Texto Sobre Silêncio

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José conheceu o cárcere, Davi provou o deserto,
Mas no silêncio da prova, Deus sempre esteve perto.
E o Cordeiro que carregou desprezo e cruz,
Hoje reina em glória, é o Senhor, é Jesus!


Então, não temas o opróbrio, nem a humilhação,
É nesse campo duro que floresce a unção.
Pois quem aprende na dor a confiar e esperar,
Na estação do renovo verá a glória brilhar.

O Abraço do Céu no Seu Dia Especial


Eu sei que a ausência e o silêncio daqueles que você esperava trouxeram uma dor profunda e uma sensação de vazio ao seu coração. Mas escute o que o meu carinho quer lhe dizer hoje: o seu valor nunca dependeu, e jamais dependerá, da presença ou da consideração de quem não sabe te amar. O seu nascimento foi planejado por Deus e celebrado pelo céu muito antes de você chegar à Terra. Se os homens falharam em te aplaudir hoje, o Criador continua te cobrindo de bênçãos e soprando vida nos teus dias. Não permita que a distração ou o egoísmo alheio apaguem o brilho do seu milagre. Olhe para o espelho com orgulho, honre a sua história e celebre a si mesma, pois a sua existência é um presente precioso para o universo. Você é amada, você é importante, e o seu dia é sagrado.

Já caminhei por desertos de silêncio,
onde a esperança se escondeu nas sombras. A vida, em sua frieza, não me ofertou razões para permanecer. O amanhã parece distante, um horizonte que não chama pelo meu nome. E ainda assim, respiro, como quem desafia o vazio. Talvez não haja sentido, talvez nunca tenha havido. Mas sigo, porque até o desespero carrega uma semente de quem insiste em existir.

A justiça na terra não desce do céu como um raio de luz, ela germina em silêncio, como semente lançada em solo firme, cultivada pelas mãos daqueles que se recusam a ser cúmplices da opressão silenciosa. Cada palavra dita em defesa da verdade é mais do que um gesto humano, é como uma centelha de luz que insiste em brilhar mesmo nas sombras, erguendo, pouco a pouco, um lugar onde a dignidade não é apenas lembrada, mas vivida. Há uma voz mansa que sussurra no íntimo, convidando à retidão mesmo quando ninguém vê, lembrando que a verdadeira justiça começa no invisível, nos gestos pequenos e nas escolhas solitárias. Não espere por um julgamento final para ser justo, faça do seu próprio caminho um testemunho vivo, onde cada atitude carrega o peso de algo maior do que si mesmo, como se, em cada decisão, o eterno tocasse o instante.


- Tiago Scheimann

Envelhecer talvez seja contemplar, em absoluto silêncio, a lenta dissolução de todos aqueles que um dia conferiram ao mundo a íntima aparência de um lar. É descobrir, com uma lucidez quase insuportável, que o tempo não nos rouba apenas pessoas, mas também as paisagens invisíveis que elas sustentavam dentro de nós, até que, um dia, permanecemos vivos em um lugar que continua o mesmo para os olhos, mas se tornou irremediavelmente irreconhecível para a alma.


- Tiago Scheimann

O silêncio é o único lugar onde as mentiras que contamos a nós mesmos perdem a utilidade. Durante o dia, a sucessão de tarefas nos concede a ilusão de que ainda pertencemos ao mundo; à noite, porém, quando tudo se cala, resta apenas a consciência diante do próprio vazio. É nesse instante que as ausências deixam de ser lembranças e adquirem consistência, como se os mortos, os perdidos e todas as versões de nós mesmos que fracassaram resolvessem regressar ao mesmo tempo. Não existe escuridão mais profunda do que aquela produzida pela lucidez.


- Tiago Scheimann

A Plenitude do Ser


No silêncio que acalma o coração,
Descubro a força de uma grande verdade: Quem caminha com Deus na oração,
Encontra a chave da felicidade.


Estar com Ele é ver o mundo clarear,
É transformar a prece em comunhão,
É ter um jeito leve de olhar,
E estender a todos a mesma mão.


Pois quem tem o Criador no pensamento,
Não anda só, nem sente a alma vazia;
Abraça a vida a cada momento,
E faz do próximo a sua alegria.


