Coleção pessoal de EdineuraiSaMarSi
Telepatia: entre o real e o imaginário
— Eu amo você todinho...
Não, não é aquela música.
— Amo a sua orelha...
— A orelha?
— Aham...
Amo o seu cabelo, mesmo sem nunca tê-lo tocado, sem nunca ter sentido seus fios entre os meus dedos...
Amo a sua testa.
— A testa?
— Sim. É meio grande, mas eu gosto...
Amo os seus lábios.
Não só porque são lindos...
Mas porque queria que se encontrassem com os meus.
Amo as suas sobrancelhas, as duas...
E os seus cílios, mesmo sem vê-los nitidamente, eu amo.
Amo os seus olhos, mesmo sem saber direito qual é a cor, apesar de já ter olhado para eles um milhão de vezes.
Mas não sei... algo estranho acontece.
Não sei se, quando os vejo, passo direto ou volto para os meus.
Em algum lugar, eu entro.
Vou muito fundo, seja em você ou em mim.
É um lugar desconhecido, e eu não sei o caminho.
Mas não desisto.
Vou além, até na contramão.
Sinto as batidas de um coração e sempre me pergunto:
— É o meu ou o seu?
Onde estou, afinal?
Estou dentro de você ou dentro de mim?
Independentemente de onde esteja, eu me sinto bem.
E queria fazer uma morada, construir um ninho e nunca mais sair.
Mas alguma coisa me tira de lá.
E, tão rápido quanto um raio, volto à realidade.
Confusa, sinto saudades.
Da minha casa ou da sua?
Seja onde for, é lá que eu queria morar.
O luto da “Vida” — 200 dias
Quando nasce uma criança especial, nasce um sentimento. Nasce a culpa, a revolta, nasce um luto. Aquela criança não é a que imaginaram, não é o que sempre sonharam. Mas nenhuma criança é exatamente aquilo que imaginamos ou sonhamos.
E, enquanto se sonha com uma criança que não existe, há uma ali, querendo abraços, querendo um olhar de amor, sorrindo sozinha...
Enquanto cresce, espera ser apreciada pelo que é, e não pelo que deveria ter sido.
Ainda não lhe deram a chance de aparecer, de mostrar para que veio.
E sua cabeça de “pai”, racional demais, não sabe o que pensar. E, baixinho, com medo de ser ouvida, pergunta:
— Para que nasceu? Por que ainda vive?
Enquanto isso, seu coração, acelerado como sempre, já ultrapassou o tempo e sofre calado, por medo de um dia vê-la partir ou de partir primeiro.
Quando alguém deixa ou se vai, não está abandonando aquele bebê, e sim a si mesmo. Está antecipando a própria dor, diminuindo o amor, protegendo-se de algo que acredita ser inevitável.
Mas quem sou eu para falar?
Não tenho filhos assim.
A vida, porém, me deu essa oportunidade.
Por impulsividade, troquei de escola e me tornei professora de dois adolescentes com deficiências múltiplas.
Para mim, era normal.
Eu simplesmente havia mudado de escola e tinha uma variedade de alunos.
Até começarem os comentários.
Comentários de lá, de todos os lugares... Gente dizendo que eu deveria desistir. Outros sofrendo por mim, lamentando a minha “falta de sorte”.
Eu não entendia.
Por que desistir?
Por que aquela seria uma escolha ruim?
Até que, cinco dias depois — no feriado prolongado de Carnaval —, aconteceu.
Era sábado.
De repente, senti o cheirinho de perfume de bebê de um deles.
Não quis acreditar.
Talvez fosse apenas uma lembrança.
Talvez fosse imaginação.
Mas aquele cheiro deixou uma lacuna em algum lugar aqui dentro.
Na terça-feira, senti falta do outro.
Talvez eu ainda estivesse em negação.
Talvez alguma coisa dentro de mim já soubesse, enquanto eu ainda tentava entender.
Era algo que gritava.
Algo intenso demais para passar despercebido.
E, então, pronto.
Não podia mais negar.
Eu estava apaixonada por eles.
E, naquele instante, tudo mudou.
Eu iria cuidar.
Iria protegê-los como pudesse.
Faria o meu melhor.
Quis devolver.
Mas, para esse tipo de coisa, não existe devolução.
Então, tive que usá-los.
Usei os outros 195 dias para brincar, cuidar, ensinar...
200 dias tinham sido muito.
Para que tanto?
Hoje eu sei.
Não precisei de 200 dias para amá-los.
Precisei de apenas cinco para descobrir que já os amava.
Realmente, 200 dias foram, exageradamente, bastante para alguém que não os teria; para alguém que estava apenas de passagem por suas vidas e que passaria o resto da vida sufocando a saudade.
Talvez os 200 dias não tenham sido dados para que eu aprendesse a amá-los.
Talvez tenham sido dados para que eu descobrisse que, depois de amar, não existe devolução.
A Minha Versão sobre Jó, da Bíblia, e o Despertar
A minha versão...
Esta é uma interpretação livre, inspirada em personagens, histórias e ensinamentos que marcaram a humanidade.
Não pretende substituir o texto original, nem reproduzi-lo fielmente. É apenas um convite à reflexão, sob um novo olhar, onde a literatura, a imaginação e a espiritualidade se encontram.
Cada leitor é livre para concordar, discordar ou encontrar novos significados, pois toda grande história continua viva quando desperta perguntas em nossa própria alma.
A Minha Versão sobre Jó, da Bíblia, e o Despertar
Jó vivia plenamente, em total sintonia. Acreditava em Deus e em Seus ensinamentos.
