Temporal
Sabe a poesia mãe dos dias? Revirou. Revirou lixo e achou luxo. Revirou estômago e vomitou temporal.
Avisou que no coração agora, é carnaval.
O tempo não é real! Todavia, o real é temporal... Temporal que arrasta o homem; homem que segue com as têmporas quentes, por tanto ser real.
DESAFIO
O cordão rompeu antes
Que a bolsa desse sinal de tempo
E formou-se um temporal
Um nascimento
De uma nuvem espessa
No quintal.
E caíram mangas maduras
E ficaram marcas nos joelhos
De quem ajoelhado rezou.
E foi um berro enchedor
De alguém que se segurava
E não emergia no poço,
E passaram-se horas,
Passaram-se séculos
Até se decidir,
Se vê depois....
Mas depois era muito depois
Do tempo marcado.
E as marcas em suas mãos
De gladiador,
Já faziam sangue pelo quarto
E nada de querer,
Nada de amar,
Só pelo que via
Debaixo, um buraco.
Ano de chuva!
A chuva é essencial
no brotar do verde novo
não precisa um temporal
basta o sustento do povo
mas que venha pro Natal
e fique pro no Ano Novo.
De que adianta a beleza, se ela passa? A beleza é temporal. Ela sacia o momento. Mas a alma tem gosto pelo infinito, pelo eterno.
SOL
Calor corporal
Dessa vida temporal
Aclama o calor dessa vida
O presente do meio dia
Aclama a chama
Do doce calor
O presente para a vida
O sabor desse grande amor
Ditas as palavras
Do calor dessas palavras
Sábia calorosa dor da vida
Chama que machuca
Calor que recupera
Que me espera
O tempo perdido
A dor que entendo
Chama o calor
Aclama por mais amor
Suave, mas secreto.
Jorram o amor mais concreto
Calorosa chamas
Dançam embaixo de suas amas
O calor que emerge
O não herege
O sol pode esconder sua luz em dias de tempestade, mas o seu brilho logo volta, ao final do temporal. (taw ranon)
Fui feito de vazios deixados por um temporal, fui frações de vários inteiros em meios tão banais. Fui quebra cabeça sem peças centrais, acreditei ser o além de um léu de fronteiras, hoje sou só poesia.
SONETO TEMPORAL
Querer os sonhos dos dezessete
Quando já passou dos cinquenta
É quimera que pouco se aguenta
Já as horas, nos estende o tapete
De repente, tão frágil, e tão atenta
A vida nos põe atrás dum colchete
Deixa de dar rosas num ramalhete
Pra dar a proximidade dos setenta
É o tempo no tempo por um filete
Pensamento com voz barulhenta
E expectativa grifada num bilhete
Os passos tintos na cor magenta
A idade lenta, o querer em falsete
O amor, ah o amor, este ementa
Luciano Spagnol
Agosto de 2016
Cerrado goiano
Novidade
Quando nasci foi tudo tão normal.
Até o parto.
Não houve um grande temporal.
Foi apenas mais um ato.
Não aconteceu nenhuma comoção social.
Ninguém considerou a data como um evento.
Cumprimentos só alguns,
Eventuais.
Nem houve um grande sopro de vento.
Só minha mãe se emocionou
Naquele momento.
Tudo monótono na cidade.
Eu
A única novidade.
Não tente fazer o que é diário se tornar temporal, pois a porção diária é mais eficaz que uma grande porção de tempos em tempos.
Fazendo uma linha temporal para retrospeção subjetiva de nós mesmo poderemos detectar erros cruciais que cometemos em nossa história motivados por vícios instintivos que nos fizeram naufragar em nossos projetos, mas dependendo da ótica que formos ver tudo que nos acontece de tudo se tira proveito. Luiz Salles
depois do temporal
veste em seda
teus negros olhos,
rega a semente
de uma breve ideia,
tão curta
como a vida
e a saudade
vai lá;
tão perto,
e tão longe
mira o céu
que cabe
na imensidão
de uma vida.
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