Estar com Deus, com fé e com amor,
É o segredo que a alma conduz:
É estar feliz com tudo ao redor,
E refletir no mundo a Sua luz.

Salário não deveria ser um tabu. Silêncio nunca foi sinônimo de valorização.

Quem discute salário não está, necessariamente, colocando um “preço” em si. Está reconhecendo o valor do que entrega.

Afinal, trabalho tem custo. Propósito tem valor. E quando ambos caminham juntos, negociar deixa de ser constrangimento e passa a ser coerência.

Salário se negocia. Valor se constrói.

Quem conhece apenas o “próprio preço” entra na conversa olhando para a tabela. Quem conhece o próprio propósito entra olhando para o impacto que é capaz de gerar.

No fim, a remuneração ideal não nasce do quanto alguém pede, mas da distância entre o problema que resolve e a transformação que entrega.

Porque currículo abre portas. Propósito mantém portas abertas.

Carlos Eduardo Balcarse

13/07/2026

O silêncio

Discutir não alimenta.
Reclamar não resolve.
Revolta não auxilia.
Desespero não ilumina.
Tristeza não leva a nada.
Irritação intoxica.

Para todos os males, só existe um medicamento de eficiência comprovada.
Continuar na paz.

Chico Xavier

Importo-me mais com o que vejo do que com muitas baboseiras e fofocas que ouço.
O silêncio ajuda mais do que o falar em demasia.
Deus, em Sua infinita sabedoria, fez-nos possuidores de uma só boca e dois ouvidos, querendo, com isso, que utilizássemos em dobro nossa capacidade de ouvir e nos habituássemos à contenção de palavras inúteis e fúteis.
Quanta coisa se ganha ao refletir.

"O Reino do Silêncio Povoado
Dizem que o silêncio é o som da solidão, mas na minha casa, ele é apenas o palco onde a vida acontece sem pedir licença. Viver sozinho não é um retiro; é uma curadoria. Aqui, o relógio não dita ordens, e a geografia da sala é um mapa de afetos que não exigem explicações.
Pela manhã, a primeira saudação não vem em palavras, mas no peso morno de um gato que decidiu que meu peito é o melhor lugar do mundo. Logo, o som das patas dos cães no assoalho cria uma percussão alegre, um ritmo que me lembra que, embora eu seja o único humano, nunca estou desacompanhado. Eles não julgam meus pijamas, nem questionam o fato de eu tomar café olhando para a luz que atravessa o vitral que pendurei na janela.
As paredes não são apenas concreto; são janelas para outros mundos. Há uma pinacoteca particular crescendo nos cantos, uma tela a óleo comprada em um sebo, uma fotografia de rua, um esboço que eu mesmo ousei riscar num domingo de chuva. Entre elas, as estantes transbordam. Meus livros são amigos que não interrompem; ficam ali, pacientes, oferecendo o lombo colorido para que eu escolha qual voz quero ouvir naquela noite.
À noite, o ritual se completa com o brilho azulado da tela. Ver um filme sozinho é um ato de entrega total. Posso chorar sem pudor, pausar para analisar a fotografia de uma cena ou simplesmente deixar que a trilha sonora preencha os espaços vazios entre as prateleiras.
Viver assim não é falta de gente, é excesso de si. É descobrir que a liberdade tem o cheiro de papel antigo e o calor de um focinho gelado encostado no tornozelo. No meu pequeno reino, a arte me explica, os bichos me amparam e a solidão, essa velha incompreendida, é apenas o nome que os outros dão para a minha paz."
(Mário Luíz)

Ah! Tristes olhos
Por que chora em silêncio a dor que ninguém ver?
Por que deposita tuas lágrimas no oculto do teu vazio?
Por que corre?
Por que foge?
Por que se esconde?
Por que se disfaça?
Quando escuridão cobrir teus olhos e não enxergar mais nada, porque não volta seus olhos ao criador?

Não me subestime!

Se me calo, é porque sei que o silêncio fala por mim.... Não abuse da minha bondade, não é porque sou bondoso que sou babaca.

Posso ser uma boa pessoa, mas isso não te dar o direito de ser aproveitador.

Respeite minha origem! Pois é ela que me faz ser diferente de muitos...

Eu não sou pior e nem melhor, sou apenas mais um na fila em busca de um lugar ao sol.