A tranquilidade reinava em sua vida. Tinha tudo de que precisava e acreditava que era feliz.
Mas aquela não era a sua verdadeira vida, nem aquele era o seu destino. Havia chegado a hora da mudança divina.
Quando Deus nos toma nos braços para restaurar a nossa vida.
Jó havia sido um bom homem durante toda a sua existência, cheio de fé, e merecia algo grandioso.
Ele tinha um propósito. Precisava estar seguro, protegido da maldade e de todas as más influências.
Vivia em um castelo de areia. Seu telhado era de vidro e até a própria vida corria perigo.
Seria difícil, mas a verdade lhe seria revelada. A máscara cairia, o véu da ilusão seria retirado e, mesmo através da dor, ele enxergaria a vida como ela realmente era.
Tudo era uma mentira: os amigos, a família...
Nada daquilo existia de verdade.
Era o seu despertar. Deus precisava trazer Seu amado filho para mais perto, para os Seus braços.
E assim foi feito.
Durante toda a vida, Jó foi preparado. Desde o nascimento, passou por inúmeras provas e, pouco a pouco, venceu cada uma delas com bondade, humildade e fé.
Sem perceber, com o passar dos anos, foi morar com a família em um lugar distante e isolado, onde os longos momentos de contemplação da natureza e da simplicidade da vida eram inevitáveis.
Durante muito tempo, não percebeu que vivia praticamente só. Quase não tinha amigos. Apesar de ser muito rico, possuir terras imensas, filhos, esposa e trabalhadores, era como se governasse uma pequena colônia. Aquilo era o seu reino, e ele era o rei.
As amizades haviam ficado no passado. Ninguém o procurava, ninguém voltava. Então compreendeu que apenas os verdadeiros permaneceram.
Mas agora tudo seria colocado à prova. Havia chegado a hora. Jó precisava ser curado de qualquer fantasia.
Precisava alcançar a plenitude, um estado de iluminação, pureza e aprimoramento moral e espiritual.
Aparentemente, possuía tudo, mas nada o completava.
Muitas vezes sentia um vazio que não conseguia explicar. Achava injusto sentir-se assim diante de tantas bênçãos.
Então Deus segurou sua mão.
Mostrou-lhe todos os dias de sua vida: as alegrias, as dores e todos os momentos em que jamais esteve sozinho.
Mostrou também que o havia afastado de tudo aquilo que poderia lhe fazer mal. Aquele reino era uma proteção, mas já não bastava.
Avisou que seria doloroso. Que abalaria tudo em que acreditava. Mas, ao final, tudo seria esclarecido e ele contemplaria a verdade com os próprios olhos.
E assim começou.
Vieram a seca, as pragas e outros fenômenos da natureza. Ele perdeu grande parte de suas riquezas e, junto delas, os poucos amigos que ainda restavam.
A situação apenas piorava, e já não havia ninguém com quem pudesse contar.
Fornecedores e compradores lhe fechavam as portas, impedindo até mesmo que se aproximasse.
Ainda lhe restavam o reino e a família.
Mas, conforme a riqueza diminuía, seus trabalhadores também partiam.
Seus filhos começaram a disputar os bens. Cada um queria garantir sua parte antes que tudo fosse perdido.
Alguns passaram a beber, a provocar confusões e até a desejar a morte do próprio pai, pois o consideravam um obstáculo.
As filhas também passaram a buscar casamentos ou qualquer forma de manter o padrão de vida que o dinheiro lhes proporcionava.
Sem se importar com a própria segurança ou dignidade, entregavam-se a qualquer pessoa.
Tudo isso aconteceu aos poucos.
E Jó percebia tudo com enorme clareza.
Via como sua vida era instável.
As pessoas ao seu redor amavam mais o patrimônio do que o próprio homem.
Sempre agradeceu por tudo o que possuía, mas valorizava as pessoas por sua essência. Amava a natureza, a simplicidade e a própria vida.
A indiferença dos filhos o assustava. Havia algo em seus olhares que já não reconhecia.
Compreendeu que vivia apenas em uma zona de conforto. O amor que recebia nunca existira de verdade.
Cada acontecimento presente o levava a uma lembrança do passado. Tudo estava interligado.
Agora entendia muitas coisas.
Nada mais o atingia da mesma maneira.
Sabia que possuía um propósito e que Deus o protegia.
Alguns de seus filhos morreram em consequência de brigas, doenças e da própria ganância.
As filhas, que haviam vendido seus sonhos por uma vida aparentemente melhor, também tiveram finais trágicos. Casaram-se sem amor e foram morrendo aos poucos, vítimas da violência, de partos difíceis e de escolhas equivocadas.
Jó sofria a cada perda, mas compreendia que cada um havia feito as próprias escolhas.
Os últimos morreram disputando entre si a pequena herança de um pai que ainda estava vivo.
Jó passou a ser conhecido como o homem que tinha tudo e perdeu tudo.
Mas ele enxergava de outra forma.
Descobriu que, na verdade, nunca possuíra nada.
Quando mais precisou, percebeu que sempre esteve sozinho.
E agora, aparentemente sem nada, sentia-se mais forte do que nunca.
Algo poderoso nascia dentro dele.
Sua fé crescia a cada dia.
Talvez já nem fosse fé.
Porque fé é acreditar no invisível.
E ele já via.
A presença de Deus era nítida.
Jó havia alcançado outro nível de consciência.
Os incrédulos colocavam sua sanidade em dúvida. Diziam que o sofrimento pelas perdas financeiras e familiares o havia enlouquecido.
