Textos e poemas
Perco os melhores poemas enquanto mastigo o pão
entro no devaneio das preciosas palavras
– Para quê?
Não me recordarei depois…
E, enquanto mastigo a massa cozida, coesa, comprida
invento canções e alaridos
das rimas sou anjo cupido
e não há caneta e papel
nem mesmo azeite com mel
para celebrar a poeta
– a poeta que sou lá!
no mundo onde ninguém me vê
na escuridão das intempéries
no exausto labor do encontro
de tudo o que poderia vir
e nunca veio
de tudo o que poderia ser
e nunca é
com tempos verbais débeis
ou verborragias
com lacunas e frestas
com enfeites ou peças
nada existindo outra vez
e o pão escorrega seco goela adentro
talvez ele encontre os versos em mim
que eu
… eu ainda não me dei.
Contei-lhe minha história e para ti fiz nascer poemas...
Coração solto em terra ímpia a florescer...
Da ilusão por mim criada só tive algemas...
Onde aprendi a sofrer...
Todas as portas já cerradas...
Todas as ruas vazias...
Vejo as estrelas a chorar...
E até, quem diria...
Não é mais bela a lua...
É só uma luz fria...
No jardim das almas...
Ninguém acompanha meu caminhar...
Saudade ou aspiração?
Deixei minhas virtudes cair ao chão...
Cansei de tanto oferecer...
Do que não há de voltar...
Do tempo que há de chegar...
Castigo inexpiável...
Tamanho é meu parecer...
Para ter meus sonhos realizados...
A quem devo obedecer?
Para quê a busca das coisas?
Quando por fim tudo acaba?
Valerá a luta da conquista...
Onde ainda se crê e se ama ainda?
Sim, é certo...
Quem eu amo...
Agora zomba e ri do meu amor…
Em tudo o que fiz pus o cuidado...
Será possível mesmo o fim de tudo?
Restando-me só ausência e dor?
Sandro Paschoal Nogueira
BESTEIRA
Espie só que moral
O tamanho desta besteira
Nas poemas que escrevo
Ouço a voz de Manuel Bandeira.
Ele chega de mansinho
Na lassidão de uma vida esquisita
No fervor deste caminho:
O pavor de receber, e o prazer de ser visita.
Em verso efêmero e triste
Apaixonadamente lhe revela
Não ter medo da morte
Ter medo do fogo da vela.
A solidão é seu amor
A morte o seu segredo
Na morte sentir dor
Na hora sentir medo.
Dos costumes que bem sei
A homogeneidade d'almas existe
Nos manifestos colossais
Cousas letais é comum
A única fila que presta
É aquela composta por um.
041009
Tributo a Manuel Bandeira
Prefácio
Quem é esse Eterno Romântico que escreve de seus sentimentos em forma de poemas, versos e poesias?
Quem pensa que é?
Ele sendo um pobre mortal, se expressar assim, como se nunca tivesse sofrido por amor?
De certo ele se acha o Pam Pam Pam da favela, um don Juan conquistador da quebrada.
Na verdade, ele encontrou nos poemas, versos e poesias um maneira de expressar o romantismo em seu coração.
E sim, ele já sofreu muito com o amor, mas ele escolheu transformar a dor em adubo para cultivar a semente que Deus em um sonho lhe deu.
Com o tempo essa semente vai nascer e em flor se realizar, quando ela florescer, será a mais bela flor do seu jardim.
Já não há mais razão para lagrimas, pois com sentimentos os poemas fixam promessas entre a dor, O sofrimento é dividido.
Quando não se sabe dizer que o amor transpassou o limite é preciso atitudes para desatar todas as ansiedades.
No fluxo perfeito as cores da paixão ficam exata ao nosso querer.
Acho que o perfeito não participa da conversa nem dos sentimentos;
Escrevo poemas com erros de português exagerados, me procuro, mas não sei onde me encontrar;
Sei que não há como apagar os erros do passado, mas quero-lhe compensar por tanto que eu deixei de fazer;
Te erguer ou exaltar toda a sua dignidade e celebrar todo amor que nasce entre nós;
Não recito poemas sem vida nem finjo festa em meus receios para beirar seu coração tentando o resto não oferecido a mim;
Para conter as ansiedades procurando os seus perdidos, desvio toda atenção e uso da sua certeza decifrando os seus olhos;
Mas no seu esconder, mesmo sem querer você me apaga e eu continuo a te assistir no meu escuro;
Ofereceria-te todos os meus poemas para te ver sorrindo e se encantando com cada frase que viesse te fazer bem;
Pois o teu sorriso sempre me cativou com certa serenidade, e o que você tem é o que o meu coração necessita em ter;
Preciso da sua alegria do jeito de amar para me acalmar e juntar os pedaços que ficaram por outro amor;
GRITOS DO POETA
Poemas, versos, poesias...
