Texto Sobre Silêncio
Te amo duas vezes...
Eu sempre amei você,
desde o início,
desde o silêncio,
desde sempre...
desde o nada que já era tudo.
Antes de saber quem você era,
antes de entender o que seria
na minha vida.
Não sei se foi o poder da chama gêmea —
da junção divina —
mas te amei bem antes...
Talvez seja a força das almas,
o laço antigo,
a chama gêmea —
essa união que não se explica,
mas que se sente...
com a pele,
com o coração.
Não sei se fui eu quem amou primeiro,
ou se apenas reconheci
um amor que já me habitava.
Quando soube de tudo,
não houve espanto,
nem dúvida.
Só permaneci —
amando.
Como se já soubesse.
Meu corpo já ansiava o seu,
meus pensamentos já te buscavam,
meu coração…
já era teu.
Já amava com toda a intensidade,
já sentia saudade.
E eu, sem perceber,
já tinha desistido de tudo
por você.
Não sei onde termina o amor
e onde começa a conexão de almas.
Talvez nem exista fronteira.
Porque, se for assim,
em total lucidez,
declaro —
nesta vida corpórea
e na outra espiritual —
eu te amo duas vezes.
O silêncio da minha alma
Fui me apagando aos poucos...
E eu nem percebi.
Lutava sem saber,
Implorava sem querer...
Demorou,
Mas entendi.
Tentei,
Briguei,
Estava numa guerra.
Eu queria de volta a minha personalidade,
A guerreira
Que vencia tudo
E todos.
Onde me perdi?
Onde deixei de existir?
Mas isso não era certo,
E eu não desistiria.
Na luta por me encontrar,
Já não sabia
Se me achava...
Ou mais me perdia.)
O menino e o furacão
Diziam, em silêncio:
"É só uma criança com atraso…
lá no fundo da sala,
com uma folha branca nas mãos."
Eu sei — é o que todos pensam,
mas não dizem.
Estão mais preocupados em embelezar os títulos da deficiência do que em trabalhar,
na prática, a inclusão.
Decoram nomes,
enfeitam diagnósticos,
mas esquecem do essencial:
ver.
Eu nunca tive alunos,
e sim histórias com nome:
Antônio. Bernardo. Daniel. Fernanda. Gabriela…
cada um era único — uma pessoa, uma personalidade, uma habilidade,
mesmo quando o mundo insistia em reduzi-los.
E ele…
O menino da cadeira de rodas,
de movimentos curtos, quase ausentes,
fazia desenhos incríveis que ninguém via —
porque queria a perfeição
e, quando não saía em total sintonia,
por cima do desenho criava um furacão.
Rasgava o próprio céu,
girava sobre o que tinha criado,
cobria tudo —
como se dissesse, sem voz:
“Se não for inteiro, ninguém vai ver.”
E ninguém via mesmo.
Mas eu vi — vi além.
Tentei falar, e ninguém se importou…
Para que dar trabalho,
se ele já estava quieto, ocupado,
com uma folha na mão?
Era apenas um estágio.
E, no fim do dia, havia sempre duas almas frustradas:
A dele —
gritando por reconhecimento.
E a minha —
aprendendo o peso de não ser ouvida.
Solilóquio de Guerra
Minha armadura sangra em silêncio sob o peso do mundo,
Enquanto o abismo sussurra o meu nome na escuridão.
Caminho entre os espectros de sorrisos falsos e atos contraditórios,
Que tipo de dêmonios eles são?
Sem exército, cercada pelo deserto da solidão.
Cota de malha enferrujada e couro rasgado.
Espada sempre ao lado.
Fui lançada a uma trincheira que jamais aceitei,
Nem a carta da convocação me enviaram.
Busco a saída deste campo devastado, Seja pela vida ou pelo pó,
Persisto na travessia, até que as sombras me abracem,
E o último suspiro desapareça e se dissipe no mundo.
- Ramile Godon
Parte 2
A Voz que Mora no Silêncio — de encontro ao Jardim de O Pensador
(Aqui a voz se manifesta, encontra morada, floresce no coletivo.)
Há momentos em que a vida parece um campo vazio, estendido até onde o olhar não alcança.
Mas basta um gesto — pequeno, sincero — para que a terra desperte.
Toda semente nasce de um silêncio assim: humilde, quase invisível, mas teimosa como quem conhece o próprio destino.
