Coleção pessoal de yasz
É impressionante como algumas pessoas acabam se tornando tão importantes sem que sequer percebamos. Mesmo quando acreditamos estar cientes disso, há momentos em que a ficha simplesmente cai.
Quando eu já não tinha um lar, quando me sentia perdida em um desvaneio lúgubre, você, mesmo sem poder, me trouxe de volta. Foi meu lar por algumas horas, mas foi. E foi naquele momento que percebi que você sempre foi meu lar — só não da forma óbvia.
Nada foi tão sereno quanto você naquele instante turbulento da minha vida.
Eu vejo beleza nesse sentimento nada óbvio entre nós. Não sei exatamente o que ele é, mas sei que me faz bem. Você desperta minha ataraxia do lugar mais profundo do meu ser. Talvez seja isso a amizade: sentir-se em casa na presença de alguém, saber que existe um lugar para onde voltar quando tudo parece desabar.
Às vezes penso que poderíamos simplesmente fugir. Ou talvez eu compre um apartamento, e você durma lá todos os dias, para que eu finalmente consiga me sentir em casa na minha própria casa, aquecida sobre seu abraço. Podemos fugir... Quero dizer, o que realmente nos prende aqui? Há tanto para descobrir no mundo — e tanto para descobrir sobre nós.
*Carta de uma paixão limerente*
Me pego frequentemente nesse desvaneio, onde nossa latência ocupava todos os espaços.
Tão efêmero, mas impossível de esquecer. Você despertou tudo em mim, o apogeu de todos os meus sentimentos. A partir daquele momento, em que algo já ansiava despertar, você o desabrochou no arrebol daquela tarde; clareou, transcendeu como as estrelas.
Não só me apaixonei por você, pelo seu ser e pelo que transcende o seu ser, mas pelos momentos, nada óbvios, com tanta energia, capazes de fazer ambos flutuar e envolver qualquer um que estivesse presente. Não foi, porque ainda é uma paixão, perecível, que poderia ser perenidade para ambos, mas que vive apenas dentro de mim como um "sempre", que só você provoca.
Hoje, a paixão que vive dentro de mim é pela memória de momentos inesquecíveis, a paixão não correspondida, mas a melhor de ser vivida, mesmo sendo uma nuance muito bem escondida.
Te vejo feliz, construindo novas memórias para um dia se lembrar, com pessoas incríveis. Incríveis de um jeito que jamais fui para você, mas há uma esperança de que, pelo menos, 1% de tudo, você se lembre; torço para que seja com carinho.
Pois jamais alguém será tão sincero em uma carta como fui para você. Fiz questão de usar palavras para te fazer lembrar, não do que não fui para você, mas do que você foi para mim e sempre será: a paixão quimera que eu amei viver. O quase dos toques, o entrelace das respirações, os segundos que antecedem o encontro de nossos olhares, o "apesar de" que Clarice Lispector tanto dizia: apesar de te amar, apesar de o que tínhamos ter morrido, apesar de me decepcionar, nunca me esquecer.
Me lembro de quando fingi normalidade diante de você e depois saí pulando pelas ruas por um beijo na bochecha. Eu tenho que te agradecer por, apesar de tudo, não ser um trauma e ser algo de que gosto de lembrar.
Há beleza no que tem fim, e por mais que eu quisesse que fosse para sempre, o fulgor que você deixou no âmago do meu coração jamais vai apagar, porque, graças a você, fui capaz de sentir de novo e aprender a lidar.
Nostalgicamente,
De: Ananda C.
Para: minha musa
Sonhos perdidos, em uma ilusão, na colisão de olhares.
Eu me perco no seu olhar todos os dias, eu me perco. E não sei se isso é bom, não consigo mais me achar. Me procura, me desperta novamente, pois já não sei quem sou, quais eram meus sonhos, o que eu pensaria, o que eu falaria, o que eu faria...
Se um dia não chorava, essas lágrimas lúgubres são pelo luto da perda, da minha perda. Pois, no tempo atual, posso afirmar que já não sei quem sou, não sei onde estou, muito menos onde quero chegar. E não tenho a mínima ideia de como me encontrar.
Me perdi tão célere como um trem-bala e me afundo nessa esperança sublime, pois é o que me restou. Não sei se seus olhares arrebatadores foram culpados — e não os culpo, sinceramente — eu só não deveria ter deixado que a queda do meu ufanismo fosse fatal.
Os fantasmas do meu passado me perseguem, ou eu que os proclamo?
Pois neles havia profundidade e menos dor.
E minha alma é profunda, é colorida, é um espiral de emoções, de visões e situações que se repetem — flashbacks, memórias de uma alma profunda.
Uma alma que tem sede de alguém que queira mergulhar nela, escorregar no espiral e desvendar os mistérios.
Alguém que queira, e ame.