As pessoas costumam se defender daquilo que não compreendem. Criam histórias, inventam culpados e se isentam da própria responsabilidade.
Mas, pela primeira vez, Jó enxergava a realidade sem véus e sem máscaras.
Sofria, não pelas perdas em si, mas pelas circunstâncias que revelavam quem as pessoas realmente eram.
Ele via além.
Via aquilo que ninguém conseguia compreender.
Mas ainda havia aprendizado.
Jó amava intensamente.
Acreditava na família e no amor.
As revelações chegavam todos os dias, uma após a outra.
Cada ilusão desfeita era uma nova dor.
Tudo era pesado demais para um homem tão bondoso.
E essas verdades começaram a adoecê-lo.
O que mais o assustava era perceber que sua esposa não era digna da confiança que ele lhe dedicara.
Havia tudo naquela relação, menos amor.
Percebeu que amava sozinho.
Que havia se entregado por inteiro em vão.
Entendeu que, se adoecesse, não receberia os cuidados de que precisaria.
Morreria ali mesmo, abandonado ao chão.
De longe, todos admiravam aquele casal que havia sobrevivido a tantas perdas.
Mas Jó enxergava outra realidade.
Não compreendia por que ela permanecia ao seu lado.
Sua presença lhe fazia mal.
Seu olhar parecia atravessá-lo como uma lança.
Sentia-se tenso.
Seu corpo e sua sabedoria já não funcionavam como antes.
Havia algo sombrio naquele olhar, algo que apagava qualquer luz que ele tentasse irradiar.
Na ausência dela, sentia-se melhor.
Ao revisitar o passado, percebeu o quanto havia mudado ao seu lado.
Perdera, pouco a pouco, sua alegria e sua personalidade.
Aquilo que chamava de amor era tudo, menos amor.
Parecia até algo maligno.
Mas foi justamente nessa convivência que mais aprendeu sobre si mesmo e sobre o mundo.
Então compreendeu por que ela ainda fazia parte de sua história.
Era sua maior professora.
Aquela que acreditava amar.
Essa descoberta o fez adoecer ainda mais.
Muitos diziam que era um castigo divino.
Afinal, havia perdido tudo e apenas a esposa permanecera.
Mas Jó sabia.
Sua dor vinha de amar quem jamais o amou da mesma maneira.
E, como temia, no auge da doença, sem receber qualquer cuidado, ouviu apenas palavras que julgavam sua integridade, sua fé e até mesmo seu maior amigo: Deus.
Tentavam afastá-lo Daquele que lhe mostrara a verdade.
Daquele que o havia libertado de um mundo de ilusões, hipocrisia e falsidade.
Mas a verdade o libertava.
O engrandecia de uma forma que ninguém compreendia.
Agradecia por cada descoberta.
Tudo aquilo que possuíra era apenas material.
Nada preenchia sua alma.
Desejou recomeçar.
Se pudesse voltar, faria tudo diferente.
Valorizaria mais o essencial.
Ensinaria aos filhos aquilo que realmente importa.
Não permitiria ser manipulado pela esposa e jamais voltaria a ser submisso.
Então Deus lhe permitiu construir uma nova realidade.
Agora ele estava pronto.
Havia renascido da dor.
Quando se aproximava da morte, sua voz transformava-se em oração.
Não havia mágoa.
Nem solidão.
Deus estava ali.
E ele sentia paz.
Confiava plenamente no Senhor.
Percebia que vivera fingindo uma felicidade que nunca existiu.
E foi justamente à beira da morte que uma nova esperança nasceu.
Sua saúde foi restaurada.
Milagres aconteceram.
E, de uma forma ou de outra, toda a sua prosperidade lhe foi devolvida.
Vieram novos filhos.
Dessa vez, ele faria diferente.
Era tempo de colheita.
Era tempo de renascimento.
Achava estranho aquele novo modo de viver.
Pois, pela primeira vez, era verdadeiramente feliz.
Mas Deus ainda guardava o melhor.
Por causa de sua fé inabalável, de sua honestidade e de sua bondade, algo extraordinário ainda estava por vir.
E, como tantas vezes acontece após uma grande dor, veio a perda de sua esposa.
Mais tarde, ele compreenderia o porquê.
Enquanto vivia todas aquelas provações, em outro lugar alguém também atravessava dores semelhantes.
Dois destinos preparados por Deus.
Predestinados.
Escritos nas estrelas.
E, enfim, Jó conheceu o seu amor verdadeiro.
A Roda Gigante da Vida
(Agendando o amor!)
Não tive tudo o que queria.
Mas tive tudo o que precisava.
Hoje sei que não acordamos simplesmente um dia e decidimos imitar alguém.
Não.
Vamos fazendo isso todos os dias.
Mesmo sem querer.
Mesmo sem perceber.
Vamos nos espelhando no outro, em cada atitude, em cada palavra, em cada escolha, em cada ação.
E, talvez, seja por isso que os nossos pais nunca vão embora completamente.
Eles continuam em nós.
No jeito como amamos.
No jeito como cuidamos.
No jeito como educamos.
Até mesmo nas coisas que fazemos sem perceber.
Naquela semana em que meu pai foi para o outro lado — um outro lado que, na verdade, é bem ali —, aconteceu algo que hoje considero um presente.
Sem saber que o tempo estava acabando, em uma ligação, eu me declarei para ele.
Falei.
Disse tudo aquilo que talvez já soubéssemos, mas que precisava virar palavra.
Precisava ser ouvido.
Falei da distância.
