Versos de Solidão
SOLIDÃO BORRALHEIRA (soneto)
Erma solitária solidão borralheira
Que atulha o cerrado de melancolia
No entardecer encarnado em romaria
Alongando o minuto em hora inteira
Assim só, os sonhos vão pra periferia
A espiar a sofrença além da fronteira
D'alma, caraminholando oca asneira
A crepitar agonia em atroada sombria
O vazio do imenso céu sem cabeira
Nos engole com chilreio e zombaria
Galopando apertura numa carreira
Tétrico encanto da solidão crua e fria
Que do silêncio é a sua mensageira
E que ao coração saudades anuncia!
Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Janeiro de 2017
Cerrado goiano
Um dia quis te entender, mas seu silêncio me interrompia.
Um dia quis te amar, mas a sua solidão não me favorecia.
Então, um dia resolvi te esquecer, e você não fazia questão nas palavras que eu dizia.
Na solidão, me esqueço. E nos silêncios com as noites sôfregas, que são povoadas de desejos ávidos, me olho no espelho e me acho dentro do isolamento...
Marilina Baccarat no livro "É Mais Ou Menos Assim"
Na solidão, me esqueço. E nos silêncios com as noites sôfregas, que são povoadas de desejos ávidos, me olho no espelho e me acho dentro do isolamento...
Não percebo os estímulos, não acalanto a ternura, que mora em mim... Não aquieto os meus temores de ser só... Com a solidão, poderei sair por aí, caçando afetos, aceitando sobejos, confundindo não estar só... Trocarei, em sonhos, bilhetes tristes e acordarei vazia de mim mesma... Me perderei na fragilidade, que é o lugar onde encontro a mim mesma...
Sairei, com os pés descalços, braços bem abertos, desviando-me do tempo, buscando por ternura, acolhendo afetos mendigados, para não estar sózinha...
Só para ludibriar o tempo, tendo a bravura, me manterei transtornada, só para enganar o momento e não ter que esperar a vida passar, assim mesmo...
Marilina Baccarat no livro "É mais ou menos Assim"
Quando.....
Quando te vejo perco o chão
Quando não te vejo sinto imensa solidão
Quando te vejo me falta o ar
Quando não te vejo não sinto vontade de respirar
Quando te vejo meu coração dispara
Quando não te vejo me sinto só em meia a multidão
Quando te vejo você vira minha inspiração.
DESERTO DA SOLIDÃO
Entre dunas de areia que
São levadas pelos ventos
Sussurro dores e lamentos,
No deserto da solidão
A areia é tão quente e macia
Mas não vejo solução, no
Deserto que é minha vida só
Encontrei ingratidão.
Ainda que eu ande não encontro
Uma direção, perplexo e cansado
Me entrego a tão dolorosa depressão
As noites são tão frias e as lágrimas
Tão gélidas que congelado está meu
Coração, para onde se foi aquele
Sorriso que me mantinha vivo.
Os dias são tão quentes e mesmo assim não aquecem meu coração e continuo sozinho nesse deserto da solidão…
MEDL 2016/12/22
Q’viva
Mesmo vivendo na escuridão,
você pode encontrar a Saída.
Mesmo vivendo na solidão,
você pode dar um sorriso.
Mesmo você vivendo na ilusão,
você pode ser feliz.
Basta Sonhar sem ser pessimista,
e Amar sem ser ingênuo...
Viva pensando em ti.''
Você e feito de solidão
E de sonho que não vão si realizar
Então Si você tiver caído
Si levante sozinho com sua próprias mãos
Pois nem deus vai ti ajudar
Sem querer nada em troca
SOFRÊNCIA
Depois de você
A vida passou a saber
Como é vasta a imensidão
Da noite com solidão
Que horas são?
Que importância tem
Se minha saudade vai além...
Sem você, também,
Me perdi nos por quês
A angústia ficou à mercê
Depois de ter você
Felicidade é querer em vão
Pela rua migalha a emoção
Sem você!
Tudo é sofrência
Num coração de aparência!
Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Janeiro de 2017
Solidão...
Poderá ser um flagelo, uma consequência dos tempos modernos, em que cada vez menos olhamos para o lado. Poderá ser um opção para combater o fardo demasiadamente pesado de uma má companhia. Na solidão, nascem coisas excepcionais ou morrem de uma vez por todas, a solidão não costuma ter meio termo e quanto mais gente tem à sua volta, mas cruel poderá ser. Mas é nela, na boa solidão, que também poderemos aprender muito sobre a vida e, principalmente, sobre nós próprios. Não há como dar a volta, será sempre de duas boas solidões que brotará a melhor das companhias.
Nesta solidão de vida
Tão vivida que já esta roída
E quase o mar me engoliu
E quase não encontrei saída
“Precisamos aprender a ouvir a solidão.
O barulho ensurdece-nos, a balburdia nos deixa feito água no fogareiro, em ebulição.
No silêncio nossa mente entende nossos chamados e nos transforma em fortes, em seres mais astutos.”
VINHO
O vinho...ele
Cresceu entre nós
Na escura solidão
Enquanto esperava
Para ser amado por nós
Como esperamos por ele
Para o beber e o saborear
* ¸.•* ¸.•* ¸.•** ¸.•* ¸.•* ¸.•*
Era uma vez...
um coração partido,
dividido entre a paixão
e o temor de ficar na solidão...
Quem pode defendê-lo
das arapucas do jogo da vida?
Quem é capaz de protegê-lo de si mesmo?
"Talvez a 'solitária'seja o lugar mais 'libertador' do mundo. Porque é na solidão que a genuína liberdade mora. Não importa se grades emolduram o corpo - a mente é livre - ainda que o corpo apodreça. É na liberdade absoluta da solidão que se pode chorar sem culpa, ter pena de si mesmo e se autoconfessar sem medo da balança alheia. Liberdade é isso: consciência que fala. Cárcere é conviver com uma mente emudecida por temer julgamentos".
(Em sua página oficial no Facebook)
Sinto a solidão anoitecendo
O frio escorrendo pelo cerrado
O silêncio já se emurchecendo
E o olhar no caixilho debruçado
A lua então querendo se abrasar
Na aridez do chão cascalhado
Luciano Spagnol
Cerrado goiano
A noturna
Sinto a solidão anoitecendo
O frio escorrendo pelo cerrado
O silêncio já se emurchecendo
E o olhar no caixilho debruçado
A lua então querendo se abrasar
Na aridez do chão cascalhado
É breu solitário e ressequido
Onde não há capa nem blusa
Para aquecer o espírito doído
E amparar a solidão reclusa...
É um vil rugido diluído no ar
É uma agrura na alma infusa
Não sei com que me agasalhar.
Luciano Spagnol
Início de julho, 2016
Cerrado goiano
desejo a morte dia pós dia
dentro do exílio de minha solidão...
que se ampara num mar de desespero,
clamo por um momento sombrio,
tais força do destino,
impuro ardi-o, nas sombras do tempo...
simples como a água que verte
entre as sombras da vida.
ELA...
Amava a noite, pois era o símbolo da solidão;
Amava o pôr do sol, pois apesar de parecer triste, no outro dia se mostrava poderoso;
Amava fotografia, pois se encantava com a forma que ela eternizava cada momento;
Amava a clima, pois mesmo quando fria era linda;
Amava a água que caía das cachoeiras, pois mesmo com quedas tão altas nunca deixou de percorrer seu caminho. Ela amava muitas coisas.
Tinha medo das pessoas, pois como ela estas sorriam sem vontade;
Tinha medo do vento, pois este vinha e sumia num instante;
Tinha medo de palhaços, pois esses se diminuíam para ver o riso de sua plateia;
Tinha medo dos pássaros pois esses sempre partiam para longe todos os verões.
Tinha medo do mar, pois seu mistério lembrava a ela mesma. Ela tinha muitos medos, ela...morreu.
Mas ela não tinha medo da morte? Tinha.