Se dedique, me ame, me desvende.
Não sou só o que você vê.
Mas parece que o que te dá motivos para continuar é o que vê, não o que escuta, não o que desvendou — se é que houve tempo para desvendar algo.
Eu não sou só físico.
Eu sou alma.
Enxergue minha alma.
Me escute.
Me ouça.
Não é difícil enxergar minha alma.
Olhe nos meus olhos — eles são a porta.
Eles mostram as dores que nasceram no silêncio, as dúvidas que surgiram de olhares, a curiosidade pelo mundo, as diferentes vibes.
Eles são as portas de quem eu sou.
E é por quem eu sou que você tinha que ter se apaixonado.
Por tudo que compõe o que sou.
Por todas as partes.
Não somente por uma.
Chorar dói, é um nó na garganta. Era o que eu pensava, mas hoje, que me permito reconhecer que tenho sentimentos — e, especialmente, no tempo atual, mais intensos que o normal — percebo que chorar não dói. O que dói é o sentimento entalado, se recusando a sair por alguma razão, apesar de querer sair de qualquer forma.
Me intriga como sentimentos podem nos mutilar no âmago do nosso ser quando somos tão taciturnos. Dores explícitas são dores, mas as ocultas são torturas. Te fazem agonizar amargamente, de dentro para fora. Culpa, tristeza, insegurança… a cada parte do seu corpo, se espalhando feito uma praga, bem devagar, lá no fundo, se certificando de que não sobrará nada para recorrer à recuperação.
Você está sentindo isso, e sabe onde vai dar. Prematuramente, você ainda pode evitar, mas escolhe arriscar. Machuca. Você se machuca. Você morre de dentro para fora, sem propósito, sem felicidade, sendo o aconselhador dos tristonhos quando se está mais destruída do que alguém que já se destruiu.
Quer saber? Chorar dói sim. A garganta fecha, as lágrimas caem, dilacerando meu rosto, o coração dói. Não acredito nesse papo de chorar de felicidade. Quem se submete a tanta dor por estar feliz? Afinal, eu não sei. Talvez nunca tenha estado tão feliz a esse ponto, mas não irei pedir para que alguém me faça feliz, ou pedir a um ser divino para me ajudar. Afinal, eu falo tanto que um pedido de ajuda passaria despercebido, assim como tudo o que eu falo passa despercebido diversas vezes. Mas, como dizem, é só tomar um remédio pra calar a boca, e fica tudo bem para eles. Não me atrevo a dizer para ninguém: há segredos e dores que morrem conosco.
A cada fim, penso realmente em dar fim a tudo, por medo do que virá, porque pode ser pior, mas pode melhorar — mas nunca sabemos pelo que esperar, e isso assusta. Duvidamos da nossa capacidade de ser melhor e de dar o nosso melhor, e às vezes estivemos tanto tempo sujos de lama que recusamos a acreditar que a chuva irá nos limpar. O medo de não saber o que será de nós, o medo de descobrir, o medo de viver e de saber.
Hoje é o último dia do ano mais turbulento, hoje é o final, hoje acaba, mas hoje também é só mais um dia, e amanhã será outro. Para alguns, um começo, uma oportunidade; para outros, só mais um dia em que a data alterou alguns números; para alguns, nada muda. A verdade, apesar de não ser absoluta, é que todos os dias surgem oportunidades em nossas vidas, esperando para serem agarradas, porque estão ali para isso. Mas nós as ignoramos, porque hoje não é segunda, ou porque agora não é sete da manhã, ou porque não é dia primeiro, e até mesmo porque não é o primeiro dia de um ano que acabou de nascer.
Por alguma razão, esperamos o começo de algo para começarmos a fazer o que deve ser feito. Esperamos muito para agarrar as oportunidades que nos surgem. Mas elas não esperam o começo do dia, da semana, do mês ou do ano para vir; elas só vêm. Porque o tempo, o início, está na nossa cabeça, e quando entendemos que o início não é quando o tempo determina que algo iniciou, e sim quando tomamos a iniciativa de começar.
É como se eu estivesse num devaneio taciturno, sem fim,
regredindo — pertencendo menos a este inóspito mundo.
Desde que me conheço, os olhos me chamam antes de tudo. Eu os desenho, os observo — e por vezes juro que os escuto, porque falam mais que a boca e carregam histórias que um cérebro inteiro talvez não caiba.
Fascinam-me como galáxias: cada olhar é um mundo distinto, às vezes repleto, às vezes vazio.
Acho que a maior dádiva é poder observar. Observar me dá vontade de viver: detectar minúcias, e desvendar outros olhares, torcendo para que alguém queira desvendar os meus também.
Eu te odeio
Finjo normalidade diante do seu descaso,
em comparação com a energia que tínhamos antes.
Eu não te conheço completamente,
nem suas diversas versões.
