Coleção pessoal de EdineuraiSaMarSi

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Brasília, 27 de agosto de 2010


A dádiva de um Sonho


“Oh! Brasília…
Esperei-te tanto!
1891 – 1960”


“Os sonhos são engraçados, pois estão sempre a um passo da realidade.”


Os “Prós e Contras”


As tramas históricas, nas quais havia três grupos:


1º Ligado a JK (após 1956);
2º Geopolítico (desde o século XIX);
3º O grupo de Goiás (desde a década de 1920).


Teia de aranha:

Quantos nomes e histórias!


Cenas entre Dom Bosco e Brasília...


Parecia uma igreja, um sonho, da terra prometida, de nascentes com águas límpidas,
grandes livros, grandes traduções e de um lugar onde a terra tocava o céu (ou seria o contrário? Não sei).


Depois deuses da mitologia:
homens grandes e fortes, de vozes firmes, movidos pela grandiosidade da missão que carregavam.


Um excelente roteiro para compreender, com mais profundidade, o período da construção de Brasília.


Ano de 1956 e...


LUZES, CÂMERA E CONSTRUÇÃO.


A história continua:


Pró-mudanças (1955);
Comício de Jataí (abril);
Israel Pinheiro;
Posse de JK (janeiro);
Marechal José Pessoa deixa a comissão (abril);
Ernesto Silva assume a comissão (maio);
Criação da NOVACAP (setembro).


Quantos nomes, quantas ideias e um sonho!


Brasília foi construída pela NOVACAP em 1.309 dias corridos
— três anos, sete meses e um dia —,
de 19 de setembro de 1956 a 21 de abril de 1960,
com operários vindos “espontaneamente” de todos os recantos do Brasil.


Quantas pessoas, quantas histórias, quanta confusão e quanta poeira...


Era Brasília nascendo:
do suor, do braço, da raça.


Eram pessoas cheias de esperança e sonhos.


Eram pessoas injustiçadas, que conheceram o lado amargo de um sonho em construção,
mas que guardam na lembrança a satisfação de terem participado da dádiva de um sonho.


Um sonho que falava de um lugar onde a Terra tocava o céu...


Mas acho que se enganaram.


Porque aqui é um PEDACINHO DO CÉU!

Mais que destino, foi profecia

Grande demais para ter uma festa, pequena ainda para entender que ela é a homenageada, mas que a celebração é minha.

Aquele laudo inesperado, meses antes do casamento, dizendo que eu não seria mãe; as lágrimas secando, a cura e a volta da razão...

Aquilo tudo não era uma sentença, porque nada pode contra Deus, e Ele já tinha me mostrado o resultado final.

Era fé.
Era destino.
Era profecia.
Era amor.

E já estava escrito, lá nas estrelas e no meu caderno, quando eu era apenas uma adolescente.

Às minhas gêmeas, Iala e Isla, e ao caçula, Iarane Jr. Era como se o meu amigo imaginário saísse dos meus sonhos, das nossas conversas telepáticas intermináveis, e viesse ao meu encontro para ser o pai dos meus filhos. Sim, estava escrito. Eu mesma escrevi... porque Deus me permitiu.

Então, era apenas uma questão de tempo. Eu esperaria um ano, faria tratamentos, desceria qualquer escada de joelhos, não por duvidar Dele, mas porque acreditava que nada vem de graça; é preciso merecer.

Coloquei uma data, sem compreender o tempo divino. Não sabia que aquele sono inesperado durante o show do Cirque du Soleil, enquanto tentava assistir ao La Nouba, nem que o sono durante as apresentações da NASA, em Cabo Canaveral, e a fome constante no Magic Kingdom eram por acaso.

Ela era, realmente, uma princesa vivendo o seu primeiro drama: uma viagem clandestina de ida e volta, acompanhada da irmã.

Aquele teste de farmácia e o exame de sangue não eram as provas necessárias para um milagre. A confirmação viria no ultrassom. Mas a alegria e a dor, muitas vezes, moram juntas, e, naquele dia, apenas um coração batia.

Eu não estava errada. Ele não errou. Talvez fosse apenas o intervalo entre as linhas... Talvez, quando pensei que havia perdido, Deus apenas estivesse me conduzindo a um novo destino.

Logo entendi que o tempo e o espaço trabalham de maneira diferente no mundo divino. Nem toda alma gêmea chega junto, e nem todo gêmeo nasce ao mesmo tempo.

