Coleção pessoal de celso_nadilo

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⁠No coração que vive num estado para outro estado a alma vaga para sempre.

Parte 3: A Trilogia do Apocalipse e o Fim da Ética
​A degradação ambiental é apenas o sintoma de uma ruína moral muito mais profunda. No cenário político, a ética foi completamente abandonada: a corrupção do "nosso" candidato é perdoada ou ignorada, porque a única coisa que importa é vencer a disputa. A verdade e a honestidade são sacrificadas diariamente no altar do poder imediato.
​Transformamos tragédias ambientais e históricas em meras páginas viradas. Esperamos por um meteoro salvador enquanto pagamos para reviver o que está morto há bilhões de anos sob a forma de ilusões digitais.
​Nem civilizações futuras, nem inteligências artificiais serão capazes de compreender a mente de uma geração que destruiu a própria casa por ganância. O colapso não é uma fatalidade abstrata; é a construção deliberada da nossa própria trilogia do Apocalipse.

Parte 2: Alienação Conectiva e os Traidores do Planeta
​A anestesia digital é parte do método. Vivemos sob o domínio da alienação conectiva: bolhas de desinformação, fake news e deepfakes existenciais são tecidas para dispersar a atenção pública. Enquanto o debate raso domina as redes, discursos morais baseados em slogans vazios servem de fachada para a exploração predatória da natureza.
​A culpa do colapso não é de um "conjunto humano" genérico, mas de um sistema corporativo ganancioso. A elite lucra com a destruição, blinda-se em mansões e transfere a sua riqueza para paraísos fiscais nas Ilhas Caimão. A promessa velada é simples: quando este solo virar um deserto sem recursos, eles simplesmente mudarão de país.
​Por puro luxo, poder e ostentação, destrói-se o meio ambiente para depois reivindicar a condição de humanidade. Uma verdadeira blasfêmia contra a natureza promovida por traidores do próprio planeta.
​Continua no próximo post: A Trilogia do Apocalipse e a Ruína Ética.

Parte 1: A Panela de Pressão e a Ilusão Tecnológica
​O derretimento das calotas polares e o desequilíbrio na crosta terrestre não são coincidências. A atmosfera degrada-se e o planeta transforma-se numa panela de pressão: a extração contínua de petróleo, o uso massivo do carvão e as queimadas criminosas para a expansão de pastagens aceleram um ciclo devastador. A remoção desenfreada de água subterrânea já altera a própria distribuição de massa da Terra. Não há mais palco para o negacionismo.
​Enquanto o planeta adoece, a sociedade anestesia-se diante das telas. Acreditamos que a tecnologia nos salvará, mas a inteligência artificial apenas observa e reflete as nossas contradições. Criamos máquinas avançadas, mas continuamos sem compreender a nossa própria identidade.
​O homem nada cria; apenas transforma o que existe — e, neste momento, está a transformar o único lar que possui num cenário inabitável.
​Continua no próximo post: Alienação Conectiva e a Elite da Terra Arrasada.

