Ramile Godon

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A Crônica da Andarilha

Você apenas passa pela vida como eles. Você segue sua jornada.
Mas tentam fechar o seu caminho.
Sua mão permanece no cabo da espada.
Evite derramar o sangue daquele que se diz seu inimigo.

Eles caçam os outros porque têm medo de olhar para a própria escuridão.
Eles não conseguem enfrentar a si mesmos.

Deixe-me com minha paz.
Minha caminhada continuará depois deste descanso.
Após a longa estrada e da batalha anterior, busquei abrigo nas muralhas deste castelo.

Depois seguirei viagem para longe daqui.
Siga seu rumo!
As trilhas até a montanha do descanso são hostis.
Foque nos verdadeiros monstros.
Consiga mais aliados.
Deixe-me!

Não vou puxar minha lâmina por pura loucura sua.
Seja meu aliado, não meu inimigo.
Mas, se insistir, saberei que escolhe a morte de bom grado.
Se concentre nos verdadeiros inimigos.
Tenha forças para lutar!

- Ramile Godon

Estilhaços do Espírito


Eu tenho que esconder,
Esconder o que eu sinto
Por não conseguir
Contar todas, completamente,
Contar todas as feridas.
Todos os cortes e machucados,
As lesões que eles me deram,
Todos os algozes,
Todos os que prometeram me proteger.


Pois estou com minha própria sombra,
Com minha própria espada,
Com minha própria mente,
Como sempre estive.
Até quando pensei que não.


Mas, agora, está pesado demais.
Não há quem salve,
Não há quem permaneça.
Os assassinos foram embora,
Os traidores riram.
Deixaram as consequências,
E a culpa foi transferida para os inocentes.


Vou nadar de volta até a superfície novamente.
Vou puxar os passos
Mesmo com o peso dos ferros nos meus tornozelos,
Vou forçar a mente
Mesmo com as feridas de chumbo.
Mesmo com lágrimas de sangue,
Seguirei lutando.
Pois ainda há fôlego de espírito,
Até o meu descanso chegar.
Minha alma ainda está aqui.


- Ramile Godon

Labirinto de Sombras


Eu simplesmente deveria,
Mas não consigo abandonar tudo.
Se eu simplismente não me importasse,
De qualquer forma,
Eles me pertubam.


Preciso me distanciar.
O inferno é aqui.
Não vale a pena.
A vida se consome,
O espirito se perturba.
Não vale a pena.
Alma em turbulência.


Em minha direção,
Vejo a luz se apagando,
Abandonada para a morte.
Por quê?
Estou tentando me salvar,
Estou fazendo isso sozinha.
O divino não estende a mão
E o mortal não ama.
Corro nesse labirinto
Para alcançar a luz.


- Ramie Godon

Combustível Do Autoengano


A visão poética difere da realidade psicológica.
A realidade psicológica difere da realidade material.
Leve a vida e aceite a contradição constante.
É o que o mundo te diz.
Não parece uma escolha.
Não parece!


Não é romântico, não é!
Romantize, se iluda.
Se iluda para prosseguir.
Se auto engane.
Só você pode olhar para dentro.
No fim nada disso importa.
Nada disso importa!


- Ramile Godon

Marionetes de Sangue


Máscaras em cada rosto para mascarar fraquezas e sofrimentos.
Máscaras e fantasias de robôs.
Destroem os humanos
Cospem na humanidade
E premiam as máquinas de carne.


Comportamentos insensíveis premiados.
Escapismo hedonista,
Assasinos cruéis.
A Descoberta das Cordas
Mas mesmo assim complacentes.
Suas ações nunca foram totalmente livres!
Medo em cada olhar.
Marionetes!


Sensação de desorientação ao notar que fomos doutrinados.
Criadores das amarras sociais.
Desobedecer.
É assustador e doloroso.
Fomos enganados.


Polarização do tribunal.
Falta de nuance nas interações humanas.
Eu tenho nojo da sua visão de mundo binária e simplista!
A hostilidade cresce quando as pessoas se recusam a ouvir umas às outras.
É assustador e doloroso.
Corte a corda!


