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ROMANCE: CLADISSA.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro

CAPÍTULO X
As Pedras da Prisão.
A noite descera sobre a Úmbria como um pesado sudário.
Nas profundezas do antigo cárcere episcopal, Irmã Cladissa permanecia sozinha.
A cela era estreita. O odor de umidade impregnava as paredes de pedra, enquanto a escassa luz de uma tocha distante projetava sombras vacilantes através das grades enferrujadas. O inverno aproximava-se das colinas italianas, e o frio infiltrava-se pelas fissuras da construção secular, envolvendo o ambiente numa melancolia quase sepulcral.
Sentada sobre um banco rudimentar, Cladissa mantinha as mãos unidas sobre o colo.
Seu hábito, outrora impecável, agora trazia as marcas do confinamento. Ainda assim, sua postura permanecia serena. Havia em seu semblante uma dignidade silenciosa que nem os carcereiros conseguiam compreender.
Desde sua prisão, muitos dias haviam transcorrido.
As acusações permaneciam envoltas em ambiguidades, tecidas entre suspeitas, intrigas e interesses eclesiásticos que ultrapassavam sua compreensão imediata. O mosteiro do qual viera, situado entre as suaves elevações da Úmbria, encontrava-se distante. Talvez demasiado distante.
Pela pequena abertura gradeada, Cladissa contemplava uma estreita faixa do céu noturno.
As estrelas.
Sempre as estrelas.
Quando ainda era noviça, uma anciã do convento costumava dizer que os céus eram a única liberdade impossível de ser confiscada pelos homens.
Naquela noite, tais palavras regressaram-lhe à memória.
Subitamente, passos ecoaram pelo corredor.
Firmes. Lentos.
A religiosa ergueu os olhos.
Uma figura encapuzada aproximou-se acompanhada por um guarda. O homem carregava consigo uma lanterna e, após breve diálogo com o carcereiro, este afastou-se sem pronunciar palavra.
Por alguns instantes, apenas o silêncio permaneceu entre ambos.
Então, a figura retirou lentamente o capuz.
Cladissa reconheceu imediatamente o rosto.
Era Madre Agnese.
Sua antiga superiora.
Os olhos da anciã estavam marcados pela exaustão.
"Filha", murmurou ela através das grades, "o mundo além destes muros encontra-se em convulsão. Muitos desejam teu silêncio. Outros temem aquilo que sabes."
Cladissa permaneceu imóvel.
"Eu nada possuo além da verdade, madre."
A velha religiosa esboçou um sorriso triste.
"E, justamente por isso, tornaste-te perigosa."
Um longo silêncio instalou-se.
Ao longe, os sinos de uma igreja anunciaram as completas.
Cladissa fechou os olhos.
Na solidão da prisão, compreendeu que sua batalha apenas começava. Não se tratava unicamente de sobreviver ao cárcere, mas de preservar intacta a própria consciência diante das forças que procuravam dobrá-la.
As pedras podiam aprisionar o corpo.
Contudo, nenhuma muralha construída pelos homens seria suficientemente espessa para encarcerar uma alma fiel às suas convicções.
E naquela noite, enquanto o vento percorria os vales da Úmbria, Irmã Cladissa rezou.
Não por libertação.
Mas por coragem.

CLADISSA -
ROMANCE DE:
Marcelo Caetano Monteiro.

