Textos de Chuva
A chuvinha inspira trova
assim bem pequenina
e a paisagem se renova
logo terá frio e neblina
Tudo se aquieta um instante
a ouvir o leve tamborilar
das gotinhas insistentes
no telhado a musicar
Nada é mais relaxante
do que esta fina melodia
a natureza compõe sonante
no palco de mais um dia
Quero de verso em verso
- falar de amor, ser entendida
não provocar nada que sejaincerto,
ser apenas letra e talvez guarida
Queroser pingo de chuva de verão,
podeser de outono também,
molhando a terra, germinando emoção,
sem saber onde e nem a quem
Quero ser apenas uma prece
silenciosa dentro de uma catedral,
onde a fé de joelhos sempre pede
por si e a todos de modo especial
Amo dias de chuvas,
por causa das árvores
alcanço repouso
na estrada de chão
.
o jardim está fora do tempo
como palavras de consolo,
uma ideia feliz
sob o olhar da janela
bom dia, flores,bom dia folhas,
bom dia campo
deixa-me passar,deixa-me, olhar
tua gota de ser
LABIRINTO DE UM SONHO
Estava num sonho e presa num labirinto de pedras fechado, era redondo e escalei essas pedras disformes em tamanhos medianos a muito grandes, encontrei umas tábuas com pregos enferrujados que obstruíam minha passagem por uma porta secreta... tirei as tábuas e abri a porta e do outro lado encontrei um caminho de chão batido, algumas casinhas estilo casebre com um varal fora a fora de roupas estendidas e uma luz que timidamente entrava vindo em direção à porta. Olhei para a Luz e vi o sol sorrindo para mim, amanheci e despertei com pingos de chuva que pareciam lágrimas que escorriam do céu nublado...
Alma à flor da pele
Costumo guiar meu coração para vários lugares por aí. Gosto de ser assim, livre, leve e para muitos louca. Tenho uma loucura de ser eu mesma, sou bem particular, sou dona de mim. Grito e choro a minha essência. Sou o meu início, meio e fim. Sou a liberdade das minhas palavras e nem sempre a lucidez dos meus sentimentos. Sou pés descalços e noites de luar. Sou rosa que simboliza o amor, sou o doce de um cappuccino e não a pureza amarga de um café. Sou mais amor que razão, sou toda emoção. Sou ressaca de oceano, coca cola e muita água pra refrescar. Sou muito mais picolé que um sorvete qualquer. Sou das cores fortes, intensidade, dança, terra e raiz. Sou música que arrepia a pele, toca a alma e faz a gente chorar. Amo os horizontes da vida. Sou chuva, telhado, areia, piscina, grama, céu e mar. Sou de todas as estações. Sou cartas na mesa pra quem sabe jogar. Sou riso frouxo e romance no ar. Sou para muitos, mas poucos sabem. Quase sempre escancaro meu brio e não importa o espectador. Eu soul!
De onde a felicidade vem…
De todo lugar, se olhar e apreciar, perceberá que a felicidade vem do olhar de alguém, do sentir o sol queimar na pele. A felicidade vem de todos os lugares e de lugar nenhum, vem do canto do corpo, vem da manhã fria e da tarde quente, do som da chuva que tamborila na janela, de gente que sorri bonito e que gargalha gostoso, vem do melhor que distribuímos, e do pior que evitamos, vem da paz que lava a alma e do caos que um dia se acalma. Vem do dia de aniversário, dos amigos que fazemos, das dores que um dia esquecemos, do cheiro de coisa nova, do frio na barriga, de finalmente ter superado um medo. Vem de ouvir uma música, de comer a sua comida favorita, de se apaixonar, de ter um coração partido e dizer que nunca se entregará assim outra vez, e se apaixonar novamente. Vem de segurar o riso em momentos inoportunos, de parar nem que seja um minuto para olhar o céu, e ser grato pela oportunidade de viver.
A felicidade ela vem de você, sempre esteve em você, a diferença é como você enxerga toda essa felicidade dentro de você, já parou para namorar sua felicidade em algum momento hoje?
#ÚLTIMA #VEZ
Está escuro...
Fecho os olhos para sentir você...
E não o encontro...
Grito seu nome no silêncio que me abraça...
Lá fora madrugada é fria e espessa...
Chove...
Ateio fogo à chuva e ela me queima...
Não posso evitar...
Ainda amo você...
Mas sinto que algo morreu...
E não sei o quê...
Nem o porquê...
Sandro Paschoal Nogueira
facebook.com/conservatoria.poemas
Ele era tão feio...
Mas tão feio...
Que era um assinte...
Em concurso de feiúra...
Ganhava de prato cheio...
De olhos esbugalhados...
Sampaco...
Narigudo...adunco...orelhudo...
Seu gogó imenso...
Muito pronunciado...
Parecia um marreco engasgado...
Rosto chupado..
Sem carne... só osso...
Labios finos...
Distorcidos....
Muito magro e bem alto...
Braços alongados...
Pernas muito finas...
Um espantalho...
De chinelos notei seus pés...
Pisando torto, desengonçado...
Tinha unha encravada...
