Vertigem
Tenho sido toda distâncias, latitude longitude, olho para os meus pés e chega dá vertigem, latitude longitude. Não ouvisse falar da ciência acharia um milagre estar de pé.
Sim! Sou teus versos reescritos, impuros e aflitos
Como a vertigem, doce e quente da paixão
arremetendo aos delírios da compreensão
Ah! Alucinação impenitente da minha saudade...
Entra em mim como doença, dor intensa
Aí não falo, engulo o grito
Não durmo, me agito
fico insana, me torno a mais profana de todas as mulheres
faço todas as tuas vontades, perco a identidade
abandonada, lânguida e sem defesas
desejo o meu desejo, servido em tua mesa
ser a entrada, o prato principal e a sobremesa
VERTIGEM
Sentada na beira dos escombros
Pensamentos levitam perdidos
contorcidos em teu rumo
No teu real sumo .
Ecos no peito com tua imagem
flutuam
saltitam
gemem
deliram ...
Renascem num grito com
tontura , estafa e loucura .
Pode entrar saudade
Invada-me e extasia-me !
Rasga-me de uma vez só
Para que depois um novo
vento venha
me banhar de alento .
Para que depois um novo
corpo venha
me domar de calor .
Para que depois me lembre
do quanto já me esqueci e
do tão covarde que foi aquele amor !
Sob a luz da manhã, encontrarei teus olhos num rápido movimento de quase vertigem...
O vento, embaraça teus cabelos entrelaçando-os sobre a tua boca e ainda assim eu ficarei perplexo ao olhar suas mãos deslisando no horizonte, por onde passam navios e deuses...
manhã no Leblom
Aqui na Terra tudo vai bem. Bem. E hoje, excepcionalmente, não temos vertigem." (O último verão em Paris, crônicas, 2000)
Nenhum tempo é todo o tempo que eu preciso. Minha vertigem se esconde na esquizofrenia do nada e é o alento que me faz pensar, se nada sei do que não aprendi, tampouco posso acreditar naquele conhecimento que veio dos outros.
Talvez realmente não tenha fundo e tudo seja apenas vertigem e queda livre mas e daí? Eu sempre preferi, aos desertos, os precipícios.
Será que temos tempo para nós dois?
Ou será a mera vertigem do espaço do acaso ocasionado?
Ou será apenas o marasmo de um navio que perde-se no espaço,no vento...
Qual será o motivo de desavença que teima a desafiar a vida e deixa-a ao relento a mercê do fogo e do tempo...
O mundo – vertigem ascendente
Queda, barreira, fundo do mar
Estrada de pedras, pesado portão
... dois leões
O mormaço petrificado
A porta fechada
Bater? A intenção derrete nos dedos
A esteira vazia no canto da sala
A televisão ligada – a viagem de amanhã
Eu não vou chegar.
Não há tempo, só mormaço.
CONSCIÊNCIA SER TUA.
No golpear de uma caneta
Envolvo-te numa vertigem lenta
Mãos tremulas de anseios
No volver dos meus momentos,
Abraço palavras de receios
Contando aos meus silêncios
Das imensidões de suas saudades.
Ausência quase que absoluta!
Deitada nos braços dos meus pensamentos
Mergulho como luz no fim do túnel,
Na esperança renascida, com teu riso
Existe um riso que brilha na tua face
Um riso que se mistura com o olhar que acolhe.
Que me cobre.
Parecem inúteis os dias que vivi
Buscando verdades perdidas no tempo
Distraídos olhares, perdidos entre instantes
Ocultei os meus afetos mais íntimos
No intuito de viver, te guardei em segredo
dentro de minhas esperanças
e na tua falta... deixo me afagar em poesias
quando me declaro em letras que suspiram
As palavras certas com pitadas de ternuras
no universo de desejo
Que só descrevem coisas sem sentido
O que eu era antes de você
"Eu não fico em cima do muro, pois sofro de vertigem ética e sempre que dá pulo de lá e levo alguém comigo."
Vertigem
As nuvens constroem castelos pelo céu,
arquitetura de água imponderável.
O amor pelas nuvens cria em nós a antigravidade.
HERESIA
Te engulo como quem já morreu de fome. Com os olhos cerrados na vertigem do teu cheiro. Te tomo como anjo que escolhe cair não por pecado, mas por desejo de habitar tua alma, como quem entra sem pedir licença, nu de si mesmo.
Sou ausência que arde sob tua pele. Memória do toque mesmo sem o toque. O silêncio entre nós virou idioma. E tua respiração, confissão.
Cometemos a heresia da carne como quem reza com o corpo. Sem culpa. Sem o peso dos que condenam.
Te envolvo sendo, às vezes febre, às vezes brisa. Num abraço onde o mundo silencia e só resta esse instante: nós. Em transe. Em verdade. Em tudo que não nos cabe.
Se há uma força nisso, é aquela que dilacera e acalma. Que fere com ternura. Que transforma a heresia do desejo carnal em uma forma de permanecer, mesmo quando os corpos se afastam.
Augusto Silva
