Vozes
Dossel
Um denso dossel cobriu meus olhos, e a noite caiu.
Foram-se as vozes, as cores, o toque, e no silente de um só; resvalei em mim nas lembranças que se esfumaram no tempo.
Na urgência do destino, a selfie ausente do poente não vivido. O adeus roubado.
Caminhando de olhos fechados, uma vida esvaiu-se por entre os dedos. Cansado, adormeci nos escombros de mim mesmo, a duras penas conformado.
Despertei à luz do sol, quando o vento soprou o dossel. Nesta altura, conheci — desconhecendo, as rugas na pele e os fios brancos, nascidos na dormência de quem fui.
Na esperança, sigo lutando no presente, a guardar memórias na epiderme; trapaceando o incerto blackout.
Quanto tempo me resta, não sei!
Cá dentro, é a dor no vazio da minha metamorfose que perdi.
Sem ver, envelheci!
O Nada
O mundo morrerá sozinho,
nós não estaremos mais aqui.
Nossas vozes ecoarãono vazio da existência,
que estará em silêncio ede luto por nós.
Sob o descanso eterno da inexistência,
nossos deuses chorarãopor nossa ausência.
Os anjos clamarãopor nosso retorno,
e os demônios vagarãosem proposito.
Nada tem significado,
o mundo voltaráa ser um papel em branco.
E a arte, oharte,nossa tão amada arte, você partirá conosco,
o universo ficará sem público, sem aplausos,ninguém contará a nossa história.
A existência será um palco vazio,
sem atores, sem atrizes, sem espetáculo.
É uma pena que não estaremos mais aqui para entender,
que sem nós nada tem sentido.
Mímesis
Procuramos sentimentos e achamos apenas o eco de nossas vozes
Quando o eco volta seco e árido a tristeza nos consome
Acordamos e lembramos que apenas foi um sonho
A rotina engole o sonho e transforma em ação
Procuramos a ação e achamos apenas o eco de nossos gritos
Quando o grito incomoda é o ódio que nos consome
Sabíamos que o eco era um alerta para o processo de reificação
O processo se tornou a metalinguística da própria rotina
A bifurcação já se tornou ‘unifurcação” a tanto tempo…
O presente sempre um rolo de filme repetido
O futuro o presente calculado
E do passado só resta o medo
O tempo… “Este” sempre será uma narrativa.
Cheguem mais perto, convido-os a atravessar a
ponte. Aqui, as vozes se calam, a beleza é deslumbrante, só há flores e tudo está colorido. Venham,
vamos passar juntas, o céu está azul e, do outro lado,
só vamos encontrar belezas da natureza, vamos encontrar paz e alegria!
Aqui, o silêncio é necessário, palavras não saem.
Venham com calma, caminhemos por entre essas
flores e sentiremos a bruma, que cobre o ar, como
um cortinado de tule, fino e transparente.
Quando a brisa nos envolve, a pele se arrepia e
fica úmida com o cálido vento, que vem do mar.
Não parem, venham, a mesa está posta, xícaras
e um bule de chá esperando por nós, do outro lado
da ponte.
São, hoje, meus convidados, não, não parem!
Venham, não tenham receio do frio. Ouçam, no
murmúrio do vento gélido, a suavidade com que os
ramos balançam, exalando um exótico perfume da
terra, que está úmida.
Continuem caminhando, a passos lentos, com
cuidado, para que possam sentir o perfume, que exala
das pétalas de flores, que se espalharam pela ponte.
Há pequenos bulbos intumescidos, debaixo da
terra fértil, esperando a primavera, para que possam
finalmente brotar.
Ainda faz frio, é cedo ainda, fechem os casacos, mas se acheguem. Aqui é meu esconderijo, para,
que, venho, sentir o perfume da terra molhada, das
pétalas, que estão espalhadas sobre a ponte.
Quando tudo parece feio, tórrido, seco, ao subir
pela ponte, é como se eu saísse de mim e adentrasse
em um mundo encantado. Sem lugar para a tristeza,
para o desalento ou para o desamor.
Esse jardim, que fica do outro lado da ponte,
é só meu, a mim, pertence. Mas, hoje o compartilho
com vocês, que só veem uma parte
ínfima de mim.
Atravessem a ponte, venham, estou esperando.
Quando chegarem, sentem-se, fiquem à vontade. Segurem as chávenas de chá, cuidado, estão quentes! Beberiquem, em pequenos goles, sorvam delicadamente.
Conheçam-me, olhando em volta, não nos
meus olhos, mas ao meu redor, pois, sem palavras,
hoje, agora, aqui, eis o melhor de mim. Fora, daqui,
só há o frio... Só o frio...
