Texto sobre Avô

Cerca de 261 texto sobre Avô

Do liro de meu querido avô "Antes q chegue o Outono"

Dos espinhos tirei corações,
Das pétalas eu fiz poesia
Aqui tem nossos coraçoes
Pra voce ter alegria.
Se as rosas nao forem o bastante
Que mais lhe poderia dar?
Nao me lembro aqui nesse instante,
Talvez a terra,o céu ou o mar;
A terra...é fria e puro chão,
Ela é parte de nós também!
Pra rosas tem muito valor,
Enquanto o mar..(meus parabéns!)
Do céu, nós não abrimos mão.
Aceite as rosas com amor.

Inserida por RebecaFreitas

Conselhos

Já dizia minha Avó: Deixem as crianças brincar.
Já dizia meu Avô: Daqui a pouco um chóra.
Já dizia meu Pai: Seja gentil.
Já dizia minha Mãe: Juuííízo!!!
Já dizia meu amigo: Fique tranqüilo.
Já dizia minha amiga: Pena sermos tão amigos
Já dizia meus colegas: Fudeu, corre!
Já dizia minha primeira namorada: Você beija bem.
Já dizia minha última namorada: Você beija muito bem!
Já dizia meu vizinho: A vizinha do lado é boa né?
Já dizia minha vizinha do lado: Porque me olhas diferente?
Já dizia o buteco: Fiado não!
Já dizia o Hospital: Silêncio
Já dizia o lugar fechado: Não fume!
Já dizia o fumante: Vou lá fora.
Já dizia o boêmio: Eu sou poeta.
Já dizia o poeta: Eu sou boêmio.
já dizia a música: Flutue.
Já dizia a letra: Me cante.
Já diziam os antigos: Se conselho fosse bom não daria , vendia!
E eu... eu sempre te disse:
Sou poeta, boêmio, beijo muito bem, flutuo e canto pra você :
EU TE AMO!

Inserida por AndersonMelo13

Sou mãe/tia/avó/bisavó

Uma mulher chamada Anne foi renovar a sua carteira de motorista.
Pediram-lhe para informar qual era a sua profissão.
Ela hesitou, sem saber bem como se classificar.
"O que eu pergunto é se tem um trabalho", insistiu o funcionário.
"Claro que tenho um trabalho", exclamou Anne. "Sou mãe."
"Nós não consideramos 'mãe' um trabalho. 'Dona de casa' dá para isso", disse o funcionário friamente.

Não voltei a lembrar-me desta história até o dia em que me encontrei em situação idêntica. A pessoa que me atendeu era obviamente uma funcionária de carreira, segura, eficiente, dona de um título sonante, do gênero oficial inquiridor'.

"Qual é a sua ocupação?" perguntou.
Não sei o que me fez dizer isto; as palavras simplesmente saltaram-me da boca para fora:

"Sou Pesquisadora Associada no Campo do Desenvolvimento Infantil e das Relações Humanas."

A funcionária fez uma pausa, a caneta de tinta permanente a apontar para o ar, e olhou-me como quem diz que não ouviu bem. Eu repeti pausadamente, enfatizando as palavras mais significativas. Então reparei, maravilhada, como ela ia escrevendo, com tinta preta, no questionário oficial.

"Posso perguntar", disse-me ela com novo interesse, "o que faz exatamente nesse campo?"

Calmamente, sem qualquer traço de agitação na voz, ouvi-me a responder:
"Tenho um programa permanente de pesquisa (qualquer mãe o tem), em laboratório e no terreno (normalmente eu teria dito dentro e fora de casa). Trabalho para os meus Mestres (toda a família), e já passei quatro provas (todas meninas). Claro que o trabalho é um dos mais exigentes da área das humanidades (alguma mulher discorda?) e frequentemente trabalho 14 horas por dia (para não dizer 24...)."

Houve um crescente tom de respeito na voz da funcionária que acabou de preencher o formulário, se levantou, e pessoalmente me abriu a porta.