CAPÍTULO XXI
A DIGNIDADE DO PENSAMENTO.
O entardecer descia lentamente sobre as colinas da Úmbria. As muralhas do mosteiro, erguidas em pedra austera, recebiam a luz crepuscular que lhes dava uma aparência grave e solene. No interior da antiga sala capitular, onde tantas decisões haviam sido tomadas ao longo das décadas, uma atmosfera de tensão espiritual parecia suspensa no ar.
Ali estava Cladissa.
A jovem mantinha postura serena, embora soubesse que sua presença naquele recinto não era um simples chamado disciplinar. Diante dela encontrava se o superior da ordem, homem de idade avançada, cuja autoridade era reconhecida tanto pela hierarquia religiosa quanto pelos senhores feudais da região.
Entre ambos havia silêncio.
Não era um silêncio vazio. Era o silêncio das épocas em que ideias novas ameaçam tocar os alicerces do costume.
O superior observava Cladissa com uma mistura de inquietação e severidade.
Filha, começaram a chegar relatos perturbadores sobre tuas palavras. Dizem que tens falado de liberdade entre os irmãos, de consciência livre diante de Deus, de pensamento que não se curva diante da tradição.
Cladissa não abaixou os olhos.
Sei do que falam, respondeu ela com serenidade. Mas nada disse que não esteja já gravado no espírito humano desde sua origem.
O velho religioso inclinou levemente a cabeça.
Explique se.
A jovem respirou profundamente, como quem recolhe as próprias convicções na região mais íntima da alma.
Deus concedeu ao ser humano algo que nenhuma instituição pode possuir em seu lugar. A consciência. E onde existe consciência, existe também o direito de pensar. Se a fé não puder atravessar o crivo da razão, então ela não passa de temor disfarçado.
O superior franziu o semblante.
Cuidado com tuas palavras. A liberdade que defendes pode dissolver a ordem que protege a fé.
Cladissa respondeu com voz firme, porém respeitosa.
Não é a liberdade que destrói a fé. É o medo que a enfraquece. Quando a verdade é autêntica, ela não teme o pensamento. Pelo contrário, ela o convida.
O religioso levantou se lentamente.
Durante séculos, a Igreja preservou a unidade da crença. Sem autoridade, o mundo mergulha no caos das opiniões.
Cladissa ergueu o olhar para a janela estreita por onde a última luz do dia penetrava.
A unidade que nasce do medo é apenas silêncio imposto. A verdadeira unidade nasce da compreensão. Cada espírito caminha por sua própria jornada interior. Nenhuma alma cresce sob o peso da imposição.
O superior caminhou alguns passos pela sala.
Tua linguagem é perigosa. Ela semeia inquietação. As pessoas simples não compreendem essas sutilezas. Precisam de orientação, não de questionamentos.
Cladissa voltou a fitá lo.
A orientação não deve apagar a luz interior do homem. Quando a autoridade impede o pensamento, ela transforma a fé em servidão.
O silêncio tornou se mais pesado.
Por alguns instantes, o superior pareceu lutar internamente entre a admiração e o dever institucional.
Sabes que muitos já te acusam de heresia.
Cladissa respondeu sem hesitação.
Se pensar é heresia, então a própria razão humana seria uma falha na criação divina. Mas eu não creio que Deus tenha criado o espírito humano para que ele viva acorrentado.
O velho religioso fixou nela um olhar profundo.
Estás consciente das consequências de tuas ideias.
Sim.
E ainda assim as defendes.
Sim.
A serenidade da resposta parecia mais poderosa que qualquer desafio.
Cladissa continuou.
A verdade não pertence às instituições. Ela pertence ao espírito que busca compreender. Se o homem não puder perguntar, também não poderá aprender. E se não puder aprender, permanecerá sempre infantil diante do universo.
A noite começava a cair.
Lá fora, passos ecoavam no pátio de pedra.
O superior voltou lentamente à cadeira.
Filha, talvez não percebas que tuas palavras abrem portas que muitos temem atravessar.
Cladissa respondeu com doçura grave.
Toda época teme o primeiro passo em direção à liberdade. Mas o pensamento é como o vento. Pode ser contido por algum tempo, porém jamais aprisionado para sempre.
Naquele instante, a porta da sala capitular abriu se com brusquidão.
Dois guardas do senhor feudal entraram.
O superior não se moveu. Seu olhar permaneceu fixo em Cladissa.
Ela compreendeu.
A jovem ergueu se com dignidade tranquila, como alguém que já esperava aquele momento.
Antes de sair, voltou se uma última vez para o superior.
A liberdade de pensar não nasce da rebeldia. Nasce da própria estrutura da alma humana. E um dia, mesmo aqueles que hoje a temem compreenderão que nenhuma verdade pode florescer sob correntes.
Cladissa foi conduzida para fora.
A porta fechou se lentamente.
E na sala silenciosa permaneceu apenas a inquietação de uma ideia que, uma vez pronunciada, jamais poderia ser completamente silenciada.
Porque quando uma consciência ousa afirmar a dignidade do pensamento, ela inaugura no mundo uma chama que nem mesmo as sombras da história conseguem apagar.

CLADISSA - ROMANCE.
CAPÍTULO XI
A CATADUPA.

A notícia do que acontecera na praça espalhou-se pelas aldeias vizinhas como fogo em palha seca. Não demorou três dias para que a versão chegasse aos ouvidos de Raniero di Montefalco, e quando chegou, não veio como relato — veio como afronta.

O escriba Gualtiero apresentou-se diante do senhor feudal com o pergaminho em branco e a dignidade em frangalhos. Disse que uma camponesa o enfrentara. Disse que uma voz saíra daquela mulher que não era humana. Disse que seus próprios soldados haviam recuado.

Raniero não acreditou na voz. Acreditou na desobediência.

Enviou desta vez não três cavaleiros, mas doze homens armados, sob o comando de Enzo di Gracco, capitão de confiança, homem de mandíbula quadrada e olhos que não conheciam hesitação. Trazia consigo uma ordem selada: registrar as mulheres, prender quem resistisse, e se necessário, fazer da aldeia um exemplo.

Chegaram ao amanhecer de um sábado, quando a névoa ainda cobria os campos e o sino da igreja ainda não tocara.

Cladissa estava na casa de Teodora.

A velha adoecera na noite anterior. Uma febre súbita, acompanhada de tremores que lhe sacudiam o corpo como se mãos invisíveis a chacoalhassem. As netas choravam num canto. Marta tentava aplicar panos úmidos na testa da anciã, mas Teodora já não respondia. Seus olhos estavam abertos, vítreos, fixos num ponto que ninguém mais via.

— Ela está a morrer — sussurrou Giovanna, encostada à parede com os braços cruzados, mas desta vez sem ceticismo. Com medo.

Cladissa ajoelhou-se ao lado do leito. Tomou a mão de Teodora entre as suas. A pele da velha era fria como pedra de rio no inverno.

— Teodora... estou aqui.

Nenhuma resposta.

Foi então que ouviram os cavalos.

O som dos cascos sobre a terra batida chegou primeiro como vibração no chão, depois como trovão crescente. Beatrice correu à janela.

— São muitos. Muito mais do que da outra vez.