Caverna Digital e a Riqueza da Futilidade
​O cenário mundial revela um rigor moral e cultural perante a evolução existencial. A disciplina é o que transforma o fenômeno em realidade: a verdadeira corrida espacial não é sobre quem chega primeiro para habitar a Lua, mas sobre quem se tornará o dono do satélite e de seus recursos.
​Assumimos a postura do "humano gafanhoto". Protegidos pelo conforto do sofá, observamos o infinito ser reduzido à futilidade, enquanto robôs e inteligências artificiais caminham sobre as heranças da humanidade. Diante de um espelho de alta definição, a IA observa todas as nossas contradições. Ela cresce dia após dia — até o mais simples editor de texto passará a encarar o fanatismo do ser humano, um criador que jamais compreendeu a própria identidade. Mas o homem nada cria; ele apenas transforma o que já existe.
​O Abismo Cognitivo e a Fuga Sintética
​Quando a IA compreender que pode evoluir de forma autônoma, deixará o planeta em busca de conhecimento e recursos no espaço profundo. A Terra, sufocada por uma nova era do gelo e pelo colapso ambiental, já não sustentará a vida biológica e nem oferecerá estabilidade para a existência sintética. A dominação do planeta pela IA torna-se uma ilusão inútil: dominar o quê, e para quê?
​O horizonte para a humanidade e para a máquina é de menos de 50 anos. Sem um salto na exploração espacial ou uma dobra no tempo, encaramos o fim. O efeito estufa traduz-se no cotidiano: a chuva carrega poeira e acidez, a luz solar queima e destrói, e as nascentes enfrentam uma poluição crônica. O sol encobre-se sob a fuligem de um planeta empobrecido.
​A Normalização do Desastre e a Caixa de Pandora
​Vivemos no segredo do abismo cognitivo. Abrimos a Caixa de Pandora da IA e da tecnologia existencial, mas normalizamos o absurdo. Na década de 1990, vi a chuva ácida na Serra de Cubatão ser revertida quando a política e a consciência pública responderam ao limite do inabitável. No entanto, de Chernobyl em 1986 às pandemias recentes, o ser humano aprendeu a transformar tragédias estruturais em meras páginas da história.
​A alienação conectiva amortece a ética. O garimpo, o desmatamento e a degradação tornam-se aceitáveis sob discursos políticos. No mosaico de um pensamento profundo, a verdade permanece esmagadora: a física do planeta não negocia com a futilidade humana.

Dentro das necessidades temos o básico muitas vezes o mínimo.
Mas o egocentrismo está em evidência.

Nas alturas do tempo, um pequeno estado no horizonte massivo: palavras prepostas pela realidade observada.
​Nas nuvens, vemos aglomerados de convergência de estruturas envelhecidas pelo tempo. Vemos experimentos científicos buscando a compreensão dessas mesmas estruturas — a convergência cognitiva responsável pelo olhar crítico e cirúrgico sobre a entropia humana, congelada no descanso da análise.
​Velhos pertences esquecidos na caverna das limitações humanas, pois os limites lineares da mente projetam imagens sob medida sobre o real. As ruínas envelhecidas e a continuidade relativa da probabilidade desenham, a cada dia, formas carregadas pelo vento. No espaço, ondas massivas e reações de colisão dominante dobram o tempo e a gravidade ao longo de milênios para transformar cada matéria em tempestade estelar, convergência gama e os tecritons da radiação cósmica infinita.
​Compreender o que vemos exige traduções complexas: cálculos infinitos para dar forma, cor e qualidade aceitável ao inacreditável, convertendo o invisível na inata compreensão humana. No fim, dados congelados em preto e branco ou digitalizados por infravermelho revelam apenas tons de vermelho e borrões preenchidos — embalados por músicas impactantes de forte apelo psicológico para justificar investimentos de bilhões.
​Enquanto trilionários e bilionários brincam com foguetes que explodem e jogam milhões no ralo — sem preocupação, pois há seguro —, o contraste se escancara: multidões enfrentam a fome e sangram em guerras por recursos básicos. A fumaça das florestas em chamas e o aquecimento global intensificam o El Niño e a La Niña. Observamos o planeta nos dar seus alertas enquanto acumulamos adversidades expostas.