Da saudade.
E disse que, um dia, nada mais iria nos separar.
E, no final daquela semana, foi exatamente o que aconteceu.
Não existia mais distância entre nós.
Logo, não haveria mais ausência.
Ele não era perfeito.
Ninguém é.
Mas, quando se ama, ama-se por inteiro.
Não se ama apenas a parte bonita.
Não se colocam os defeitos para debaixo do tapete.
Ama-se a história completa.
Com acertos.
Com erros.
Com imperfeições.
Com tudo aquilo que faz alguém ser quem é.
E não havia remorso.
Talvez faltasse uma ou outra coisa que eu ainda não tivesse feito.
Não por orgulho.
Por “agendamento”.
Eu havia deixado algumas datas na minha agenda da vida.
Mas a vida não funciona assim.
Não podemos brincar com o destino.
Porque o destino é improvável.
Não podemos esperar que o outro amadureça, que enriqueça, que chegue ao topo de algum lugar qualquer, para então vivermos aquilo que queremos viver.
Porque, no final, nada disso importa.
Às vezes, você quer entregar um castelo de neve.
E o outro só precisa de um boneco de areia.
E, enquanto você espera o momento perfeito, pode estar simplesmente adiando a felicidade.
Agendando o amor.
Deixando para depois um abraço.
Uma palavra.
Um “eu te amo”.
Um encontro.
Uma presença.
E a vida não assina compromissos com a nossa agenda.
Tudo tem um ciclo natural para seguir.
E ele segue.
Mesmo vazio.
Mesmo ferido.
Mesmo quando não estamos preparados.
A vida segue seu curso.
Mesmo quebrada.
É matemática.
É física.
É como uma roda-gigante:
ela pode diminuir a velocidade, mas não pode permanecer parada.
Talvez seja por isso que hoje eu faça tantos brinquedos para os meus filhos.
Talvez eu esteja tentando, sem perceber, devolver ao mundo um pouco do que recebi.
Talvez seja por isso que ainda escrevo.
Para transformar lembranças em palavras.
Para transformar saudade em história.
Para transformar aquilo que vivi em alguma coisa que possa tocar alguém.
Porque, no fim, somos um pouco de tudo aquilo que recebemos.
E também de tudo aquilo que escolhemos oferecer.
Meu pai me deixou muitas coisas.
Algumas cabem nas mãos.
Outras, não.
Deixou lembranças.
Deixou ensinamentos.
Deixou exemplos.
E deixou, principalmente, uma parte dele em mim.
Talvez seja essa a verdadeira herança dos pais:
aquilo que permanece quando eles já não podem mais estar fisicamente ao nosso lado.
A todos os pais.
Principalmente aos que refletem bondade.
Aos que ensinam pelo exemplo.
Aos que constroem castelos, mesmo que sejam de madeira, de areia ou de sonhos.
Aos que plantam árvores sem saber quem um dia descansará à sua sombra.
Aos que amam.
Aos que cuidam.
Aos que deixam raízes.
😍 Feliz Dia dos Pais, mães, avós, tios... 😍
Pontes da liberdade
Me jogaram Pedras, construí uma ponte, assim, posso ir além, desafiar os meus limites e conquistar lugares inalcançáveis.
Quando você cria muros é você que fica preso.
Feliz Dia dos Pais...
Releitura da homenagem de 2018
A todos os pais que conheço, principalmente ao meu querido pai, Nicanor Marques da Silva; à minha mãe, Leonor — porque, afinal, "ao lado de um grande homem sempre há uma grande mulher"... —; ao meu "sogrodrasto", Geraldo; aos meus irmãos e, enfim, ao meu esposo, Ricardo Flores.
De repente, fiquei pensando no tempo que gasto fazendo brinquedos artesanais para os meus filhos.
Às vezes, nem sei por quê.
Afinal, era só ir a uma loja e comprar...
Mas talvez não seja só isso.
Talvez, quando fazemos algo com as próprias mãos, estejamos, sem perceber, repetindo gestos que um dia alguém fez por nós.
Hoje me lembrei dos meus pais.
Lembrei do meu pai fazendo bercinhos, balanços de brinquedo e de verdade, banquinhos, casinhas em cima das árvores...
Até uma árvore plantada naquele mesmo dia, com apenas 30 centímetros, com escada e tudo; todinha para mim, quando eu já não era tão criança assim — com 1,65 m —, somente no ano seguinte, debaixo dela, entendi o porquê daquela escada... 😂
E lembrei da minha mãe costurando roupas para as minhas bonecas.
Acho que ela não costurou por muito tempo porque eu não gostava muito de bonecas...
Talvez até gostasse.
Mas, com três irmãos, eu tinha uma missão: enlouquecer a vida deles! 😁😁
Minha mãe também fazia as minhas "poucas" comidas preferidas.
Dei muito trabalho no quesito alimentação, porque simplesmente não comia. 🤦🤦
E hoje, com a Lana, sinto na pele um pouquinho do que minha mãe passou comigo... 🙄
A vida tem dessas coisas.
Um dia somos filhos.
No outro, percebemos que estamos repetindo os nossos pais.
Não tive tudo o que queria.
Mas tive tudo o que precisava.
E eles me ensinaram — e ainda me ensinam — muito.
Hoje, quando vejo tanto ódio na alma das pessoas da minha "idade", só consigo agradecer a Deus pela sabedoria que meus pais tiveram para criar a mim e aos meus irmãos.
E peço, imploro a Deus, que me conceda pelo menos metade dessa sabedoria para criar os meus filhos.