A comunidade O Pensador é esse jardim raro onde cada palavra vira raiz.
Onde a dúvida floresce em entendimento,
e a esperança, mesmo cansada, encontra um canto para descansar e renascer.
Quem caminha por aqui descobre que a colheita não chega no grito.
Ela vem no tempo exato em que o coração aprende a esperar sem medo.
Vem quando a alma, enfim, entende que nada é em vão —
nem a queda, nem a travessia, nem o sonho que insiste em permanecer.
Que cada passo seja poesia,
cada escolha seja semente,
e cada amanhecer lembre:
o que é plantado com verdade jamais deixa de florescer.
AS TRÊS CHAVES DA SABEDORIA CONTRA O CAOS
• 1ª Chave Espiritual: O Silêncio e a Oração (O Princípio de Tudo)
Salomão afirma que a oração é o alicerce fundamental quando nos sentimos perdidos, acabados e sem apoio algum. Na Bíblia Sagrada, ele nos ensina que a verdadeira sabedoria não começa no desespero, mas no reconhecimento do Criador Celestial (DEUS Trindade). A Sabedoria de Salomão nos diz:
"Confie no Senhor de todo o seu coração e não se apoie em seu próprio entendimento; reconheça o Senhor em todos os seus caminhos, e ele endireitará as suas veredas." (Provérbios 3:5-6).
As minhas veredas?
Que o Senhor endireitará as suas veredas significa que, ao confiar no Criador Celestial DEUS e submeter suas decisões a Ele com fé — acreditando também em si mesmo —, o próprio DEUS guiará sua vida. Ele removerá os obstáculos que te impedem de evoluir e direcionará seus passos para o caminho correto.
• A Chave Espiritual: Orar não é apenas pedir para a situação mudar, mas sim fazer uma limpeza de dentro da nossa mente para fora. É esvaziar as negatividades mentais do nosso próprio controle opressor — aquele que nos impede de sair desse abismo —, para que a direção divina finalmente se manifeste em nossas vidas.
• 2ª Chave Espiritual: A Sabedoria de Salomão contra a Ilusão do Sofrimento
"Na primavera da vitoriosa prosperidade, alegre-se; mas, na sombra da adversidade, pare e reflita: O Criador Celestial DEUS fez tanto uma quanto a outra." (Eclesiastes 7:14).
Salomão também nos lembra de que "o tempo e o acaso afetam a todos" (Eclesiastes 9:11).
• A Chave Espiritual: O sofrimento e os desafios fazem parte da experiência humana geral; ninguém escapa. Todos têm as suas lutas e as suas dores, mas poucos são os que se esforçam para vencer essa batalha espiritual. A mente ferida cria a ilusão de isolamento ("só acontece comigo"), mas a fé nos lembra de que os processos difíceis servem para moldar o nosso caráter, e não para nos destruir.
• 3ª Chave Espiritual: Arrumando a nossa Bagunça Externa e Interna (Ordem, Objetivo e Ação)
O ensinamento nos orienta a arrumar tanto a bagunça de fora quanto o caos da mente. O Criador Celestial é um DEUS de ordem, e a paz interior se reflete diretamente na forma como conduzimos nossa rotina e nossos pensamentos.
• O Ensinamento Sagrado: O apóstolo Paulo complementa a necessidade de organizar a mente: "Finalmente, irmãos, tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama [...] seja isso o que ocupe o vosso pensamento." (Filipenses 4:8).
• Chave Espiritual: A ação prática de organizar o ambiente e selecionar o que entra, tanto em sua casa quanto em sua mente, expulsa o caos. Pequenos passos diários de retidão e organização geram a clareza necessária para encontrar as soluções que você precisa.
EM RESUMO
Quando o chão sumir sob os seus pés, pare, observe e reflita sobre tudo à sua volta — sem críticas e sem se alimentar de culpa. Limpe a sua mente, respire fundo, ore e confie. Não alimente a narrativa da mente que diz que você foi amaldiçoado, ou que foi esquecido. Organize o que está ao seu alcance hoje e deixe que a sabedoria divina do Criador Celestial governe o amanhã do seu futuro.