Eu iria até o infinito. Brigaria com o inimigo. Seria humilhada e viveria uma vida diferente daquela que imaginei... tudo para proteger, para vê-la feliz.

Existe algo muito maior, muito além daquilo que conseguimos compreender. É difícil explicar. Pequeno para mim e, ao mesmo tempo, grande demais para uma menina entender que tudo é uma questão de amor e fé...

Ou talvez de fé e amor.

Comece por aí.


Seja autossuficiente.
Aprenda a habitar a própria companhia e
a amar a si mesmo antes de buscar abrigo no coração de alguém.


Quando a sua energia encontra equilíbrio,
a vida se encarrega de aproximar as pessoas certas,
aquelas que caminham na mesma direção,
que vibram na mesma frequência e
compreendem a linguagem silenciosa da sua alma.


Às vezes, o problema não está em você.
Talvez esteja apenas no lugar errado,
tentando florescer em um jardim
que não foi feito para acolher a sua essência.


Mas olhe ao redor: o mais importante você já possui.
Tem saúde, tem o sol aquecendo os dias e
uma lua cheia de mistérios iluminando as noites.
Tem o vento que acaricia o rosto,
o canto dos pássaros, o perfume da terra depois da chuva.


Comece por aí.


Agradeça enquanto caminha pela natureza.
Observe o céu sem pressa.
Sinta a vida pulsando nos detalhes que passam
despercebidos pela maioria.


Porque são justamente essas pequenas belezas
que preenchem os vazios que o mundo insiste
em deixar dentro de nós.

Não preciso mexer nas obras de Deus.
Elas são perfeitas.
Até uma flor que se arranca precisa de um motivo, uma razão, uma circunstância;
caso contrário, é matar em vão.

O Sol, a Lua e Eu ☀️🌜


Já era adolescente.


Sabia exatamente o que desejava, embora talvez não soubesse o motivo...


Meu pai me perguntou o que eu queria e disse que me daria qualquer coisa.


Duvidei, é claro...


E, talvez por já carregar dentro de mim um certo fascínio pelo impossível, respondi sem pensar muito:


— Eu quero a Lua. 🌜


Como se aquilo fosse a coisa mais simples do mundo, respondeu:


— Tá bom. De hoje em diante, a Lua é sua.


Sorri.


Agradeci.


E, nesse momento, ele tentou me testar. Talvez a minha sanidade ou a dele, não sei, e completou:


— Vai lá pegar a sua Lua.🌜


Olhei para o céu e respondi:


— Não precisa. Gosto dela assim, exatamente como e onde está.


E, sabendo que ela é minha agora, ela se tornou ainda mais bonita.


Talvez porque as coisas não precisem nos pertencer para serem nossas.


Talvez porque o amor nunca tenha sido posse.


Talvez porque a beleza exista justamente na distância que nos permite admirá-la.


Sempre achei que tudo possui um lugar, um tempo e uma lógica.


Não preciso mexer nas obras de Deus. Elas são perfeitas. Até uma flor que se arranca precisa de um motivo, uma razão, uma circunstância; caso contrário, é matar em vão.


Desde então, sempre disse que a Lua era minha.


A minha Lua.🌜


Livre.


Inteira.


Brilhando para todos.


O que eu não sabia era que sempre fui a própria Lua.


Nasci Lua.


Cresci Lua.


Era a Lua da família...


Admirava-a através das grades da janela, como um segredo absoluto...


E, enquanto outras pessoas corriam em direção ao Sol, eu me recolhia.


O Sol queimava minha pele.☀️


Fazia meus olhos arderem.


Seu brilho intenso me incomodava.


E, sem perceber, passei boa parte da vida tentando me esconder.


O que não entendia era que precisava dele para viver.


Afinal, a Lua não existe sem o Sol.


Seu brilho não nasce dela.


É reflexo.


É encontro.


É dança silenciosa entre opostos que parecem distantes, mas que dependem um do outro.


Porque talvez, só talvez, sem a presença da Lua, o Sol também não tivesse motivo para existir.


Porque há luzes que brilham sozinhas.


E há luzes que só descobrem a própria grandeza quando encontram algo digno de iluminar.☀️🌜

E Mãe Brinca?


Passei uma semana em um resort e, no penúltimo dia, vivi uma conversa muito especial.


Havia um tipo curioso de pessoas que permanecia à beira da piscina, quase imóvel.


