A arte deles No silêncio, eles criam... Dádiva Vilares
A arte deles
No silêncio,
eles criam mundos,
onde lágrimas caem sem ruído profundo,
mas transformam dor em algo fecundo,
e fazem do invisível o seu segundo.
São vozes que nascem na sombra,
ecos de quem nunca se dobra,
palavras que queimam e não se escondem,
memórias que sangram e não se afogam,
e verdades que na alma respondem.
Cada verso é um espelho partido,
reflexo do caos vivido e sentido,
do grito calado, mas não esquecido,
do sonho ferido, mas renascido,
do ser humano em busca de sentido.
Bob Marley foi voz e não silêncio,
foi luta, foi fé, foi renascimento,
foi reggae a quebrar o sofrimento,
foi amor em constante movimento,
foi história além do momento.
Clarice Lispector foi pensamento,
foi existir dentro do próprio tormento,
foi silêncio que grita sentimento,
foi alma em constante desalinhamento,
foi verbo que rompe o entendimento.
Fernando Pessoa foi fragmento e inteiro,
vários em si, num só passageiro,
Alberto, Ricardo, um mundo inteiro,
um ser que se fez verdadeiro
no jogo complexo do seu roteiro.
Frida Kahlo pintou a própria dor,
fez do sofrimento a sua cor,
do corpo ferido, um grande valor,
e da fragilidade… força e vigor,
do caos interno, expressão e amor.
Van Gogh mergulhou no sentir profundo,
transformou tormento em um novo mundo,
cada pincelada, um grito fecundo,
cada traço, um abismo imundo,
mas também luz em segundo.
Lupita Nyong’o trouxe presença e voz,
Chimamanda fez pensar por nós,
Malala lutou contra o algoz,
e Martin Luther King sonhou por nós,
mostrando que a coragem vive em nós.
Porque a arte deles não é só criação,
é identidade, é libertação,
é cicatriz que vira canção,
é dor que encontra redenção,
é eternidade em formação.
Eles não foram apenas passagem,
foram essência, foram linguagem,
foram ruptura, foram viagem,
foram mais do que simples imagem,
foram alma em transformação.
E nós…
somos o reflexo dessa herança,
somos a voz que ainda avança,
somos a dor que se lança
e encontra na arte a esperança,
num mundo que insiste em cobrança.
Porque no fim,
não somos apenas o que vivemos,
nem só o que aparentamos,
mas tudo aquilo que sentimos
e tudo o que deixamos.
E quando o corpo se apagar,
e o nome deixar de ecoar…
Será a arte a continuar.