Um joanete ao lado...
O joelho enrugado...
Igual cara de velho...
Coxa dura e seca...
Um boneco...
Muito mal vestido...
Debaixo da chuva impiedosa...
Em nada se importava...
Com a rua caudalosa...
Mas tinha um traço peculiar...
Que a tudo isso escondia...
Um brilho no olhar...
Em sorriso lindo que abria...
Então tudo transformava...
Um encantamento surgia...
Atrás da feiúra aparente...
Beleza verdadeira escondia...
Tudo que era fora de proporção...
Fazia sentido...
Se o sorriso era lindo...
Era nato e magnífico...
Naquele vulto distorcido...
A feiúra se transformar...
De um sapo errante...
Príncipe virar...
E com tal afinco sorria...
Que ao seu redor tudo mudava...
De tarde chuvosa...
Linda noite prometia...
Descobri assim...
Que na rua não devo mais sair...
Toda vez que isso faço...
Para comer pastel ou outro salgado...
Perto da maria-fumaça...
Sempre tem um babado...
Sandro Paschoal Nogueira
Sandro Paschoal Nogueira
#Ah...#triste #jacú...
Jacú tão triste...
Sob garoa...
Sob chuva...
Indolente...
Hoje não canta...
Hoje nem pia...
Não procura suas frutas...
Tristeza é sua companhia...
Triste jacú...
Por que tamanha tristeza?
Sozinho...
Assustado...
Calado...
Com frio...
Molhado...
Não quer voar...
Para onde iria?
Tão triste jacú...
Jacú tão triste...
O céu o compreende...
O firmamento chora...
Vendo a grande tristeza de coração...
Aumentando mais sua solidão...
O vento frio sopra...
Convidando o jacú para brincar...
Mais ele não quer...
Não quer voar...
Só quer ficar assim...
Aguardando...
Esperando...
Sabe-se lá o por quê...
Ah... jacú triste...
Tão triste jacú...
Que fez o jardim...
Também triste chorar...
Deixem assim o jacú triste ficar...
Quem sabe amanhã...
Quando o sol voltar a brilhar...
Faz a tristeza do jacú ir embora...
E ele feliz...
Volte a voar...
Sandro Paschoal Nogueira
#Hoje #entardeço #lilás...
Sai de casa esquecendo a razão...
Entrei em ruas, avenidas e vielas...
Em contra mão...
Cada um tem o seu amor...
Cada um sua forma de amar...
Seu destino a traçar...
Entreguei-me a vida...
E ela namorou comigo...
Flores e sorrisos alheios...
Se abrem para eu passar...
Caminhando em pedras azuis...
Meus devaneios...
Vivo cercado de flores...
Esquecendo meus dissabores...
Cultivando muitos amores...
Logo eu tão simples...
Assim quero ser...
Ouço cantos suaves saindo de algum lugar...
Bem longe...
Vozes se escondendo por alguns becos...
Que estou a chegar...
A chuva hoje não veio...
Não sei se ainda virá...
Isso, agora, não me importa...
A tarde finda...
Em doce encanto me convida...
A me perder no horizonte...
A abrir minhas asas...
E seguir mais adiante...
Em lugares mágicos e desconhecidos...
Farei deles meu abrigo...
Encontrarei a verdade bem além...
Banharei-me em fontes de virtudes...
Levando em minha bagagem..
Um sonho interminável...
De que a paz seja meu teto...
E de ter você sempre ao meu lado...
Sandro Paschoal Nogueira
As adversidades o caos e o renascimento
As adversidades são como as nuvens escuras que anuncia a tempestade que mesmo com raios, trovões e ventos, são necessários no equilíbrio da natureza e amenizam as tormentas da vida através dos benefícios das chuvas que caem com fluidos salutares que descarregam as pesadas cargas da atmosfera. Após a tempestade o Sol volta a brilhar e a vida renasce na terra, nos rios, nos mares e, tudo volta à normalidade. Assim também é a vida de cada ser humano, que como os astros surgiu do caos.
Quem pode ver o vento quando ele chega?
Pode-se sentir e ouvir seu canto em forma de assopro igual a música tocada em uma flauta
Ver sua irreverência quando ele brinca com as folhas das árvores fazendo as voar ou em qualquer lugar realizando uma coreografia de dança com um papel a voar
Chega de repente para colocar em desalinho os cabelos de quem estiver em seu raio de ação
Ele parece sempre querer nos chamar a atenção não apenas da chuva que sempre anuncia
Mas também para algo que ainda não temos a capacidade de entender...
Mais quando se está em um barco a vela em alto-mar
Sentimos sua imponência conduzindo o veleiro com segurança para um porto seguro.
O Ciclo das águas
Nascendo como simples riacho na neve
Este Rio desce silenciosamente
Em suas águas há um encanto
De uma beleza natural harmônica e única
Estar diante dele é sublime
Os pensamentos entram em conexão com a natureza
Através de um magnetismo que inspira esperança e fé
Em sua trajetória percorre vasta planície
Até chegar ao encontro das águas
Onde duas forças naturais lado a lado
Se transformam no maior Rio do planeta
Seguindo em frente de forma esplendorosa
Até derramar-se no Mar
Quando o Sol aquece os oceanos
Suas águas se evaporam
As correntes de ventos espalham este vapor que se transforma em nuvens
Que se condensa em gotas de água que cai em forma de chuva, gelo ou neve.