Se ando tranquilo entre becos e vielas pela vida é porque sei que não estou sozinho, em minha volta há uma legião de anjos que
zelam por mim...

Não me provoquem!
Minha paz de espírito não é alvo para atirarem flechas venenosas de pessoas mal amadas, podem até atirarem sobre mim, mas saiba que nunca me atingirão, tenho um escudo chamado Deus que sempre me livrará.

Posso não devolver o mal que me faça, mas cobrarei ao meu criador por toda minha vida por justiça!


Posso até te perdoar, mas uma vez perdida a confiança, nunca mais confiarei em você!

Posso parecer solitário, mas fique sabendo que fol na solidão que fiz de Deus meu melhor amigo e amante de todas as horas... Como se atreve a me chamar de perdedor?
Se venço todos os dias a mim mesmo.

Posso parecer inocente, ingénuo ou até mesmo bobo,simplesmente por acreditar em anjos, e porque não em você? mas sei que os demônios existem, e sei que há mais demônios entre nós, do que a nossa sã consciência possa imaginar.

Não me venha armado com sua malicia e maldade para cima de mim, pois eu aprendi arte de desarmar delinquentes, que só os sábios são capazes de aprender.

Você pode até me apunhalar pelas costas, mas aprenda uma lição comigo, é melhor ser ferido do que ferir.

Você pode me dar de presente os espinhos, eu te darei as flores, não com as lágrimas de um adulto, mas com um sorriso de uma
criança, que aprendeu a arte do amor.

Por que me chama de fraco? Minhas cicatrizes não são sinais de fraqueza, mas de força, de alguém que se reconstruiu em meio ao caos.

Chegue mais perto de mim, olhe no fundo dos meus olhos e verá a verdade que transborda em meu olhar.

Pegue minhas mãos e sentirá da onde vem minha força. Venha, toque em meu peito e saberá da onde pulsa tanto amor. Se quer me julgar, primeiramente tenha a integridade de me conhecer.

Te convido a ser a minha pessoa por 31 dias, mas para isso é necessário que você pratique aquilo que se chama de empatia: desnude sua alma, abra sua mente, desate as amarras do seu preconceito, quebre a barreira egocêntrica do seu coração e tire à venda orgulhosa da sua visão. Só assim me conhecerás por completo e não me julgará.

Me julgar é fácil, difícil é ser eu.

​O Equilíbrio do Abismo
​O Nada é o silêncio onde a visão se cria,
No tecido invisível, o Algo se faz notar.
Mas o mundo se perde em sua própria agonia,
Por ter medo do que o espelho tem a revelar.
​Mergulhei no DNA, na tinta da medula,
Desconstruí o templo para o ser libertar.
Pois quem segue os escritos, na cela se imobiliza,
E esquece que a verdade só o coração pode ditar.
​Não tema o delírio, nem a voz que te guia,
O perigo é o naufrágio na margem vazia:
A gente só fica louco quando não sabemos distinguir
Entre a realidade e a fantasia.

quando eu estiver preso, com as mãos amarradas, camisol de força lona grossa
o eco do silêncio batendo nas paredes internas
do que a gente chama de consciência, localizado em alguma parte do funcionamento esquisito o cérebro
quando não restar mais nada, somente eu
e a minha vontade excomungada nada reprimida de continuar existindo em algum plano, dimensão essa que interpretamos como quiser nada disso importa.
quando tudo for branco, em cima baixo lado outro, quando o despertar não vier, a expectativa morta, esperança é só uma palavra a mais no dicionário, quando isso acontecer
estarei tocando guitarra imaginária, sem os movimentos é lógico, aquela música vou estar cantando em looping até minhas cordas vocais alternarem entre acertar e errar o tom, o olhar fixo pra baixo, nada enxergo no meu quadrado, apenas escuto a melodia enquanto minha caixa vazia aumenta o volume, bebé. bebé. não estarei em tormento, pelo contrário, encontrei a liberdade em lar próprio
onde tudo e nada acontece ao mesmo tempo. onde nada poderá machucar como o dano que a projeção feita nas pessoas me marcou um dia. só eu e os backing vocals de fundo, livre de qualquer propósito criado pelo status quo. agradeceria antes do delírio pela forma que decidiram me proteger
de mim, do mundo
das razões pela qual me levam a questionar o sentido de tudo
bebé. bebé. D maior compasso a 76bpm
C - Am - G - F
- o que te fez pensar que eu me importava de verdade?
como posso me sentir tão errado levando o caminho certo. o que me custa acreditar em sonhos não vividos¿ bebé.
como faz tanto sentido reverberar e colocar em câmera lenta tudo isso, eu ainda estou com os braços amarrados, babando enquanto tento acertar as notas no meu eterno descanso mental. bebé.

