Vermelho
"Chamaram de bênção, mas era prisão com tapete vermelho. Vestiram a cruz com ouro e esqueceram que ela ainda pesa. Nem toda luz vem de Deus — algumas só brilham pra cegar."
— Purificação
Prometeram céu, mas me deram o inferno com tapete vermelho
Deus não me poupou, me forjou.
O silêncio d’Ele não é ausência — é estratégia.
Quem ora com raiva, às vezes move mais céu que os santos.
Eu não sou bênção, sou juízo em forma de sobrevivente.
E quem tentou me matar, hoje ajoelha pra pedir oração.
—Purificação
Esse sentimento arde como o fogo vermelho, machuca como um ferimento que acabou de ser molhado pela primeira vez.
Reencontrar-se é atravessar o vermelho do conflito interno sem medo.
É acolher a mulher que chora escondida no banho e a que sorri nos dias de força. É saber que ser inteira não é ser perfeita, é ser verdadeira.
Lá de cima onde o azul se derrama,
Ela admira a paisagem que a chama
Vestida em vermelho, chama que dança,
Emoldura o verão, acende esperança.
Os cabelos, cascata que o vento acaricia,
Misturam mistério com poesia.
E seus pés tocam o chão de outro mundo,
Mas sua alma, ah... flutua num segundo.
A Itália se curva pra vê-la passar,
As casas, as curvas, o brilho do mar.
Ela não olha pra câmera, olha pro sonho,
Que sabe que viver é um dom risonho.
Ali, entre o mar e a história antiga,
Está o agora, a beleza que abriga.
Como se a paisagem ganhasse sentido
No instante exato da captura da foto, sem ruído.
Ela não observa, ela habita o cenário,
Como se fosse destino, e não acaso diário.
E quem a vê, entende sem conversa:
A magia acontece… quando Jaqueline joga pro universo.
Não sei se você notou
Que eu tô
Tô afim de você
Pois você acende
O verde e o vermelho
Não mostra intenção
Desvario
O amor vermelho
Tem muitos segredos
E o pássaro preto a voar
Nuvens brancas e azuis
Casas pintadas de luz
Eis a vida não há quem diga
Que beleza flutua meu bem
Algodão voando
Quero aprender a ler
Os segredos do destino
O cão vadio
E não há regras
Pra quem ama
E coração preso
Quer ser solto
Como um pavio
Não pega fogo
Quando assobia
O tempo marcha
Em outras direções.
No baile
Na regra
Um mundo na régua
Conserva
A lei
Quem manda
É feroz
E perde-se a palavra
Quem dizer a verdade
Será expulso do paraíso
E viverá na terra
Pra toda vida.
Viver é ter que escolher o tempo inteiro.
Perguntam-me se prefiro amarelo, ou vermelho!
Tenho que escolhe ficar, ir, andar, chorar, ou sorrir.
Tenho que escolher viver em meio a morte que assola as almas vazias.
Eu, que muitas vezes falei que é fácil viver, escolho não mais responder.
Nildinha Freitas
Não existe inferno igual as pessoas imaginam, com uma criatura sinistra vestida de vermelho, com um caldeirão e pessoas sendo fritadas vivas.
Inferno mesmo é você perder as pessoas que você mais ama no mundo e viver na saudade, viver infeliz para o resto da sua vida, com a alma destruída, implorando misericórdia e sabendo que Deus tá dando altas gargalhadas para seu sofrimento.
Pitanga,
Chegou seu tempo,
Tapete preto e vermelho,
De todas as manhãs,
Para colorir,
O dia da Esfinge,
E saborear,
A gratidão agridoce,
Para todo o sempre,
Que assim seja,
Cores que se apagaram no rossio vermelho do porto dos cinco mares,
Zênite que debruça pra ouvir a lágrima jeremiada que desmaia nas faces,
Algo inabitável que fica inquieto na beira do barranco de uma narrativa,
Rastros de beleza num chão semoto e pisada triste desmedida,
Seu corpo pintado de vermelho e seus lábios vestidos de escarlate,
Meu coração sem cor de tanto pulsar nesta noite rubente,
Amor barato...
Esse amor já esta cheirando mal ..
Como folhas secas ,o vermelho nos seus lábios que revelam solidão
Em seus olhos negros exalam frustração
Sem as mãos que afagam riso e sexo,tudo outra vez em vão
E a tal experiência de quem consegue todo dia para si mesmo dizer não
Nos somos dois amores e um é pura ilusão
Não nem sabemos ,mas queremos não ver mais
Nós somos ódio ,mas um sempre odeia mais
Seu perfume barato não me causa mais furor
Seu cheiro de liquidação e um coração que sempre esta a venda
E que sangra a cada fechar de cortinas
Sorriso bobo para fingir satisfação
Sufocada e angustiada ,mas não larga..
Um porta lápis cheio de canetas
Que com elas escrevo em preto, azul e vermelho
Linhas de minha vida,
tão prazerosa vida
sem recursos econômicos,
mas com vários motivos para contar
a felicidade de estar vivo.
Semáforo Invertido
Paro no semáforo olho para o sinal vermelho, reparo onde se indica o tempo para passagem dos pedestres, vejo 30 segundos, logo começo a pensar, aleatoriamente, sem cessar, meu tempo para, sinal abre, e tenho quase certeza que se passou horas ali, naqueles 30 segundos. A mente avoada, não para, atrapalha, volta sem vir, e vai sem ir, me acelera, me amarela somente depois do sinal vermelho.
A vida é assim:
Você gosta do João que gosta da Maria
que gosta da chapeuzinho vermelho
que gosta do lobo mau que gosta de cinderela
que gosta do sapo
que gosta da bruxa
que gosta do capitão gancho
que gosta do alien o 8º passageiro
que gosta de uma humana
que gosta do João
ADÁGIO
Um carro verde avança o sinal vermelho
Um viaduto espera o suicida chegar
Trazendo no seu bolso um ás de espadas afiadas
O naipe é de metais e sustenta as notas no ar
É um adágio tenso e desgovernado
Seu riso de partida dilacera a cidade
Como um palhaço louco que há pouco incendiara seu circo
E agora a recompensa vale mais que o vilão
Agora um erro fez prevalecer a razão
Agora a sombra se faz aurora e senhora da luz
E aqui um desconhecido foi assassinado
por outro desconhecido.
LABIRINTO EM LINHA RETA
Estou perdido nesse imenso e insano poema sem fim
Nesse mar furioso, esse grande deserto, essa constelação
Sou um beduíno, um velho marujo, surfista dos céus
Navegando a esmo, buscando faróis, naufragando no cais
São teses, hipóteses, temas, teoremas
Conceitos, preconceitos, catedrais e cinemas
Homem x Vírus, Q.I. x poema, escalas de valores
Labirinto em linha reta
Eu viajo atento nessa rodovia de areia movediça
Sigo a canção do vento, caio junto com a chuva numa vila esquecida
Sou meu próprio risco, sou meu próprio templo , miragem de Deus
Com o coração em prantos, despedaçando meu colar de contas
São teses, hipóteses, temas, teoremas
Conceitos, preconceitos, catedrais e cinemas
Homem x vírus, Q.I. x poema, estou perdendo sangue
Labirinto em linha reta
