A PARÁBOLA DE QUEM APRENDEU A CAMINHAR... Guellor Gastón Manuel
A PARÁBOLA DE QUEM APRENDEU A CAMINHAR EM SILÊNCIO
Houve vitórias que chegaram como amanheceres discretos, sem taças erguidas nem mesas repletas de celebração. Venci, mas não estive presente nos jantares da festa. Não por me faltarem razões para comemorar, mas porque aprendi que algumas conquistas florescem melhor longe dos holofotes, onde o aplauso não confunde o propósito.
Observo como quem lê o vento antes da tempestade. Falo pouco, porque nem toda palavra merece nascer, e, por vezes, escolho não olhar para aquilo que não alimenta a minha caminhada. Nem tudo merece reação; nem toda provocação merece o eco da minha voz.
Também aprendi que, quando o preconceito ergue muralhas, talvez aquele chão não seja o lugar onde devo lançar as minhas raízes. Não preciso convencer todos do meu valor. Basta-me continuar a construir, pedra sobre pedra, algo tão sólido que nem o tempo consiga apagar.
Hoje, caminho com as convicções acesas, os planos guardados como sementes sob a terra e a serenidade de quem conhece o rumo, mesmo quando a estrada se cobre de neblina. Se o ambiente se torna tenso, não entrego a minha paz à agitação alheia. Há tempestades que passam sem conseguir mover uma única raiz.
Existem planos que ainda precisam do abrigo do silêncio, sonhos que devem ser protegidos antes de verem a luz e compromissos com Angola que carrego comigo, ao lado da cota, com responsabilidade, coragem e visão de futuro.
Continuo em paz, com os olhos abertos, os passos firmes e o futuro aceso no horizonte.