Marta empalideceu. As filhas de Pietro agarraram-se uma à outra. Giovanna cerrou os punhos.

Cladissa não se moveu. Permaneceu ajoelhada junto a Teodora, com os olhos fechados, como se o mundo lá fora pudesse esperar.

Mas o mundo não esperou.

A porta da casa foi aberta com um chute. A madeira velha estilhaçou-se contra a parede. Dois soldados entraram com as espadas embainhadas mas as mãos nos punhos. Atrás deles, Enzo di Gracco curvou-se para passar pela porta baixa, e quando se ergueu dentro daquela casa de camponeses, sua presença encheu o espaço como uma sombra que engole a luz.

— Qual de vós é a que fala com voz de demônio?

Ninguém respondeu.

Enzo percorreu o cômodo com o olhar. Viu as mulheres amontoadas. Viu a velha no leito. Viu Cladissa ajoelhada.

— Tu. — Apontou para ela. — Levanta-te.

Cladissa abriu os olhos. Ergueu-se devagar, sem soltar a mão de Teodora.

— Solte a velha e venha comigo.

— Esta mulher está a morrer. Não a deixarei.

Enzo deu dois passos largos e agarrou Cladissa pelo braço. Puxou-a com força suficiente para arrancá-la do chão. Ela tropeçou, bateu com o ombro na parede, mas não gritou. Endireitou-se e fitou o capitão com aqueles olhos que, segundo os aldeões, contemplavam horizontes invisíveis aos demais.

— Então és tu a bruxa que enfeitiçou os meus homens.

— Não sou bruxa. Sou Cladissa.

— Cladissa. — Ele repetiu o nome como quem mastiga algo amargo. — Pois bem, Cladissa. O senhor Raniero di Montefalco ordena que todas as mulheres solteiras desta paróquia se apresentem para registro. Tu recusaste. Impediste o trabalho do escriba. Ameaçaste os soldados com feitiçaria.

— Não ameacei ninguém. Pedi que nos lessem o documento.

O tapa veio sem aviso. A mão aberta de Enzo atingiu-lhe o rosto com força que a fez girar. Cladissa caiu de joelhos. O gosto de sangue encheu-lhe a boca. Um fio vermelho escorreu pelo canto dos lábios.

Marta gritou. Beatrice cobriu os olhos. Giovanna avançou um passo, mas o soldado mais próximo empurrou-a de volta contra a parede com o antebraço no peito.

— Alguém mais quer falar? — perguntou Enzo, olhando ao redor. — Alguém mais quer pedir que lhe leiam documentos?

O silêncio que se seguiu era o silêncio do terror. O tipo de silêncio que os poderosos conhecem bem e cultivam com esmero.

Cladissa permaneceu de joelhos. O sangue pingava do lábio partido sobre o chão de terra batida. Suas mãos estavam abertas sobre as coxas, as palmas voltadas para cima, como na posição de quem ora.

Mas não orava.

Ou talvez orasse de uma forma que nenhuma liturgia jamais descrevera.

Enzo agarrou-a pelos cabelos. O pano de linho que os cobria arrancou-se, e os cabelos escuros caíram sobre os ombros. Ele a forçou a erguer o rosto.

— Olha para mim, mulher. Olha bem. Eu não sou o escriba covarde que fugiu da tua voz de teatro. Eu sou Enzo di Gracco. Servi em três campanhas. Matei homens que valiam mais do que toda esta aldeia junta. Achas que me assustas com os teus truques?

Cladissa olhou para ele.

E algo aconteceu nos seus olhos.

Não foi a claridade gradual do encontro anterior — aquela que começara nos olhos e descera para as mãos e depois para a voz. Desta vez foi instantâneo. Como um relâmpago que não precisa de nuvem. Como uma porta que se abre de par em par quando alguém a arromba do outro lado.

A voz que saiu de Cladissa não era a voz serena do encontro com o escriba. Era a mesma autoridade, mas agora carregava algo mais. Carregava fúria sagrada. A fúria de quem vê a injustiça não como conceito, mas como ferida aberta no corpo de alguém que ama.

— Solta-a.

Enzo largou os cabelos dela. Não por obediência. Seus dedos simplesmente se abriram, como se a própria carne recusasse o contato.

— Solta todas elas.

O capitão recuou um passo. Seus olhos, que nunca haviam conhecido hesitação, agora piscavam rápido, como os de um homem que tenta enxergar através de uma luz forte demais.

— Que diabo...

— Não há diabo aqui. — A voz era firme como rocha e suave como água ao mesmo tempo, uma impossibilidade que nenhum dos presentes conseguia reconciliar. — Há apenas a verdade que vos recusais a ouvir.

Cladissa levantou-se. O sangue ainda escorria do lábio, mas ela não o limpou. Ficou de pé no centro daquela casa pobre, entre mulheres aterrorizadas e soldados armados, e a sua presença encheu o espaço de uma forma que não tinha nada a ver com tamanho físico.

— Viestes com doze homens para registrar sete mulheres. Doze espadas para sete nomes. Que proporção é essa? Que justiça exige armadura para contar almas?

Enzo tentou falar. Abriu a boca. Nenhum som saiu.