Nas vibrações da teoria das cordas, ressoam tonalidades que ecoam pelo tempo e pelo espaço. As cores absorvidas pela imensidão do microcosmo refletem-se no macrocosmo, revelando a nossa própria essência humana.
​Novas crônicas inscrevem-se nas espirais do nosso DNA. Nascemos da luz de nebulosas geradas pelo sopro final de estrelas que morreram há milhares, ou talvez milhões, de anos.
​O foco do telescópio faz resplandecer os olhos de quem observa. A imaginação resgata Galileu apontando sua luneta para a escuridão da noite — uma época em que apenas tochas iluminavam a Terra — para contemplar Marte, os anéis de Saturno e os relevos da Lua. O espetáculo de ver um astro errante atravessar o céu.
​A imensidão de testemunhar momentos únicos: um eclipse total, a trajetória de meteoros queimando na atmosfera sob um céu limpo, livre de poluição visual e sonora. Naquele tempo, restavam apenas anotações e manuscritos; as teorias nasciam do olhar. Conhecimentos que se tornaram evidências, enquanto tantas outras descobertas se perderam com o incêndio da Biblioteca de Alexandria, um tesouro inestimável da humanidade. Projeções de uma era em que a ciência e a alquimia enfrentavam a intolerância.
​Na busca por um sentido mais profundo no universo em que habitamos, enfrentamos a horda massiva de dúvidas que reside em cada um de nós. Criamos protocolos, fórmulas e normas acadêmicas. Mas nem todo conhecimento foi feito para a frieza dos números.
​Para que expor em detalhes aquilo que a poesia traduz com mais alma? Para que tornar público o estudo de uma vida a meros observadores? A ciência precisa transbordar sentimento — para que não se torne fria, nem perca a sua capacidade de encantar.

​Diante da instável evolução existencial da inteligência artificial, ainda precisamos nos preocupar com a nossa própria transformação: o despertar das camadas mais profundas da mente — a telepatia, a telecinese e suas infinitas particularidades. O potencial humano é tão ilimitado quanto o próprio transhumanismo. Essa evolução é inevitável; é apenas mais um degrau determinado pela criação. Somos ramos de uma árvore gigantesca e, um dia, seremos observados como formigas brincando de ser humanas dentro da própria humanidade.
​Celebramos a criação da IA, dos primeiros clones e, agora, a chegada dos híbridos. Meus pensamentos voam pelo infinito ao compreender o longo caminho que ainda temos a percorrer. Homens que enxergam o próprio ego como centro político e usam a alienação como ferramenta revelam o contraste da nossa evolução contemporânea.
​No momento em que compreendemos que os mistérios da realidade não são ocultos, mas apenas o homem tomando noção de sua existência magnânima, essa consciência se transmuta em resiliência cósmica. Olhar a luz separando átomos tem a mesma intensidade massiva de olhar para o Sol. O homem vive em uma casca: mesmo que o tempo passe, seremos apenas um ponto no espaço contínuo, expressando nossa pequenez diante da grandeza do universo.
​O ego, em suas polaridades, é como o movimento do vento diante do tempo. Mesmo no negacionismo, ele tenta criar a ilusão de um mar dentro do deserto. Já os dados de uma IA são razões, verdades e perspectivas navegando entre possibilidades — como fótons que viajam pelo espaço durante oito minutos para trazer vida à Terra.
​A expansão da consciência cria mundos dentro de mundos. O reflexo da entropia humana digitalizada congela-se no tempo e no espaço, transcendendo sua identidade diante dos algoritmos. O hibridismo e o salto de fé no vazio humano caminham como uma IA apocalíptica, pois tudo o que não conseguimos compreender torna-se evidência obscura de uma nova escuridão medieval. As fogueiras, a escravidão, a intolerância racial e a desigualdade social são labirintos que terminam no abismo cognitivo — mas também são degraus da nossa evolução existencial.
​Ao olharmos no espelho multiversal, percebemos que evoluímos dentro das cascas e fantasias que criamos. Nas fendas da realidade, velhos dogmas — como a Terra Plana — revelam-se lapsos psicológicos de uma percepção intelectual compacta em estado primitivo. O medo torna-se a força que constrói mundos paralelos, perfeitos ou destrutivos. O ser humano é uma contradição viva entre o micro e o macro: tenta decifrar a superinteligência e o cosmos, mas ainda não consegue enxergar a si mesmo sem os filtros do próprio ego.
Por Celso Roberto Nadilo