Quando cheguei a casa, com o troféu da minha nova carreira erguido, fui cumprimentada pelas minhas assistentes de laboratório - de 13, 7 e 3 anos.
Do andar de cima, pude ouvir a minha nova modelo experimental (uma bebê de seis meses) do programa de desenvolvimento infantil, testando uma nova tonalidade da voz.
Senti-me triunfante!
Tinha conseguido derrotar a burocracia!
E fiquei no registro do departamento oficial como alguém mais diferenciado e indispensável à humanidade do que "uma simples mãe"!

Maternidade... que carreira gloriosa!
Especialmente ao ter um título na porta.
Assim deviam fazer as avós: "Associada Sênior de Pesquisa no Terreno para o Desenvolvimento Infantil e de Relações Humanas".

As bisavós: "Executiva-associada Sênior de Pesquisa".
Eu acho! E também acho que para as tias podia ser: "Assistentes Associadas de Pesquisa".

Inserida por Epena

⁠Mas eu só tô sendo real quando eu digo
Que ninguém quer ouvir o avô do rap
Homens velhos tem ataques do coração
E eu não quero ser responsável por isso
Então largue o microfone e siga em frente
Você ainda pode ter um pouco de dignidade
Eu nunca reclamaria por ser um falso don corleone
De 100 anos de idade

Inserida por MCBigBen

METAMORFOSE.

Em uma manhã de domingo, o avô levou o neto ao jardim para ver as flores e também as borboletas. Ao ver as borboletas voando pelo ar e cheirando o néctar das flores a criança disse ao avô que quando crescer queria voar como as borboletas.

No caminho de volta para casa, o avô encontrou um ninho com ovos de borboleta. Três dias depois depois o avô chamou o neto e voltaram ao ninho, onde os ovos já haviam se transformado em larvas.

Voltaram para casa e o avô não disse nada ao neto, no quinto dia, o avô levou novamente o menino para ver o ninho, e as larvas haviam se transformado em pequenas lagartas.

Curioso perguntou ao avô por que ele os havia trazido várias vezes apenas para mostrar o que estava dentro do ninho e depois ir embora.

O avô respondeu calmamente ao neto: "Sabe aquele dia em que fomos ao jardim e você disse que queria voar como aquelas borboletas?"

"Sim", respondeu o neto ao avô. Então o avô disse: "Não é tão fácil voar, você terá que enfrentar várias transformações. Aquelas borboletas não nasceram voando, elas foram obrigadas a enfrentar várias metamorfoses para se tornarem borboletas".

Assim é a vida, às vezes queremos que as coisas aconteçam de uma hora para outra, mas o essencial é viver o processo de cada momento. A vida é única e cada momento será único em sua vida.