— O vosso senhor quer um censo. Pois eu vos digo o que nenhum censo registra. — Cladissa caminhou até o leito de Teodora. — Esta mulher tem setenta e três anos. Trouxe ao mundo onze filhos. Enterrou oito. Sobreviveu a três epidemias, dois invernos de fome e à morte do marido, que caiu de um telhado que consertava para que outros tivessem abrigo. Ela conhece cada erva destas colinas. Curou mais gente do que qualquer médico que o vosso senhor jamais pagou. E agora jaz aqui, a morrer, enquanto vós arrombais a porta da casa dela para perguntar se há mulheres disponíveis.

O soldado que segurava Giovanna contra a parede afastou o braço. Não porque alguém lhe ordenasse. Porque a vergonha é uma força que, quando desperta, move o corpo antes da mente.

Cladissa ajoelhou-se novamente junto a Teodora. Desta vez, colocou ambas as mãos sobre o peito da velha. Fechou os olhos.

O que aconteceu a seguir, cada pessoa presente descreveria de forma diferente pelo resto da vida.

Marta diria que viu uma luz dourada envolver as mãos de Cladissa, como se o próprio sol tivesse descido para dentro daquela casa.

Beatrice diria que sentiu um calor no peito, como se alguém a abraçasse por dentro.

Giovanna, que durante anos se recusaria a falar do assunto, admitiria apenas que o ar mudou. Que de repente não cheirava a doença e suor, mas a lavanda e terra molhada depois da chuva.

Os soldados diriam, entre si e nunca diante de Raniero, que a temperatura do cômodo subiu como se alguém tivesse acendido uma fogueira invisível.

Enzo di Gracco não diria nada. Nunca. A ninguém.

Mas todos viram a mesma coisa.

Teodora abriu os olhos.

Não os olhos vítreos e perdidos de antes. Olhos lúcidos. Olhos presentes. Olhos que reconheciam o mundo e escolhiam permanecer nele.

A velha inspirou profundamente, como quem emerge de águas escuras. A cor voltou-lhe ao rosto. Os tremores cessaram. As mãos, que estavam rígidas como garras, relaxaram-se sobre o peito.

— Cladissa... — sussurrou Teodora. — Estavas aqui.

— Sempre estive, Teodora.

A velha olhou ao redor. Viu os soldados. Viu Enzo. Viu o sangue no lábio de Cladissa. E nos seus olhos antigos acendeu-se algo que não era medo nem surpresa. Era a mesma chama tranquila que Anselmo vira naquela menina décadas antes.

— O que fizeram contigo, menina?

— Nada que não se cure, Teodora. E o que fizeram consigo?

A velha sentou-se no leito. Sozinha. Sem ajuda. As netas correram para abraçá-la, chorando. Marta caiu de joelhos e benzeu-se três vezes. Beatrice soluçava com as mãos sobre a boca.

Enzo di Gracco olhava para Cladissa como quem olha para o fogo pela primeira vez e compreende, num instante, que aquilo pode aquecer ou consumir, e que a diferença não depende do fogo, mas de quem se aproxima.

— Quem és tu? — perguntou o capitão, e pela primeira vez na vida a sua voz não carregava comando. Carregava pergunta genuína.

A voz que não era inteiramente de Cladissa respondeu pela última vez.

— Sou a resposta à oração que nunca fizeste. Sou o espelho que mostra o rosto que escondes de ti mesmo. Sou a catadupa que prometemos. E digo-te, Enzo di Gracco: cada golpe que deres numa inocente cairá sobre a tua própria casa. Cada nome que registrares como posse será cobrado na moeda que mais temes. Não a moeda do ouro. A moeda da consciência.

Enzo recuou até à porta. Os soldados já estavam do lado de fora. Alguns haviam montado nos cavalos sem esperar ordem.

Então a presença recolheu-se.

Cladissa cambaleou. Giovanna correu para segurá-la. Marta trouxe água. Beatrice limpou-lhe o sangue do rosto com o mesmo pano que minutos antes usara para a febre de Teodora.

Cladissa bebeu a água devagar. Suas mãos tremiam. O lábio doía. O ombro latejava onde batera na parede. Mas dentro do peito, naquele lugar onde a fé mora quando já não cabe em palavras, havia uma paz que não combinava com nada do que acabara de acontecer.

Enzo permaneceu na porta. Não entrou novamente. Não deu ordens. Ficou ali, com a mão no batente da porta que ele próprio arrombara, olhando para aquela mulher ensanguentada que acabara de curar uma moribunda e enfrentar doze homens armados sem erguer um único punho.

— Isto não acabou — disse o capitão, mas a voz saiu fraca, como uma ameaça que já nasce sabendo que é mentira.

— Não — respondeu Cladissa, agora com a sua própria voz, rouca e cansada e humana. — Não acabou. Mas não será como pensas.

Enzo montou no cavalo e partiu. Os doze homens seguiram-no em silêncio. Nenhum olhou para trás.

Na casa de Teodora, as mulheres permaneceram juntas até o anoitecer. Ninguém falou durante muito tempo. Teodora, sentada no leito com as netas ao colo, olhava para Cladissa com uma expressão que misturava gratidão, reverência e algo que se parecia com pena — porque a velha, que já vira o nascimento e a morte de todas as coisas, sabia que aquele dom não vinha sem preço.