Alguns sinais de que a vida tem me ensinado, em silêncio, a ser alguém melhor:

Já não respondo a tudo o que me fere.
Não porque me faltem palavras, mas porque descobri que nem toda reação merece nascer. Há silêncios que não são ausência de argumentos — são presença de sabedoria. Hoje, eu sinto, observo e escolho o que merece sair de mim.

Aprendi também a discordar sem transformar diferenças em batalhas. Nem todo pensamento contrário precisa ser vencido, nem toda opinião precisa ser convencida. Às vezes, basta ouvir, respeitar, compreender o que for possível e seguir o próprio caminho sem deixar atrás de si os rastros de uma guerra que nunca precisou existir.

Estou aprendendo a não guardar dentro de mim dores que o outro sequer soube que causou. Nem tudo precisa de confronto para ser curado. Algumas feridas pedem apenas silêncio, tempo e coragem para serem processadas. Sinto, compreendo, respiro… e deixo ir.

Nos dias difíceis, tenho aprendido a permanecer de pé mesmo quando ninguém vê o peso que carrego. Já não preciso que alguém reconheça a minha dor para que ela seja verdadeira. Existem batalhas que travamos em silêncio, lágrimas que ninguém testemunha e noites em que apenas nós sabemos o quanto foi difícil amanhecer.

E talvez um dos maiores aprendizados seja este: desejar o bem a quem me decepcionou. Não porque não tenha doído, nem porque tenha esquecido. Mas porque descobri que ressentimento é uma corrente invisível que mantém perto justamente quem eu já deveria ter deixado partir.

Perdoar, para mim, deixou de significar permitir que alguém volte a ocupar o mesmo lugar. Às vezes, perdoar é simplesmente fechar a porta sem bater, seguir em frente sem ódio e deixar que cada pessoa continue sua caminhada levando consigo aquilo que lhe pertence.

Hoje, compreendo que amadurecer não é sentir menos.
É sentir profundamente sem permitir que a dor escolha quem vamos nos tornar.

É aprender que algumas pessoas chegam para permanecer, outras chegam para ensinar e algumas precisam apenas passar.

E talvez a verdadeira liberdade esteja justamente nisso: olhar para tudo o que um dia me feriu, agradecer pelo que me ensinou e seguir em frente sem carregar ninguém no coração que já não cabe mais na minha vida.

Porque, no fim, a maior vitória não é provar que eu estava certo.
É chegar ao outro lado daquilo que me feriu ainda sendo capaz de reconhecer a paz quando ela finalmente chega.

Quando chegar a hora de eu partir, não quero que o silêncio da minha ausência se transforme em tristeza eterna, nem que as lágrimas dos que amo sejam a única lembrança da minha existência.
Quero que se lembrem de mim nas pequenas coisas, nas orações silenciosas nos abraços sinceros, nas palavras que chegaram ao coração e até nos momentos em que mesmo sem saber, fui abrigo para alguém que estava prestes a desabar. Talvez eu tenha carregado dores que ninguém percebeu, travado batalhas que nunca contei e chorado escondido para não preocupar aqueles que amo.
Mas, em meio às minhas fraquezas encontrei na fé a força para continuar caminhando, mesmo quando meus pés já não suportavam o peso da estrada.
E se algum dia minha voz deixar de ecoar pelos corredores desta casa, não pensem que todo o amor que ofereci morreu comigo, Há sentimentos que não se enterram, lembranças que o tempo não apaga e laços que nem a morte consegue transformar em esquecimento. A sepultura poderá guardar meu corpo, mas não terá poder sobre aquilo que deixei plantado em outros corações. Por isso, quando a saudade apertar e vocês olharem para o céu procurando respostas, não se prendam apenas à dor de não me terem mais por perto. Agradeçam pelo tempo que compartilhamos, pelas risadas que dividimos e até pelas lágrimas que nos ensinaram a amar com mais profundidade. Não tenham medo de seguir em frente, pois o amor verdadeiro não exige que vocês parem de viver para provar que nunca esqueceram alguém. E, se Deus permitir que nos encontremos novamente na eternidade, quero chegar a esse reencontro com a paz de quem finalmente descansou de todas as guerras que precisou enfrentar. Porque partir não significa que tudo acabou. Às vezes, a despedida que mais nos fere é apenas o limite entre aquilo que nossos olhos conseguem ver e aquilo que a nossa fé nos permite acreditar. E, até que esse dia chegue, vivam, amem, perdoem e abracem aqueles que ainda estão aqui. Pois a maior tragédia não é partir deste mundo, mas descobrir tarde demais que passamos a vida inteira adiando o amor, como se o amanhã tivesse obrigação de nos esperar.