Porque criar alguém talvez seja isso: tentar entregar ao outro um pouco daquilo que um dia plantaram em nós.
Não sei se meus filhos crescerão procurando um príncipe ou uma princesa para viver um "Conto de Fadas".
Não sei.
O que sei é que fui criada como uma princesa por um rei e uma rainha.
E, por isso, nunca esperei encontrar menos que um príncipe. Alguém que me tratasse com respeito, dignidade e amor.
É isso que tento ensinar aos meus filhos. Principalmente, a não aceitarem migalhas.
Porque, se metade do mundo é feita de monstros e tristeza, existe uma outra metade que é feita de magia e alegria.
Tudo depende do ponto de vista.
E, às vezes, da vista de um ponto...
"Só podemos oferecer o que temos, porque sempre colhemos o que plantamos."
Hoje sei que não acordamos simplesmente um dia e decidimos imitar alguém.
Não.
Vamos fazendo isso todos os dias.
Mesmo sem querer.
Mesmo sem perceber.
Vamos nos espelhando no outro, em cada atitude, em cada palavra, em cada escolha.
E, talvez, seja por isso que os nossos pais nunca vão embora completamente.
Eles continuam em nós.
No jeito como amamos.
No jeito como cuidamos.
No jeito como educamos.
Até mesmo nas coisas que fazemos sem perceber.
Naquela semana em que meu pai foi para o outro lado — um outro lado que, na verdade, é bem ali —, aconteceu algo que hoje considero um presente.
Sem saber que o tempo estava acabando, em uma ligação, eu me declarei para ele.
Falei.
Disse tudo aquilo que talvez já soubéssemos, mas que precisava virar palavra. Precisava ser ouvido.
Falei da distância.
Da saudade.
E disse que, um dia, nada mais iria nos separar.
E, no final daquela semana, foi exatamente o que aconteceu.
Não existia mais distância entre nós.
Logo, não haveria mais ausência.
Ele não era perfeito.
Ninguém é.
Mas, quando se ama, ama-se por inteiro.
Não se ama apenas a parte bonita.
Não se colocam os defeitos para debaixo do tapete.
Ama-se a história inteira.
Com acertos. Com erros. Com imperfeições. Com tudo aquilo que faz alguém ser quem é.
E não havia remorso.
Talvez faltasse uma ou outra coisa que eu ainda não tivesse feito.
Não por orgulho. Por "agendamento".
Eu havia deixado algumas datas na minha agenda da vida.
Mas a vida não funciona assim.
Não podemos brincar com o destino. Porque o destino é improvável.
Não podemos esperar que o outro amadureça, que enriqueça, que chegue ao topo de algum lugar qualquer, para então vivermos aquilo que queremos viver. Porque, no final, nada disso importa.
Às vezes, você quer entregar um castelo de neve.
E o outro só precisa de um boneco de areia.
E, enquanto você espera o momento perfeito, pode estar simplesmente adiando a felicidade.
Agendando o amor.
Deixando para depois um abraço. Uma palavra. Um "eu te amo". Um encontro. Uma presença.
E a vida não assina compromissos com a nossa agenda.
Tudo tem um ciclo natural para seguir.
E ele segue.
Mesmo vazio. Mesmo ferido. Mesmo quando não estamos preparados.
A vida segue seu curso.
É matemática. É física. É como uma roda-gigante: ela pode diminuir a velocidade, mas não pode permanecer parada.
Talvez seja por isso que hoje eu faça tantos brinquedos para os meus filhos.
Talvez eu esteja tentando, sem perceber, devolver ao mundo um pouco do que recebi.
Talvez seja por isso que ainda escrevo. Para transformar lembranças em palavras. Para transformar saudade em história. Para transformar aquilo que vivi em alguma coisa que possa tocar alguém.
Porque, no fim, somos um pouco de tudo aquilo que recebemos. E também de tudo aquilo que escolhemos oferecer.
Meu pai me deixou muitas coisas.
Algumas cabem nas mãos. Outras, não.
Deixou lembranças. Deixou ensinamentos. Deixou exemplos.
E deixou, principalmente, uma parte dele dentro de mim.
Talvez seja essa a verdadeira herança dos pais: aquilo que permanece quando eles já não podem mais estar fisicamente ao nosso lado.
A todos os pais. Principalmente aos que refletem bondade.
Aos que ensinam pelo exemplo.
Aos que constroem castelos, mesmo que sejam de madeira, de areia ou de sonhos.
Aos que plantam árvores sem saber quem um dia descansará à sua sombra.
Aos que amam. Aos que cuidam. Aos que deixam raízes.
😍 Feliz Dia dos Pais, mães, avós, tios... 😍
MATEMÁTICA DA VIDA
MATEMÁTICA × RELIGIÃO
Todo mundo sabe — ou, pelo menos, já teve algum conhecimento — de Matemática, mas passa a vida inteira sem, de fato, utilizar grande parte daquilo que aprendeu.
Na Matemática, nem sempre temos a oportunidade de usar Bhaskara, funções do 2º grau, o Teorema de Pitágoras, Trigonometria ou Geometria Plana e Espacial complexa...
Porém, na Religião, temos a oportunidade de praticar ou vivenciar todos os dias. Seja por meio de um sorriso, de um “bom dia”, de um gesto de carinho, de uma palavra amiga ou simplesmente apreciando a beleza viva ao nosso lado, o nascer ou o pôr do sol...
Talvez seja justamente o contrário: a RELIGIÃO é que é MATEMÁTICA.
