Texto Sobre Silêncio

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O que não me serve, não me cabe

Cansei de dar palco
pra quem só fazia silêncio.
Cansei de regar chão seco
e chamar de jardim.

Não dou mais valor
pra o que não tem valor.
Não empresto mais minha paz
pra quem vive em guerra comigo.

Vou crescer.
Vou mudar.
E se doer, que doa.
Mas que seja a dor de quem está nascendo de novo.

Deixo no passado
o que não me acrescenta.
As palavras tortas,
as meias verdades,
o peso que não era meu.

E se acham que estão me derrubando,
que pensem.
Porque eu já entendi:
opinião alheia não paga meu aluguel,
não cura minha ferida
e não constrói meu futuro.

A partir de hoje eu escolho leveza.
Escolho quem me soma.
Escolho eu.

E quem não entendeu,
ficou pra trás.

Você se sente amada
quando o silêncio não pesa e a presença fala mais alto que promessas?

Você se sente protegida quando o mundo endurece e há um peito firme onde o medo some e você pode descansar?

Você se sente cuidada
nos detalhes invisíveis,
no olhar atento, na palavra que conforta, nos braços que acolhem e na mão que permanece mesmo cansada?

Amor não é só intensidade, é constância.
Não é só desejo, é abrigo.

Amor é ficar quando seria mais fácil desistir.
É escolher todos os dias, mesmo conhecendo falhas, limites e cicatrizes.

Porque quem ama de verdade não apenas diz: "eu te amo"
prova, sustenta e nunca solta a mão.

Algumas pessoas não perguntam porque são covardes e têm medo da verdade..
Preferem o silêncio porque sabem que a resposta pode destruir a fantasia que sustentam.


Outras não perguntam porque são trouxas e acham que já conhecem a verdade.
Confundem amor com posse e confiança com certeza absoluta.

*Meu amigo?*


Eu tenho um amigo
É o silêncio, consciência, mente, vazio, tanto faz
Nunca consegui dar um nome pra ele,
Só sei que ele é parte de mim


Ele é muito bom em atuar
Sempre fazendo as cenas que imagino
Cenas onde sou mais sincero com aqueles que conheço,
Cenas que nunca irão sair entre as paredes da imaginação


Ele é bem calado,
Ele faz muito bem as pessoas que conheço
Mas ele mesmo... Não tem personalidade


Como seria...
E se...
Todos ele consegue fazer muito bem


Só que no final...
Silêncio.


Ele é muito calado
E isso me deixa triste
Quando eu choro,
Ele não me consola
Odeio ele.

Desejar o bem do todo e em silêncio, codifica e ativa a comunicação direta com a mente universal, conectando no banco de dados cósmicos.


Não é o que se diz ou se faz, mas sim, o que pensa e o que sente.


Os problemas vem quando sente-se bem em pensar mal no sistema espiritual que calcula e fraciona, pois trabalha na compensação. Aí está o valor inestimável da consciência e do alívio interno.

**Apague as velas**


No estranho silêncio da noite,
No escuro noturno
Sem estrelas,
Sem lua.
Uma vela segue a brilhar fracamente
Sua chama é comprida,
Maior que a vela em si
E ao redor da vela, só escuridão


Não, olhe novamente
Olhe direito
A noite está com estrelas
"Elas são tão pequenas, com a luz não dá pra ver" dizia eu quando criança
A ofuscante luz urbana apagou para exibir a beleza das luzes do espaço.


A vida precisou parar pra conseguir apreciar as estrelas
O tempo congelou, as estrelas continuam brilhando
Uma, duas, três horas
A madrugada me parece insuficiente pra olhar o vasto céu
De soslaio, a escuridão me cerca, mas meu foco está apenas na luz pura das estrelas
A paz se senta do meu lado enquanto olho as pequenas luzes
Pouco a pouco, vejo a lua ser costurada no céu


Porém, num piscar de olhos, o tempo volta a correr
Não há mais intervalo para olhar o céu
O céu, mesmo sempre estando lá, não está mais, não do jeito quando escuro
Agora os momentos que vejo as estrelas são raros
Essas lembranças são nostálgicas, longínquas
Desejo que as estrelas brilhem para mim novamente

Às vezes, a gente aprende no silêncio do que não aconteceu.
No intervalo entre o querer e o desistir, mora um tipo de verdade que ninguém ensina,
só se sente.


