A Metamorfose do Afeto Há um... Luciano Bento
A Metamorfose do Afeto
Há um silêncio sagrado nas coisas que não se explicam apenas pela lógica, mas que encontram morada na sensibilidade de quem sabe escutar o mundo com os olhos da alma. É nesse território onde a espiritualidade do eu se funde à espiritualidade com a natureza que se compreende a verdadeira dimensão da existência. As árvores não questionam suas raízes; apenas sustentam o peso do vento com uma força ancestral, ensinando que a autoconfiança e a autoestima não nascem do aplauso alheio, mas da certeza silenciosa de quem aceita o próprio ritmo e a própria coerência.
Às vezes, perde-se nas ilusões de um amor platônico, idealizando silêncios e distâncias que só existem na curva dos pensamentos. Mas a vida, em sua infinita sabedoria, devolve ao chão fértil do real quando transforma esse amor platônico em um amor de amizade — aquele que se disfarça de carinho cotidiano e se sustenta no cuidado mútuo de quem não exige nada, senão a presença. É o verdadeiro amor amigo, que chega sem estrondo, trazendo a certeza do bem querer e a paz de um abrigo seguro.
Nessa troca genuína, descobre-se o valor raro da reciprocidade. Não há balança pesando o que se dá ou o que se recebe; há apenas o fluxo natural de duas almas que se reconhecem e se validam. É a manifestação viva de um amor verdadeiro, despido de vaidades, que lembra que ninguém caminha só neste vasto labirinto da vida.
Por tudo isso, fica o profundo agradecimento à terra que sustenta os passos, ao vento que sopra o supérfluo e às mãos amigas que se unem quando a tempestade ameaça. Viver é a arte de traduzir em versos o que o coração, com seu ouvido absoluto, capta na sinfonia do universo.
Luciano Bento