A PARÁBOLA DE QUEM APRENDEU A CAMINHAR EM SILÊNCIO
Houve vitórias que chegaram como amanheceres discretos, sem taças erguidas nem mesas repletas de celebração. Venci, mas não estive presente nos jantares da festa. Não por me faltarem razões para comemorar, mas porque aprendi que algumas conquistas florescem melhor longe dos holofotes, onde o aplauso não confunde o propósito.
Observo como quem lê o vento antes da tempestade. Falo pouco, porque nem toda palavra merece nascer, e, por vezes, escolho não olhar para aquilo que não alimenta a minha caminhada. Nem tudo merece reação; nem toda provocação merece o eco da minha voz.
Também aprendi que, quando o preconceito ergue muralhas, talvez aquele chão não seja o lugar onde devo lançar as minhas raízes. Não preciso convencer todos do meu valor. Basta-me continuar a construir, pedra sobre pedra, algo tão sólido que nem o tempo consiga apagar.
Hoje, caminho com as convicções acesas, os planos guardados como sementes sob a terra e a serenidade de quem conhece o rumo, mesmo quando a estrada se cobre de neblina. Se o ambiente se torna tenso, não entrego a minha paz à agitação alheia. Há tempestades que passam sem conseguir mover uma única raiz.
Existem planos que ainda precisam do abrigo do silêncio, sonhos que devem ser protegidos antes de verem a luz e compromissos com Angola que carrego comigo, ao lado da cota, com responsabilidade, coragem e visão de futuro.
Continuo em paz, com os olhos abertos, os passos firmes e o futuro aceso no horizonte.
LEI DO SILÊNCIO:
Cada vez que você critica alguém ou faz comentários sobre briga de vizinhos, sobre assaltos, problemas pessoais ou ciúmes, aumenta a energia negativa que acaba somatizando nos corpos sutis até chegar ao corpo físico, seja como doenças, acidentes, etc.
É preferível se calar a falar palavras negativas.
LEI DO DISTANCIAMENTO:
É a compreensão de que nada nos pertence, nem mesmo as pessoas de nossa família (pai, mãe, filhos), amigos, animais domésticos e bens materiais. Tudo é passageiro em nossa vida, inclusive o nosso corpo físico. Devemos amar e estar presentes em tudo que está a nossa volta, porém devemos nos conscientizar, com sabedoria, do desapego amoroso.
Amar é estar presente, mas consciente das Leis do Universo, para não nos deixarmos abater emocionalmente.
Sim, Bebelle. Muitos anos depois, ainda nos vingamos em silêncio, acomodados em nosso berço esplêndido, distantes do antigo campo de batalha. Já não há trincheiras, apenas a distância segura de quem aprendeu a transformar o tempo em testemunha e a memória em recompensa.
Ao redor, os pássaros continuam cantando, indiferentes às pequenas guerras humanas, enquanto as máquinas avançam, silenciosas, ocupando os espaços que um dia pertenciam apenas às mãos. E talvez exista nisso uma estranha ironia: enquanto o mundo acelera, conseguimos finalmente registrar o tempo, arquivá-lo, medi-lo e, graças às próprias máquinas, até sermos remunerados por aquilo que antes simplesmente deixávamos passar.
A vingança, afinal, nem sempre precisa de sangue. Às vezes, basta sobreviver ao tempo, contemplá-lo de longe e descobrir que até os anos podem trabalhar por nós.
A arte deles
No silêncio,
eles criam mundos,
onde lágrimas caem sem ruído profundo,
mas transformam dor em algo fecundo,
e fazem do invisível o seu segundo.
São vozes que nascem na sombra,
ecos de quem nunca se dobra,
palavras que queimam e não se escondem,
memórias que sangram e não se afogam,
e verdades que na alma respondem.
Cada verso é um espelho partido,
reflexo do caos vivido e sentido,
do grito calado, mas não esquecido,
do sonho ferido, mas renascido,
do ser humano em busca de sentido.
Bob Marley foi voz e não silêncio,
foi luta, foi fé, foi renascimento,
foi reggae a quebrar o sofrimento,
foi amor em constante movimento,
foi história além do momento.
Clarice Lispector foi pensamento,
foi existir dentro do próprio tormento,
foi silêncio que grita sentimento,
foi alma em constante desalinhamento,
foi verbo que rompe o entendimento.
Fernando Pessoa foi fragmento e inteiro,
vários em si, num só passageiro,
Alberto, Ricardo, um mundo inteiro,
um ser que se fez verdadeiro
no jogo complexo do seu roteiro.