Contos, crônicas e frases curtas
são gritos... São sentimentos reprimidos.
Pelo menos os meus poemas são.
Meus poemas, versos, poesias...
Contos, crônicas e frases curtas são meus pensamentos;
Questionamentos armazenados na alma.
Dilemas, conflitos, mitos...
E até fuxicos, que evito externar,
Exponho nas linhas em versos.
Os meus poemas, versos, poesias...
Contos, crônicas e frases curtas
são pensamentos que me ensinam...
Não perturbo a mente ninguém,
nem fico com cara de bobo.
Conversar comigo mesmo,
conversar sozinho não me faz um tolo.
Sou esperto, sei a quem contos meus segredos...
Conto-os a quem vai ter que resolve-los.
UM POUQUINHO DE MIM
Todos os poemas que fiz,
Nos momentos que pensei
Que era triste ou infeliz,
Todas as palavras que falei
Ou tudo que deixei de dizer,
Todos os beijos por compaixão,
Por paixão ou por prazer...
Por tudo que eu disse sim,
Ou tudo o que eu calei
Quando não dizia não,
Por algum motivo á toa,
Todas as lembranças boas
Ou que eu julgava assim...
Foi por uma doce ilusão,
Que já ficou esquecida
E deixada para trás
Porque pensava infinito
O que era apenas bonito
Mas que logo tinha fim...
Por tudo isso eu digo,
Que todos os poemas que escrevi
Tinha um pouquinho de mim...
HISTÓRIA DAS PAIXÕES
Estive pensando em sair pelas praças,
Escrevendo o teu nome,
Poemas e dedicatórias,
Revelando o que todos já sabem dessa história...
Tristão e Isolda modernos,
Romeu e Julieta, enlouquecidos...
Estive pensando em como fomos plagiados,
Em como fomos assassinados,
Por romancistas consagrados...
De forma leviana e exagerada,
Que torna o amor assim, um consumismo desvairado
Quantas vezes fomos jogados do oitavo andar
Quantas vezes nos envenenaram
Quantas serpentes nos picaram...
Janete Clair tinha finais felizes,
Dias Gomes cometia pecados capitais,
Épicos casam príncipes com plebéias,
Ou princesas com plebeus
Agora só porque meu nome é Tadeu
Sou concunhado do Elizeu
Só porque imaginam que sou ateu
E não tenho dotes
Tenho que escalar paredes
Nas caladas das madrugadas.
Estive pensando diante do click do semáforo
Que me faz perder tempo de beijos
E poderíamos estar fazendo filhos
Ou tentando entender constelações
E a harmonia de nossos signos
Mas paro diante do verde
Presto atenção no amarelo
E sigo no vermelho
A alma empenhada ao spc...
Os olhos perdidos nos outdoors
Com mirabolantes ofertas
Que só me impõem impossibilidades...
Então me apego a esse amor
Como única forma de prazer seguro
E penso em escrever nos muros
Sem querer morrer de novo
E me recusando a pensar que
Daqui a mil anos...
Diante de um firmamento tenebroso
E um crepúsculo cinzento
Observando as ruínas da terra
E o limiar da humanidade
As histórias das paixões ainda serão as mesmas...
REVOLUÇÃO LITERÁRIA
Alguns poemas sorriam,
outros se armavam de facas,
alguns traziam flores,
outroa traziam brasas
em papel veludo
com laços vermelhos,
alguns me cumprimentavam,
outros me humilhavam
e me punham de joelhos,
alguns me traziam namoradas
e as despiam na cama,
outos me jogavam na lama
e me tornavam a piada,
alguns faziam a neblina
no final da tarde,
outros faziam carnificina
sem nenhum alarde....
NENHUMA MOLDURA
meus poemas não cabem em nenhuma moldura,
minhas estantes não suportariam tantos navios,
minha ternura guarda a via lactea,
mas a minha loucura poe pela manhã
o sol no meu quintal,
o teu sorriso é a a razão de tudo
mas não seja tão feliz
que eu não te amaria tanto
nem seja triste isso me contagiaria...
queria dizer que te amo,
mas isso rima com engano,
então calo e contemplo o horizonte
ante uma rampa,
diante da disputa por lixo, entre seres humanos
e isso preencheria tantos livros,
livros que abarrotariam bibliotecas...
mas quem vai entender,
lutamos pelo reciclável, mas não nos reciclamos...
carregamos sacos imundo,
dentro deles o mundo,
todas as nossas almas e demônios...