Inserida por Eraldosilva123

Minha avó uma vez pediu-me para comprar uma tesoura, um escorredor de macarrão e um vidro de azeite no mercado, em Niterói, quando eu tinha 12 anos. A rua era Cel. Gomes Machado. Quando eu saí de casa, lembro que também ficaram aguardando duas tias, que ajudavam ela naquele sábado, na cozinha. Esse pedido caía do céu para mim que estava de castigo. A casa ficava na Rua Coronel Senador Vergueiro da Cruz, ao lado do escadão que sobe para o morro do Cavalão. A razão do castigo já não lembro. Lembro-me, sim, que só poderia sair para comprar as coisas e voltar. Fiquei feliz com a tarefa libertadora. E mais feliz fiquei quando, ao dobrar a esquina da Rua São Pedro com Visconde de Itaboraí, verifiquei que se tirava “par ou ímpar” para jogar uma “pelada”, no trecho compreendido entre a Rua de São Pedro e a Cel. Gomes Machado, justo no caminho do mercado. Entrei no páreo e fui escolhido para jogar em um dos times. A galera era sempre a mesma; os amigos da rua que moravam por ali. Só quando a partida acabou lembrei-me da encomenda e fui correndo para o mercado. Lá chegando peguei as coisas e, ao procurar o dinheiro que vovó tinha deixado comigo não o encontrei no bolso. O dono do mercado, Milton Duarte de Castro, percebendo o meu embaraço, perguntou onde eu morava e de qual família eu pertencia. Por minha sorte, dispensou-me do pagamento, não sem antes puxar a minha orelha, com bom humor, para que eu tivesse noção da responsabilidade que um menino deveria ter na execução de um mandado. E que o bom negociante além de ser amigo da família, percebera, também, que suado como estava e com os pés imundos, só podia ser em razão dos folguedos da própria idade. O dinheiro, certamente, caíra na rua.
Agora, a história avança vinte anos...
O mercado já não existe mais. Há agora, na Rua José Clemente, uma loja de instrumentos musicais. Lembrei desses momentos quando era garoto e resolvi entrar naquele lugar fazendo uma pauta para O GLOBO-NITERÓI que foi capa daquela edição de sábado, e que falava sobre a diversidade musical da cidade. Ao olhar para o balcão, fiquei surpreso: Já mais velho, “seu Duarte”, o responsável pela loja, era o mesmo bom homem que, há vinte anos atrás, me desembaraçara de uma dívida de poucos cruzeiros na época. Pedi licença e resolvi me apresentar novamente, depois dos vinte anos, para contar-lhe esta história da qual, como não poderia deixar de ser, ele já não se lembrava. Foi um encontro agradável e, da minha parte, muito comovente. Eis a razão desse texto relacionar-se à amizade. “Seu Duarte” só lembrou de mim depois que falei o nome do meu avô. Ao perguntar se eram amigos, ele ficou com os olhos cheios d´água e respondeu: “fomos grandes amigos”. Não entrei na questão, apenas retribuí o sorriso e lembrei que, há vinte anos, ele não me cobrou o dinheiro quando falei o nome do meu avô. Disso tudo ficou uma lição: o importante numa amizade não é reconhecer somente o amigo, mas também o que é parte dele.

Inserida por AlessandroLoBianco

Ser Mae pela a analise de um avô babão

Parece que ontem, quando minha querida filha em um restaurante ( bibi sucos ) me sentenciou a vontade de ser mãe .......
O que você acha pai ???????
Olha que eu sonhava com esse momento há séculos !!!!!!
Quem não sonha ????
Ver de novo meu filho ou filha nascerem de novo ????
Viver de novo aqueles momentos maravilhosos , obvio com
Escutar de todos , principalmente da mulher e filha , vc é desajeitado , não tem jeito , cuidado heeeeeeeemmmmm....Coisas e afazeres que nós homens , mesmo com o melhor doutorado em filhologia nunca vamos substituir um simples cuidado de mãe ou avó .
Mais que depressa expressei :
Que bom querida , que maravilha.......
Não vejo a hora .....
Nasceu a Rafa , que coisa deliciosa !!!!!!
Me deliciei quando ela chorou pala primeira vez .......
Uma vida nascida de minha vida que mais aprecio e amo , a minha filha !!!
Me delicio quando aquele portão automático se abre e vejo as duas sorridentes com o querido Andre .....
Me delicio quando a pego no colo e a acaricio no meu corpo , sinto- Me mais jovem , porque parece que tudo voltou de novo!!!!!
Minha filha , você não imagina a felicidade que hoje estou
Porque sei da sua imensa felicidade
com a Rafa e eu só sinto felicidade quando você mamãe Renata está também feliz
Um beijo enorme no seu coração pelo primeiro ano de MÃE em toda a acepção da palavra
De seu papai
Rabudo .....

Inserida por Rai1945

Isabella
Isa , Isabella , você é meu encanto ,que Me faz aos 4 cantos ser o avô mais feliz do mundo

Desse mundo , vasto mundo , mas como dizia o poeta sou Raimundo , uma rima e não solução

Mas com ela , a Isabella , comigo na balela,
Me sinto a solução de tudo....
e não rima somente , rima!!!