Não podiam molhar o cabelo, mantinham sempre um penteado impecável, óculos de sol e chapéu.


Reclamavam da água quando estava quente e também quando estava fria.


Reclamavam do sol e, curiosamente, da sua ausência.


Pareciam seguir um mesmo padrão social e filosófico,como se existisse uma maneira correta de aproveitar a vida.


Eu percebia muitos olhares sobre mim, mas um deles chamou minha atenção.


Aproximei-me e disse:


— Oi!


Nenhuma resposta.


Ela me observava.
Às vezes com admiração, às vezes como quem observa algo completamente fora do comum.


Perguntei seu nome, mas não obtive resposta.


Ela me seguia com os olhos, aproximava-se e se afastava, até que finalmente criou coragem e perguntou:


— Você trabalha com o quê?


— Sou professora.


Ela pareceu surpresa.


— E professora brinca?


— Brinca.


— E professora nada?


— Nada.


— Quem é esse menino?


— É meu filho.


Então vieram as perguntas que mais me marcaram:


— E mãe brinca?


— Sim.


— Mãe nada?


— Sim.


— E mãe mergulha?


— Eu mergulho.


— E mãe usa o espaguete para nadar?


— Eu uso.


Sorri e perguntei:


— A sua mãe não faz essas coisas?


Ela respondeu com toda a sinceridade:


— Não. Nem meu pai.
Eles só sentam, conversam, me olham e depois subimos.


Fiquei em silêncio por alguns segundos.


— Entendi. Mas você pode brincar com a gente.
Quantos anos você tem?


— Tenho quatro anos.


Naquele instante, percebi que, para algumas crianças, o mais extraordinário não é um brinquedo novo, uma piscina enorme ou uma viagem inesquecível.


Às vezes, o que mais desperta encantamento é descobrir que os adultos ainda sabem brincar.


Que mães mergulham.


Que professoras nadam.


Que pais podem rir sem motivo.


E que crescer não deveria significar abandonar a alegria de viver.

Deus se revela...


Terminei de crescer perto de uma cidade rica...


Logo aprendi sobre as diferenças sociais...


Não entendia por que alguns tinham tanto, enquanto outros tinham tão pouco...


Hoje vivo exatamente desse jeito...


Se acredito em Deus?


Sim...


Plenamente...


Mas, pelas inconstâncias da vida, às vezes duvidei e acreditei que
Ele não morava aqui na Terra...


Que Ele morava em outro lugar,
lá na cidade rica...


Que estávamos sozinhos aqui...


Que, na verdade, já estávamos no inferno e não sabíamos...


Mas Ele veio e me mostrou os Seus passos na areia,
enquanto, tantas vezes, me carregou no colo,
lá na cidade pobre.

Além do Horizonte


Eu vou além do horizonte pra te encontrar,
nas dobras do tempo e até no inconsciente...


Faço tudo por você, não tenho receio...


Mas me diga, quero entender:
o que é que assusta tanto você?


É ser amado demais?
É viver um amor verdadeiro?
É todo o meu desejo?


Desculpa...
Já tentei sufocar,
diminuir, colocar menos intensidade,
burlar a realidade, só para te agradar...


Mas eu não consigo te amar menos que isso...


Não tenho controle do meu coração,
e eu vou além do horizonte pra te encontrar,
nas dobras do tempo e até no inconsciente...


Eu vou, só pra te buscar...


Mas não me peça para diminuir os meus sentimentos...


Não me peça para te amar menos.

Filho Eterno

Dizem que não existe filho adotivo, que família é sempre família, e que, por algum motivo que ainda desconheço, ele nasceu fora desse ciclo… mas que o universo o trouxe de volta para o núcleo familiar.

Depois que ouvi isso, comecei a prestar atenção nas semelhanças. Acreditava que fossem fruto do convívio, mas como explicar um “adotivo” ter mais semelhanças na aparência e nas atitudes do que um filho biológico?

Porém, acredito que esse filho adotivo seja, na verdade, um Filho Eterno… aquele que te encontra em todas as vidas. Ele é um milagre, uma alma que já nasce carregando uma grande missão no mundo — e, talvez, a primeira delas seja justamente encontrar o caminho de volta para quem sempre lhe pertenceu.

Quebra de confiança


Quando você é traído,
não deixa de gostar da pessoa…
mas aprende a ponderar os próprios passos.

Não é a distância que afasta as pessoas;
é a certeza de que você não é importante na vida da outra pessoa.

