Cegueira
Ninguém nasce corrompido. Mas o sistema, bruto e cruel, causa cegueira total; o sistema político adora um cego social porque a manipulação fica mais fácil.
Podemos ficar cegos para o óbvio, e também somos cegos para nossa própria cegueira.
Deserto
Perdido no deserto, carrego minha cegueira,
onde a solidão se expande em cada grão,
e as miragens dançam como oásis,
promessas escuto com anseio,
tecendo a mente em redes de delírio.
O chão arde sob meus pés, cada passo é um fardo,
a verdade oculta se revela, queimando os olhos,
ao enxergar além, tropeço no desespero;
a liberdade resplandece, mas a esperança se evapora,
como a carta funesta que ela deixou.
Caminho por este deserto de ilusões,
traços de luz que acentuam a dor.
E, ao final, pergunto-me com pesar:
sou eu o autor da minha narrativa,
ou mero espectador, à mercê de um show de Truman,
aprisionado na cena de uma vida encenada?
Na cegueira momentânea do ser pensante, a lógica se dissolve, enquanto a intensidade obscurece as alegrias simples da vida.
A ideia de uma cegueira voluntária, onde indivíduos ou grupos escolhem ignorar questões importantes para evitar confrontar verdades desconfortáveis. E esse "cadeado mental" simboliza as limitações impostas a si mesmos, seja por medo, acomodação ou manipulação, que bloqueiam o discernimento e dificultam o questionamento. A analogia com as avestruzes ilustra bem essa postura de fuga, onde muitos preferem se manter alheios ao que, no fundo, sabem estar equivocado.
A educação não muda porque é feita de pessoas,
e estas estão expostas a uma cegueira
que desnorteia a razão corriqueira
incapaz de mudar, mesmo que queira,
o incômodo provocado pela teia,
que não é a filha da Gaia,
mas um sistema que semeia
a exploração e desigualdade,
qualidade presentes em suas veias.
E na sutileza das minhas ações de demonstração de amor, me perco na cegueira das pessoas que não conseguem enxergar a dimensão dos detalhes que realmente importam…
Sigo com meu coração a caminho do bem com a fé que me sustenta…
Sem a fé terei desistido...
"A obstinacão do homem estúpido é cegueira; a do inteligente, maldade. A diferença entre ambos é a que existe entre o fraco e o malicioso: este último destruiu em sua própria alma as precondições psíquicas necessárias ao arrependimento; o outro, ainda não. Por isso, dizia Santiago Ramírez – filósofo e teólogo notável, maior estudioso da "analogia entis" no século XX – que a remissibilidade de quem se afunda na malícia é um milagre extraordinário.
Assistir à obstinacão do malicioso é contemplar os mecanismos espirituais da perdição, que fazem desta vida um inferno e levam ao inferno na outra.
A constância do santo é a de quem aceita a luz; a pertinácia do empedernido é a de quem a recusa.
Em sentido estrito, o soberbo é o maior dos idiotas, pois, ao valorizar demasiado o que tem, perde o que de melhor poderia vir a ter".
Prefiro a lucidez dos que analisam e questionam à cegueira dos que seguem sem pensar, acreditam sem provas e demonizam tudo que ameaça suas ilusões.
A tua cegueira diante de certos factos que não influencie a visão de outros.
Daniel Perato Furucuto
Qualquer convicção ou ideologia demasiadamente sobre a razão, trás cegueira da mente, dos olhos e da alma, proporcionando algema da mente.