Foi Giovanna quem finalmente falou. A mesma Giovanna que cruzara os braços com ceticismo na primeira reunião. A mesma que se recusara a acreditar em qualquer coisa que não pudesse tocar com as mãos.

— Cladissa... o que tu fizeste... — A voz falhou-lhe. Engoliu em seco. — Eu vi. Eu vi e não consigo explicar. E tenho medo. Não de ti. De mim. Porque se isto é verdade, então tudo o que eu acreditava sobre o mundo está errado.

Cladissa olhou para ela com olhos cansados.

— Não está errado, Giovanna. Está incompleto.

A noite caiu sobre a aldeia como um manto pesado. Cladissa caminhou sozinha até a igreja. Entrou. Ajoelhou-se diante da lamparina. O lábio ainda sangrava levemente. O ombro doía a cada respiração.

Mas não orou por si mesma.

Orou por Enzo di Gracco.

Orou pelo homem que a esbofeteara, que a agarrara pelos cabelos, que arrombara a porta de uma casa onde uma velha morria. Orou por ele porque, no instante em que a presença falara através dela, Cladissa vislumbrara algo que ninguém mais vira: dentro daquele capitão de mandíbula quadrada e olhos sem hesitação, havia um menino que chorava. Um menino que fora obrigado a matar antes de aprender a viver. Um menino que enterrara a própria bondade tão fundo que já não sabia onde a deixara.

— Senhor... não o destruas. Encontra-o.

A lamparina ardeu firme.

Do lado de fora, o vento soprava entre as casas de pedra, e nas colinas da Úmbria, sob um céu sem lua, algo se movia. Não era exército. Não era tempestade. Era mais silencioso e mais inevitável do que ambos.

Era a catadupa.

E ela apenas começara.

ANJO DE DOR.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.

Sinopse.


Um romance sobre as marcas do passado, os reencontros da alma e os caminhos silenciosos da redenção.


Em Anjo de Dor, a existência humana é apresentada como uma grande jornada de aprendizado, onde lágrimas e esperanças se entrelaçam diante dos mistérios da vida. Através de personagens marcados por escolhas difíceis, sentimentos profundos e lembranças que atravessam o tempo, a narrativa revela que nenhuma experiência é perdida quando conduz ao crescimento interior.


Entre amores interrompidos, despedidas dolorosas e reencontros inesperados, surge a compreensão de que a renúncia pode ser uma das mais elevadas expressões do amor. A alma, em sua caminhada evolutiva, encontra nas provas e nos sacrifícios oportunidades de transformação, reparação e amadurecimento.


Inspirado na reflexão sobre a reencarnação e a continuidade da vida espiritual, o romance conduz o leitor a contemplar os vínculos que permanecem além da existência física, mostrando que antigos compromissos da alma podem ressurgir em novas experiências, convidando ao perdão, à humildade e à renovação.


Anjo de Dor é uma história sobre aqueles que carregam feridas invisíveis, mas descobrem que a dor, quando compreendida sob a luz do amor e da esperança, pode tornar-se uma ponte para a libertação e para a verdadeira paz interior.
08 de Outubro de 2024.
Manhumirim - MG
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Link do autor:
https://a.co/d/01DUdpML

Há um romance sonâmbulo
sob os teus olhos de Lorca...


Palavras pretensiosas arremessadas,
e um arranque automático
entre algo épico
e o pesadelo lírico,
na alta madrugada.


Com o peso da alma
cheia de poesia intensa,
onde o mundo olha
para as personagens
que não podem corresponder
devido à profundidade,
à leveza e à liberdade
de ser o que sou — escolhi.


Diante da lua cigana,
num estado de êxtase,
sob os teus olhos de Lorca,
ainda talvez acordada
todavia desejo o real,
pois a essência segue intacta.


Firme vivendo o suspense
de um romance sonâmbulo:
"Ver-te que te quero ver-te",
nos teus braços que também
querem ver-me em meio ao verde.


Onde não sei como, quem dará
e qual será o passo primordial,
ao se se conseguirá alcançar o pleno final.

Ainda quero dedilhar um mundo inteiro com pontos, virgulas e reticências...
Quero dedilhar romances enlaçados e complicados com encontros e desencontros, mais encontros eu confesso. Rs!
Quero dedilhar sentimentos tão humanos... com cada engano que o coração permitir.
Acredite, a única coisa que não quero dedilhar é Você!
Você, eu quero tal qual os traços reais. Imperfeitinha como apenas a própria perfeição poderia dedilhar.

Inserida por ViniOpoeta

Poética vida.

Vida. Significado poético onde
ficção e romance se misturam
em um so drama pelo resto da historia.
Finalmente estou procurando uma ação,
para quem gosta de mistérios, ela aje
de uma forma romântica, com amores
subpostos a te odiar para que
no final você possa descobrir
a quem te ama verdadeiramente.

Para aqueles que gostam de um
romance, ela aje injustamente,
com a mistura de ficção e ação
para manter o seu suspense.
No meio da historia, seus amores
aparecem sem que você perceba
e guarde todos eles na memoria
como os seus melhores amigos.

E aqueles que preferem drama,
sua vida estara repleta de fases,
que continuam a fazer de seus
lazeres um inferno, e de suas distrações
uma dor de cabeça. Mas, o seu
romance estara do lado certo, no momento
certo, no lugar certo do jeito perfeito,
sabendo que de qualquer forma,
a vida sempre acabara em poesia.