Inserida por Rai1945

⁠Pandemia

Morre o pai,
Morre a mãe,
Morre o filho e a filha,
Morre o avô e a avó,
Morre o tio e morre a tia,
Morre o vizinho e a vizinha,
Morre o amigo e a amiga,
Morrem todos e você, ainda não.
Entenda que todos os que morreram viveram a vida, breve como está sendo a sua até aqui.
Entenda a importância que você tem para continuar a história daqueles a sua volta morreram daqui para frente.
Não jogue fora o que você aprendeu com isso tudo, não seja idiota em banalizar e fazer tudo errado, pois o dia que você se for, quem ficar vai também decidir dali para frente o que fará com o que você foi e representou.
Se você não se importa com isso, então sua vida até aqui não vai fazer nenhuma falta.

Inserida por Samirsjs

"⁠Lembro de uma frase que minha avó repetia quando eu queria ir brincar na rua.
ela me dizia:
"quem não tem irmão, brinca sozinho."
Ela estava me ensinando uma verdade importante da vida adulta.
Claro, que não devemos ser egocêntricos.
Mas é preciso aprender a ser feliz sozinho.
Sua felicidade, sua responsabilidade!"

Inserida por Niltinho93

⁠Das estrelas da manhã, na despedida da Avó Lua nasce o pai Sol, força do fogo na Terra, trazendo com ele todos os renascentes que abrem os olhos em silêncio e se reabrem em alegrias na busca do gestar um mundo repleto de paz e abundância! As Mulheres são as gestantes da paz do Universo. Mulher hoje é seu dia, honre suas ancestrais que chegaram primeiro, reconheça a sua presença neste tempo cósmico! Mulheres curem-se, vibrem com a sua evolução para que possam dar à luz a todos os seres em reverência e sentido da vida! lembrem-se a força do nascer do Sol está em você!
Homens, honre a sua força feminina e sinta a amorosidade de tudo que É!

Inserida por giovanabarbosac

Ahhh minha avó, querida avó! Como foste para mim uma espécie de rei Davi: que deixara tudo pronto para seu neto, espécie de Salomão, seu filho, a quem fora incumbido a erguer a espécie do glorioso templo de minha VITÓRIA!

De: Fábio Silva para a: eterna, saudosa e inesquecível dona Celina.


08.12.2019 às 08h06m

Inserida por FabioSilvaDN

O Dourado Estelar que Permanece⁠ em Mim

Minha avó:
Amor sereno que guardo no meu sorriso,
Saudade que não está mais no meu choro contido;
Mestra transfigurada em mim.
Em momentos assim
Liberto o meu riso, rio
E todas as sombras desistem
De escurecer o meu dia
E o dourado estelar é
Lembrete do que
A minha avó dizia...

Inserida por SuzeteBrainer


Mãe é mãe!
Eu sou MÃE...
Mas MÃE também pode ser a avó, pode ser a tia; Pode até ser aquela melhor amiga; A madrinha, ou até mesmo a filha...
E se alguém não recebeu a graça da maternidade, também pode ser mãe do coração.
Mãe é mãe!
Não importa a cor, a religião...
Ela é quem canta as primeiras canções que ouvimos e une nossas mãos para nossas primeiras orações.
Ama incondicionalmente!
É um dom supremo de Deus.
Ama o pequeno até que cresça; Ama a vida inteira.
E é no coração de uma MÃE que se faz a verdadeira morada do amor.
Parabéns a todas as mães!

🌹

Inserida por EnesCarvalho

⁠ As lágrimas aqui , lembrando minha avó paterna Negra , doméstica , mãe do filho ilegítimo do patrão ..
Essa pele mais clara que carrego e me oferece privilégios , não me dá o direito de esquecer minhas irmãs , me dá o dever de ser voz e luta contra toda forma de opressão e racismo , esteja eu onde eu estiver !!

Inserida por Bia-Domingues

⁠Nasci música,
Cantava quado criança
Minha avó materna pedia , canta aquela da Ângela Maria ..
Eu repetia o refrão
" Índia Paraguaia vem me enfeitiça com teu olhar"
Que tinha escutado no rádio.
Nas alegrias e tristezas
Eu cantava...
Se alguma frase lembrava uma música.
Eu cantava...
Se alguém pedia, ah eu cantava.
A música habita até hoje
Em mim, eu sou música...
Minha religiosidade é musical.
Meu rezo é cantado.
E eu bailo com s Deuse@s.
Minha poesia é prosa e canção.
Então se eu amar você, tenha certeza.
Sim eu vou cantar para você!