Frida Kahlo pintou a própria dor,
fez do sofrimento a sua cor,
do corpo ferido, um grande valor,
e da fragilidade… força e vigor,
do caos interno, expressão e amor.
Van Gogh mergulhou no sentir profundo,
transformou tormento em um novo mundo,
cada pincelada, um grito fecundo,
cada traço, um abismo imundo,
mas também luz em segundo.
Lupita Nyong’o trouxe presença e voz,
Chimamanda fez pensar por nós,
Malala lutou contra o algoz,
e Martin Luther King sonhou por nós,
mostrando que a coragem vive em nós.
Porque a arte deles não é só criação,
é identidade, é libertação,
é cicatriz que vira canção,
é dor que encontra redenção,
é eternidade em formação.
Eles não foram apenas passagem,
foram essência, foram linguagem,
foram ruptura, foram viagem,
foram mais do que simples imagem,
foram alma em transformação.
E nós…
somos o reflexo dessa herança,
somos a voz que ainda avança,
somos a dor que se lança
e encontra na arte a esperança,
num mundo que insiste em cobrança.
Porque no fim,
não somos apenas o que vivemos,
nem só o que aparentamos,
mas tudo aquilo que sentimos
e tudo o que deixamos.
E quando o corpo se apagar,
e o nome deixar de ecoar…
Será a arte a continuar.
O silêncio te aproxima de Deus .
Ativa a reflexão e a sua consciência fazendo você entrar em oração . Deus se torna presente em você e resplandece a luz divina .
Acelera o auto conhecimento .
Te dá as respostas necessárias .
Te aproxima das pessoas , e te afasta também de tudo que não provém do Pai , sua visão amplia diante da vida e dos fatos , te dá a consciência límpida.
Você passa a não julgar , mas a refletir , diferente .
Você se despreocupa com o que não importa . Acelera a sua compreensão sobre a vida , a sua humildade , dignidade , paciência , porque o evangelho passa a entranhar em você te dando mais entendimento .
Mas tudo isso que falei , só depende de você, da sua intenção e verdade diante do criador .
Paz e luz ..
Simone vercosa .
Calma para ouvir a alma, ela sabe o caminho. Aqueles que ninguém vê, apenas você.
Silêncio inconfessável e inexplicável, quantas verdades inatas você tem a dizer.
Consciência imortal, intensamente proposital, para fazer ver, o que no escuro tem se mostrado ser.
O clamor faz perder a ação implacável de se autoconhecer.
+ Calma para ouvir a alma
No silêncio da alma, um chamado a ressoar,
Chama Gêmea, caminho de amor a iluminar,
Entre mistérios e luz, vamos juntos explorar,
E na jornada do espírito, nosso destino encontrar.
Do profundo do coração, surge a conexão,
Transcendendo fronteiras, unindo a paixão,
E na busca eterna pela nossa evolução,
Descobrimos a essência, a pura vibração.
Este livro é convite, ponte de esperança,
Para despertar a consciência, ampliar a criança,
Heróis de si mesmos, com coragem e esperança,
Na dança do amor, a alma se lança.
Venha desvendar os segredos do coração,
Na magia do universo, na sagrada união,
Chama Gêmea nos guia na evolução,
Um caminho de amor, de pura emoção.
No início, nada parecia fazer sentido. As paredes respiravam silêncio, as janelas guardavam ventos antigos e o chão, sem pressa, recolhia sombras como quem cole uma memória perdida. Havia um rumor sem origem, um eco suspenso, e no centro desse estranho equilíbrio caminhava o tempo, o Cronos, com seus pés invisíveis, costurando instantes sobre a carne do mundo.
Tudo era confuso apenas para os olhos apressados. Porque o caos, quando visto de perto, parece ruína; mas, quando atravessado pela alma, revela desenho. O Cronos não destruía: lapidava. Tirava nomes, mudava formas, envelhecia certezas, para que o essencial pudesse emergir sem ornamento. Era ele quem partia as horas para que delas nascessem sentido, saudade, retorno e transformação.
Então compreendi que o início não era ausência de lógica, mas excesso de mistério. Nada parecia encaixar porque tudo estava vivo demais, pulsando antes da forma. E o maior sentido estava justamente nisso: no invisível alinhamento entre perda e descoberta, entre demora e revelação, entre o que termina em nós e o que, pelo tempo, finalmente começa. Como rio secreto, Cronos sorria no escuro, sabendo que cada desencontro também era destino antigo.