Em Agosto
Ouço as vozes que cantam
E em silêncio elas derramam
Lágrimas quentes pela manhã
Por horas é o para sempre
E por horas penso em te ver
Simplesmente para abrir a boca e falar
Em agosto eu toquei os céus
Com as mãos em chamas
Voltei de um dia claro e frio
Quando se vive a verdade
Belas palavras são só palavras
No fundo de um precipício
É o que eu sinto antes de tudo
Amor, paixão ou o que tiver que ser
Realidade é a cor dos meus sonhos
Diga o que tiver a dizer
Quando estamos juntos
Atenção é o seu sobrenome
Aonde cada suspiro é um poema completo
Respiramos como recém-nascidos
Assobiamos como pássaros
No laço dos seus braços
Diga que ainda vai me proteger
Quando o dia tiver partido
Nos olhos me perco
No perfume me enveneno
Em tudo e em todas as coisas em que te vejo
Uma raiva negra surge num momento em que, na França, algumas vozes querem nos persuadir de que o racista se torna um "resistente", um "corajoso" diante de um pensamento único.
COMPREENSÃO
A rua onde nasci era larga e extensa de vozes.
Nela havia uma velha casa de espera e de descobertas.
Minha mãe me ensinava a brincar de ver.
Ficava ao meu lado e com suas mãos me entregava seus olhos.
Dizia-me: O que vens?
Eu menino, com zeloso brio elaborava narrativas não aparentes.
As vezes via um pássaro falando com o vento.
Ora, era um arco-íris despontando no anoitecer.
E até eu voava, buscando palavras com asas.
Lembro-me quando lhe disse:
- Estou vendo uma dança no céu.
E ela pediu-me para tomar cuidado com os instrumentos, marcar os passos, ouvir a sinfonia.
E asseverou: Veras na vida aparências e essências.
Mas não tenha receio de vislumbrar.
No fim o que fica é o que se olha para dentro.
Antes de saber ler e escrever compreendi a ver poesia.
Carlos Daniel Dojja
In Poemas para Crianças Crescidas
Quando o muro balança e o tijolo dança, ele explode com voz e trás a tona outras vozes , a do castigo o da vergonha e o da vítima , o ferido mora na esquina , o envergonhado sabe que medo não existe , mas o castigo era amor de bateria..,
Vozes em minha mente
Na minha mente,escuto vozes,vozes que as vezes não consigo controlar.
Vozes que estão aqui dentro,por vários anos tentando me controlar e me dizer o que devo ou não fazer.
Essas vozes fazem parte de mim,no início era insuportável,não conseguia controla-las,as vezes pensava em desistir e apenas ouvi-las.
Hoje não são mais elas que me controlam,elas não conseguem chegar nem perto disso.
Essas vozes fazem parte de mim,como eu disse antes,e por elas fazerem parte de mim todos os dias,aprendi como controla-las e usar elas para conseguir os meus objetivos.
Tive que fazer amizade com os meus demônios para focar e ir atrás do meus objetivos,até agora,só obtive sucesso.
Quarto escuro
As paredes perderam suas vozes
As janelas perderam suas luzes
Os dias perderam suas cores
Tornou-se um inverno aqui dentro
Tudo tá tão escuro e frio lá fora
A casa reflete os ecos da quarentena
O quarto tá vazio como uma sentença
Lá fora tá escuro, e vejo o reflexo das estrelas
Lá fora tá deserto, e sinto a distância das certezas
O quarto tornou-se um cubo
Vou fazê-lo um santuário de reza
Pra me conectar no meu refugio
Vou acender a minha vela
Nem mais, nem quais, vou me aquietar
Pra voz de dentro assim soprar
Os anseios, as perguntas, responder
O que nada pode garantir a não ser o poder de crer
A fé me guia com todo seu poder de oração
O quarto escuro tornou-se o lugar de iluminação.
Eu sou as vozes de todos,
Sou o cabedeleiro de infância à adulta,
Sou os professores que por mim passaram,
Sou os conselhos de mãe, vó, tio, tias, madrinhas, primos, ou seja família.
Mas sou também os conselhos de fora,
Sou as pessoas do meu trabalho,
Sou os livros, os filmes e as séries,
Sou os amigos conquistados.
Dentro dessa identidade perdida e confusa me encontro,
Ou, tento encontrar-me.
As vezes pergunto-me o que sou,
E as vezes perco-me viajando em memórias.
Acho que as vozes da minha cabeça não querem meu bem. Eu daria um tiro na minha cabeça, pro meu próprio bem.
É preciso que vozes negras falem pelos negros em nome dos negros da cultura negra e conte sua própria história.
Ouves muitas vezes vozes, mas essas vozes não te ouvem. Carrega um saco de riqueza contigo e todos te ouvirão.
O casamento é como a lotaria, nunca sabemos quando acertamos.
Deixar de sentir o prazer de viver, vivemos já mortos.
A vida é um contrato a prazo com a natureza e nunca é renovável.
Nesta hora morta, onde as vozes caladas, os espíritos sussurrando e os pensamentos gritando; Penso eu: Meu caráter, minha fé ou minha sanidade?
"Quando vozes incríveis são direcionada a um Governante. Quando o reconhecimento de um povo é a MÁXIMA . Quando os anos de opressão foram equilibrados com o grande trabalho de um dirigente com REAIS conecções. Aí sim mostra-se-a que é de fato eleito pelo povo e para o povo. Neste rincão latino regido por uma governança de caráter dúbio muito terá de evoluir para chegar a tal honraria . Difícil sera, pois ainda está a flamejar nossa bandeira a "meio mastro".
31/05/2019
Wagner Alberici
