Coleção pessoal de MariadaPenhaBoina

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Ah! Esse calor que se sente
É às vezes um arrepio demente
Que faz o olhar infinito.
Sem pressa na ocasião
Aprazível sensação
Absolutamente perdido
Nos jardins esquecidos.
Não existem os astros
As cores e o espaço
Doa-se totalmente
À ação do desconhecido
Apêndice do desejo.
Amor é o orgulho sem censura
E tão somente
Amamos a nós mesmos.

Maria da Penha Boina

Liberdade 2019

Não estava escrito no céu
Não estava escrito nas estrelas
Estava escrito no muro
Já escurecido pelo tempo
Arruinado pelo pó e pela chuva
Era o limo que escondia a palavra
Ela se fazia resistente as intempéries
A LIBERDADE em estrangulamento, fato
Muita gente passa é já não mais a observa
É só um muro sujo que precisa ser demolido
Mas, para os meus olhos, ela salta em 3D
Tenta se desgarrar como a alma
de um corpo morto que não quer deixá-la ir
A LIBERDADE é persistente
Ela sabe que um dia o muro irá cair
Ela se desprenderá
Levará a vida ao arrepio da Lei
Que perdeu a sua essência
Lei que levanta muros
Lei dos incultos
Lei da unicidade
Lei de atos inseguros
Lei da obstinação
Por melhor que seja
A LIBERDADE não irá se fixar nem no céu
Nem nas estrelas
Não, LIBERDADE não é presa
LIBERDADE é excelência
Expurga a comedida paciência.

Maria da Penha Boina

À Rosa
A Rosa mulher quer ser bela
Toda rosa é única e bela
Sustentada por um caule espinhoso
E é isso que deseja a Rosa?
Desejar é um direito ao encanto da beleza
Então Rosa mulher, que se cumpram os seus caprichos
Cuide bem dos seus olhos claros
Eles são as suas rosas
Que é a essência única da sua beleza
Produzindo uma viva impressão de deleite e admiração
Sustentados por um caule que, mesmo adubado com esmero
O tempo não perdoa

Maria da Penha Boina

Felicidade insana

Qualquer coisa pode trazer felicidade
aquele sonho que foi mal realizado
justifica-se na intriga armada
que na pessoa mal amada
no ato que deveria ser volúpia
não passa de fúria no pensamento
necessita mostrar ao mundo
a sua performance fria, desenhada
É a estupidez que reina
quando a solidão desatina
diante do caos nos sentimentos
esta felicidade é uma penicilina.
Mesmo com a alma ferida
imagina-se fortalecida
seduzindo-se pelas tentações
alimentando o ego e vaidade
fingindo a própria vida
iludindo-se com o reconhecimento
mentindo à sociedade
Na morte também é assim
o apodrecimento
é sempre de dentro para fora
e não de fora para dentro.

Maria da Penha Boina
Tags: felicidade insana

Razão de existir

Onde estão as belas frases lidas, escritas?
Lá, estão elas
Nos livros amarelados
Em cada objeto desgastado
No sentimento, congeladas.
É o que basta,
Estarem em algum lugar.