Há momentos em que o silêncio entra na vida como quem não quer nada, mas, pouco a pouco, ocupa todos os espaços. Ele se senta entre duas pessoas, paira sobre uma lembrança, repousa no canto de um quarto vazio e, sem dizer uma sílaba, revela o que nenhuma palavra consegue alcançar. O silêncio também fala, e muitas vezes fala com verdade do que qualquer discurso.
Ele se manifesta no olhar cansado de quem pede ajuda sem coragem de pedir, na pausa de quem guarda um sofrimento antigo, no abraço que dispensa explicações. Há silêncios que são muralhas, erguidas para proteger feridas. Outros são pontes, construídas com afeto, compreensão e presença. Em ambos, existe linguagem.
Ser humano aprender a escutar o que não foi dito. Nem todo silêncio é ausência; às vezes, é excesso. Excesso de dor, de amor, de medo, de saudade. Por isso, ouvir alguém vai além de prestar atenção às palavras: exige sensibilidade para perceber o que a alma sussurra quando a boca se cala. E talvez seja nesse espaço invisível que nascem as verdades profundas.
Senhor!!
Senhor no silêncio desta noite, me aproximo de ti, louvando, glorificando, adorando, e clamando
Clamo para que eu possa levar a paz, o aconchego, tudo que é puro e sublime, simples e natural
Que eu possa levar sempre o sorriso amigo
O aperto de mão
O abraço irmão
O perdão
Senhor
Que eu possa consolar os que necessitam
Que eu possa ser luz, força, e que a minha alma exale sempre o amor
Que as minhas palavras sejam sempre para o bem
E que o meu olhar possa refletir a docilidade,e tudo que eu acredito
Que eu saiba ser silêncio as vezes
Que eu tenha humildade, e seja melhor a cada dia
Te agradeço pela vida, pelos meus, e por tda a humanidade
Gratidão. Gratidão. Gratidão.
Somone vercosa
O Mar de Dentro
O peito às vezes pesa, o horizonte estremece,
E no silêncio da noite, a angústia aparece.
Vem com passos discretos a tal melancolia,
E esconde, por instantes, a luz que antes guiava o dia.
Mas nenhuma nuvem é eterna no céu do coração,
Sempre há espaço para o abraço da superação.
Se a tristeza hoje insiste em ser visita ou maré,
Amanhã o chão se firma na força da minha fé.
Renasce nos pequenos gestos a pura alegria,
Que brota como semente, sem ter hora nem dia.
Lembro quem sou, acolho minhas próprias dores,
E rego a auto-estima pra florescer novas cores.
Resgato a autoconfiança em cada passo que dou,
Firmando a alma no chão de quem eu sempre fui e sou.
Entre o medo e a esperança, deixo fluir o amor,
Que cura os desgastes e transforma toda a dor.
Sem pressa do amanhã, sem carregar o passado,
Vivo o tempo presente, com o peito abençoado:
Só por hoje eu sinto, cuido de mim e sigo em paz,
Pois sei que dentro de mim reside o ser que é capaz.
Poesia:
Luciano Bento
A Metamorfose do Afeto
Há um silêncio sagrado nas coisas que não se explicam apenas pela lógica, mas que encontram morada na sensibilidade de quem sabe escutar o mundo com os olhos da alma. É nesse território onde a espiritualidade do eu se funde à espiritualidade com a natureza que se compreende a verdadeira dimensão da existência. As árvores não questionam suas raízes; apenas sustentam o peso do vento com uma força ancestral, ensinando que a autoconfiança e a autoestima não nascem do aplauso alheio, mas da certeza silenciosa de quem aceita o próprio ritmo e a própria coerência.
Às vezes, perde-se nas ilusões de um amor platônico, idealizando silêncios e distâncias que só existem na curva dos pensamentos. Mas a vida, em sua infinita sabedoria, devolve ao chão fértil do real quando transforma esse amor platônico em um amor de amizade — aquele que se disfarça de carinho cotidiano e se sustenta no cuidado mútuo de quem não exige nada, senão a presença. É o verdadeiro amor amigo, que chega sem estrondo, trazendo a certeza do bem querer e a paz de um abrigo seguro.
