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"Não estranhe se a música já não é a mesma, se o caminho pra casa mudou, se as roupas velhas já não servem e se certas pessoas já não fazem falta. Não é que você envelheceu, mas sim que você aprendeu que a vida muda e essas mudanças sempre trazem coisas melhores que as anteriores."
Envelhecendo a cada dia...
Sentindo saudade do tempo que trocados valiam ouro
aventuras selvagens a 100 metros de casa.
O mundo era novidade,
o pensamento era que o sol durasse até mais tarde,
aranhões, dedos ralados de chutar uma bola descalço.
toalha era capa do super homem,
um cano ela meu telescópio,
um papel rabiscava meu mundo torto,
pedia musica no rádio pra gravar rock no meu k7.
Assistia peixes falantes e guerreiros sem medo!
O que é envelhecer de verdade?
Importar mais com algo do que com alguém?
Aos poucos vamos sendo pessoas das quais não queríamos ser!
Adultos são pessoas que esqueceram de como é bom ser criança!
Ficar feliz simplesmente por comer um cachorro quente.
Ir pra roça, andar a cavalo e dormir com o corpo cansado
levantar cedinho querendo apenas enlouquecer.
A gente vai crescendo e aprendendo a ser frio
Coração de gelo, pensa apenas em dinheiro
e esquece de muita coisa que não custa nenhum tostão.
Que violenta nostalgia, nunca pensei que sentiria
No fim do dia vem essa brisa e a saudade no coração!
Saber envelhecer é a obra-prima da sabedoria. É uma das partes difíceis da grande arte de viver.
00638 01/10/2013 | Jamais irei envelhecer, jamais! Eu vou - isso, sim - me transformar, naturalmente, em pretérito... Pretérito Mais-Que-Perfeito, é óbvio!
Fomos um dia criança.
Crescemos, ficamos adultos,
Assumimos responsabilidades e compromissos.
Nos tornamos sérios...Sérios demais!
O tempo passa e envelhecemos.
Isso é fato.
Mas a criança que vive em nós não! Maykira/abril/2014
Amadurecer não é o mesmo que envelhecer. O último é inevitável e o primeiro, opcional.
Maturidade está nas cicatrizes da alma e não nas rugas do corpo.
Não, nem o tempo nem os outros tem poder sobre a alma. Compete a cada um o processo íntimo de cura, cicatrização, evolução e amadurecimento.
E quando a caneta não escrever mais? Quando o lápis não tiver mais grafite? Quando a borracha ja estiver ressecada?
Os olhos se esforçam para enxergar, a fala mal se pode ouvir, o corpo luta para manter-se em pé. A cada dia uma batalha diferente, bem diferente das travadas no passado.
A contagem agora é regressiva, o tempo já não tem mais valor pois dele não se espera mais nada.
A mente ainda que pensante ja não se importa mais em fazer sentido, ela apenas é e ali esta. Nada mais é criado a partir da longa experiência que foi vivida.
Os sons, os textos, as músicas, as letras, organizações sistemáticas do que se aprende a sentir e que hoje ja não as expressam.
O sentimento é o que resta, a percepção mesmo que falha é o que move este antigo ser. O caminho foi longo, não tão longo que eu pudesse crer que mais 100 anos de sentimentos eu pudesse viver.
Envelhecer é uma dádiva. Cuidar do corpo é ótimo, mas não dá para evitar o tempo. Os sinais vão aparecer, se cuidando ou não, passaremos por esse processo natural. Os anos nos trazem maturidade e experiência. Vivamos com a luz da fé iluminando cada um desses nossos dias.
Deparar-me com a velhice por vezes chega a me abater, não pelo avançar dos anos e pela imagem que verei no espelho, mas pelo ostracismo que se instala na mente empoeirada pelo tempo e pela falta de interesse, esta sim é a verdadeira velhice, a que mata em vida.
