Sim, Bebelle. Muitos anos depois, ainda... Northon Salomão de Oliveira

Sim, Bebelle. Muitos anos depois, ainda nos vingamos em silêncio, acomodados em nosso berço esplêndido, distantes do antigo campo de batalha. Já não há trincheiras, apenas a distância segura de quem aprendeu a transformar o tempo em testemunha e a memória em recompensa.


Ao redor, os pássaros continuam cantando, indiferentes às pequenas guerras humanas, enquanto as máquinas avançam, silenciosas, ocupando os espaços que um dia pertenciam apenas às mãos. E talvez exista nisso uma estranha ironia: enquanto o mundo acelera, conseguimos finalmente registrar o tempo, arquivá-lo, medi-lo e, graças às próprias máquinas, até sermos remunerados por aquilo que antes simplesmente deixávamos passar.


A vingança, afinal, nem sempre precisa de sangue. Às vezes, basta sobreviver ao tempo, contemplá-lo de longe e descobrir que até os anos podem trabalhar por nós.