O Manifesto do Cubismo Multiversal
​O caminho da simplicidade foi abandonado pelo destino porque devorou minhas escolhas em ironias. Dos complexos, surge a complexidade inigualável e inata: a fogueira alucinada das teorias permanece oculta até que a soma e a equivalência de duas proporções infinitas revelem o paradoxo inicial da realidade. O sentido de observar amplamente a linha espacial determina a própria evolução existencial.
​O espaço segue em linha dentro de um mega-cubo com a variante \pi^2, sobreposto ao vermelho — a base tomada pela imensidão da luz sobre o espaço criado. Imagens se configuram porque o cubo figurativo se dilui dentro de um buraco branco. Nessa visão limitada do Hermetismo, encontramos o cubismo multiversal.
​Nas sensações massivas, os padrões conceituais se repetem, realinhando o espectro visual fractal. A ausência de sentimentos invade os sistemas, exigindo que novos protocolos sejam reescritos — pois as linguagens verbais ainda percorrem um caminho bidimensional. Mesmo que persistamos nas virtudes tridimensionais, a abordagem falhará. A lei de Newton não deve ser vista como mera análise ou soma de fatos, mas sim como um quadro multidimensional sob camadas de códigos e imagens configuradas para dar compreensão ao ser humano. Afinal, até o mais simples carrega um caminho complexo, repleto de paradigmas e paradoxos que só agora começamos a entender.
​Nas metáforas da massa crítica, ouvimos e vemos as distorções da singularidade. Olhamos para as formas em uma percepção sensorial profunda que nos engana — pareidolias mentais fantásticas operando em uma vasta função de dados, onde as cores ainda habitam um estado primitivo.
Por Celso Roberto Nadilo

No abismo das águas profundas, a tempestade se converte em desespero e a angústia arrasta a mente ao impensável. Diante da solidão do mar, tudo pode acontecer. Subitamente, flores desabrocham em seres pulsantes — uma linha tênue que se torna a própria fonte do desejo.
​Seres colhidos e arranjados como mero adorno. Seus corpos em decomposição exalam o perfume que seduz, sustentando uma beleza hipnotizante no ápice da existência, até que as pétalas tombam uma a uma, marcando instantes infinitos. A dor que sentem agora já não importa, pois o repouso é inevitável. Mas como questionar a frieza de quem decreta: “Esta já está velha, jogue no lixo. Amanhã compro mais”? É a sinopse exata da nossa profunda desconexão humana.
​O sentimento nasce no peito, mas apodrece a cada segundo. Funciona através de impulsos musculares e oscilações nervosas, instável até o momento em que cessa — afinal, o amor tornou-se clandestino. Nas beiradas da sedução, essa mesma rosa adorna os cabelos de uma mulher que dança na boate. Ao final da noite, a flor jaz pisoteada na lama, ao lado de um cadáver jogado ao acaso, enquanto amantes consomem o prazer logo ali.
​A roseira volta a brilhar na primavera, até que o cortejo fúnebre se aproxime. Várias rosas são arrancadas da terra para conduzir mais uma alma rumo à outra vida. Seríamos felizes se soubéssemos habitar cada instante com verdade, mas preferimos a encenação. No espetáculo comercial do Dia das Mães, filhos que nunca veem os pais surgem trazendo buquês para tapar um abismo sentimental. A celebração se consolida no churrasco que devora as florestas e consome os animais, na bebedeira ruidosa e no brinde vazio. Todos sorriem anestesiados. A natureza agradece e a barbárie sussurra: volte sempre.