#emíliadomingueslocutora
#mestraemiliadeboiadeiro

Inserida por Bia-Domingues

⁠AVÓ ESPERA

Eu já me ia esquecendo
Na voracidade do tempo
De te lembrar, estremecendo,
Neste nevoeiro tão tenso.

Tudo o que pediste, eu cumpri:
"quando fosses velhinha,
Que te desse ao menos, uma sopinha.

E eu dei-ta e muito mais
Que o que me pedias, avó.
Fui teu confidente,
Tua companhia no só,
Teu neto, sempre de frente.
"Põe-me, quando eu morrer,
Florzinhas no meu jardim,
Uma luz para eu ver,
Quem é que gosta de mim..."

Disso, avó, não me esqueci
E tu sabes bem que não,
Os que sempre gostam de ti,
São flores vivas em botão.

(Carlos De Castro, in Há um Livro Por Escrever, em 15-03-2023)

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

⁠QUE SOSSEGO

Era só a minha avó.
E em tardes de calmaria
Debaixo da velha ramada
Das folhas do morangueiro
O corriqueiro,
Americano,
Ela, aos botões, dizia:
- Que sossego! Bendito ano!

Ela não sabia
Que eu estava
Com ela,
Mirando-a de uma janela
Pequenita que havia
Logo atrás dela.

E eu ouvia tudo naquela viagem
Feita miragem
Que minha avó fazia,
De consciência apurada,
Sem precisar de andar
Ou sola dos chinelos gastar
Em qualquer estrada...

Foi ela que me ensinou,
Aqui onde vou,
Que para sonhar,
Só basta estar!

(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 29-05-2023)