Inconcebíveis

Inconcebíveis palavras são ditas
No silêncio do pensamento
Exulta, ó sensível coração!
Tua essência é como uma árvore frutífera e sedenta
Que alimenta e sacia os pobres famintos;
Vem a mim, ó doce e apetecível vinho,
Deixa o teu líquido verter pelos córregos
O teu veneno imortal;
Deem-me numa taça as borbulhas
Deste intenso vermelho sanguíneo
Manchando minha consciência
No cume da minha eterna felicidade.
Esconde no recôndito de teu coração
O jardim que tanto cuidaste
Para a farta produção dos nobres parreirais.

As Margens do Silêncio


Sento às margens do rio para refletir. A água tranquila funciona como um espelho e devolve a minha própria imagem – nítida, brilhante, revelando instintos expostos, emoções desordenadas. Sei que o tempo guarda todas as respostas, mas, mesmo entendendo o cenário ao meu redor, não consigo ouvi-las. O que escuto é apenas o silêncio, um silêncio que se acomoda ao meu lado como uma companhia serena, quase amigável.


É então que, como um filme silencioso, vejo teu semblante surgir na memória. Há tristeza, amargura, cansaço. Há um peso que não consigo explicar. Um nó, sobe pela minha garganta, apertando como se mãos invisíveis tentassem impedir que qualquer palavra escapasse. As lágrimas contidas, pedem libertação. E como finalmente permito que venham, elas deslizam pelo meu rosto e molham minha pele, levando consigo um pouco do que me sufoca. O sorriso que sempre esteve estampado em mim, desaparece – some sem aviso, como truque de ilusionista.


Sinto o frescor da manhã tocando meu rosto, como se fossem mãos suaves acariciando minha pele. A natureza ao redor transforma o espaço em um refúgio, um pequeno abrigo onde posso descansar meu corpo e aliviar a mente. Meus pés tocam de leve a água e, ao mínimo movimento, círculos se formam, desenhando imagens que lembram mandalas – figuras quase sagradas, que parecem guardar em si algo de cura.


Encontro ali um momento raro de paz, entre o vento que passa devagar e a correnteza da água. Não consigo explicar o que sinto, pois, naquele momento não preciso mostrar minha fortaleza. Continuo a observar a água, ouvindo o silêncio e pouco a pouco o mundo dentro de mim se reorganiza.

Sinais do Silêncio


Ele, também poderia se retratar – entrar em contato, dizer que a saudade consumiu os seus dias. Que o seu corpo sentiu a mesma intensidade que o meu. Dizer que tudo não passou de um mal-entendido, explicar as suas razões, de ter sumido, talvez deixar clara a situação.


Desmontar toda essa confusão e revelar o que se passa dentro do seu coração. Esses mal-entendidos poderiam ser esclarecidos. Eu poderia tentar entendê-lo. Mostrar que tudo o que se passou foi intenso, sublime. Mostrar que fui importante.


Entendo que talvez o sentimento seja apenas de minha parte. Mas então, porque há invasão em meus pensamentos? Invasão em meus dias ternos e serenos? Tudo vira uma revolução, uma guerra interior, quando, sem permissão, ele vem - sem ser convidado.


Há pendências batendo à porta. Esse estranho caminho que me conduz por encruzilhadas desconhecidas, me mantém em alerta.
Os sinais que a vida dá são claros. Dizem tudo o que eu preciso saber. Mostram caminhos.


Rita Padoin
Escritora