Versos de Solidão
- VIANDANTE -
Ser poeta é meu fado
É tristeza, é solidão
Talvez seja um cansaço
A caminho do coração.
Desisti de saber quem sou
Nesta viagem errante
E não saber aonde vou
Faz de mim um viandante.
Vou dormindo o meu destino
Embalando a dor no peito
Como a vida d'um menino,
Recém-nascido, no leito.
As coisas são como são
E aceita-las sendo assim
É sofrer de mão em mao,
Chorar, chorando só por mim.
CAMINHOS DA SOLIDÃO
Em noites escuras
na procura da cura,
e me deparo com a solidão...
Essa lamina esse gume!
que afiados corta e sangra
esse meu esquecido coração.
Turvo minha saudade com lagrimas
as quais, como acido...
Caem deteriorando a minha alma,
estou só, e só, compartilho meu silencio
... Com ladrar de um cães famintos
silvos congelados dos ventos
e as estridentes notas dos grilos.
O medo do amanhã me faz companhia,
para a incerteza do meu sufoco...
Nesse ínterim, o futuro é nebuloso
vou até o céu, para falar com Deus
mas sou barrado pelo meu ateísmo.
Acabo de algumas horas, o dia amanhece
o sol aparece espantado o mistifório
a claridade, o voar, volta brilhar pelo ar
e tudo começa outra vez.
Antonio Montes
Triste Solidão
Solidão algo que sentimos
Machuca e nos faz sofrer
Aperta o peito fazendo escorrer
Dos olhos lágrimas, sinto vontade de morrer
Ela sempre me visita
Vem devagar e me abraça
Abraça apertado, me sufocando
Cada dia contra ela vou lutando
Me sinto sozinho
No fundo do poço
Esquecido eu vivo
Distante, afastado de todos
Sonho um dia sair dessa solidão
Sonho um dia alguém, sua mão estender
Me mostrar uma luz
E de dentro do poço me socorrer
Solidão E Saudade
Aos poucos eu fui fazendo sala
Pra solidão
Como se ela fosse minha companheira,
Assim como eu faço a um irmão
Ou um amigo de uma vida inteira
A solidão é como um palhaço
Um pedaço do passado
A gente sorrir em toda brincadeira
Mas sempre chora
Por lhe faltar aquele abraço,
Solidão é bem guardada
No lugar certo
Na hora errada
E quando ela aflora
Vem sempre em disparada
Faz da nossa vida um deserto
Pois sempre nos falta um pedaço
A saudade é um oceano
Que desagua em nossos olhos
E pra um coração naufragado
Haja água
E haja cano
Pra inundar esses olhos
E molhar esse pano
A saudade é um oceano
Que desagua em nossos olhos
Tua lembrança
Me traz enganos
E assim me parece
Nunca está só
É como se minha vida
Junto a sua desse um nó
E eu já não soubesse mais
Porque houve a despedida
Já que no ar os teus sinais
São tão claros,
Assim como o levantar do pó
Evidentes e tão reais.
Quando um namoro começa e felicidade vem,
mais quando ele terminam a tristeza e a solidão vem
Mais quando os ex namorados se vê
o coração fica quebrado porque eles se vê
com outras pessoas
É TERRÍVEL O DIA
É terrível o dia
Tudo cheira a solidão
Estou cego, perdido,
Sem Pátria nem chão.
E é terrível a hora
Tudo aberto em meu redor
Um fosso d'ilusões,
E o meu cansaço, maior.
E é terrível a vida
Há vozes que me gritam
Mortos que me chamam
Dores que me agitam.
É terrível estar só ...
Ninguém nos sente!
Estranha dor que dói,
Dói hoje e para sempre.
É terrível o dia,
Este que vivo agora,
E é terrível a vida
E é terrível a hora!
Solidão, essa terceira pessoa na casa,
ocupando a todos espaços com vazio,
os preenchendo com maiores vazios,
é massa disforme, invisível que vaza.
TRILHOS DA SOLIDÃO
Como, colecionador de solidão
eu colecionei... A minha solidão
sozinho!