Muitos preferem se fechar, criar uma bolha e andar por aí como se não existisse mais ninguém no mundo. E, assim como acontece com a Matemática, ela fica presa em um livro da época da escola, esquecida em algum lugar da vida.
A Religião também pode ser usada para assustar e controlar. Inventam histórias, criam enredos, alimentam traumas... E as pessoas ficam ou saem da escola, ficam ou saem da igreja, muitas vezes, por medo.
Mas talvez a verdadeira matemática da vida seja outra:
somar amor,
multiplicar gentileza,
dividir o que temos
e diminuir a dor do outro.
Porque, no fim, talvez seja essa a única conta que realmente importa.
O menino e o Lápis Mágico
Ele entrou na sala de aula. Seus olhos brilhavam e já foi logo dizendo:
— Olha, a tia diretora Juliana me deu um Lápis Mágico!
Ficamos felizes. Se ele está feliz, eu também fico. Se fica triste, continuo ali, respeitando o seu momento, mas procurando trazê-lo de volta ao lugar onde pode sorrir e fazer seus olhos brilharem novamente.
E foi em um desses momentos de fúria intensa, mesmo com as medicações, que ele quebrou o seu presente especial e o jogou no chão.
Quando voltou à razão e percebeu o que havia acontecido, veio o arrependimento:
— Como sou bobo... Sou muito bobão mesmo. Quebrei o meu Lápis Mágico e agora não vou conseguir fazer o dever.
Conversamos bastante sobre as suas ações, sobre autocontrole e amor-próprio. Depois pensei que talvez houvesse uma solução.
— Vamos lá pedir outro Lápis Mágico.
E o receio veio para nós dois. Não sei como funciona a segunda via de um Lápis Mágico. Se precisa de prazo, alguma documentação, assinaturas ou testemunhas... Mas vamos lá.
Pedimos licença, entramos, expliquei o problema exatamente como tudo havia acontecido, sem exagerar nem omitir nada.
Ela aceitou o pedido de desculpas, compreendeu toda a situação e prometeu que faria outro. Disse que levaria apenas alguns segundos.
Ele ficou ali, curioso, observando tudo, e eu saí.
Não queria perder a magia daquele momento. Preferia ficar com o suspense, imaginando as palavras encantadas, o pó de pirlimpimpim, talvez um pedaço de estrela, um pouco de poeira da lua ou alguns raios de sol.
Sim, eu queria guardar tudo isso sem perder o encanto.
E ele voltou, mais uma vez, com os olhos brilhantes, radiante, com um belo sorriso e cheio de esperança.
Sabíamos que aquele Lápis Mágico tinha as horas contadas.
Mas, naquele instante, isso já não importava.
O que realmente ficou foi a certeza de que o mundo ainda abriga pessoas capazes de entrar na fantasia sem medo de parecerem bobas, apenas para devolver o brilho aos olhos de uma criança.
Talvez seja essa a verdadeira magia.
Não a que transforma um lápis quebrado em outro novo.
Mas a que transforma culpa em esperança, lágrimas em sorriso e faz uma criança acreditar, mais uma vez, que ainda vale a pena sonhar.
E isso... não tem preço.
Edineurai SaMarSi
Brasília, 27 de agosto de 2010
A dádiva de um Sonho
“Oh! Brasília…
Esperei-te tanto!
1891 – 1960”
“Os sonhos são engraçados, pois estão sempre a um passo da realidade.”
Os “Prós e Contras”
As tramas históricas, nas quais havia três grupos:
1º Ligado a JK (após 1956);
2º Geopolítico (desde o século XIX);
3º O grupo de Goiás (desde a década de 1920).
Teia de aranha:
Quantos nomes e histórias!
Cenas entre Dom Bosco e Brasília...
Parecia uma igreja, um sonho, da terra prometida, de nascentes com águas límpidas,
grandes livros, grandes traduções e de um lugar onde a terra tocava o céu (ou seria o contrário? Não sei).
Depois deuses da mitologia:
homens grandes e fortes, de vozes firmes, movidos pela grandiosidade da missão que carregavam.
Um excelente roteiro para compreender, com mais profundidade, o período da construção de Brasília.
Ano de 1956 e...
LUZES, CÂMERA E CONSTRUÇÃO.
A história continua:
Pró-mudanças (1955);
Comício de Jataí (abril);
Israel Pinheiro;
Posse de JK (janeiro);
Marechal José Pessoa deixa a comissão (abril);
Ernesto Silva assume a comissão (maio);
Criação da NOVACAP (setembro).
Quantos nomes, quantas ideias e um sonho!
Brasília foi construída pela NOVACAP em 1.309 dias corridos
— três anos, sete meses e um dia —,
de 19 de setembro de 1956 a 21 de abril de 1960,
com operários vindos “espontaneamente” de todos os recantos do Brasil.
Quantas pessoas, quantas histórias, quanta confusão e quanta poeira...
Era Brasília nascendo:
do suor, do braço, da raça.
Eram pessoas cheias de esperança e sonhos.
Eram pessoas injustiçadas, que conheceram o lado amargo de um sonho em construção,
mas que guardam na lembrança a satisfação de terem participado da dádiva de um sonho.
Um sonho que falava de um lugar onde a Terra tocava o céu...
Mas acho que se enganaram.
Porque aqui é um PEDACINHO DO CÉU!
Mais que destino, foi profecia
Grande demais para ter uma festa, pequena ainda para entender que ela é a homenageada, mas que a celebração é minha.
Aquele laudo inesperado, meses antes do casamento, dizendo que eu não seria mãe; as lágrimas secando, a cura e a volta da razão...