Tem coisas que não florescem, não por falta de cuidado,
mas porque não eram raízes para o nosso chão.


E tudo bem.


Nem tudo que chega é para ficar,
e nem tudo que vai leva embora o que fomos.
Há partidas que devolvem a gente para si.


No fim, a vida não é sobre segurar tudo,
mas sobre reconhecer o que merece ser permanência dentro da gente.

Amor transferencial
Por quarenta e dois anos, esse amor permaneceu em silêncio, guardado nas profundezas da alma, como uma semente esperando a estação certa. Eu acreditava que estava esquecido, mas ele apenas repousava.
Então, um dia, rompeu o silêncio. Explodiu, eclodiu, exigindo ser visto, compreendido e elaborado. Não para ser vivido como antes, mas para ser acolhido com a maturidade que a vida me deu.
Talvez alguns amores não existam para serem possuídos. Existem para nos revelar partes de nós mesmos que permaneceram escondidas por décadas. E, quando finalmente emergem, deixam de ser apenas amor pelo outro e tornam-se um caminho de encontro com a própria alma.

Inconcebíveis

Inconcebíveis palavras são ditas
No silêncio do pensamento
Exulta, ó sensível coração!
Tua essência é como uma árvore frutífera e sedenta
Que alimenta e sacia os pobres famintos;
Vem a mim, ó doce e apetecível vinho,
Deixa o teu líquido verter pelos córregos
O teu veneno imortal;
Deem-me numa taça as borbulhas
Deste intenso vermelho sanguíneo
Manchando minha consciência
No cume da minha eterna felicidade.
Esconde no recôndito de teu coração
O jardim que tanto cuidaste
Para a farta produção dos nobres parreirais.

As Margens do Silêncio


Sento às margens do rio para refletir. A água tranquila funciona como um espelho e devolve a minha própria imagem – nítida, brilhante, revelando instintos expostos, emoções desordenadas. Sei que o tempo guarda todas as respostas, mas, mesmo entendendo o cenário ao meu redor, não consigo ouvi-las. O que escuto é apenas o silêncio, um silêncio que se acomoda ao meu lado como uma companhia serena, quase amigável.


É então que, como um filme silencioso, vejo teu semblante surgir na memória. Há tristeza, amargura, cansaço. Há um peso que não consigo explicar. Um nó, sobe pela minha garganta, apertando como se mãos invisíveis tentassem impedir que qualquer palavra escapasse. As lágrimas contidas, pedem libertação. E como finalmente permito que venham, elas deslizam pelo meu rosto e molham minha pele, levando consigo um pouco do que me sufoca. O sorriso que sempre esteve estampado em mim, desaparece – some sem aviso, como truque de ilusionista.


Sinto o frescor da manhã tocando meu rosto, como se fossem mãos suaves acariciando minha pele. A natureza ao redor transforma o espaço em um refúgio, um pequeno abrigo onde posso descansar meu corpo e aliviar a mente. Meus pés tocam de leve a água e, ao mínimo movimento, círculos se formam, desenhando imagens que lembram mandalas – figuras quase sagradas, que parecem guardar em si algo de cura.


Encontro ali um momento raro de paz, entre o vento que passa devagar e a correnteza da água. Não consigo explicar o que sinto, pois, naquele momento não preciso mostrar minha fortaleza. Continuo a observar a água, ouvindo o silêncio e pouco a pouco o mundo dentro de mim se reorganiza.