Réu sem crime


Você não sabe o que é passar a vida inteira tentando provar a sua inocência, sem jamais ter feito nada…


Ser julgado apenas pela sua cor, pelo lugar onde mora, pela sua classe social…


Carregar, sem escolha, o peso de um olhar que condena antes mesmo de conhecer a sua história. 🌛☀️

O amor é azul


Parada contra a parede,
mais um obstáculo...
Olhei para trás —
só havia ruínas.


Voltar não é uma opção.


Como seguir sozinha,
sem ânimo,
sem condição.


Sinto uma mão na minha,
alguém ao meu lado...
O amor da minha vida está aqui —
e era tudo o que eu precisava.


Escalar era a única saída.
Seria perigoso — ele me disse.
Mas respondi que conseguiríamos...


Já no alto,
impossível descer...
— Faz um arco-íris — ele sugeriu,
como você fez da outra vez...


E assim foi feito:
um grande e lindo,
com cores vibrantes...


E ele nos levou
a um belo campo distante...


Ele sorriu e perguntou:
— E onde está o tesouro?


E eu respondi:
— Você é o meu pote de ouro
no final do arco-íris...


Mas aquilo mexeu comigo...
De novo, eu o levei
para onde não pertencia...


Afastei-me,
olhei ao redor,
e tudo eram plantas e flores...


Era o meu mundo —
não o dele —
sem nenhuma atração,
sem realeza...


As nossas diferenças eram gritantes:
água e vinho,
branco e negro,
dúvida e certeza...


As suas mãos, tão lindas,
delicadas e macias...
As minhas — cansadas,
cheias de cicatrizes...


O amor é azul —
um jeito bonito
de chamar
de esquisito...


Doeu perceber.


Aproximei-me novamente
e me desculpei
por levá-lo a um lugar
que era só meu...


"Te afastei...
com medo de não te caber.


Mas você ficou."


Me olhou —
como quem nunca teve dúvida —
e disse baixinho:


— O nosso amor
é único e verdadeiro.


E o meu lugar
é ao seu lado...
pois somos um só,
e não existem barreiras.


E naquele instante,
entendi:


o amor é azul...
estranho,
profundo,
e infinito. 🌛☀️

O menino e o furacão


Diziam, em silêncio:


"É só uma criança com atraso…
lá no fundo da sala,
com uma folha branca nas mãos."


Eu sei — é o que todos pensam,
mas não dizem.


Estão mais preocupados em embelezar os títulos da deficiência do que em trabalhar,
na prática, a inclusão.


Decoram nomes,
enfeitam diagnósticos,
mas esquecem do essencial:
ver.


Eu nunca tive alunos,
e sim histórias com nome:
Antônio. Bernardo. Daniel. Fernanda. Gabriela…
cada um era único — uma pessoa, uma personalidade, uma habilidade,


mesmo quando o mundo insistia em reduzi-los.


E ele…


O menino da cadeira de rodas,
de movimentos curtos, quase ausentes,
fazia desenhos incríveis que ninguém via —
porque queria a perfeição
e, quando não saía em total sintonia,
por cima do desenho criava um furacão.


Rasgava o próprio céu,
girava sobre o que tinha criado,
cobria tudo —
como se dissesse, sem voz:
“Se não for inteiro, ninguém vai ver.”


E ninguém via mesmo.


Mas eu vi — vi além.


Tentei falar, e ninguém se importou…


Para que dar trabalho,
se ele já estava quieto, ocupado,
com uma folha na mão?


Era apenas um estágio.


E, no fim do dia, havia sempre duas almas frustradas:


A dele —
gritando por reconhecimento.


E a minha —
aprendendo o peso de não ser ouvida.

A ciência e o Amor


Amar não tem a ver com reciprocidade.
Na verdade, é raro encontrar um amor de verdade, incondicional. A pessoa já nasce apaixonada — ama sem saber, sem conhecer. Ama nesta vida e em outra, talvez espiritual…
apenas ama e espera.


Não há perguntas, muito menos respostas. A ciência é linda, mas limitada.


E, no íntimo, a pessoa sabe quem é…
e sente a sua contraparte —
um estranho que te completa.🌛🌞

Entre o toque e o cuidado


Às vezes, não é sobre o outro…
é sobre o preconceito que mora dentro dele —
ou dentro de quem o protege.


Eu nunca soube ver “deficiências”.


Vejo energia.
Sinto presença.