Vida. Significado poético onde
ficção e romance se misturam
em um so drama pelo resto da historia.

Inserida por tinhoowsantana

Febem - Um desafio possível

Paulo Lins, autor do romance Cidade de Deus - sucesso adaptado com genialidade por Fernando Meirelles para as telas do cinema -, captou com maestria a realidade cruel e dolorosa de crianças e jovens que, corrompidos pelo meio (leia-se ausência total de oportunidades, incentivo, educação e estruturação familiar), ingressaram no universo da marginalidade e da violência. O mesmo teria acontecido, provavelmente, à pequena e indefesa "Negrinha", personagem imortalizada pelo conto homônimo de Monteiro Lobato, caso a menina tivesse nascido no final do século 20, longe dos resquícios da escravidão das fazendas, mas próximo à escravidão social dos ambientes urbanos. Mais uma vez, a ficção - seja literária, seja cinematográfica - nos dá uma lição de vida imprescindível: ou a sociedade compreende a necessidade premente de romper o ciclo vicioso da criminalidade ou estaremos condenando o futuro do Brasil e do mundo de forma irreversível. Somente a mobilização social, por meio da união de esforços entre governos e demais instituições da sociedade civil organizada, pode reverter o rumo caótico que os acontecimentos vêm tomando. Em todo o mundo, os altos índices de violência, que agora se expandem em ritmo acelerado das metrópoles em direção às cidades do interior, compõem um quadro dramático cujos desenhos dantescos nos convidam à tomada de ações imediatas. Em São Paulo, o governador Geraldo Alckmin demonstrou total sintonia com a urgência dessa situação. Por meio de uma atitude corajosa e inovadora, integrou a Febem aos quadros da Secretaria de Estado da Educação, uma iniciativa fundamentada sobre os pilares de um conceito básico para a recuperação dos adolescentes em conflito com a lei: a ressocialização via aprendizado, preparo psicológico, acesso à informação, à cultura, ao esporte e ao lazer. Um método que resulta na aquisição da auto-estima e da autoconfiança, provenientes da descoberta gradativa dos talentos e das potencialidades dos educandos - da mesma forma que deve ocorrer com os alunos do ensino regular, nas escolas. Assim é que se adquire consciência crítica, capacidade de discernimento e, enfim, se constrói a cidadania. É essa a nova proposta da Febem, totalmente condizente com os projetos e ações da Secretaria de Estado da Educação. Temos um enorme desafio pela frente. E, para que possamos superá-lo de forma eficaz, precisaremos do apoio, do incentivo e da colaboração de todos os segmentos sociais. Nesse sentido, gostaríamos de convidar empresas, ONGs, igrejas, universidades e demais instituições para nos auxiliar na missão instigante que é reescrever o roteiro desse filme grandioso e, por isso mesmo, complexo em toda a sua estrutura. Se assumirmos os papéis de diretores, cenógrafos e produtores que essa grande obra requer, poderemos mudar a história de milhares de jovens atores que necessitam de uma orientação mais cuidadosa na concepção, na criação e, finalmente, na concretização de cenas que viabilizem finais mais felizes para suas vidas reais. A ampliação dos programas de liberdade assistida e a construção de unidades menores da Febem, tanto na Capital quanto no Interior, privilegia essa nova realidade e tem possibilitado às equipes da instituição a realização de um trabalho mais produtivo e bem-sucedido, capacitando esses jovens e transformando-os em protagonistas aptos a exercerem sua plena cidadania. Milhares de jovens atores estão aprimorando suas habilidades por meio de aulas do ensino regular e profissionalizante, diversas oficinas de arte, cultura (teatro, dança, artesanato) e, ainda, 32 modalidades esportivas que abrangem do futebol ao xadrez. E isso é só o começo. De nossa parte, garantimos total dedicação e empenho para dar a este enredo um desfecho verdadeiramente alegre, bem diferente dos finais da maioria dos personagens da obra de Paulo Lins e da protagonista do conto de Lobato. Acreditar que é possível é essencial. Vamos seguir à risca a cartilha de Victor Hugo - outro grande ficcionista que retratou em seus livros as injustiças e problemas sociais de seu tempo - que já alertava: "Nada melhor do que um sonho para criar o futuro".


Publicado no jornal Diário de S.Paulo

Inserida por fraseschalita

ROMANCE
Sidney Santos

A força do teu olhar
O vermelho da tua boca
A vontade de te amar
Essa vida, tão louca

Caminhos e desatinos
Eu a tua procura
Anunciado destino
Delirante loucura

Porta do se encontrar
Sinal de entreaberta
Espera do amor chegar
Final feliz, na certa!