- Ramile Godon

Solilóquio de Guerra

Minha armadura sangra em silêncio sob o peso do mundo,
Enquanto o abismo sussurra o meu nome na escuridão.
Caminho entre os espectros de sorrisos falsos e atos contraditórios,
Que tipo de dêmonios eles são?
Sem exército, cercada pelo deserto da solidão.
Cota de malha enferrujada e couro rasgado.
Espada sempre ao lado.
Fui lançada a uma trincheira que jamais aceitei,
Nem a carta da convocação me enviaram.
Busco a saída deste campo devastado, Seja pela vida ou pelo pó,
Persisto na travessia, até que as sombras me abracem,
E o último suspiro desapareça e se dissipe no mundo.

- Ramile Godon

Inferno Localizado


Nesta terra alguém chora sangue,
E ninguém se importa.
O choro e a agonia são provocados por vocês,
Ó demônios de carne!


Quem é o Satanás senão vocês?
Com esses olhos malignos e mentes perversas,
Com esses risos de hienas.
Quem são os inimigos se não os da mesma espécie?


Peso sobre a cabeça e as costas.
A agonia transborda.
Sua autonomia é vendida:
"Se submeta, eu te ajudarei!"


Isso é violação da própria alma.
Vocês pediram, não há escapatória?
Nessa prisão eles mantêm o controle,
Mas vocês não são inocentes.
Não parecem inocentes.


Deus tenha piedade de nós.
Que Deus amaria demônios que ele mesmo criou?
Que conversa é essa?
Tempo se esgotando.
Por que esperar tanto?
Você sabe, não sabe?!


Nesta terra alguém chora sangue,
E ninguém se importa.


- Ramile Godon

Horda Do Caos


De uma garota que ouvia musicais coloridos a um verme que é o arauto punk da desilusão e do sofrimento.


Minha alma anda parecendo o verme mais sangrento desta instituição.
O espírito sacode e treme.


Veja que lindo, veja o que você romantiza...
Como se eu estivesse à margem da sociedade, em uma rua suja e movimentada. Grafites e eu, de mãos juntas, implorando pela dignidade empática.


Do caos da matéria,
da consciência coletiva amaldiçoada: ponham as rotas em fuga, ou girem em um círculo que engole a própria cauda.


- Ramile Godon

Baroque


Manifestam-se na carne que apodrece,
Na deformidade e na feiura.
A realidade e o divino.
A linguagem humana não consegue dar conta de Deus ou da realidade.
O homem vive dilacerado.
Somos de matéria animal e terrena,
mas desejamos o divino.
A ilusão de um mundo perfeitamente higienizado.
Toda a civilização humana é apenas uma capa fina.
Buscando o divino imanente.
Caos biológico.
Pérola Deformada.
Sou a dor da carne e da alma.
Filosófia existencial.
Sou hipócrita.
Humana que quebra e está aceitando a dor como parte da existência.
Várias mortes.
Aproximação da Essência humana.
Eu sou hipócrita.
Eu sou ingênua.
Aproximação continua e evolutiva da essência humana.
Eu sou hipócrita.
Eu sou ingênua!
Sangue menstrual.
Quebra do Ego.
Epifanias.
Código Morse.
Inimigos e predadores.
Humanos animalescos.
Nós sujos da terra e da lama, das folhas e dos vermes.
Do vermes de Hermes.
Eu sou hipócrita!
Eu sou dolorida!
Realidade brutal, violência.
Predação.
Caótico.
Baroque!
Modernidade Extremista.
Colapso Social.
Divino na perfeição e no cru.
Conexão com a matéria.
Natureza.
Dia a dia, a vida.
Transformação.
Maturação.
Sindrome De Baroque.
Eu sou dolorida.
Existência pesada.
Dor biológica.
O ego é a ilusão de ótica espiritual.
Anulação da arrogância e do egoísmo.
Fraqueza.
Eu me destruo.
Eu sou hipócrita.
Defensiva.
Anulação do ego.
Morte iminente.
Viagem humana.
Lógica biológica.
Crueza, cru, nu.
Vestimenta, roupa.
Eu me despedaço.
Eu me destruo.
Sou uma criança.
Dolorida.
Menstruação.
Útero.
Inimigo.
Caos.
Baroque!
Caos psicológico.
Sofrimento.
Essência.
Socorro, busca.
Tristeza, dor.
Eu me conecto.