ALARDE
Alguns poemas sorriam,
outros se armavam de facas,
alguns traziam flores
outroa traziam brasas
em papel veludo com laços vermelhos
alguns me cumprimentavam
outros me humilhavam
e me punham de joelhos
alguns me traziam namoradas
e as despiam na cama
outos me jogavam na lama
e me tornavam a piada
alguns faziam a neblina no final da tarde,
outros faziam carnificina
sem nenhum alarde....
Nem todos os versos são poemas
Nem todas as regras
Fazem parte do sistema
Fico no escuro pensando
Ande um pouco, corra um pouco
De vez em quando não corra perigo...
Tenho tanto medo de ter medo
E o medo é um bom conselheiro
Tenho tanto medo de não ter a solidão
De não ter o teu olhar no vazio
A olhar o frio atrás da vidraça...
O mundo é uma ameaça
Viver é um perigo
E amar... o que é amar?
Os beija-flores têm caso com as rosas.
As borboletas enfeitam o jardim
Mas as primaveras se acabam no sol do verão
Poema
Poemas são sentimentos, e isso não é segredo para ninguém que escreve.
Mas sentimentos vão e vêm o tempo todo, e, quando os mesmos se vão e um poema fica — um poema intenso demais —
eu luto contra a vontade de apagá-lo.
Parece clichê e, dependendo do sentimento que vem em seguida, superficial ou profundo demais.
Nunca lerei meus poemas para ninguém.
Somente aqueles que a dádiva do amor pela arte for cultivada pelos mesmos terão acesso a sentimentos tão profundos.
Se, por um acaso, tamanha audácia caia sobre mim, saberei que "nunca" é tempo demais, que pode existir um tempo onde as pessoas serão mais cultas, sensíveis na medida certa, que levarão com seriedade algo tão profundo como poemas. Enxergarão quão raro é — e belo — ser capaz de se expressar por trás de palavras enigmáticas. Se expressar com palavras...
Se um dia tamanha audácia caia sobre mim, e os tempos forem os mesmos, saberei que meus sentimentos estarão protegidos por trás do véu da interpretação. Só aqueles que cultivam o dom do amor pela arte terão o privilégio de entender minhas palavras, e enxergar o que há além delas.
A borboleta Azul
Ela tem tantos poemas...
Que nunca pensei...
Muitos já a viram...
Não foi só eu...
Li vários significados
Não sei se são todos verdades...
Alguns gostaria que sim...
Outros, talvez....
O que sei é que...
Foi uma sensação maravilhosa...
Algo mágico...
E não sei se mereço...
O direito de presenciar
Um milagre assim...
E isso me assusta...
E penso: "Quem sou eu?"
"Para vivenciar todo esse encanto..."
"Um pequeno grão de areia..."
E que é, incrivelmente, real...
E nesse momento de reflexão,
compaixão e humildade...
Ela pousa em mim...
O meu coração se renova...
E enche de uma alegria inexplicável...
Me sinto completa...
Me sinto num mundo de fantasia...
De faz de conta...
Ela levanta vôo...
Dança feliz...
E em nenhum momento
Pensei em possuí la...
Porque a maravilha...
É a vida...
E está em ser livre...
Penso que talvez
Seja um sonho...
Do qual nunca quero acordar...
Não vi só beleza...
Vi magia...
Abaixo a cabeça novamente...
E, humildemente, agradeço...
"Obrigada, meu Deus!¡!"
"Obrigada, Borboleta Azul..."
Em cada verso
Frio dormente.
Gotejo poemas na madrugada gelada.
É uma confusão na mente...
Desconfio... todo poeta sente.
Sou as marcas do tempo.
Sou as dúvidas que a todos assolam.
Sou o mar...
Sou o céu.
Sou o ar.
Ando rimando amores com dores.
Rindo pra não chorar.
Amando desesperadamente o que não sei amar.
Indo por um caminho que não tem volta...
Vendo na escuridão uma miríade de cores.
Sou a vida em você.
Sou tudo o que você sente e vê
em cada verso que vejo nascer.
No que tange à poesia
apenas dois poemas
me fizeram chorar.
O primeiro foi,
"Morri pela Beleza"
de Emily Dickson.
O segundo foi
"Faço poesia como quem morre"
de Manuel Bandeira.
Portanto, senhor poeta,
se nunca chegou ao pranto,
lendo ou escrevendo um poema
repense a sua idéia abstrata
do que costuma apregoar
como poesia.
Já escrevi vários poemas
aos prantos, mas estes só eu os reconheço,
ou aquela que é minha
eterna musa. Iranete Do Carmo