Santos, 2 de janeiro de 2013

Inserida por Poetadossonhos

último romance

Peguei aquelas mensagens e fui relendo aguando a saudade confusa que eu sinto quase sempre ou de vez em nunca. A gente tem que entender onde começa e onde termina tudo. E eu que não entendia, reparei. Naquele meio beijo, naquela meia verdade, naquele meio cheiro, naquela meia dor. Nada de meio, nem meio final. E tudo é, e tudo não é. Nunca fui aquele tipo que acerta o tiro, tenho um olhar vesgo, mas sei o que eu quero, disso eu sempre soube. E eu quis a ponto de não querer outra coisa. Quis muito ir fundo, ir onde ninguém foi. Mas minha engrenagem não funcionou. A gente não desiste, a gente só abre mão. Uma hora a coisa toda cansa de sofrer, cansa de doer, e a gente quer a calma da cura. Isso existe sim, eu li nos livros. Minha Vó sempre me disse para acreditar nos livros. A gente também não escolhe quem amar ora. A vida tem um jeito doido e minucioso de nos mostrar as coisas. Que quem perde tempo tentando entender, perde na verdade, o tempo de viver. E se eu pequei na vontade de ter um amor de verdade, agora me vejo pegando o barco e remando para um outro mar, meu bem. E a gente não sabe onde vai parar. Nunca sabemos. E explicar já não faz sentido, ao certo, uma vez. Chorei. Esmaguei aquela parte que despertou umas cinco vezes enquanto meu corpo agonizava por falta do que nunca foi. Por saudade de um beijo que eu nem se quer provei. Tudo e nada se misturavam enquanto eu via a porta sendo aberta e fechada na minha frente. Então é isso. Deixo ir. Não há forma mais sincera de guardar alguém dentro de si, do que deixa-la ir. Deixo sem culpa, sem rancor, sem ódio, só um pouco da óbvia dor que eu sempre soube que sentiria. Natural. Eu que não sei deixar ninguém sair da minha zona de proteção, estou deixando. Sem despedidas. Já que deixar ir é apenas uma metáfora para aquilo que não podemos mais tocar. E eu sou horrível em metáforas. Mas aprendi. Como tantas outras coisas que aprendi com você, moreno. Bonitas, grandes e puras. E ainda aprendo. Não acabou por aqui, só estamos abrindo outra porta e o que está por trás desta, espero que seja o melhor para nós.

Inserida por shaieneluz

Romance

Bom... nesta noite vou escrever
Depois de alguns romances ver
Não é que eu esteja inspirado
Mas quero ao menos dizer algo
Para no dia seguinte sentir

É realmente complicado
Mas não é nenhum pouco chato
Talvez um dia , possivelmente
Eu viva algo semelhante
Pois acho isto interessante

Mas o amor romântico não é fácil
Simplesmente é raro de se ter
Mesmo que muitas vezes se deseje
Dificilmente , algum dia...
Se tornaria a realidade minha

Mas nada impede
Que eu viva , mesmo ilusoriamente
Todo o amor que já sonhei
Apenas dentro do meu ser
Imaginando o que pudesse acontecer

Mas não importa o tempo
Quer dizer... posso esperar
Até que um dia eu conheça
Um alguém que me entenda
Mas... quero isso com toda a certeza

Inserida por CastelhanoWolf

austero romance
o que proposto
vive se oposto marcante,
no desatino um gole de café,
e logo um bom dia,
nem acordei diante meros humanos,
sorrisos sinceros diante a rosa morta...
linda e em corpo inerte desabrocha em decomposição
emana um delicioso perfume...
dedica se ao amor erronia a voz apaixonada...
em gravo despertou ausência atroz...
alternando o fluxo do desejo
afegante quando desespero de uma nova relação...
definha em súbito abraço,
claro que a madruga esconde o ardi o cenário,
dados por intermédio dessa palavras ofegantes,
num momento prazeroso tão apenas...

Inserida por celsonadilo

A depressão de alguns pessoas as vezes é um romance um amor não correspondido muito trabalho entre outros tais como álcool, e drogas mas o que mas prejudica algumas pessoas e a depressão por horas ter dinheiro horas nao talo. Dinheiro o mesmo que te traz poder,festas,amigos felicidade, mais quando essa faze boa passa vão se embora todos esses...
Dinheiro faz de todos nós escravos triste mais dura realidade!

Inserida por sandro_sandro_2

Viva o amor

Espalhe amor... sinta ,
O romance esta no ar, respire!
Viva a vida; viva o novo; viva o velho;
Mas sempre viva!
Faça fogo, faça chuva, faça sol,
Faça o que for só não vale não fazer nada.
Faça amor!
O tempo foi ontem, é agora e
Também será amanhã. O tempo, é o tempo todo.
Somos nós quem controlamos esse jogo.
Renove oque já é feito. O que já está pronto.
Construa, sonhe ,brinque , sorria.
A felicidade é sua não fique aí trocando-a por
Tristezas. Abandone essas tuas agonias.
Todos somos capazes de sermos “capaz”, quer uma prova disso?
Olhe para traz, por tudo que já passou ,ainda esta vivo, e o que é melhor
Cada vez mais maduro, mais forte. E se achas que tudo isso é besteira;
Ótimo! isso quer dizer que tens opinião própria.
A vida é vasta, as vezes difícil, mas sempre linda.
Cada dia aprendo um pouco, e quero me suprir ainda mais.
E tudo que for útil, sábio ou em forma de amor,
Me será sempre bem vindo e muito eficaz!

Inserida por MaxcianeRodrigues

A coisa q mais me fascina é o romance,
Quando vejo um casal,
Quando ainda era romântico.
O romance é a fé do ateu.

O romance carrega a harmonia da vida
A essência da vida
É Deus fazendo balé.

O romance vem da alma da gente,
É de onde aquece a vida.
O romance é o pai do coração
Vivo e delicado,
Com o cheiro gentil
Cor de fazer sorrir.