O sol de novo apareceu.
Como consequência a escuridão desapareceu...
Rasgam o céu os raios luminosos...
Abrolha mais um dia maravilhoso.
Cantam as aves alegremente.
Balançam seus galhos as árvores tão contentes...
A chuva de ontem seu caminho seguiu...
foi-se pra outras paragens... passou.
O vento as nuvens sombrias pra longe levou.
Retorne, oh esperança, à minha alma...
Devolve-me a serenidade, a paz e a calma.
Virá um novo amor com o novo dia...
Não ficará mais minha alma vazia.
Ninguém consegue explicar
Como é que um pinto novo.
Se gera dentro do ovo,
Sem ter entrada de ar.
Sem poder se alimentar
Nem tão pouco se mover.
Chega a hora de nascer,
Quebra a casca e sai piando.
E a natureza mostrando
Como é grande o seu poder.
Eu admiro a semente
Na superfície do chão.
Fazer a germinação
No leito da cova quente.
Na hora conveniente,
Morre pra depois nascer.
Quando nasce vai crescer,
Com a chuva lhe regrando.
E a natureza mostrando
Como é grande o seu poder.
Poeta Xexéu
Santo Antônio do Salto da Onça RN Terra dos Cordelistas
Aqui não é só o ensaio
O silêncio da noite se dispersou.
O silêncio silenciou.
O dia amanheceu.
O sol apareceu.
Todas as formas aparecem nitidamente com essa claridade que inunda este lado de cá do globo.
A cidade mansamente acorda.
O cheiro do café.
Os passos apressados.
Coisas a se fazer de novo.
Porque ontem foi tudo igual...
Um dia normal.
O sol passeou sobre o céu.
Os pássaros cantaram.
As ondas do mar foram e vieram.
As plantinhas cresceram um pouquinho mais.
Frutas amadureceram nos quintais.
Nuvens grossas cobriram o céu.
Vento forte por aqui passou.
Água do céu desaguou.
As ruas da cidade lavou.
Dos telhados o pó tirou.
Depois... depois a chuva foi chover em outro lugar.
Toda a terra precisa florescer.
A água do céu parece isso nunca esquecer.
Pra que essa mania de tanto se preocupar.
Cada coisa sabe exatamente a hora de estar em seu lugar.
Vamos viver e aproveitar.
Até o fim
Nuvens plúmbeas no céu.
Gaivotas em voos rasantes.
Vem as ondas beijar a praia.
Nada mais agora é como era antes.
O sol não madruga mais.
O vento sopra ou não sopra... tanto faz.
A chuva cai alaga ruas, campos, jardins.
Ou não cai... seca tudo.
Racha-se em pedacinhos a terra seca.
Não há alma que não se esmoreça.
Tudo tanto faz... como tanto fez...
Quem foi que assim fez?
Somos só e somente só um contorno nas mãos de um escultor que os criou do pó.
O que tem de vida dentro de mim
Conseguirá respirar até o fim?
Farrapos do tempo
O tempo... ah!!! O tempo.
Se parasse por um momento.
Eu juntaria os farrapos...
Teria tempo pra olhar pro lado...
Degustar com meu olhar as flores que estão no meu caminhar...
Sentir das borboletas o leve flutuar...
Ouvir dos pássaros o alegre cantar.
Olhar pra cima... pro céu que me cobre com suas nuvens escuras, pesadas...
Pro céu azul... puro anil.
Pras estrelas... nas noites de céu estrelado
Noites em que a chuva foi chover em outro lugar.
Se o tempo fosse um pouquinho mais gentil...
Teria tempo pra me aprimorar como ouro no cadinho.
Mas o tempo... corre apressado.
Com meu aperfeiçoamento não está preocupado.
Preocupa-se apenas em seguir seu próprio caminho.
Farrapos de tempo.
É o que tenho visto pra todo lado.
Introspectiva
Hoje não me levantei da cama.
Me deixei ficar.
Meio acordada... meio adormecida.
Pensando em nada.
De não ser estar convencida.
Respirei, é óbvio...
É involuntário.
Se assim não fosse, seria o contrário.
Não respiraria.
Mal e mal existiria.
Chuva e sol...
Frio e calor.
Lá fora, aqui dentro.
Não dá pra tudo parar..
But... eu tento.
Tenha fé
Está presa.
Pés grudados no chão.
Qualquer luta é lutar em vão.
Num beco sem saída...
A vida deixou de ser colorida.
Chuva forte se aproxima.
Uma porta empenada range.
Os retratos nas paredes olham pra ela com um olhar indiferente.
Um dia foram gente.
Hoje não passam de um pedaço de papel a amarelar no tempo.
O tempo passa.
O relógio tiquetaqueia na sala de jantar.
A toalha ainda segura aquela mancha de café...
Parece estar a dizer: tenha fé... tenha fé... tenha fé.