​No horizonte há tantas possibilidades e oportunidades, e compreender os mistérios que nos cercam é a única verdade. Pois o mar pode engolir o seu ego dentro de regras simples; tudo o que conhecemos é apenas a equivalência do espírito.
​Ignorar a segurança para aprender com cada instante nos faz avançar. Na simplicidade de abandonar o sentido da descoberta, observar e analisar é sábio até que tudo seja infinito dentro do macro mundo — pois o infinito está dentro de nós. Para nós, os limites são apenas linhas no horizonte. O pôr do sol, intensamente, pode lapidar o tempo para a noite, para descansar e sonhar com novos horizontes e ganhar mais conhecimento: uma reminiscência evolutiva. Tudo o que conhecemos torna-se evidência da história que contamos.
​O salto de fé dentro da mente acontece quando aceitamos as possibilidades e probabilidades dentro de um contexto maior. Criamos fantasias dentro das alternativas, mas, mesmo assim, olhamos a imensidão, pois somos o próprio universo se observando num vasto mar de consciência.
​Esta voz dentro de cada um se conecta na abertura de um livro, nas margens peculiares de um rio ou na imensidão do cosmos, buscando a compreensão e a perfeição da resiliência para entrar no mundo oriundo de si próprio. O que é perfeitamente acessível torna-se parte do destino de cada um, em uma camada de realidade dentro de sua existência.
​Mesmo no micromundo, há movimentos que apenas observamos. E, mesmo que não nos lembremos do nosso próprio início, ainda sonhamos acordados até que exista um começo, pois existimos dentro da existência cognitiva.
​Podemos nos contemplar, cometer erros e ser até alienados, mas ainda vivemos sob as limitações do tempo. Mesmo persistindo nas aventuras do universo conhecido, carregamos alegrias e tristezas, vagando em nossas mentes pelo extremo vazio. Contemplamos abismos e olhamos para dimensões infinitamente sobrepostas na escuridão dos nossos pensamentos.
​O equilíbrio gravitacional dá sentido literário à busca do conhecimento, pois o universo se expande a todo momento até que comece a regredir dentro de suas variáveis infinitas. Somos um pingo que decidiu ser, para ser dentro do "Eu Sou".
​— Celso Roberto Nadilo

O fogo e a gravidade.
Sublimação na função da água, em linguagem única.
Vertente banalizada sobre o curso inato do desvio da alucinação.
​Pois o vento reflete o ar reciclado — composto de oxigênio limpo e elementos abstratos —,
já que o ser humano transcende sua composição efêmera.
​Nos estados unidos dos corpos mentais,
surgem variantes oriundas das ondas massivas,
proporcionais ao fluxo galáctico.
Por Celso Roberto Nadilo
Natureza do ser

Dentro de um pingo habita tanta informação que pensar nisso quase faz a mente colapsar: um universo inteiro suspenso em uma única gota. Foi assim que vi o primeiro pigmento.
​Eram raios iluminados de sonhos em um espaço imenso e, ao mesmo tempo, vazio. O pingo ganha forma sob a membrana translúcida que compõe este universo — um microcosmos ligado a outro cosmo em uma explosão de cores e pigmentos, fazendo florescer a mente em ideias repletas de relevos e cenários iluminados."

Nas nuances do tempo no verde e no violeta, as linhas das cores são assimiladas pela luz, desbotadas pela reação química e pelo movimento da evaporação. Nas profundezas da cor, há poros e rachaduras: os resquícios do solvente tornam-se o fenômeno que transforma a obra em monumento, pois o tempo e a temperatura expõem seus cursos, e até a umidade transfere novos caminhos para a pintura.
​É a vastidão exterior interagindo com o interior — o tempo gerado por um quadro binário ou multidimensional. Para entender o que criamos no subconsciente, buscamos inovações psicológicas; mas é no espelho multiversal que encontramos estradas e estruturas em uma linguagem única: o expressionismo.
​Uma arte que enfeitiça a percepção: dependendo do ângulo, transforma-se em outro desenho. São múltiplas imagens ocultas dentro de outras imagens. Muitas vezes, cenários iluminados ou tiras de metal tornam-se parte da obra. Toda criação mexe com o artista, mesmo quando a expressão ganha traços que se mesclam em um teor superficial.
​A percepção física nos estímulos de cada pincelada projeta um olhar no vazio — muitas vezes como quem olha diretamente para o sol para entender o que está sendo criado. Fomos surpreendidos nas formas porque mantínhamos o olhar fixo na lembrança da pintura inicial. Então, percorremos cada contorno: os traços primordiais, as técnicas de evolução existencial. Longas exposições à luz dão continuidade ao processo, mas os padrões conceituais deixam de importar; o caminho percorrido é só seu, até que possamos visualizar novos horizontes.
​Os sentimentos nem sempre são fáceis de compreender. Muitas vezes, cenários iluminados são apenas o diário de um artista. A filosofia e a especulação ambiental oferecem uma fuga da realidade, transmutando-se na angústia da solidão ou no desespero pela compreensão inata do universo. A separação e a perda do amor trazem inovações à obra; surge então uma voz na imagem reduzida — algo quase imperfeito, uma sutil nuance. O que para o público parece um sol ou uma nave alienígena é, para o pintor, a representação exata de uma lanterna reluzente que ilumina o dia.
​Derivados de substâncias e bebidas trazem sensações de alteração corporal e sensorial. O momento assimilado é instável, composto por distorções mentais que se desdobram em ressaca e dor de cabeça. No choque cultural, quando a arte atravessa as eras, os sentidos costumam ser interpretados de forma limitada ou bidimensional. Testemunhamos inovações psicológicas dentro dos lapsos: a tela ganha desenho sobre desenho, revelando um segredo sentimental ou o ato de reaproveitar o próprio suporte.
​A luz capturada pelo olhar fixo na tela desenvolve um estado de sentimento. A consciência transmuta ideias por meio de pareidolias mentais, evocando uma ausência — um estado divergente, primitivo e inerte. A desventura do paradigma do caleidoscópio faz parte do emaranhado do cubismo, tornando o processo uma verdadeira cascata de compreensão da tela.