SONETO COM CHARME
Moço, se no tempo, velho eu não fosse
Onde a dor da saudade a apoderar-me
As recordações a virarem um tal carme
E a lentidão em mim se tornarem posse
Ah! Aquelas vontades já me são adarme
O que outrora me era tão suave e doce
Num gosto acre o meu olhar tornou-se
O espelho, um revérbero, a desolar-me
O meu espírito a tudo acha tão precoce
Já o corpo, cansado, soa em um alarme
Na indagação a juventude que o endosse
Da utopia ao caos dum tão triste arme
Envelhecer, como se não fosse atroce
Então, vetusto, tenhas arrojo e charme!
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
2016, 18 de novembro
Cerrado goiano
debilidade
inflexível é o tempo, dança
que passa, Maria fumaça
deixando na lembrança
marcando a carcaça...
- tudo fica mais frágil
o ágil perde a esperança
as engrenagens pagam pedágio
e o pouco no mínimo, danos
neste naufrágio, um só adágio:
capengamos! que siga os anos!
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
24/10/2019, quinta feira
Cerrado goiano
No Tempo
O tempo já não muito importa
as horas, segundos, quantos?
O que foi já não abre porta
e os sonhos, estes tantos...
O que vale é o que vem
se ainda tem, os recantos
onde a alma se sinta bem
e no ir além, terá encantos
Porém, lembre-te de amar
pois nestes acalantos
tua passagem irá marcar
cada teu minuto
teu dia, um olhar
um sorriso, teu atributo
As rugas, ah! deixe-as ter
é o fruto
de que pôde viver!
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
2019, outubro
Cerrado goiano
Na melhor idade...
Envelheci
Mas minha mente floresceu
Trago viva a adolescência em mim
Meus pensamentos, frutos em meu jardim
Envelheci
Aprendi do muito que posso
O pouco que sei... e me decorei
Me fiz simples, digno em meu eu
Envelheci
Mas minha mente engrandeceu
Meu corpo não acompanhou os anos idos
Nem alcancei a fruta no pé que me apeteceu
Envelheci
Muitos limites perdi nessa estrada
E, me dou a fazer o que não devo
Quiçá, porque o cérebro trai meus desejo
Envelheci
Ficou no passado, mais que minha força
Menos o instinto, inda jovem e aguçado
Esquecido que meu corpo se fez cansado
Dossel
Um denso dossel cobriu meus olhos, e a noite caiu.
Foram-se as vozes, as cores, o toque, e no silente de um só; resvalei em mim nas lembranças que se esfumaram no tempo.
Na urgência do destino, a selfie ausente do poente não vivido. O adeus roubado.
Caminhando de olhos fechados, uma vida esvaiu-se por entre os dedos. Cansado, adormeci nos escombros de mim mesmo, a duras penas conformado.
Despertei à luz do sol, quando o vento soprou o dossel. Nesta altura, conheci — desconhecendo, as rugas na pele e os fios brancos, nascidos na dormência de quem fui.
Na esperança, sigo lutando no presente, a guardar memórias na epiderme; trapaceando o incerto blackout.
Quanto tempo me resta, não sei!
Cá dentro, é a dor no vazio da minha metamorfose que perdi.
Sem ver, envelheci!
CREPÚSCULO
Vê-se no silêncio, e vê, pela janela
O cerrado, eclodindo pra vespertina
Melancólico, perece o sol, e mofina
Outro fim de tarde, e a noite vela...
E ai! termina mais um dia, e revela
As horas, que a viveza se amotina
De sua rapidez, pérfida e assassina
Tão sem troco... - um atributo dela!
A melancolia no horizonte, é saudade
As sobras das lembranças, é desgosto
E o que se resta agora é outra idade...
Olhos rasos d’água narram o sol posto
Lúrido, duma emoção em calamidade
- de o crepúsculo do tempo no rosto!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
17/03/2026, 17'00" - Cerrado goiano
Olavobilaquiando