Aquilo tudo não era uma sentença, porque nada pode contra Deus, e Ele já tinha me mostrado o resultado final.
Era fé.
Era destino.
Era profecia.
Era amor.
E já estava escrito, lá nas estrelas e no meu caderno, quando eu era apenas uma adolescente.
Às minhas gêmeas, Iala e Isla, e ao caçula, Iarane Jr. Era como se o meu amigo imaginário saísse dos meus sonhos, das nossas conversas telepáticas intermináveis, e viesse ao meu encontro para ser o pai dos meus filhos. Sim, estava escrito. Eu mesma escrevi... porque Deus me permitiu.
Então, era apenas uma questão de tempo. Eu esperaria um ano, faria tratamentos, desceria qualquer escada de joelhos, não por duvidar Dele, mas porque acreditava que nada vem de graça; é preciso merecer.
Coloquei uma data, sem compreender o tempo divino. Não sabia que aquele sono inesperado durante o show do Cirque du Soleil, enquanto tentava assistir ao La Nouba, nem que o sono durante as apresentações da NASA, em Cabo Canaveral, e a fome constante no Magic Kingdom eram por acaso.
Ela era, realmente, uma princesa vivendo o seu primeiro drama: uma viagem clandestina de ida e volta, acompanhada da irmã.
Aquele teste de farmácia e o exame de sangue não eram as provas necessárias para um milagre. A confirmação viria no ultrassom. Mas a alegria e a dor, muitas vezes, moram juntas, e, naquele dia, apenas um coração batia.
Eu não estava errada. Ele não errou. Talvez fosse apenas o intervalo entre as linhas... Talvez, quando pensei que havia perdido, Deus apenas estivesse me conduzindo a um novo destino.
Logo entendi que o tempo e o espaço trabalham de maneira diferente no mundo divino. Nem toda alma gêmea chega junto, e nem todo gêmeo nasce ao mesmo tempo.
Eu iria até o infinito. Brigaria com o inimigo. Seria humilhada e viveria uma vida diferente daquela que imaginei... tudo para proteger, para vê-la feliz.
Existe algo muito maior, muito além daquilo que conseguimos compreender. É difícil explicar. Pequeno para mim e, ao mesmo tempo, grande demais para uma menina entender que tudo é uma questão de amor e fé...
Ou talvez de fé e amor.
Comece por aí.
Seja autossuficiente.
Aprenda a habitar a própria companhia e
a amar a si mesmo antes de buscar abrigo no coração de alguém.
Quando a sua energia encontra equilíbrio,
a vida se encarrega de aproximar as pessoas certas,
aquelas que caminham na mesma direção,
que vibram na mesma frequência e
compreendem a linguagem silenciosa da sua alma.
Às vezes, o problema não está em você.
Talvez esteja apenas no lugar errado,
tentando florescer em um jardim
que não foi feito para acolher a sua essência.
Mas olhe ao redor: o mais importante você já possui.
Tem saúde, tem o sol aquecendo os dias e
uma lua cheia de mistérios iluminando as noites.
Tem o vento que acaricia o rosto,
o canto dos pássaros, o perfume da terra depois da chuva.
Comece por aí.
Agradeça enquanto caminha pela natureza.
Observe o céu sem pressa.
Sinta a vida pulsando nos detalhes que passam
despercebidos pela maioria.
Porque são justamente essas pequenas belezas
que preenchem os vazios que o mundo insiste
em deixar dentro de nós.
Não preciso mexer nas obras de Deus.
Elas são perfeitas.
Até uma flor que se arranca precisa de um motivo, uma razão, uma circunstância;
caso contrário, é matar em vão.
O Sol, a Lua e Eu ☀️🌜
Já era adolescente.
Sabia exatamente o que desejava, embora talvez não soubesse o motivo...
Meu pai me perguntou o que eu queria e disse que me daria qualquer coisa.
Duvidei, é claro...
E, talvez por já carregar dentro de mim um certo fascínio pelo impossível, respondi sem pensar muito:
— Eu quero a Lua. 🌜
Como se aquilo fosse a coisa mais simples do mundo, respondeu:
— Tá bom. De hoje em diante, a Lua é sua.
Sorri.
Agradeci.
E, nesse momento, ele tentou me testar. Talvez a minha sanidade ou a dele, não sei, e completou:
— Vai lá pegar a sua Lua.🌜
Olhei para o céu e respondi:
— Não precisa. Gosto dela assim, exatamente como e onde está.
E, sabendo que ela é minha agora, ela se tornou ainda mais bonita.
Talvez porque as coisas não precisem nos pertencer para serem nossas.
Talvez porque o amor nunca tenha sido posse.
Talvez porque a beleza exista justamente na distância que nos permite admirá-la.
Sempre achei que tudo possui um lugar, um tempo e uma lógica.
Não preciso mexer nas obras de Deus. Elas são perfeitas. Até uma flor que se arranca precisa de um motivo, uma razão, uma circunstância; caso contrário, é matar em vão.
Desde então, sempre disse que a Lua era minha.
A minha Lua.🌜
Livre.
Inteira.
Brilhando para todos.
O que eu não sabia era que sempre fui a própria Lua.
Nasci Lua.
Cresci Lua.
Era a Lua da família...
Admirava-a através das grades da janela, como um segredo absoluto...
E, enquanto outras pessoas corriam em direção ao Sol, eu me recolhia.
O Sol queimava minha pele.☀️
Fazia meus olhos arderem.
Seu brilho intenso me incomodava.