Maria da Penha Boina

Conto da vida real - 1

Dalila deixou a sua vida segura para ir viver com Augusto. Partiu sem olhar para trás, fascinada em conhecer o que havia de interessante do outro lado do atlântico, culturas, novos lugares e estar com a sua paixão, o Augusto.
Não se passou muito tempo e Dalila estava encantada com tudo que vivia. Mas, em uma ocasião, sem que ela tivesse astúcia para perceber, lá também tinham as suas coisas esquisitas.
Depois de viver muitos anos por lá e desistir de tudo, Dalila começou a recordar de muitas dessas coisas, situações que a paixão não permitia que enxergasse. Foi então que Dalila me contou uma delas, dentre tantas outras que veio a contar mais tarde. Vou relatar a primeira, deixando as outras para adiante.
Era uma noite fria, ela não se lembra bem se já era inverno, poderia ser uma noite de outono. Augusto ainda não se tinha deixado conhecer plenamente por Dalila, aliás, nunca se deixou conhecer, mas sempre a tratava com muito carinho e desvelo. Os dois saíram naquela noite e foram à Nazaré, um sítio de praias bonitas e turísticas, lugar que Augusto conhecida muito bem, pois passou a sua infância, adolescência e continuou a frequentar freneticamente na vida adulta, conhecia cada ruela de casas antigas e bem conservadas, muitas ruelas não se entrava com o carro.
Dalila já não muito jovem, estava entrando na idade dos seus 40 anos, mas ainda tinha lá um charme que encantava e, em sua cegueira por Augusto, lhe confiava a sua proteção diante do novo. Tanto Augusto quanto Dalila gostavam da boêmia e bebiam uns copos para se divertirem.
Naquela noite, depois de não beberem muito, estavam alegres e sorridentes, quando Augusto encontrou três pessoas, uma mulher e um senhor, ambos de meia idade, e um terceiro senhor mais jovem e de boa aparência, usava um sobretudo, talvez de cor preta ou cinza escuro, na luz da noite não se fazia possível perceber bem. Foi então que algo muito estranho aconteceu.
Dalila não compreendeu o que Augusto conversou com eles, estava mais para sussurros do que para uma conversa descontraída. Augusto pega na mão de Dalila e a puxa, quanto ela pergunta para onde iriam, ele responde, vamos até um lugar com essas pessoas, pessoas mesmo, que ela nunca soube os seus nomes.
Caminharam um pouco pelas ruas estranhas da Nazaré e o senhor mais velho abriu uma porta, vagamente Dalila se lembra que mais parecia estarem entrando em um porão. O ambiente era mesmo muito estranho com algumas mesas e bancos de madeira, e também algumas cadeiras, não havia muita coisa lá dentro, e com pouca iluminação, era como se estivessem num mausoléu de tamanho maior, tudo muito fúnebre.
Dalila se lembra que serviram uma bebida que continha álcool, não sabe que tipo de bebida, também não sabe o que adicionaram na bebida, porque ela se sentiu diferente depois de ingerir alguns goles, e parou imediatamente de beber. Augusto ficou conversando com o senhor e senhora mais idosos e deixou Dalila sem muito ambiente e a solta. Dalila são sabe dizer se Augusto estava a fazer tudo com algum propósito, com certeza Dalila sabe que Augusto, homem da vida e bem vivido, de inocência não tinha nada.
Passado alguns minutos, o senhor de sobretudo e mais bem aparentado, começou um diálogo com Dalila, conversa estranha de gente esquisita, ao ponto de dar uma cantada na Dalila como se ela fosse uma mulher da vida. Ela percebeu que tudo aquilo era extremamente novo para ela, era o submundo que nunca havia conhecido e, sutilmente se achegou a Augusto e disse para irem embora que a conversa não era agradável. Mais estranho foi a atitude de Augusto, sem titubear e nem pegar na mão dela, saiu muito furioso e a andar depressa sem esperar por Dalila, que saiu correndo atrás de Augusto que já se retirava do recinto.
Caminhando apressadamente, Augusto na frente e Dalila atrás sem entender nada, foram até o carro e se dirigiram para casa e, nunca mais falaram sobre o ocorrido.
Dalila e Augusto voltaram muitas vezes na Nazaré e, Dalila se lembra em ter visto o tal senhor do sobretudo, mais de uma vez, ele fingia que não a conhecia e ela também. Dalila nunca comentava nada com Augusto.
Passaram-se alguns meses e Augusto falou para Dalila que o tal senhor mais velho havia falecido. Dalila pensou... estranho Augusto se interessar sobre a vida e a morte de uma pessoa tão esquisita... Teria Augusto mais conhecimento naquelas pessoas que ela não percebia? Seria Augusto tão estranho quando eles? Queria Augusto em conluio com aquelas pessoas testá-la, por não a conhecer bem e não ter certeza de quem ela realmente era? Queria Augusto que Dalila fosse uma mulher da vida para conseguir proveitos financeiros? Era Augusto um atravessador de prostitutas e se deu muito mal com Dalila?
Hoje Dalila sabe o quanto foi míope durante alguns anos. Sim, o homem que ela prezava tem como resposta, para todas as perguntas mais negativas que ela se fez e faz sobre ele, positiva. Augusto é do submundo.

Maria da Penha Boina
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Tags: conto vida

Profecia

Há uma garoa no outono que umedece
Velha e frágil folha que o pomar conserva.
Já distanciada a lembrança
Da dança ao afável vento da primavera.

Um inseto chamado esperança
Sem escrúpulo, pousa e abraça a folha úmida
A folha sem força cai no limo
Junto a ela, morre a esperança.

É ingrato um abraço tardio
É mau agouro
Esperança morta.

Maria da Penha Boina
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Visitou um corpo
como quem mergulha num mar revolto

Sobe até o espelho d'água, inspira e desce
com a sensação de afogamento

Permanece por algum tempo
no recursivo procedimento

Sentindo-se satisfeito, já esgotado
abandona o corpo nu.

Maria da Penha Boina

Descaminho

Quando decidi estar com você
Aprendi além daquilo que imaginei um dia aprender
Aprendi o que é a mentira, o que é o errado
o olhar e o sorriso, falsos
e que não existe intervalo entre o amor e o ódio
entre o bem e o mal
Aprendi quando devo ceder para obter
Aprendi que sou capaz de aprender
o que é a mentira , o que é o errado, o que é o ódio e o que é o mal
autoflagelo para suportar o inóspito
Aprendi com a retórica do sofista
Aprendi que um desatinado pode me ensinar
contudo, aprendi a perder o juízo para surpreender
aprendi tantas banalidades
tresloucada, olho-me ao espelho e o reflexo é você.