Sinais do Silêncio


Ele, também poderia se retratar – entrar em contato, dizer que a saudade consumiu os seus dias. Que o seu corpo sentiu a mesma intensidade que o meu. Dizer que tudo não passou de um mal-entendido, explicar as suas razões, de ter sumido, talvez deixar clara a situação.


Desmontar toda essa confusão e revelar o que se passa dentro do seu coração. Esses mal-entendidos poderiam ser esclarecidos. Eu poderia tentar entendê-lo. Mostrar que tudo o que se passou foi intenso, sublime. Mostrar que fui importante.


Entendo que talvez o sentimento seja apenas de minha parte. Mas então, porque há invasão em meus pensamentos? Invasão em meus dias ternos e serenos? Tudo vira uma revolução, uma guerra interior, quando, sem permissão, ele vem - sem ser convidado.


Há pendências batendo à porta. Esse estranho caminho que me conduz por encruzilhadas desconhecidas, me mantém em alerta.
Os sinais que a vida dá são claros. Dizem tudo o que eu preciso saber. Mostram caminhos.


Rita Padoin
Escritora

Falésias do Meu Silêncio


Falésias íngremes, no meio do nada, fazem morada. Meu olhar se perde entre o vazio e o instante de inspiração. As rochas parecem mortas, mas, ao observá-las atentamente, vejo que há vida, há história, há beleza, há transformação, há mistério. Isso acontece quando conseguimos abrir as cortinas internas, e captar a essência que ali habita – o verdadeiro remédio da cura.


Cada passo traz a sensação de que estamos lutando por um lugar onde possamos, enfim, nos encaixar. Nos limites do tempo, há um intervalo silencioso à espera de que compreendemos seu ensinamento e sua postura diante da pressa daqueles que tentam seguir sem perceber.


Meus passos estão, a cada dia, mais lentos. Não quero mais correr. Não quero ter pressa. Não quero tropeçar. Quero entender. Quero mudar. Quero viver intensamente, sem ter que olhar para trás e revisitar o passado. Quero um olhar voltado ao futuro – um olhar de sucesso, de vida que me espera.
Hoje, penso apenas no agora e no que está por vir...


Rita Padoin

O menino e o furacão


Diziam, em silêncio:


"É só uma criança com atraso…
lá no fundo da sala,
com uma folha branca nas mãos."


Eu sei — é o que todos pensam,
mas não dizem.


Estão mais preocupados em embelezar os títulos da deficiência do que em trabalhar,
na prática, a inclusão.


Decoram nomes,
enfeitam diagnósticos,
mas esquecem do essencial:
ver.


Eu nunca tive alunos,
e sim histórias com nome:
Antônio. Bernardo. Daniel. Fernanda. Gabriela…
cada um era único — uma pessoa, uma personalidade, uma habilidade,


mesmo quando o mundo insistia em reduzi-los.


E ele…


O menino da cadeira de rodas,
de movimentos curtos, quase ausentes,
fazia desenhos incríveis que ninguém via —
porque queria a perfeição
e, quando não saía em total sintonia,
por cima do desenho criava um furacão.


Rasgava o próprio céu,
girava sobre o que tinha criado,
cobria tudo —
como se dissesse, sem voz:
“Se não for inteiro, ninguém vai ver.”


E ninguém via mesmo.


Mas eu vi — vi além.


Tentei falar, e ninguém se importou…


Para que dar trabalho,
se ele já estava quieto, ocupado,
com uma folha na mão?


Era apenas um estágio.


E, no fim do dia, havia sempre duas almas frustradas:


A dele —
gritando por reconhecimento.


E a minha —
aprendendo o peso de não ser ouvida.

Te amo duas vezes...


Eu sempre amei você,
desde o início,
desde o silêncio,
desde sempre...
desde o nada que já era tudo.


Antes de saber quem você era,
antes de entender o que seria
na minha vida.


Não sei se foi o poder da chama gêmea —
da junção divina —
mas te amei bem antes...