E, quando a minha energia encontra a do outro,
nasce em mim um gesto simples:
um abraço,
uma palavra,
um carinho que não pede explicação.


Mas o mundo anda na defensiva…
e o afeto, que deveria ser leve,
vira invasão aos olhos de quem tem medo.


Eu não me aproximo sem caminho.
Sempre há um antes —
uma convivência,
um silêncio compartilhado,
um laço invisível se formando devagar.


Outro dia, me disseram:
“Ela é adulta.”


E aquilo ficou em mim.


Voltei para dentro,
revisei meus gestos,
me procurei nas minhas intenções…


e encontrei o mesmo de sempre:
carinho.


Porque com todos é assim —
e de todos, o carinho voltou.


Mas, ainda me contive.
Segurei o gesto.
Guardei o abraço.


Mesmo sentindo que, às vezes,
quando o afeto não é recebido,
não é recusa…
é proteção de alguma dor.


Depois, veio a confirmação:
existia, sim, um cuidado ali,
uma história sendo tratada em silêncio.


Mas eu não desisto.
Nunca desisti de ninguém.


No Natal, prometi um abraço.
Antes que dissessem outra vez
o que ela já não era criança,
eu disse o que eu era naquele instante:


“Eu gostaria muito de receber "esse" abraço…
mas, já que não é possível,
então eu apenas dou.”


Porque amar, às vezes, é isso:
não esperar retorno,
não medir resposta,
não endurecer o gesto.


Só ser.


Talvez o mundo confunda idade com sentir.


Mas nem todo corpo acompanha a alma no mesmo tempo.


Há quem tenha trinta…
e um coração de oito,
delicado, sensível,
ainda aprendendo a confiar.


E há quem force encaixes,
rótulos, aparências —
como se crescer fosse caber
em uma forma pronta.


Mas sentir…


sentir nunca obedeceu calendário.


E eu sigo assim:
Me aproximando com cuidado,
respeitando limites,
mas nunca deixando de oferecer
o que há de mais bonito em mim —


o afeto. 🌛☀️

Feliz Páscoa!!!
(Somos tudo e nada)


Mais uma data especial para agradecer pela saúde,
pelas pessoas e por cada momento vivido…
por tudo.


É o universo deixando claro o quanto somos frágeis e
o quanto a vida pode ser imprevisível.


O que se quebra é para sempre…
Mas não precisamos colar os pedaços.
Com os cacos, podemos fazer algo novo.


Uma nova amizade, um novo conceito…
A partir de uma mesma pessoa, de uma mesma situação.


Pegar o que for bom:
as experiências, as expectativas, as oportunidades…
E construir, juntos, um novo caminho a seguir.


Não reconstruir — porque buscamos o novo todos os dias.
Recomeçar, também não… começar.


Não “renascer”, e sim nascer.
Nascer a cada dia, depois de cada batalha.


Veja as alegrias do outro,
mas nunca queira estar no mesmo lugar,
porque ninguém sabe o custo de cada sorriso.


Cada um carrega a cruz e os calos que conquistou,
assim como a dor e o peso de suportá-los.


Somos tudo e nada…
Hoje podemos ser tudo,
e amanhã, nada.

Aquele dia — Pai


Sonhei com o meu pai.


Ele me abraçava com tanto amor e ternura…


E eu sabia que seria por pouco tempo.


Mais uma vez, quis fugir,
porque não suportaria me despedir.


Mas ele me segurou
e me abraçou novamente,
até que acordei…


Quase um ano esperando por um abraço que acalmasse a minha alma e aquecesse o meu coração — e, finalmente, aconteceu.


Naquele trágico dia,
esperei por um abraço assim:


alguém que me acolhesse,
que acalentasse o meu coração,
um abraço silencioso que fizesse a minha alma voltar.


Mas, naquele dia, entendi
que a única pessoa capaz de fazer isso por mim
era justamente quem estava no caixão.


Nunca vou dizer adeus,
passe o tempo que passar…


Hoje sei que não preciso fazer isso, porque ele não vai a lugar algum.


Sempre estará aqui comigo,
me guiando —
como disse que faria.

Não é preciso saber o caminho,
nem onde vai chegar.
Basta sentir —
é a sua fé que te guia.
Não adianta se prender à razão,
porque os maiores milagres
não são explicados pela
ciência.

Tentaram te enterrar com palavras,
mas esqueceram…
que toda semente enterrada
nasce. 🌱
☀️🌙