- Ramile Godon

Essência Primordial

Natureza, entranhas do meu Ser.
Parte de mim é a Natureza.
Quando meu folêgo de vida se esvair, livre.
Quero que meu corpo volte para dentro de ti, ó Natureza!
Pertencemos ao todo e somos o todo e o nada, jamais individual.
Resista Mãe Natureza de toda destruição,
Estamos aqui os que te amamos e das tuas entranhas saimos.
Eu cuido e te admiro como minha maior paixão e pertencimento.
Eu te amo Natureza, em sua perfeição imperfeita.
Mesmo nas partes da cadeia alimentar, e das suas vulnerabilidades,
Isso tudo, em toda sua pureza,
Em sua essência, és minha essência!

- Ramile Godon

Consolação


Tentativa,
Força, apertando os botões coloridos.
Acalmar a mente,
Em terra de garras ocultas e demônios decaidos, o primeiro enigma é saber se o outro busca o seu espelho ou o seu sangue.
Não olhem!
O que acontece?
Imcompreensivel.
Assasinos,
Suicidas,
Predadores para todos os lados.
Violentos,
Bandos me cercando todos os dias.
Formas agudas martelando como pregos
Lutas diárias,
Não há aliados.


Estou a mercê da sorte e do destino?
Reivindico a propriedade sobre minha própria carne e pensamento.
Não serei guiada pela correnteza.
Eles se cobram e cobram os outros.
Eles tentam ditar as regras para um tabuleiro cujas peças mudam de cor ao anoitecer.
Mas eles não sabem o dia de amanhã.
Não, não sabem.
O tempo avança e recua, redesenhando destinos.
O amanhã é um segredo trancado querida, hoje dançamos na corda bamba do acaso.
Mas eu reenvindico o controle do básico.


Vista-se de mansidão e não engrenagem. A pressa dos números e algoritmos não pode guiar os passos de quem tem alma.
Não deve!
Não fuja da sua natureza, humano!
Ser de conciência e alma.
Evolua como humano.
Chega de dor e vergonha.
Somos irmãos?
Destruição.
Chegar ao fim é melhor para todos.
A verdade é que tudo vai quebrar e passar.


Olhe para os olhos do interior.
Tudo vai desmoronar e quebrar.
Você está na dor e em tudo que vejo,
Mas ela rasga minha alma para me afastar da luz.
Mas tudo vai desmoronar e quebrar,
E o sol aparecerá no orizonte do mar,
E o amanhecer chegará com um novo começo.


- Ramile Godon

Catarse de Fogo Verde

Cessará, cessará o latejamento.
As correntes de espinhos não vão mais rasgar a pele e a carne no calor.
A lâmina não precisará mais cortar o pulso.
E a noite será igualmente o conforto de todos.

Padrões em fluxos,
Ondas de carne,
Os bipedes sem essência.
Tomadas em explosões de descarga.

Retome o frescor depois de desmaiar,
A energia e a cobra-hiena voltará.
Sempre a espreita da coluna de ferro,
Sempre na estação mais próxima.
Tocha, espada e canivete na mão.

Ateie fogo verde e veneno nos demônios do escaldo,
Pois os demônios não suportam o próprio veneno.
Espada desembainhada.

- Ramile Godon

Descanso de Azul e Pedras

A noite as correntezas de azul e sangue escorrem das cachoeiras castanhas.
A luta contra o peso de um gigante de ferro que insiste em permanecer.
A lava é atirada em baldes para este derreter.
Mordidas e perfurações dos trituradores vermelhos e penetrantes.
Fugitiva, desvio e trajetos.
A ponta do termômetro que explode.
O limite dos montões de sombras em caos.
No colchão de madeira e pregos, fecha as pálpebras para seu trajeto.

- Ramile Godon

Relato Da Névoa

Era uma madrugada enevoada.
Meus olhos se abriram, tentando dissipá-la e reconhecer a luz entrando pelas frestas das janelas cobertas por cortinas.

Poucos segundos... a dor não espera. Logo em segundos, ela aponta a arma e atira em turbilhões.
Meu cérebro não quer pertencer a mim.
Minha alma e espírito estão se contorcendo, também querem se separar de mim.
Querem um ser fragmentado, moribunda para a morte.

Alguém nas trevas pode me ouvir?
Não há lugar nem nas trevas desse túnel escuro e úmido, onde caem pingos do teto e há poças de água no chão irregular e perigoso que sinto com meus pés.
Vejo uma luz da abertura lá a muitos metros; sendo a entrada ou saída, eu não sei bem ao certo.