E, sinceramente, não quero conhecer.
Porque, na medida em que você se revela,
eu me decepciono mais com quem você realmente é.
E me decepciono comigo
por sentir o que sinto por você,
mesmo você sendo assim.
Se um dia te admirei,
pois saiba: hoje te desprezo.
Tento me convencer
que você ainda irá amadurecer,
ou cair na real.
Mas já percebi
que a única coisa sua que vai pra frente
é a sua idade.
Espero que você se foda
pelas suas atitudes imaturas.
Eu odeio sentir emoções fortes,
e te odeio por despertar tantas em mim.
A raiva que transborda aos poucos
consome quem sou a cada segundo.
E é culpa sua —
eu espero que você sinta o peso
do dano que me causa a cada dia.
Eu te odeio com todas as minhas forças.
E te culpo pelo meu fracasso
e pela minha infelicidade.
Porque foi você que despertou isso
e agora sou obrigada a lidar com tudo sozinha.
Eu te odeio tanto
que me atreveria a dizer que eu te amo.
Te odeio por me fazer te amar.
Te odeio por não merecer o meu amor.
E me odeio
por amar alguém que me trate assim.
Me odeio por te culpar
e te odeio por ser culpado.
Me odeio por amar alguém que,
ao meu lado, ergue os braços para outra pessoa.
Me odeio mais ainda por amar alguém como você,
que me rebaixa ao abismo.
Me odeio por ainda te querer feliz,
mesmo não sendo comigo.
E me odeio por querer felicidade
para alguém que tirou a minha.
Me odeio por não me sentir suficiente.
Te odeio por me fazer sentir insuficiente.
Eu te odeio
por ter acabado comigo.
Eu te odeio
por me fazer me odiar.
E te odeio
por me fazer sentir ódio.
Eu te odiei
desde o dia 07/06/2025.
E te odiarei
até meu último suspiro.
Mesmo o perfume, quando trancado num frasco sob pressão, pode virar veneno.
A raiva, quando não encontra válvula, se transforma em incêndio interno: ou sufoca, ou queima.
Te mata de qualquer forma
Sim, eu desconheço a felicidade.
Diante do dilúvio de sentimentos que me atingiu inesperadamente — sem ao menos ter tido tempo de aprender a nadar — a felicidade não veio entre eles.
Absolutamente nada que minha mente é capaz de visualizar me leva a um ápice de felicidade.
Nada deste mundo me faz sentir em casa. Em absolutamente lugar nenhum — nem mesmo na casa que dizem que posso chamar de lar.
Simplesmente, não sinto que pertenço a este lugar.
Porque, se um lar é onde nos sentimos felizes e confortáveis, então nada que presenciei, ou que sei que existe neste mundo, me levou a tanto.
Se a minha felicidade existe…
Ela não é dessa realidade.
IRA
Eu concordo que não controlamos o que sentimos, e que, apesar disso, controlamos nossas atitudes com base neles. Sendo assim, tenho propriedade para dizer, pois tenho um certo talento de cultivar sentimentos ruins em meu âmago — nada como inveja ou ciúmes, que são sentimentos relacionados a meros humanos — mas sim, sentimentos como tristeza, decepção e, principalmente, raiva. Eu não os controlo, nem quando se protagonizam nem sua intensidade, pois, se eu os controlasse, iria preferir a felicidade, apesar de eu desconhecê-la. Absolutamente ninguém olha para mim e é capaz de imaginar quão lúgubre sou por dentro, pois, apesar da minha ira constante e incontrolável em termos de intensidade, eu controlo meu exterior. Sou, e unicamente, a única pessoa capaz de controlar meu corpo, que é meu templo, e minhas nuances. Principalmente por respeito a mim mesma, nunca sequer demonstrei um pouco do que sinto, pois, ao espalhar ódio em um mundo tão errado já pelas pessoas que vivem nele, me sentiria como uma traidora. E essa decepção, que já existe em mim sobre mim mesma, seria ainda maior. Mas o problema de prender um sentimento assim é que, a cada vez que você precisa se conter, se controlar, ele cresce mais. Me contive tantas vezes que mal posso imaginar a dimensão da intensidade deles hoje.
Humana novamente
"Ela o olhava com olhos apaixonados, transcendiam um brilho sibilino, olhos que imploravam para ser desvendados.
Mas ele a olhava com desejo — desejo aquele que era evanescente.
Oniricamente, algo a revelou, que em desvaneio ela permeou. De olhos alheios ela necessitaria para catarticar-se. Assim ela fez: abriu mão de seus olhos apaixonadamente sublimes e o olhou.
Entretanto, não se surpreendeu — apenas se decepcionou. Mas como poderia se decepcionar se expectativas diante do que ela verbalizava, não criou?