Nessa troca genuína, descobre-se o valor raro da reciprocidade. Não há balança pesando o que se dá ou o que se recebe; há apenas o fluxo natural de duas almas que se reconhecem e se validam. É a manifestação viva de um amor verdadeiro, despido de vaidades, que lembra que ninguém caminha só neste vasto labirinto da vida.
Por tudo isso, fica o profundo agradecimento à terra que sustenta os passos, ao vento que sopra o supérfluo e às mãos amigas que se unem quando a tempestade ameaça. Viver é a arte de traduzir em versos o que o coração, com seu ouvido absoluto, capta na sinfonia do universo.
Luciano Bento
Experiência
Eu não nasci em palavras,
nasci em silêncio.
Primeiro, uma nota.
Pequena, quase tímida,
como quem ainda não sabe
se deve ficar.
Então outra responde.
E, de repente,
há uma história inteira
crescendo dentro do peito.
Eu fui aquilo que passou,
aquilo que doeu,
aquilo que quase ficou,
mas escolheu partir.
Fui o medo antes do salto,
a lágrima antes de cair,
o último olhar
antes de seguir.
E quanto mais eu caminho,
mais alto eu me torno.
Não porque a dor desapareceu,
mas porque aprendi
a carregá-la sem me curvar.
As notas correm,
como memórias sem destino.
Sobem.
Insistem.
Transbordam.
E quando parecem chegar ao fim,
eu descubro que era apenas
o começo de outra coisa.
Talvez viver seja isso:
perder algumas versões de nós
para encontrar outras
no caminho.
E talvez a música diga
aquilo que eu nunca soube dizer:
eu estive aqui.
eu senti tudo.
eu sobrevivi ao que me mudou.
e ainda estou caminhando.
Então as notas diminuem.
O silêncio volta.
Mas agora eu sei:
o silêncio nunca foi vazio.
Era apenas
a parte da história
que ainda não tinha aprendido
a cantar.
GRITO DO SILÊNCIO
No silêncio mora um grito
Que ninguém pode calar;
Ecoa além dos séculos,
Sem jamais se revelar.
Há mistérios escondidos
Que insistem em nos chamar.
Não há papiro que conte,
Nem pintura ancestral;
Mas existem tantos sinais
De presença imortal.
Vestígios que desafiam
O saber racional.
Há pegadas sem caminho,
Há muralhas sem pedreiro,
Há um mapa sem legenda,
Há um rumo verdadeiro.
Quem contempla tais mistérios
Fica mudo o mundo inteiro.
Descobertas escondidas
Dormem sob a própria luz;
Mãos humanas as ocultam,
Mas a verdade conduz.
Quem procura com justiça
Nunca perde a sua cruz.
Olhos veem o fenômeno,
Mas recusam explicar;
Cada nova observação
Faz a dúvida aumentar.
Há respostas escondidas
Que não querem revelar.
Explica o não do porquê
ou o porquê do não.
Há montanhas de perguntas
Sem resposta conclusiva;
Toda porta que se abre
Traz outra perspectiva.
O mistério alimentando
Nossa busca incessiva.
Há quem diga ser lenda,
Há quem jure ser verdade;
Uns chamam coincidência,
Outros, curiosidade.
Mas o tempo segue firme
Desafiando a humanidade.
Nem todo fato se escreve
Nos anais da tradição;
Nem toda história vivida
Cabe numa explicação.
Há segredos preservados
Pela própria criação.
O silêncio também fala
Para quem sabe escutar;
Nem tudo cabe na ciência,
Nem se pode imaginar.
Há verdades que esperam
Seu momento de brilhar.
Explica o não do porquê
ou o porquê do não.
Talvez um dia os mistérios
Saiam todos do esconder;
Ou talvez permaneçam
Sem ninguém compreender.
Pois nem tudo que existe
Foi nos dado conhecer.
Sigo ouvindo esse silêncio
Que parece até falar;
Cada dúvida desperta
Nova vontade de buscar.
Quem pergunta cresce sempre,
Quem procura vai achar.
E enquanto houver mistérios
Entre o céu, a terra e o chão,
Seguirei fazendo versos
Com respeito e reflexão.
Pois o grito do silêncio
Também mora em cada irmão.
Explica o não do porquê
ou o porquê do não.