Alcanço-a, e a mão de um gigante me puxa para fora.
A luz forte faz doer a vista.
O gigante me segura com as mãos fechadas, me obrigando a sair.
Eu não sei se é homem ou mulher, mas me joga para um lugar, um portal em redemoinho.
Me protejo com os braços enquanto sou jogada.

Me vejo em um lugar todo branco.
Não há nada: nem saída, nem entrada.
Mas não há desespero, não há dor, não há alegria eufórica. Só calma... paz? Conforto?
Eu não sei ao certo.
Nunca senti o sentimento que estou sentindo nesse lugar.
Não sei o que é, mas não estou preocupada.

- Ramile Godon

Reino do Desalento


Já percebi a tática dos predadores,
Mas não vejo a coragem dos caçadores.
Os contrutores não fortalecem a muralha, ela está cheia de buracos e falhas.
Os cadetes estão cheios de vaidade e orgulho, mas com atitudes fracas.
Os predadores sempre tomam algo, e os soldados e o povo se culpam entre si.
Matam e fazem escárnio daqueles se levantam, os rebeldes, os líderes de espírito elevado, os revolucionários.
Os inimigos sempre dominam e os aliados só levam esse título sem prática.
Divididos, vaidosos e orgulhosos no povoado de ruínas.
Um povo que se comporta e tem instintos de fera canina.
Que tem orgulho da glória e inteligência dos outros povos.
Mas odeia o seu próprio povo e fica inerte na destruição.
Nação que veste as túnicas da contradição,
Aquela que diz venerar a entidade divina da criação, mas adora a destruição.


- Ramile Godon

Fenda de Concreto e Cinzas


Sem mantos divinos, no relento,
Frio e calafrios, febre emocional.
Minha barriga está descoberta, minha visão embaçada no beco coberto de névoa.
Fumaça subindo em algum lugar a frente, liquido preto escorrendo nas paredes.
Grafites e grude, cheiro de carne e sangue.
Estou deitada em uma poça de água suja no beco.
Sem mantos, sem lençois.
Escuto latidos de cachorro, alguém roubou seu osso ou alguém o ameaçou.
Escuto o barulho dos automóveis ao longe, indiferentes.
Aqui parece estar afastado da vida, do resto do mundo, não ligam para a existência ou o que acontece no beco.
É solitário e frequentado ao mesmo tempo, breve alguém aparecerá, inimigo, amigo ou transeunte indiferente.
O beco é sempre usado, mas não rota de fato.
Meus olhos estão arregalados, olhando para o céu cerrado pelos dois prédios.
Tento levantar e toda alma e espirito se contorcem,
Vejo ratos, cachorros e gatos andando pelo beco,
Me levanto,
Ainda há vida.


- Ramile Godon

Fortaleza das Ilusões

Todos esses princípios eram ilusões.
O que restou de mim segura os escombros do meu ser.
Toda ilusão e tudo que era conectado foi derrubado.
No final o que de fato existe para manter?
O que de fato valeu a pena ser construído?
Pensava eu que o amor, era o que mais valia a pena cativar e manter.
Os laços, as memórias.
Era o que parecia valer a pena para a existência humana.
Mas eles destruíram.
Me seguro em meia corda rompida vinda das nuvens.
No esgotamente esperei refugio e apoio, mas eles atiraram em mim deitada na cama.
Eles pisaram e me chutaram.
Me expulsaram e me desprezaram.
Abandonaram aquela que ensinaram as ilusões para suportar o peso da existência.
Então eu vi a verdade e a plenitude da dor.
Entendi do que era feita a carne humana.
Compreendi a existência e o que a mantém.
Jovem demais, a carne exigiu demais sem eu pedir.
Naquele dia a terra e a água entrarão pela boca de todos nós.
E os espiritos voarão desnorteados,
E haverá reconstrução da matéria pura.


- Ramile Godon

Explosão de Sangue Solar

Não há mais saída. Colapsou.
O alerta da porta de saída pisca em vermelho.
Correr é inútil; ficar é inútil.
Assista ao pôr do sol como quiser,
como e onde quiser,
com o que estiver fazendo.

Minhas artérias explodirão com o grito do sol.
Seus olhos choram sangue.
Minha alma grita, agonizando.
Meu espírito se debate.

Eu peço perdão.
Eu me reconcilio com a vida.
Ela acaba aqui, finalmente.