Ele era indelével, mas isso não a impediu de o odiar por uma fração de segundo. Como era onusto explicitamente sua raiva, o que só provava, a quem assistia a situação, quão inefável era sua paixão. Pois apesar de sua raiva, era inelutável, e ela sabia.
Não lhe sobrou alternativa, somente a aceitação da situação. E estava tudo bem.
Porque, apesar desse cisalhamento e de sua incorrespondência, ele fez — mesmo que inconscientemente — olhos desidratados e taciturnos dizerem algo e, em seu âmago, sentirem.
Ela sabia que era efêmero, mas era grata pela explosão de sentimentos que ele causou.
Era muito bom ser humana novamente."
Nunca me senti só. Gosto de estar comigo mesmo. Sou a melhor forma de entretenimento que posso encontrar.
Doce e alcoólatra como vinho.
Nesse cenário,
asfalto molhado, noite fria.
Luzes acesas, prédios altos.
A cidade cheira a cigarros e vícios.
Essa fumaça exala promessas falsas
e cá estamos nós,
em meio a palavras explícitas
e situações formais.
Me disse que sou diferente,
apesar de nossa diferença de idade.
Esse é um mundo de artistas,
nós somos artistas consequentes.
Falando em arte,
seja minha musa?
A última não valorizou os traços que nela realcei.
Percorreria seu corpo a lápis ou pincel,
te deixo escolher.
Só promete sussurrar a sua resposta,
não como promessas falsas que nos têm.
Sussurra.
Minha mente tá barulhenta demais,
mas eu juro que, se for você,
eu vou conseguir escutar.
Ela não tinha coração, apenas um vácuo,
como um espectro inexorável.
Ígneamente abissal, ele surgiu lhe provando sua humanidade.
Com desvelo, a fez colocar a mão sobre o seu peito e sentir as batidas de seu coração,
aquele que habitava seu âmago de forma silente.
Com um vaticínio, a fez acreditar, e sentir,
que a cada batida soava um eflúvio poético, cheio de sentimentos;
junto ao coração dele, se fazia uma melodia de fogo, ardente, sedenta, fatal.
Era visceral a sintonia dos dois.
Era indelével aquele momento, jamais algo a faria o esquecer.
Jamais ela imaginaria que aquele sentimento sibilante evoluiria para um sibilo ensurdecedor.
Ele a hipnotizou, sem nem mesmo perceber, a fez acreditar na perenidade, no sentimento eterno, na química permanente, na felicidade.
Ao se encostarem, a luz que crescia, transcenderia qualquer sublime camada que o universo pudesse colocar.
Ela não podia procurá-lo, tocá-lo. Mesmo com o sentimento em crisálida, ela não sabia traduzi-lo em palavras.
Então ela o observava. Mesmo antes de qualquer despertar no seu interior, ela observava, ansiando sentir as energias que em sua volta permaneciam, já que não era capaz de desfrutar de um sentimento próprio.
Ela o enxergava, o via, muito além do que era capaz de se alcançar fisicamente. Ela enxergava sua alma, sentia que era capaz de ver sua luz e sua sombra, sua energia.
Bom, ela não esperava nada, só queria desfrutar da humanidade que ele despertou nela. Nenhuma utopia. Parecia maravilhas. Mas um tormento estava por vir.
A humanidade, sentir, não é só felicidade, paixão, amor — era tristeza, decepção, raiva, ódio também.
Seus sentimentos transbordaram à beira de seu abismo emocional. Sua impulsividade lhe privou de observá-lo. Apesar de seus erros, ele teve sua parcela de culpa.
Ela jamais imaginaria que a perenidade de sua paixão e felicidade, que ele a prometeu de forma tácita, seria perecível após um repentino exílio.
A epifania de que ele era muito mais do que ela imaginava. Ele era mais do que sua paixão lhe permitia enxergar.
Ardiloso, encheu seu coração de névoas. O mesmo coração que antes ele deu cor, ele o dilacerou.
E, como anátema, ele permeou.
há um sentimento silente que floresce do meu âmago.
Em sua crisálida soava como um eflúvio, de forma sutil, sibilante.
Onde antes havia somente um vácuo insondável,
ígneamente crescia de forma ardente.
Essa utopia que me cegava, impossibilitava de ler o que havia nas entrelinhas.
Como um espectro abissal, passageiro, mas perecível.
Nem em meus sonhos oníricos, havia tanto,
pois me tormenta essa transformação linear
como um sibilo insuportável.
Espero que seja perecível também.
Você protagonizou uma temporada da minha vida.
Equalize.
Se esconda.
Suma.
Deixe-me prevalecer, evoluir.
Esse golpe… eu não usei forças para te atingir.
Você fez, por mim, ele doer muito mais do que deveria em você.
Eu me importo.
Mas eu não ligo.
“O meu lugar no pódio é um tédio.” — Froid