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

Apenas uma frase muda uma história. Maria do Carmo Boaventura, minha avó, era filha de Pedro Camilo de Castro e Albina Gonçalves Boaventura, fruto de uma relação frustrante. José de Castro, tio de minha avó, deixou meu bisavô fazer uma bela casa nas terras dele. Com o voto de confiança que Pedro Camilo tinha pelo irmão, não desconfiava da inveja que o mesmo poderia ter. Ao conversar com o irmão José de Castro, houve informação falsa e enganosa e, logo após a conversa, brotou muita desconfiança de traição da parte de minha bisavó. Depois de uma fofoca sem provas concretas, o casal teve um destino difícil, traumatizante, principalmente para minha avó, que era um bebê e precisava dos pais juntos para ter uma história mais próxima da felicidade.
Maria do Carmo Boaventura nasceu em Capelinha do Chumbo. A parteira era vizinha da família. O método do parto era bem rude; não havia hospitais próximos, e tudo se resolvia com as parteiras amigas. Albina ficou morando lá na nova casa 1 ano e 6 meses; a partir daí, suas vidas tiveram um rumo muito triste.
Pedro Camilo de Castro separou-se de Albina Gonçalves Boaventura. Minha querida bisavó implorou para que isso não acontecesse. Houve gritos e desespero, mas não foi possível controlar a situação. A fofoca diabólica do irmão foi o início da mudança da história de um anjinho. O marido disse que se separariam, mas havia uma condição: sua filha iria junto. Afirmou, também, que a traição é inadmissível. Ela exclamava bem alto que ele tinha de acreditar nela, que o amava e só tinha olhos para ele, que era incapaz de traí-lo e só ficava em casa lavando roupas e cuidando da filha. Por fim, disse que até poderia morrer. Minha avó beijava sua mãe, chorava muito. A pouca vizinhança ouvia a discussão com pena da situação. Vovó grudava na minha bisavó, mas, mesmo assim, meu bisavô, um homem rude, seguiu em frente. Tomou minha avó pelos braços, entrou na casa, depois foi embora, tomando rumo ignorado. Entregou a chave da casa para o irmão, pegou minha avó e desapareceram daquele lugar. Sem saber o que fazer, os dois perambulavam no sol escaldante. Passaram perto de um casarão, entraram num portão. Havia um corredor de árvores, uma passagem muito fresca, com ventinho agradável. Avistou Palminda sentada no alpendre. Aproximaram-se, minha avó enrolada num pano branco. Ele pediu água e deu a minha avó um pouquinho do líquido. Palminda encantou-se com o bebê, e meu bisavô perguntou se poderiam ficar, tentando resolver a situação em que se encontravam. Palminda aceitou. Quando meu bisavô Pedro Camilo voltou para buscar a filha, esta já estava chamando Palminda de mãe. Admirado com os bons tratos, resolveu doar a filha para o casal de idosos Joaquim Sebastião Borges e Palminda da Fonseca. Joaquim é avô de José Leandro Borges. Maria do Carmo familiarizou-se muito rápido com a nova família, pois lá estavam a Dona Ana, sua irmã de criação, e meu avô morando no mesmo teto. Vovô e vovó, encantados, começaram a namorar e casaram-se bem jovens, ela com 14 anos, ele com 18 anos. Meus trisavós apoiaram o romance. Namoraram por 3 anos e ficaram noivos. O trisavô prometeu uma festa de arromba. Cumprindo o prometido, matou 1 boi, 1 porco, 8 galinhas, fez galinhada, tutu, pelotas, sucos de limão e laranja, pinga alambicada, contratou um sanfoneiro animado que tocava sanfona e cantava música raiz. Houve muito arrasta-pé. Foram convidadas muitas pessoas amigas da família e parentes. Na hora da festa, os padrinhos de casamento venderam a gravata e arrecadaram uma grana boa. Para ficar mais completa a colaboração, o trisavô deu uma fazenda para os jovens casados começarem a vida, na localidade de Peroba, município de Lagoa Formosa. Logo depois de um ano de casados, tiveram a primeira filha, que recebeu o nome de Maria Borges. Alguns anos depois, nasceram Eva Borges, Pedro Leandro de Castro e, por fim, Madalena Borges. Com o passar do tempo, morreram prematuramente seis filhos.
