Cegueira
Onde está o amor
Esta onde se coloca.
É grande a procura.
A cegueira oculta.
O pensar se desloca.
A cruz, madeiro e calvário.
Mas não se entende.
De centenário a centenário.
Vou entrar no clima.
No proceder que desatina.
Nas fugazes paixões.
Aquelas belas coxas.
Isso não poxa.
Serena visões.
De romance e amores.
Jardins e flores.
Belas sensações.
O delírio esquisito.
O frenético beijo que sinto.
Embriagado nas ilusões.
Onde está o amor.
Vou me atrever.
Vou dizer.
Que eu e você não, não ilude.
Procure virtude.
Vigor no raiz.
Todo adjetivo.
Admirar a diretriz.
Respeito e humildade.
Defeitos prováveis.
Mas prevalece a integridade.
Compostura agradáveis.
Um teor.
Uma invenção.
Um sonho na aquarela de cor.
Na fantasia.
Onde está o amor.
Giovane Silva Santos
Alforria
Abri a pálpebra, cortina da solidão.
Busquei desengrimpar a cegueira emocional falida.
Desintrigar o consciente coletivo padrão.
Traçar os azimutes fundamentais da vida.
Exauri as tendências auto flagelantes.
Expurguei a volubilidade fantasiada de liberdade.
Implorei sossego aos moinhos de Dante.
O futuro é uma pérola em formação.
Parido na maternidade da dor.
Envolto em êxtases de reflexão.
Um fantasma vórtico de pudor.
A lágrima é o sorriso da tristeza.
A simplicidade a essência da sabedoria.
O sentimento a estrutura da beleza.
Não importa se é você o eu ser.
Foi sua pureza que me libertou.
O amor é o sagrado infinito a crescer.
O destino não é o promíscuo que se pensou.
O amor pode ser tudo, pode conter tudo. Até mesmo a cegueira, a surdez, a mudez. O amor transporta sentidos e a arte tem os meios de captar esses caminhos por onde andam as emoções humanas...
A fortaleza não está em abafar a realidade, nem na cegueira de uma paixão. Ela está na ação de decidir por amor a si mesmo.
A bondade é fortaleza, O amor tudo é capaz. E que a cegueira da certeza não sufoque os ideais do amor.
O mundo hoje sofre a cegueira. Mais do que olhar, importa reparar no outro. Olhem pelo coração, não pelo dedo indicador!
Aqueles lagos gêmeos feitos de cristal liquido e reluzente... Aquele brilho, causador da cegueira de todo o meu sentimento, onde o reflexo da perfeição de Deus se torna algo praticamente palpável. Eu mergulharia naqueles lagos de luz sem hesitar e sem medo algum de me afogar. Aliás, seria algo tentador morrer SUFOCADO naquelas águas. Aqueles olhos de cor indefinida me envenenam docemente como o canto sedutor de uma sereia. Eu me renderia sem esforço algum àquele precipício iluminado.
As vezes eu tenho a impressão de que tenho um tipo raro ainda não identificado de cegueira.
Não a cegueira da escuridão de quem tem problemas na córnea, nem a cegueira branca leitosa do Saramago, mas uma cegueira que: me faz ver o que não existe, e não ver o que está ali bem na minha frente...
Se não for um tipo novo de cegueira, é burrice mesmo!
LE TEMPS DE LA DANSEUSE
Sim, como queiras! Faço parte dos degenerados
Melhor que a cegueira de tecer frágeis rimas
Neste ridículo circo de infindáveis pantomimas
É pertencer ao mundo dos hábeis desequilibrados
Vês? Percebes? Sentes como a maldade contamina?
Ainda ontem tu sorrias com ares debochados
E agora, jovem mancebo, porque estas amargurado?
Oh, pobre coitado! Ao passado, espertina?
Come então a carne com o sangue que feriste a esmo
Prova do mesmo cardápio, larapio de sonhos
demi-plié ao sabor do desamor, a ti, ao mesmo
Dança bailarina; aplomb ao derredor do ser bisonho
Encima a valsa da vingança, rompe e lança ao supremo
O extremo do amor, sissone en avant, com ódio tristonho
Enamorado
Estou enamorado por alguém
Na cegueira da minha paixão
Faço tudo o que quer também
Sem ter qualquer preocupação
Na certeza de ser correspondido
Busco um amor de excelência
As vezes me sinto confundido
Por me sentir feliz, sem carência!
Entre a louca paixão e o amor
Prefiro ficar com a solidez
Para ter essa certeza com louvor
O tempo é o senhor da razão
Entre nós tudo é muito rápido
Mas não quero viver na ilusão
