Tag corda
Confesso, nunca pensei
Em ver tão depressa o tempo passar
Por isso sempre tentei dar corda ao tempo
Pro tempo não parar
Dependendo de como você se prende à sua corda de salvação, ao mesmo tempo em que ela te puxa para fora do poço ela te aperta um pouco a cada etapa da subida. Você pode acabar não vendo a luz na saída de qualquer forma.
A vida nos impõe certos desafios e nos mantermos lúcidos nesse mundo louco é um dos maiores, mas a gente encara e segue se equilibrando na corda bamba da vida, fazendo malabarismos, preenchendo uma fresta com amor aqui, outra com leveza ali. De vez em quando pira, olha para cima pede forças a Deus e continua.
Viver é essa festa circense diária e se for para rir e fazer rir, pagar de maluco de vez em quando faz parte, a única coisa que não vale é deixar de sermos nós mesmos para agradar a plateia.
NA CORDA BAMBA DA VIDA
Seu olhar já não é mais o mesmo. Hoje ofuscado pelas mazelas da vida, perdeu aquele brilho que resplandecia a inocência; aquela alegria que antes não era reconhecida, mas que agora, depois de estar diante da infelicidade e da insignificância de tudo, aparece como uma nostalgia magnífica desperdiçada.
O pior de tudo é saber que mudou tanto de uns tempos pra cá, e não foi para melhor. Já não vive, simplesmente existe. Quase que está apenas cumprindo tabela. Mas como seria bom se fosse mesmo uma tabela. Daria para avaliar melhor os riscos, riscar do roteiro dos erros as coisas que te tornavam piores do que já era, mas que já fazia, sem perceber, parte de si, do seu caráter, daquilo que se tornou... ou quem sabe sempre foi.
Parou de culpar seu passado; a falta de oportunidade; o tempo perdido; as pessoas; os amores não correspondidos; as decepções, que não foram poucas... e reconheceu que o problema estava onde menos imaginava: Dentro de si. Nos seus pensamentos maliciosos, na sua perspicácia em fazer o que é proibido, de desejar o que não é lícito.
E existia, numa busca incessante de descobrir-se; ser; encontrar, já não sabe o que; mas tudo que consegue é perder-se mais... Procurando o que não mais existe, ou quem sabe nunca existiu; tentando achar uma razão, uma explicação, ou talvez mais uma ilusão. Até porque é de ilusão que sempre viveu; isso sempre o alimentava, o fortalecia, mantinha suas chamas acesas. Mas agora, tudo se apaga, tudo inexiste, tudo perdeu sentido. Provavelmente porque aprendeu a enxergar a malícia da vida, a malícia que vem das bocas, dos olhares, dos toques, e já não mais se deixa confundir.
E assim vai caminhando, seguindo, em direção à algum lugar, talvez ao início, ou ao fim, talvez à vida, mas quem sabe à morte. Mas se nessa insistência não conseguir andar na corda bamba da vida, quem sabe um dia aprenda a voar.
A raposa e a coelha:
Ao dedilhar as cordas do violão
com toda sua alegria e paixão
a coelha repousa no colchão.
Cantorias vem e vão...
adentram aos sonhos daquela coelha
e a noite se perde no calor da imensidão.
Os anos passam...
a raposa continua com sua graça
que aos encantos da coelha, abraça.
Uma corda arrebentou,
pequena raposa, oh não!
a sua coelha despertou.
Lúcida, a coelha presta atenção
a raposa canta a mesma canção
mas a coelha não dorme mais, não.
É o fim, a coelha te abandonou!
coração abalou, mas o tempo cura:
Sua vida recomeçou.
Na Corda bamba da incerteza
Talvez, um dia, tenhamos as respostas que não nos é possível agora;
Enquanto isso, esperamos sem sabermos quanto tempo esperaremos;
Resta-nos a resignação. Sim, porque Não há certeza de que essas respostas virão;
Em aparente transe, estamos à mercê do universo, que cheio de mistérios, conspira;
Ziguezagueamos caminho afora sem saber o que nos aguardo no final do verso; ou depois da próxima palavra;
Instamos por melhores tempos, melhores dias, melhores vidas, melhoras...
Na ânsia de viver, vivemos mal, porque estamos sempre a esperar algo que não sabemos se vem;
Há nesse inabsolutismo uma inexorável insatisfação, porque não nos satisfazemos por completo, nunca;
Assim, cabe-nos seguir indeléveis, retos, concisos, dúbios, vivendo na corda bamba da incerteza.
Lúcia Araújo – 31/08/2016 – 11;35
“Nenhum encantamento se mantém sem uma boa supervisão. Não basta dar corda e depois cruzar os braços. Não dá pra apertar o botão e depois sair para tomar um lanche. Não se pode confiar na sorte”.
(trecho extraído do livro em PDF: A graça da coisa)
Quisera eu ser artista, cozinheiro ou malabarista, para colocar sentimento no que faço. Precisaria ter dois corações , um para ampliar minha arte, outro para esticar a corda da razão. Ser artista é temperar a vida com lágrimas de paixão!
Percebo que a corda do meu demônio pessoal está grande ou curta demais, dependendo a ocasião. Se estou quieto, o ajuste depende só de mim, mas vejo uma elasticidade preocupante quando depende dos outros.
Aprender equilibrar-se sobre a corda bamba da vida é a única forma de fazermos a travessia para o nosso verdadeiro canto.
Ao escutares o pulsar no relógio do teu coração, saibas que existe o relojoeiro que lhe deu a corda.
Eu sou um cacto, quanto mais forte as pessoas me abraçam, mais elas se machucam. E quando eu não consigo mais controlar meus espinhos, a melhor opção é me afastar antes que as cicatrizes sejam eternas.
O mal é como um relógio, a partir do momento que você para de dar corda, ele perde toda a sua força.
É difícil acreditar, mas, o fato é que vivemos numa corda bamba. Não adianta querer ser o tal, a sua, a minha, a nossa vida é um fio. E este fio pode romper a qualquer momento.
ME EQUILIBRANDO NO TEMPO
Lourdes Duarte
Vivo me equilibrando numa corda bamba
Ou flutuando nas nuvens ou no tempo,
Sonhando com o dia de te encontrar
E morar contigo em qualquer lugar.
Sou como um pássaro sem ninho
Longe de ti meu amado,
Me equilibro nos meus sonhos,
Caio na realidade, me contorço...
Mas a esperança de te encontrar
Me faz forte, e me sinto amada.
Longe de ti ando na corda bamba
Perto de ti nas nuvens me encontro
Sou pássaros sem asas, longe de ti
Sou garça, sou forte quando sou amada.
Viajo no tempo para que os dias passem
Num breve momento te encontrar
Como malas prontas, meu coração está
Pra te abraçar, te beijar e ser amada.
Nosso apego é manejado,
Com cordas e crinas,
Vem resistindo,
Mais que o tempo tragável,
E as dores inacabáveis,