Sem canto de passarinho
sem chuvas pra se molhar
sem vento de redemoinho
sem musica ecoando no ar.
A minha solidão...
É um bonde encarrilhado, no meu trilho
Sem apito, sem grito, cheia de duvidas
... Toda sonsa, cheia de grilos.
Ela, dotada de silencio...
Apagou meu riso, meu astral,
agora trilha em clima propenso...
me deixando tenso,
... Me deixando mal.
Antonio Montes
Quando sentir solidão mesmo rodeado de várias pessoas, saiba que seu anjo da guarda foi dar uma volta.
Mas ele retorna.
O guerreiro da luz aprendeu que Deus usa a solidão para ensinar a convivência. Usa a raiva para mostrar o infinito valor da paz. Usa o tédio para ressaltar a importância da aventura e do abandono. Deus usa o silêncio para ensinar sobre a responsabilidade das palavras. Usa o cansaço para que se possa compreender o valor do despertar. Usa a doença para ressaltar a benção da saúde. Deus usa o fogo para ensinar sobre a água. Usa a terra para que se compreenda o valor do ar. Usa a morte para mostrar a importância da vida.
Paulo Coelho
EUFORIA DA SOLIDÃO
Sobre a calçada da noite...
A lua, com seu lençol prateado,
pendulava, cobrindo os passos
do dançarino...
E esse, embalado pelas notas frescas
de um sanfoneiro...
Marcava a tristeza, com sua euforia.
Ali, n'aquele momento...
Enquanto ele dançava a musica da solidão
em seu peito enchia ritmado...
Pelas batidas desconsolada de um coração.
O tempo esse, ah tempo não via.
E as lagrimas d'água...
despencava pela nostalgia fria.
Antonio Montes
Na solidão do calor escaldante...
sofrendo com o coração amargurado
numa tristeza tão imensa
quanto o mais fundo penhasco
berrando por companhia
mas para sempre solitário
seja minha solidão meu amor,
mesmo nas profundezas do teu ser,
seja a dor que me cala,
voz que me faz gritar dentro do silencio,
que se julgar ter para sempre...
Meus olhos são chamas que buscam se estender e incendiar campos de calmaria e solidão.
Em minhas mãos o gelo se cristaliza, com um toque posso fazer sentir todo o meu lado mais sombrio e gélido.
Em meus pés tenho raízes fortes e volumosas, elas me acorrentam ao que presumo ser o meu mais belo, saudoso e límpido lar.
Fecho os olhos, e não consigo sentir o que antes me era levado a mente por um simples lampejar de energia.
Luz da campina ao alvorecer
Aclamam o anoitecer
Terra de maldição
Regozijam a solidão
Meu amor onde vou
Desnorteado estou pelo caminho
Há de ver o desembarcadouro lá no finzinho
Quero fogo para toda essa minúcia
Se desfazer de toda essa balbucia
E continuar a rimar
A fera vem botando para correr sem findar
Quer que todo mundo desapareça
Queimando os planetas para que esmoreça
Respirando gás
Rasgando a paz
Céu de brasa, portão da voragem
Queda sem fim na perdição sem coragem
Que seus filhos encontrem
E sejam cegos a dor e o sorriso
Para não se esbarrarem no salão
E que pelos portais da alma as correntes da animália
Possam segurar na eternidade minha anomalia.
Pela noite escura vago...
E um ar impuro trago...
Teus cabelos não mais afago...
A solidão me leva a um profundo lago...
Meu coração sofreu tremendo estrago...
Só o tempo vai me tirar essa sensação de náufrago!
Pedro Marcos
O QUE
O que fiz ao silêncio para silenciar assim
me deixar silenciado no vácuo da solidão
tocar sem que eu possa ouvir o teu clarim
ruidar, abafando a presença no coração...
O que fiz eu a solidão pra tê-la no silêncio
quando lá fora até o vento se calou, enfim,
onde está a vida, que aqui respira pênsil
e emudece o cerrado num tom carmim...
O que é este silêncio, que se cala tênsil?
É "o que", em uma indagação sem fim...
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
2017, julho
Cerrado goiano