Maria da Penha Boina
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Recidiva

Foge de mim aquela luz que gostaria de continuar a ver
Perco já algumas lembranças, aquelas que jamais imaginei perder
Algumas dores cessaram, sem que me esforçasse para isso
Outras dores aparecem silenciosamente e incomodam
Nada vem do corpo, surgem da animosidade
É o homem em fúria destronado pelo episódio dos seus atos
É o bem perdendo para o mal
Nos pés dos poucos afortunados, a pele do animal
em contraponto, os muitos descalçados
É a impureza da memória do arbítrio à glória
Pautado no desagrado, remanescente da história.

Maria da Penha Boina
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Tags: recidiva história

O baú do arco-íris

Olá meu doce menino
Onde você estava enquanto eu lutava
para encher o baú do arco-íris?
Você estava no paraíso das alucinações
viajando na ponta do arco-íris

Meu doce menino
Onde você estava enquanto eu lutava
para termos um pouco do verão, céu azul
e noites estreladas?
Você só estava a espera do resultado do meu sacrifício

Meu doce menino
Assim não se pode ter o céu azul,
nem noites estreladas
nem verão
nem nada

Meu doce menino,
hoje o céu não tem arco-íris
e eu tenho o verão que quero
onde quero
conforme o meu sacrifício.

Maria da Penha Boina
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Breu

Desiludi as brancas folhas
gastei tinta
foi apenas premonição
os oráculos não respondiam
foram-se as folhas
foi-se a tinta
não havia inspiração.

Maria da Penha Boina
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Tags: inspiração breu

A Carta

É hora de relatar a minha verdade, tudo junto e embolado.
Sei lá a quem possa interessar, mas é assim, a minha verdade é sempre uma mentira para mim.
Sempre digo o que sinto verdadeiramente para os outros, mas para mim mesma, sempre minto.
Escondo de mim as coisas boas da vida, tudo o que possa me levar ao êxtase.
Tenho medo da verdade, ainda que pareço uma pessoa forte, sou mais fraca do que alguém possa imaginar.
São tantos os meus medos que não tenho como expor.
Não faço o mal, não desejo o mal. Se não posso ter uma opinião para o bem, me calo.
Entrego-me as causas de pacificação, mas minto para mim.
Minto para mim mesma sem misericórdia, sem paz interior.
Tudo que é mais para fora é menos para dentro.
Eu fujo de mim e doo tudo de melhor que na presença de mim mesma não consigo me dar.
Não aprendi a conviver comigo, não sei quem sou, não me conheço.
Meu cérebro é tão confuso que borbulha.
Sou um espectro de mim mesma.

Maria da Penha Boina
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Quando eu morrer

Quando eu morrer
cante, grite, dance
ao som de um rock progressivo
com letra peculiar

Beba, conte piadas
morra de rir
faça do momento
a mais pura alegria

Quando eu morrer
não espezinha a minha alma
esqueça as minhas terríveis condutas
a vida é sábia, brilhante e justa

Maria da Penha Boina
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Mal resolvido

Cinismo
sintoma
sinistro

Simbiose
situacionista
sadista

Sabatina
subestima
o sado machista

Maria da Penha Boina
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Expectativa

Quando cheguei
achei que os olhares
seriam profundos
seguidos por sorrisos
tímidos e afetuosos
e depois um longo abraço
louco
Afinal, era o primeiro contato
Encontrava-me em um espectro
de expectativas
Quanto cheguei
estava simplesmente perdida
desesperada
nada via, nada encontrava
diante de uma brincadeira reles
de esconde, esconde
Depois de alguns minutos intermináveis
o encontro
Percebi um olhar vazio
um sorriso irônico
um abraço frouxo
foi-se a minha fantasia
Diante da circunstância, dura e cruel
no embaraço, deu-se o laço
que a minha mão em uma das pontas
agarrou por muitos anos
para ser puxado
no momento mais conveniente
à pensenidade fugidia.

Maria da Penha Boina
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Apatia

O tempo não tem tempo para olhar-me
é cruel, infiel, é covarde
é indiferente à história e ao passado
vai seguindo em frente, diligente

O tempo me abandona sem mais
não dá notícias
não manda abraços
não faz justiça

Quem sou eu para o tempo?
Um tanto faz.

Maria da Penha Boina
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Sutil artesã

Este livro que com os olhos abraço
vagando entre linhas e espaços
me comoveu ao encontrar uma fotografia
apreciei um rosto
não sei bem se plebeu ou nobre
não me interessou
o que me encantou
estava atrás, o encosto
a almofada colorida
amarela, cor de ouro
com florzinhas de vergel amanhecido
O meu peito de orgulho, inflou
era ela
a almofada resguardada, sem desgaste, impávida
ela, tão distante, tão antiga e tão bela
que cosi e talhei por puro gosto.

Maria da Penha Boina
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Tags: artesã almofada

Entrave

Por que tenho essa ansiedade?
Por que a espera me consome?
Já é madrugada
e continuo com esperança
que o tempo adiante
o que está com a hora marcada.

Maria da Penha Boina
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É triste lembrar da quantidade de idiotas que existem no mundo. Mais triste ainda é saber que do nosso lado existe alguém que não faz parte da exceção.

Maria da Penha Boina
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