humana, congelado no tempo.
Uma cadeira de balanço ou o olhar de uma velha mulher transpõem o tempo e o espaço, reluzindo nas rachaduras da tinta, no ar pesado do chumbo e na terra misturada à pigmentação. A geometria do mosaico cubista se renova e aflora. O espírito renascentista surge em palavras lançadas como imagens em uma folha seca.
Olhos fixos, perdidos e focalizados emanam uma energia massiva no contraste dos contornos, evoluindo para sombras desfocadas que traduzem o primor da época. Esta obra-prima busca o equilíbrio emocional na dobra das pinceladas, evocando o ar rústico da arte barroca. Erguem-se muros de cores abstratas numa fonética dramática: aqui, o autor à beira da loucura cortou a própria orelha; ali, outro pintou sua musa. A arte ressoa da loucura à própria existência magnânima.
Instável, assimilada como reflexo da entropia do tempo, a arte viaja através das eras — assim como meus escritos. Muitas vezes vejo cenários para os quais evoluímos por um simples pingo: a assinatura da própria arte.
A tinta respira enquanto o thinner ou o solvente secam. A ação do catalisador e a secagem revelam um processo lento e doloroso, pois a obra exige constante retoque e reconstrução; muitas vezes, a evolução existencial da arte é apenas o sentimento do artista registrado em seu diário visual.
— Por Celso Roberto Nadilo
O Sol envia intensamente sua energia, atravessando as camadas da atmosfera. Entre o frio do espaço exterior e a geometria cósmica em um alinhamento perfeito para a vida, ondas de calor cortam o vácuo e criam o calor focalizado.
A Terra emana a beleza hipnotizante da perfeição, refletindo a luz e espalhando pelo mundo a nobreza do céu. Encontrando as nuvens carregadas de gases, a água se derrama em uma cachoeira de gotas, e a neblina escurece os céus.
A noite cai, vagante, trazendo a madrugada — um ser que paira sob a luz do luar. Pálida, a Lua apenas reflete a luz solar. O Sol, que é intrinsecamente branco, torna-se amarelo pelo desfecho único da natureza ao atravessar a atmosfera; e as nuvens dispersam cores diante de olhos cheios de sonhos. Afinal, o simples ato de sorrir transforma o mundo.
No egocentrismo do "ser químico", a mente observa um universo aparentemente sólido e assume a própria cognição como a força responsável por moldar a gravidade, o espaço e o tempo. Para essa consciência, o cosmos nasce com a Terra e busca um fim no infinito da existência.
Erguida sobre as asas puras da imensidão, a atmosfera gradualmente perde seu oxigênio. As nuvens são arremessadas ao espaço sideral e a água é tragada pelo vácuo. Carregadas com os gases da vida, essas nuvens se expõem à passagem de um cometa que ruma a um planeta em formação.
Ali, a água se funde à massa vulcânica e aos raios que cortam a atmosfera rarefeita. Uma energia massiva focalizada explode, gerando mundos e formas de vida além da nossa imaginação.
O mundo se revela como um sonho profundo; e, na busca por seu sentido, compreendemos a ilusão da realidade. O tempo é esculpido pelo fogo dos vulcões, que alternam o dia e a noite, expandindo cada fragmento de existência em uma metáfora viva que dilui as fronteiras do espaço e do tempo.
Por Celso Roberto Nadilo
Num profundo espectro visual, mares em ondas espaciais causam sensações de sóis mortos. Clamores da percepção cotidiana ecoam em nossa mente, pois o som não se propaga no espaço. Dentro das conexões orbitais, florescem seres que obliteram nossos olhares.
Na desfrute da culpa, as imagens são manipuladas para que tenhamos uma compreensão inata do cosmos. Ao mesmo tempo, vemos experimentos científicos onde o ato de observar transforma o fluxo de novas crônicas nas ideias. A abnegação entre céticos da conspiração e o negacionismo expõem as barreiras e o apodrecimento do intelecto humano. Muita pressão sobre as placas tectônicas demonstra um movimento que transcende o campo magnético da Terra, enquanto em alguns neurônios surgem os lampejos do terraplanismo. Falta o olhar crítico da filosofia na especulação científica, e da ciência na ficção científica; toda trama especulativa colide com a realidade ambígua e com o primordial da alienação conectiva.
