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PENSAMENTO INTEGRAL
OS ESTRUPIADOS
"Quando fizerdes um festim, disse Jesus, para ele não convideis os vossos amigos, mas os pobres e os estropiados." S.Lucas Cap.XIV v. de 12 a 15.
Ao pensarmos na acertiva evangélica somos na maioria das vezes compelidos a interpretação exterior, arremessando nossa atenção aos estrupiados do mundo.
Compreendido que os estrupiados são os " acabados, arrasados, arrebentados," não estaria incorreta a visão citada acima proposta pelo entendimento evangélico , porém, Jesus é a síntese de todo o processo evolutivo humano e tal ensinamento não poderia se registringir a apenas a visão exterior, faceta diminuta da natureza humana.
Pensemos em todos os cantos dentro de nós onde moram partes doloridas encarcerados em séculos de escuridão. Tendo o espírito passado por diversas experiências reencarnatorias, tanto quanto na mesma vida nas diferentes fases psicológicas em que passou, deixou partes suas estrupiadas e negadas em ambientes hostis de angústia, culpa, medo e outros martírios do ser, gerando transtornos mentais e comportamentais de diversas ordens.
Por predileção ao que imaginamos conhecer e ter domínio em nós, negamos o convite aos nossos estrupiamentos internos, razão pela qual continuamos escravos de forças interiores negadas, ao invés de tutelar nossos movimentos psíquicos.
Convidar os estrupiados internos, em síntese, é abraçar a própria sombra interior produzida pelos significados doloridos atribuídos por nós mesmos, em vários momentos da evolução, a toda experiência que nos sensibilizou.
SOMBRA DOS VENTOS
Cansado de ser marinheiro nauseado
De remar à unha rumo a dezembros nublados
Pus-me ao solo encravado
Aqui ando e corro descalço
Meu superego, campo farto de hectares
Da primeira à última porteira
Posse tenho das poças em que tanto afogo
Eu quem afaga a cada seca desse cerrado
Eu quem afaga
Espelho de faca
Plantarei um pássaro
Para asas fazerem sombra em meu quintal
Sujo, eivado, de esgalho (ou da migalha)
O soalho de meu quintal...
Solo, sujo, sol e chão
Farto de folhas de feridas que secaram
No outono que se foi.
Não como a sorte que nasce nos trevos
Nas vielas dos meus dedos...
A minha sorte - eu tenho outras -
Ainda é cedo
Pra mostrar
Quero (mais do que posso); vê lá se posso
Oh, esperança tão teimosa
Quero comprar uma rede
Pra me balançar
E voar em vento
Pra mo'da vida não parar
A minha sorte - eu tenho outras -
Ainda é cedo
Pra mostrar
A sombra na parede
que se move
não sabe que morta está !
Que o homem
sem sua sombra se perdeu
é somente uma sombra do que já foi
O homem matou sua sombra
ou quem sabe,
sua sombra o matou e morreu
Presente
Em uma fração de segundos,
me vi de volta ao passado.
Como presente, tinha-te ao
meu lado, linda alegre e
sorridente.
Deus, sem sombra de dúvida
concedeu à mim a graça de
ter você para sempre.
És o meu eterno presente.
Roldão Aires
Membro da Academia Cabista de Letras Artes e Ciências
Membro da Academia de Letras do Brasil
Membro da U.B.E
A minha sombra...
sempre comigo tão solitária...
indiscreta... em alerta...
sombra sombria em dias frios...
desaparece, aparece quando menos se espera...
solidária
silenciosa
a mim mesma reproduz
sempre que aparece uma luz.
Corre na chuva
não se molha...
pra trás nunca olha...
não há chuva que a apague,
não a vento que a leve...
não há tempo que a mude
não há lama que a suje...
Minha sombra aventureira, eterna companheira
me acompanha noite e dia...
tão arteira...
tão verdadeira.
Se não fosse a ilusão da luz direcionada sobre mim, talvez minha própria sombra, não viesse a seguir-me mais...
Quem tem a alma feia, não tem jeito, viverá até o último instante uma vida sombria e jamais conhecerá o amor.
Nem toda chuva é de inverno e o calor não surge apenas no verão.
Nem toda flor brota na primavera e a folha não cai em qualquer estação.
Nem todo dia é claro, mas é claro que o dia todo é uma continuação, pois, o dia também abrange a sombra da escuridão.
Quero correr. Quero ir o mais longe que posso, mergulhado na minha imaginação. Quero sentir em meus ossos todos os sentimentos superficiais à pele. Quero mergulhar num oceano de lágrimas salgadas e acreditar num mar infinito de sensações. Quero me juntar às sombras que me rodeiam e ser um foco de luz pro meu futuro.
A sombra se encanta pelo sol todos os dias e segue-o pelo chão, perdendo-se na saudade do crepúsculo, eternamente...
A sombra se encanta pelo sol todos os dias, segue-o pelo chão, rasteja na saudade a cada novo crepúsculo,
quando em alquimia transforma-se em noite cálida,
até o alvorecer, onde tudo recomeça
desde a eternidade do tempo que não sabemos,
sombra e luz,
sol e lua,
você e eu,
tão perto e tão separados...
Enquanto vivermos, seremos assombrados pelo nosso dragão interno... pela nossa sombra, tão necessária.
Não adianta, já tentei gostar da praia, do sol, mas minha vibe é o mato é a sombra é o verde é o barro é onde eu me encaixo.
PEITO MURALHA
Minha bagagem,
Um milheiro de tijolos
Que carrego com brava vocação
E tremenda desvantagem,
Quando oscilo entre choro e riso.
Ora murmuro
Ora sussuro
Por ora, só um muro.
Por ter muralha no peito,
Quem quiser deitar à sombra,
Pode escorar a alma toda
Até fazer as pazes com o sol.
E não pode se assombrar com os vultos.
Deve podar qualquer arbusto que ornamenta
Esse caos monumental.
O ególatra se derreterá na multidão e ainda assim seguirá no conflito vaidoso e absurdo contra a própria sombra.
A maior batalha está sendo travada dentro de você... e só depois de algum tempo você vai notar que seu maior inimigo é você mesmo... ai vai ser tarde demais... e você vai sair correndo como se fosse possível fugir da própria sombra!!
Tua alma feito sol da manhã, chega como quem não quer nada e aos poucos vai dissipando toda a sombra de bagunça acumulada dentro de mim.