- Ramile Godon

Juramentos De Fogo


Eu sinto a sua falta,
Vamos bailar.
Queria a sua calma ao lado da minha,
A tranquilidade ao pôr do sol.
Lembro-me de você por completo.
Eu sinto a sua falta.
Não demore pra voltar ou pra ir.
Só há um fantasma de você aqui,
Uma memória antiga me perturbando.
Não espero que volte,
Mas você ainda me acompanha por algum motivo.
Você decidiu ir e eu passei pelo deserto de fogo sozinha.
Juramentos quebrados do escudeiro.
Nunca mais será o mesmo, não se agarre a isto e vai embora.
Eu sinto sua falta.


- Ramile Godon

Almas De Vapor


Grangrena seca
Tudo ficou marrom e bege
As engrenagens se movendo.
Luz no seu pulso, relógio enfurecido de fumaça.
Botas de couro, cartola negra.
Você me deu um beijo no laboratório da cúpula.
Sai com sua carta na bolsa.
A mensageira conduzindo um dirigível.
O monstro de tentáculos do céu a seguindo.
Mapas com símbolos indicando o caminho.
Pergaminhos que mostram a morte.
Acelere os motores, erga as velas!
O monstro ficou para trás.
Agora vejo a cidade velha.




- Ramile Godon

Luminárias De Cachos Verdes

Encontro pela manhã a relva nas folhas do jardim,
Caem frias as águas e o vapor,
E há um passaro em tons de dourado, roxo e preto bebendo na fonte central.

Vi ali parada em um banco uma dama com um broche dourado que segurava sua túnica branca.
Ela escrevia em um pergaminho com uma pena.
A tinta para meu espanto era de sangue de passarinho e alcatrão.
Haviam penas e sangue em volta do pote encostado aos seus pés.

Ela em nem um momento olhou na minha direção quando me aproximei.
Haviam espécies de estrofes de poesia e rúnicas feitas com a tinta,
Ela deslizava com a mão hábil e aparentemente costumeira.

Quando voltei a noite ela ainda estava ali.
Uma taça de vinho ao seu lado e ela ainda escrevia.
Tomei de um pomar de luz um cacho de uva luminária.
Espremi o sumo e a luz no seu copo.
Ela finalmente olhou pra mim com seus olhos de lanterna.
Quando fui puxada em redemoinho para dentro deles.

- Ramile Godon

Folhas Laranjas Da Centelha

Descarga de raiva.
Olhos doloridos.
Alheios impõem a Incompreensão.
Queda da sustentação.
Barreiras envenenadas de carne e sangue.
Desconexão imposta.
Alheios impõem a condenação.
Punitividade social.
Marginalização dos filhos de alma.
Doenças dos robôs de carne.
Disturbios do metal de carne consciente.
O Miasma e o poder do ostracismo.
Corrupção espiritual,
Sofrem os filhos de alma.
Espirito elevado, escudo dos cansados.
Resistência.
No abismo a morte solitária.
Na elevação, nasce a vida da árvore.
As raizes sugam a água e o sangue.
A casca vazia desmorona,
A centelha resurge,
As folhas laranjas caem como sinal.

- Ramile Godon

Milagre, a vida!
Nós não podemos vencer o sistema.
Nós não podemos vencer a morte.
Não temos escolhas a não ser duas.
Somos todos iguais.
Até quando vai mentir e repassar a mentira?
Mentiras, todo dia.
Todo dia a mentira.
O folêgo aparente é a única verdade.
O único milagre.

- Ramile Godon

Os dois seladores patronos,
Eu desejei a ausência deles.
Meus piores inimigos.
Meus inimigos mais mortais!
Puxando meu tornozelo para baixo,
Colocando uma corrente.
Destruo a corrente,
Colocam a corrente na mente.
Destruo a corrente,
Colocam a corrente na mente deles.
Meus piores inimigos.
Jamais amarei vocês de novo!

- Ramile Godon

Eu tive um ano difícil vai...
Um ano cheio, fiz muito.
Estou orgulhosa olhando para trás.
A vida não é linear pra todo mundo.
Talvez não seja pra ninguém.
Estou aprendendo que a minha jornada tem o seu próprio ritmo.
Muitos feitos.
Muitas experiências.
Estou tentando não me abalar pela projeção alheia.
Acredito que todos deveriam tentar aprender a fazer isso.
Estou me transformando, tudo se transforma.
Eu sou uma pessoa incrível para mim mesma.
Os anos são duros, mas eu sinto toda a vida em sua ambiguidade caótica e confusa.


- Ramile Godon