Os buracos negros são expostos como uma forma apocalíptica e passiva na ordem massiva, dentro da continuidade em que o relativismo toma conta do universo conhecido. A ficção científica é um quintal cheio de flores e fronteiras, onde contemplamos o futuro com o glamour de tanta riqueza e beleza. Olhamos dimensões que balançam nossas mentes, fazendo-nos pensar e sonhar na utopia singular da aventura diante da adversidade — porque o homem é a simplicidade do próprio universo se observando num suposto piscar do tempo.
Ainda assim, continuamos a ser bots humanos, robôs dominados pela alienação. Como questionar a alienação da realidade quando ela se aliena diante da própria alienação intelectual?
Observar a ilusão da caverna digital exige olhar a verdadeira imagem fora dela: ver o horizonte e sentir a "floresta negra". O medo de ser limitado pelo senso comum é empolgante, pois relatos de abduzidos surgem por todo lado, embora a distância entre os planetas sugira que mundos habitáveis estejam muito, muito longe. Cones de alumínio e convenções de séries de ficção científica misturam personagens e genialidade, construindo seres críticos e criando uma atmosfera para o primeiro contato — mesmo que este pareça irrelevante, pois a distância física é quem define as regras.
A beleza hipnotizante do universo nos faz crescer em moral e ética, concedendo-nos momentos de lucidez diante das adversidades do cosmos. Afinal, são os precipícios da interação que devem conectar a humanidade dentro das vastas conexões do universo em que vivemos.
Por Celso Roberto Nadilo
A equação das palavras habita as estrelas que encantam a madrugada.
Uma voz ecoa no vale. Hordas de espíritos vagam polos labirintos de estrelas dilaceradas, observadas pelo telescópio onde resplandece o tempo. Nos calamos diante da calamidade do caos orbital.
Evocando o tempo que passou, olhamos dimensões entre quatro paredes. Simulações marcam o tempo e o espaço, transcendendo a localização da imaginação. Cálculos vistos como níveis de imagens e gráficos expõem a geometria e a luz polarizada em equações, dando forma a cenários iluminados: dados científicos e paradoxos contidos em planilhas.
O mosaico cubista traduz a tensão da visão contemporânea, mas restam ressalvas do estado temporal envolto pela distância até o fato real do paradoxo. Experimentos dão asas à especulação ambiental, criando bolsões com as formas do ambiente. Como será sua atmosfera, até que a visão planetária se torne um documentário da especulação científica?
Na solitude da madrugada serena, desenho parte dessas experiências, indagando o que realmente compreendemos diante dos experimentos. A tendência espacial é apenas parte de um esquema de estudo para o qual a crítica filosófica permeia todas as possibilidades e probabilidades.
Entre a suposição e o achismo, a competência de compreensão caminha por uma linha fina e transparente: por mais profundo que seja cada olhar, ele será raso sem os resquícios da consciência. Devemos observar cada resultado e compreender como se chegou a determinada ideia, pois ideias constroem universos — mas é preciso conhecer a ti mesmo dentro desse universo.
Os pensamentos voam e perguntas surgem a cada minuto diante de um resultado obtido. As possibilidades formam a base de variáveis infinitas dentro de múltiplas realidades; suas facetas se diferenciam, compondo novos caminhos e conclusões que deformam a realidade e dão palco a novas teorias e paradoxos, desdobrando-se nas virtudes mais profundas. Olhamos para dimensões e multiversos criados tanto pelo resultado quanto pelo caminho seguido.
Na evolução constituída pela representação do espaço exterior e do espaço interior, encontramos as bases do microcosmo. Parte disso passa pelo entendimento alienatório do estado bruto da matéria, moldado pelos protocolos científicos. É essa base acadêmica que confere valor e certificação ao trabalho exposto.
Por Celso Roberto Nadilo
Não muito tempo atrás olhavamos as estrelas viajam pelo ceus reluzente como deuses místicos mais profundo achamos sentido nos mistérios da escuridão buscando existência e compreender como questionar e ter perguntas e a sugerir respostas para mistérios da existência.