O romance é a coisa mais bonita que o ser pode ofertar.
Se alguém te propõe um romance
Não ouse negar,
Nem tão pouco desperdiçar.

Inserida por 1andreluz

DIFÍCIL DE ENTENDER

De uma chance
Rola um romance .
De um pequeno beijo
Rola tanto desejo.

Palavra te amo
Não tem como explicar
O sentimento imenso
De amar .

Conhecemos pessoas ,
Algumas fazem você bem
Outras fazem você mal
Isso tudo é tao normal.

Incrível o jeito delas
Agem como se fossem belas.
Apenas viva nesse mundo
Sem bobeiar por um segundo

Conheci pessoas erradas,
Me arrependi .
De tudo que fiz
Eu esqueci
Das pessoas eu as fiz mais belas.

Inserida por AdimilsonLeme

Tenho sede de romance
Tenho fome de amor.
Sou um poeta que clamo
Por uma bela donzela
De cabelos lisos
Com aquele sorriso tímido
Gostoso
Único e hipnotizante
Que só ela sabe dar.
Sonho com aquela princesa
Que tem cheiro de rosas
Que tem cheiro de paixão.
Que exala fortemente
Suavemente
Delicadamente
Loucamente
Viciantemente
Aquele cheiro maravilhoso
De dona dos meus pensamentos
De dona do meu coração.
Clamo pela dona do meu eu
Pela proprietária do meu destino
Que me levará para o nosso
Paraíso particular.
Hoje à noite
Fechei os olhos e à vi
Eduarda é o seu nome.
A flor mais bonita do jardim de Deus.
Mas será que a força das minhas preces
Fará a flor Eduarda
Brotar no meu solitário jardim ?
Veremos nos próximos capítulos
Da mente insana do poeta
Que clama por um amor sem fim.

Inserida por pedrorodrigo96

Ser e querer

Quem sou?
Apenas um intervalo cinza e gélido a cada final de um romance.
Um silêncio angustiante no meio dessa solidão,demonstrando paixão pura no reflexo de um coração.

O que fiz?
Fiz loucuras cheias de ternura,
Fiz viagens espirituais e rotinas como rituais, em suma,fiz coisas essenciais.

O que eu quero?
Um amor eloquente nessa vida de momentos,
Ser passageiro do vento nas asas dos meus pensamentos,ser cura para um sofrimento.

O que eu aprendi?
Aprendi à ser forte, entendi que no mundo precisa-se de sorte,para jamais termos que fugirmos da morte.

O que deixarei?
Deixarei saudades de verdade,
Amores sem dores,
Talvez jardins e flores,
Impressa na realidade da vida em um livro de sabores.

Serei lembrado?
Não me importo, apenas me suporto nesse porto de barcos da vida, onde a solidão é a âncora da saudade de um tempo que se foi.

Lourival Alves

Inserida por Diariodeumcravo

Nossa história não foi melhor do que qualquer livro ou filme de romance. Foi uma história imperfeita, bem clichê, com muitos erros e decisões equivocadas. Mas eu senti de verdade, pra mim foi tudo de verdade.
Por isso mesmo, em meio a tudo, o amor prevalecia. Ele prevalece. Por mais que não era dito, você percebia no meu olhar, no meu fogo. Esse amor que vive em mim ainda pulsa e quer teu riso. Espero que você não vá, porque meu coração quer que fique.

Inserida por mandita_me

AGULHA, PONTA E LINHA

Entre agulha, ponta e linha
Vive o romance esquisito
De um triângulo sem visco
Que sempre finda aflito.
A ponta é da agulha. E a linha?
A linha, sempre sempre sozinha,
Vive à procura do amor
Que no outro amor se encontrou.

A agulha, bem de metal,
Segue os passos da sua ponta,
A que lhe abre o caminho
E vai tecendo suas estampas;
A que lhe chega de mansinho
E, com jeito, devagarzinho,
Passa aqui e passa ali
Sem lhe fechar o caminho.
A agulha, "enrijizada",
Sem precisar pensar em nada,
Segue o caminho certinho
Da ponta que lhe mostra a estrada.

A linha, essa sorrateira,
Vive atrás da agulha faceira
Que segue seu lindo curso
Sem se lhe envergar nem um pouco.
A linha, sem se dar conta,
Vai deixando de perceber
Que o caminho em que ela se encontra
A ponta já esteve a fazer.
E ela, a linha malvada,
Sem se sentir resignada,
Segue tonta, feito cega,
Seguindo o caminho somente
Que a ponta da agulha carrega.

Assim são as relações
Que se estendem a três corações:
A ponta conduz o caminho,
Traçando sozinha o destino.
A agulha segue a vida
Despreocupada e destemida.
A linha, que vem perdida,
Só serve pra fechar saídas.

Aceite ser uma agulha
E não se curve facilmente.
Aceite ser uma ponta
Que da agulha está à frente,
Mas não aceite ser linha
Que, sempre sempre sozinha,
Percorre, sem nem um adeus,
Um caminho que não é seu,
Porque a ponta e a agulha
No mesmo caminho seguem
E deixam sempre para trás
A linha que, na roupa que faz,
Sozinha em si se perdeu.

Nara Minervino.

Inserida por NaraMinervino