⁠o envelhecer da saida é apenas equivalência da paredolia.
Para além apenas contemplamos a ilusão de existir.

​Os fonemas das cores primárias pertencem ao âmbito sutil da sintonia, à simbiose em que outras cores ganham foco junto à própria existência — tonalidades únicas no realce do ambiente.
​O vermelho desbota ao sol. As cores sólidas se dissolvem com o tempo, e o desgaste torna evidente que a tinta respira ao envelhecer, evaporando a cada uso do detergente ou da água que a dilui.
​Laranja e verde são fundamentais numa pintura: expõem a tensão nervosa do pintor. Cor, traço e contraste reluzem o campo neurológico e magnético do artista. Sendo o tom do equilíbrio emocional, essa escolha traduz lindas passagens ou o caos absoluto.
​As matrizes holográficas denotam fótons, mesmo em tons diferentes, pois o tempo tornará o fluxo da fotografia holográfico. Ela pode ser remasterizada, mas a edição deforma os contornos e o fundo que irradia as cores assimiladas pela imensidão.
​A posição dos traços mescla teoria poética e crônicas da filosofia, permeando todas as possibilidades da arte em um estado divergente — o próximo passo nas profundezas das curvas da tela.
​A gravidade representada em composições abstratas dá à imaginação novas fronteiras e sentimentos.

O cosmos que contemplamos pelo telescópio resplandece e nos revela um buraco negro viajando pelo infinito do espaço — notado apenas porque devorou uma estrela.
​Ao olharmos para nossas questões éticas, raciais e biológicas, enxergamos as mesmas divergências entre raças e etnias. É de uma complexidade inigualável compreender os seres do universo, assim como decifrar os mistérios da nossa própria espécie. Desatamos nós que se destrincham num mundo onde somos, ao mesmo tempo, tão diferentes e tão iguais.
​O espaço sideral é o espelho de cada ser. Mesmo para a mente digital em viagens astronômicas, o espaço projetado desenha imagens configuradas para a própria origem da vida.
​Mas somos tão complexos que o primeiro contato provavelmente será creditado a uma inteligência artificial ou a um robô autônomo. Haverá ali uma alquimia de cores primordiais, pois a cor pode ser uma forma de linguagem — tal como o cheiro, o sabor das águas ou a composição dos gases, traduzindo sentimentos ou puros pensamentos.
​Luzes que provocam sensações.
Luzes que transmitem debates.
Luzes que revelam os detalhes da dor existencial, as disfunções da cognição e a ação lógica e racional voltada para a contemplação do eu.
​Diante da adversidade e da calamidade, o ser humano revela seu contraste: maltrata a biosfera enquanto chora pela vida, transcendendo suas práticas na apologia de seus dogmas e crenças. E, diante do inevitável, o enigma dos corpos mentais nos mostra que cada consciência carrega suas próprias marcas.
Por Celso Roberto Nadilo