E, sem perceber, passei boa parte da vida tentando me esconder.
O que não entendia era que precisava dele para viver.
Afinal, a Lua não existe sem o Sol.
Seu brilho não nasce dela.
É reflexo.
É encontro.
É dança silenciosa entre opostos que parecem distantes, mas que dependem um do outro.
Porque talvez, só talvez, sem a presença da Lua, o Sol também não tivesse motivo para existir.
Porque há luzes que brilham sozinhas.
E há luzes que só descobrem a própria grandeza quando encontram algo digno de iluminar.☀️🌜
E Mãe Brinca?
Passei uma semana em um resort e, no penúltimo dia, vivi uma conversa muito especial.
Havia um tipo curioso de pessoas que permanecia à beira da piscina, quase imóvel.
Não podiam molhar o cabelo, mantinham sempre um penteado impecável, óculos de sol e chapéu.
Reclamavam da água quando estava quente e também quando estava fria.
Reclamavam do sol e, curiosamente, da sua ausência.
Pareciam seguir um mesmo padrão social e filosófico,como se existisse uma maneira correta de aproveitar a vida.
Eu percebia muitos olhares sobre mim, mas um deles chamou minha atenção.
Aproximei-me e disse:
— Oi!
Nenhuma resposta.
Ela me observava.
Às vezes com admiração, às vezes como quem observa algo completamente fora do comum.
Perguntei seu nome, mas não obtive resposta.
Ela me seguia com os olhos, aproximava-se e se afastava, até que finalmente criou coragem e perguntou:
— Você trabalha com o quê?
— Sou professora.
Ela pareceu surpresa.
— E professora brinca?
— Brinca.
— E professora nada?
— Nada.
— Quem é esse menino?
— É meu filho.
Então vieram as perguntas que mais me marcaram:
— E mãe brinca?
— Sim.
— Mãe nada?
— Sim.
— E mãe mergulha?
— Eu mergulho.
— E mãe usa o espaguete para nadar?
— Eu uso.
Sorri e perguntei:
— A sua mãe não faz essas coisas?
Ela respondeu com toda a sinceridade:
— Não. Nem meu pai.
Eles só sentam, conversam, me olham e depois subimos.
Fiquei em silêncio por alguns segundos.
— Entendi. Mas você pode brincar com a gente.
Quantos anos você tem?
— Tenho quatro anos.
Naquele instante, percebi que, para algumas crianças, o mais extraordinário não é um brinquedo novo, uma piscina enorme ou uma viagem inesquecível.
Às vezes, o que mais desperta encantamento é descobrir que os adultos ainda sabem brincar.
Que mães mergulham.
Que professoras nadam.
Que pais podem rir sem motivo.
E que crescer não deveria significar abandonar a alegria de viver.
Deus se revela...
Terminei de crescer perto de uma cidade rica...
Logo aprendi sobre as diferenças sociais...
Não entendia por que alguns tinham tanto, enquanto outros tinham tão pouco...
Hoje vivo exatamente desse jeito...
Se acredito em Deus?
Sim...
Plenamente...
Mas, pelas inconstâncias da vida, às vezes duvidei e acreditei que
Ele não morava aqui na Terra...
Que Ele morava em outro lugar,
lá na cidade rica...
Que estávamos sozinhos aqui...
Que, na verdade, já estávamos no inferno e não sabíamos...
Mas Ele veio e me mostrou os Seus passos na areia,
enquanto, tantas vezes, me carregou no colo,
lá na cidade pobre.
Além do Horizonte
Eu vou além do horizonte pra te encontrar,
nas dobras do tempo e até no inconsciente...
Faço tudo por você, não tenho receio...
Mas me diga, quero entender:
o que é que assusta tanto você?
É ser amado demais?
É viver um amor verdadeiro?
É todo o meu desejo?
Desculpa...
Já tentei sufocar,
diminuir, colocar menos intensidade,
burlar a realidade, só para te agradar...
Mas eu não consigo te amar menos que isso...
Não tenho controle do meu coração,
e eu vou além do horizonte pra te encontrar,
nas dobras do tempo e até no inconsciente...
Eu vou, só pra te buscar...
Mas não me peça para diminuir os meus sentimentos...
Não me peça para te amar menos.
Filho Eterno
Dizem que não existe filho adotivo, que família é sempre família, e que, por algum motivo que ainda desconheço, ele nasceu fora desse ciclo… mas que o universo o trouxe de volta para o núcleo familiar.
Depois que ouvi isso, comecei a prestar atenção nas semelhanças. Acreditava que fossem fruto do convívio, mas como explicar um “adotivo” ter mais semelhanças na aparência e nas atitudes do que um filho biológico?
Porém, acredito que esse filho adotivo seja, na verdade, um Filho Eterno… aquele que te encontra em todas as vidas. Ele é um milagre, uma alma que já nasce carregando uma grande missão no mundo — e, talvez, a primeira delas seja justamente encontrar o caminho de volta para quem sempre lhe pertenceu.
Quebra de confiança
Quando você é traído,
não deixa de gostar da pessoa…
mas aprende a ponderar os próprios passos.
Não é a distância que afasta as pessoas;
é a certeza de que você não é importante na vida da outra pessoa.
Réu sem crime
Você não sabe o que é passar a vida inteira tentando provar a sua inocência, sem jamais ter feito nada…
Ser julgado apenas pela sua cor, pelo lugar onde mora, pela sua classe social…
Carregar, sem escolha, o peso de um olhar que condena antes mesmo de conhecer a sua história. 🌛☀️