Talvez seja a força das almas,
o laço antigo,
a chama gêmea —
essa união que não se explica,
mas que se sente...
com a pele,
com o coração.


Não sei se fui eu quem amou primeiro,
ou se apenas reconheci
um amor que já me habitava.


Quando soube de tudo,
não houve espanto,
nem dúvida.
Só permaneci —
amando.
Como se já soubesse.


Meu corpo já ansiava o seu,
meus pensamentos já te buscavam,
meu coração…
já era teu.


Já amava com toda a intensidade,
já sentia saudade.
E eu, sem perceber,
já tinha desistido de tudo
por você.


Não sei onde termina o amor
e onde começa a conexão de almas.
Talvez nem exista fronteira.


Porque, se for assim,
em total lucidez,
declaro —
nesta vida corpórea
e na outra espiritual —
eu te amo duas vezes.

O silêncio da minha alma


Fui me apagando aos poucos...
E eu nem percebi.
Lutava sem saber,
Implorava sem querer...


Demorou,
Mas entendi.
Tentei,
Briguei,
Estava numa guerra.


Eu queria de volta a minha personalidade,
A guerreira
Que vencia tudo
E todos.


Onde me perdi?
Onde deixei de existir?


Mas isso não era certo,
E eu não desistiria.


Na luta por me encontrar,
Já não sabia
Se me achava...
Ou mais me perdia.)

"Um dia paramos de cobrar, paramos de falar, deixamos a dor falar alto, porém no silencio de nosso interior, sofremos calados até que nossos pensamentos destruan qualquer ideia de dor ou sofrimento que não podemos controlar, seguir enfrente não é pra qualquer um, mas dever de todos, se seu próximo não sabe o mal que lhe faz é por que não merece sua admiração, seu respeito, seu amor"


Gil Alves

As Pontes de Meu Pai

Meu pai, foste a ponte em meu caminho,
erguida em silêncio, firme e serena;
mostraste que o trabalho é nosso ninho,
e a humildade faz a alma mais plena.

Com prudência ensinaste a escolher,
com paciência, a esperar o momento;
e, pela honra, aprendi a viver,
fazendo do caráter o fundamento.

Sem perceber, construíste em minha estrada
pontes que hoje me ajudam a seguir,
cada uma por teu exemplo iluminada.

Se hoje sei que caminho devo trilhar,
é porque me ensinaste, com tua vida,
que ser homem é honrar e dignificar.

A existência é como um eco cósmico onde as placas tectônicas da razão colidem em silêncio, ancoradas por um norte invisível que limita o magnetismo da Terra, enquanto o movimento das marés emocionais nos arrasta, inexoravelmente, em direção àquilo que a mente teme e deseja decifrar: o buraco negro de nossa própria infinitude.
Reno Fioraso

Perguntaram-me o que é arte. Ouviu-se de mim silêncio; não um, mas o silêncio, do tipo que tanto tememos, mas que, por vezes, é a única resposta que temos.

O mesmo silêncio que preenche o universo em que vivemos, que se esconde nas palavras que não dissemos, que, como um véu, cobre a pureza das estrelas. Sim, foi este o meu silêncio.

O mesmo silêncio de uma árvore que tomba no deserto, sem ninguém para escutá-la; o silêncio que faz da arte, arte para nossas almas.

A arte não pode ser definida, deve-se ser contemplada. Por isso, ouviu-se de mim o silêncio, pois...

Como hei de explicar a arte?

' MÃE '


Mãe é sorrir , cuidar e amar,
É também em silêncio
De saudades chorar.
Mãe um amor tão profundo,
Que Deus nos deu de presente
Como anjo neste mundo .


Mãe é colo, Abraço, amor que abriga
Que castiga mas também é amiga
Desde o ventre, o coração
Esse amor interliga


Mãe, pequenina palavra
amor incondicional que não se descreve
Um amor infinito que nunca prescreve


Maria Francisca Leite
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