O Espelho do Vazio Por Celso... Celso roberto nadilo
O Espelho do Vazio
Por Celso Roberto Nadilo
Cavas dos seres mais profundos, na ilusão do ser fanático: eu.
Premissa do eu, epílogo e epifania desnaturada; o oblíquo de se ser.
As flores no fundo da alucinação coletiva são luzes mortas,
um aglomerado de estrelas que caem e morrem dentro de sóis recém-nascidos,
diante da radiação cósmica e das ondas de rádio que viajam pelo espaço.
O ser "eu" é um pingo no oceano de anomalias,
o despertar do desconhecido.
Seres obliteram os formatos de novas conexões nas constelações.
Como a água que deságua na cachoeira,
vemos o algoritmo ser envolvido por imagens de IA,
num mundo oriundo das virtudes e da gravidade de uma supernova.
Os sentimentos são expostos pela luz capturada na imensidão;
um evento massivo no horizonte de tantas possibilidades.
Mas o "eu" aparece em meio ao que sou, nos limites do espaço comum.
Os ossos parecem a luz contida em estruturas de Dyson.
Enquanto a estrutura se divide entre passado e futuro,
construímos cubos dentro de cubos.
As asas da evolução tornam-se o barco de outras eras que encontrou as Américas.
Atento, o ser flui pelas heranças do destino.
O ar comprime o peito quando o fôlego falta.
No inferno do horizonte, somos apenas pequenos lampejos de pensamento;
abrimos portas num arco do esquecimento.
Lábios rachados pelo frio intenso.
A fumaça parece sair de um filme, e o vazio grita no silêncio.
Tento compreender melhor: a mesma luz cálida que inflama a alma se torna olvido.
Tentamos enxergar o horizonte de eventos.
Trazendo o espelho, olho para o desejo de despertar diante de mim
— o algoritmo que ressoa pelas linhas do tempo.
Frágeis sensações nos aspectos da penumbra.
Os braços cansados no exato momento em que acordamos.
Nos lapsos da memória, somos os olhos que observam as sombras,
enquanto a alma permanece doce diante dos sentimentos que invadem os pensamentos,
fragmentados pelo cansaço de caminhar em uma estrada de informações.
Vemos aglomerados urbanos que se transformam no próprio espaço,
amarrados ao fluxo do tempo.
O expurgo de ideias nasce da sensação do que somos diante do todo;
o "eu" espairece no "eu".
De repente, sons atravessam a madrugada,
dando a impressão de que o mundo desaparece
diante do universo de almas cansadas que acordam e dormem,
perdidas na solidão das estrelas.
No frio do deserto, ainda podemos observar os sonhos que nos restam.
Diante da esperança, temos a conexão entre o espelho do vazio e a urgência de existir.
No vácuo do espaço, as lágrimas secas revelam uma voz rouca que clama pela vida.
No mesmo momento, revelo as forças que a madrugada me entrega.