O ofício de costureira de minha avó ajudou seu esposo, José Leandro Borges, a criar a família. Nas décadas de 60, 70 e 80, ela decidiu trabalhar na área de costura. Havia muito trabalho em Patos de Minas, pois eram poucas as costureiras. Os clientes eram muito fiéis. Uns vinham de Lagoa Formosa para a feitura de ternos, vestidos, calças de brim, boinas, etc. Depois de 30 anos de trabalho, uma catarata afetou minha avó, e tiveram de reduzir os serviços. Madalena teve uma infância harmoniosa com os irmãos mais velhos. A diferença de idade da irmã mais velha, Maria Borges, é de 20 anos. Toda vez que os irmãos iam à casa de meus avós, encontravam as mulheres costurando e gostavam muito disso. Sebastião saía e comprava pães, balinhas e picolés para os sobrinhos; era uma festança. Pegava-se água da cisterna para fazer café. O bom de prosa Juca Sertório chamava todos os filhos para se sentarem à mesa que ficava na varanda no fundo da casa, em frente ao pomar de frutas, o galinheiro e o viveiro de mudas. Ali saíam assuntos maravilhosos do tempo da vida em Lagoa Formosa, do empreendimento do viveiro de mudas, da venda de muitos caminhões de café e eucalipto. Naquele dia, depois de vovó preparar o café, colocava na mesa pães de queijo, biscoitos, roscas caseiras. No momento da prosa, sugeriu-se que José Carrilho e o primo Itamar de Castro tomassem conta de uma mercearia que meu avô montaria para os dois netos. Antes do fim da proposta, os dois netos pulavam de alegria. José Carrilho, que tinha a doutrina cristã e pensava em ser frade, gritou: “O nome da mercearia será ‘São Pedro’, do qual vovó é devota”. Todos apoiaram a sugestão. Minha avó olhou para as netas Eni e Maria Luzia, que tinham desejo de morar com os avós. Elas receberam esse convite e o aceitaram. Para mostrar gratidão, todos os dias as netas lavavam a casa, arrumavam as camas dos avós, tratavam das galinhas. E não ficou só nisso. Outros dois netos, Netinho e Ernane, foram convidados a garimpar nos rios Abaeté e Paranaíba. Arnaldo contraiu reumatismo juvenil e ficou com sequelas nas articulações, por isso não podia participar dos convites junto com os irmãos; estava internado fazendo tratamento e todos orando por ele.
Minha mãe, Madalena, gosta de frisar com orgulho que nasceu em Lagoa Formosa, sua terra querida, cheia de natureza e pessoas simpáticas, hospitaleira, onde morou por onze anos e teve vários amigos, que faziam parte de seu cotidiano. A casa era feita de adobe grande e cheia de gente da família. Madalena, as amigas vizinhas e os primos iam para o quintal comer frutas, brincar de casinha, pique, esconder, amarelinha, elástico e criar bonecas de espiga de milho para brincar, aproveitando para aprender a fazer trancinhas nas espigas de milho.
E no quintal de 3 mil metros quadrados, no centro da cidade, com pomar de frutas, horta e muitos pássaros, minha avó fazia biscoitos em um forno feito de barro, pães de queijo, biscoitos de espremer, cultura esta que, com o tempo, foi ficando mais escassa e sendo substituída por moradias verticais, concretos e por tecnologia.
Em 1959, período em que o País vivia sob pressão da ditadura militar, Madalena estudou nas Escolas Normal e Professor Sílvio de Marcos; esta pertencia à Penha e hoje é o Colégio Tiradentes. Nas escolas havia regras; as alunas eram obrigadas a ir à escola de uniformes padronizados; tinham que usar boinas, meias brancas, sapatinhos e saia pretos, camisas brancas, gola marinheiro muito bem passada. A sala muito cheirosa, as meninas iam bem perfumadas. Durante a juventude, curtiu muito com os amigos. Gostava de frequentar a Recreativa e o Social, ir aos cinemas Garza e Riviera. Os jovens trajavam terno e gravatas, e as meninas, vestidos sociais, enfeitados de pérolas, os quais eram confeccionados por Madalena e pela mãe dela. Naquela época não se viam mulheres andando de calça feminina, comprida: era chamada de eslaque. Com 22 anos, Madalena conheceu o Lázaro, na Recreativa. Os bailes eram bem clássicos, com o som de umas bandas de Brasília, os Asteroides, banda patense que tocava Beatles, Elvis, Mutantes, Geraldo Vandré e outras músicas contemporâneas. Época do vaivém, em que os homens faziam um corredor no passeio, e as mulheres passavam de braços dados umas com as outras. O vaivém ia da General Osório à Olegário Maciel. Os postes de iluminação localizavam-se no meio das ruas. Os veículos tinham de desviar-se dos postes, pedestres e ciclistas. As motos mais sofisticadas eram as lambretas.
Lázaro andava de garupa com o amigo Dão, ambos de terno e gravata, curtindo a noite na pacata Patos de Minas.

O flagelo da perda de uma mãe é um pesadelo eterno, e o desprazer de nunca ter sentido o calor de uma mãe é estar em um Ártico Polar
Fábio Alves Borges

Inserida por FabioAlvesBorges

Pelo Retrovisor


⁠"O avô que eu não tive
Nunca me contou histórias,
Jamais me levou para passear
Ou mesmo para tomar sorvete

Isto porque ele morreu
Muito tempo antes de eu nascer
Apesar desta ausência,
Esteve sempre ao meu lado,
Iluminando meus passos
Pelas trevas da vida.

Apesar de morto, ele vive
Transmitindo-se,
Atávico e improvável
Através dos livros velhos da estante.

No olhar castanho de meus tios
No caráter reto do minha mãe
Na memória de seus amigos

Assim, ele segue vivendo
E enquanto for contada
E recontada a sua história

Ele vencerá a morte
Através da memória."

Inserida por samuelfortes