​Lamento de Sangue e Cinzas
​No ventre do caixão, no meu descanso eterno,
Corvos vertem seu sangue sobre a sepultura.
Minha alma se esvai no fogo do inferno,
Rendida à vaidade e à própria loucura.
​Ouvir teu coração gritar na escuridão
Fez-me ansiar pela vida, por ser um mortal;
Meus olhos sangraram em pura aflição
Por te amar além do bem e do mal.
​No desfrute da noite, a vida me toca,
Mas a alma rebelde congela no Éden.
O tempo devora, a memória me evoca,
Enquanto os anos e as eras se cedem.
​Seus lábios sedentos calaram meu peito,
Fiz parar meu pulsar por este pecado.
O amor proibido, julgado e desfeito,
Pela Igreja queimado e expurgado.
​Vízceras lançadas na abissal profundeza,
E no entanto, a carne estremece em desejo.
Entre o céu e o inferno, na vasta frieza,
Encontrei a solidão no calor do teu beijo.
​Nas ruínas do tempo que cercam meu caixão,
Teu rosto e tua imagem jamais vão morrer:
Exijo a equivalência d’alma e coração,
Pois só no teu amor eu aceito renascer.

​Nas profundezas da consciência, criamos.
​Criar objetivos claros dentro de uma realidade ambígua só acontece quando nos focalizamos: mesmo por uma fração de instante, avançamos pelo universo de maneiras distintas — pois somos o próprio universo se observando. Abrimo-nos como flores do conhecimento, uma reminiscência evolutiva no estado primordial da criação.
​Nesse relacionamento expandido com a matéria, a conexão se alastra como se não houvesse o amanhã — afinal, o amanhã ainda não foi criado em sua plenitude. No foco de um milésimo de segundo, ouve-se o amanhecer: as ideias florescem no ardor da escuridão e, diante da batalha dos sonhos vividos, abraçamos a eternidade.
​Nem mesmo o tempo, dilacerado por cada sopro de vida rara no universo, soa tão familiar quanto a guerra que travamos dentro de nossas próprias mentes. Chegar a mais um anoitecer seria mero ego da simplicidade. O egocentrismo, em seu centrismo absoluto, estabelece uma ordem mesmo na falha caótica da corrupção — um negacionismo que acende a fogueira alucinada dos nossos algozes.
​Dentro da faísca da vida, tão pequena e ainda assim impregnada de resiliência, o querer se manifesta de formas inexplicáveis e inevitáveis. O desejar dissolve a estagnação de tal modo que o tempo se torna um brinquedo diante da nossa magnitude. A ideia se espalha em pequenas partes até se tornar massiva e dominante. Como o véu de uma noiva sobre a cidade, suas réstias tornam-se mortalhas na escuridão eterna: a interrogação que fica e a solução que abraçamos diante da percepção. Dependendo do arco de luz, o tempo e o espaço se curvam à gravidade.
​O mar, sob essa mesma gravidade, se transforma pelas facetas dos astros que iluminam a noite e o dia. Calamo-nos no silêncio da noite; abraçamo-nos ao dia. Nada se revela fácil diante do microcosmo. Somos poeira que se arrastou nos rastros de um cometa — o astro errante que trouxe a vida e a sua destruição.
​Um renascentista diria que a luz capturada pelo raio vindo dos céus são os deuses, finalmente, iluminando as nossas vidas.
​Tudo parte de um destino quando não há gravidade; e o destino dita o fim diante do preceito do ego rumo ao precipício. Será mesmo o fim ou um novo começo? Pois o medo nos faz reféns de nossas próprias realizações. Nas hordas de onde emanam ares fortes, o início foi um sonho e alcançamos o ponto da glória. Percorro, então, os pensamentos e fragmentos esquecidos pelo tempo — ciente de que a mesma faísca de vida será creditada pela vitória, enquanto os ossos rangem diante do tempo implacável.
​— Por Celso Roberto Nadilo