Sossego
Quando logramos conquistar a nossa paz e sossego, não existe pessoa nesse mundo que possa mudar esse estado.
ENCANTO
Ei, você aí!
Leve-me para perto de você!
Seu sossego me acalma e seu beijo me distrai.
Ei, menina, quando é que você vai me amar?
Seus olhos me dizem que breve...
Mas seus braços se contraem.
Ei, menina, você sabe que me encanta?
Talvez não: você parece tão distante!
Mas seu sorriso me apaixona
E, como feitiço, ele me chama.
Ei, talvez em algum momento, do dia ou da noite, eu lhe chame.
Você viria?
Talvez sim, talvez não.
Mas se vier, será seu meu encanto.
E se não vier, também ainda assim o será.
Não me tire do sossego pra fingir atuar.
Não roube meu desejo de quieto estar.
Permanente estatua viva e morta, esperando o sino tocar.
Não provoque meus instintos, ou meu não pode te matar.
Na inquietude da minha loucura
Na incompletude de sossego
Você invadiu-me a casa num abraço
Eu acreditei tão certo
Que você me teria ao seu lado
Para depois enxergar
Que me tem é dentro
Sou os nós da amarra
Desato um nó
Não há sossego
Desato outro
Não há sossego também
Sou o desassossego...
Tenho
Retenho
Eu e as outras
Sou única em muitas
Ou
Muitas em uma?
Cada qual pensa por si
Ou
Pensa por todas?
Talvez todas pensem
Por uma!
Sou templo entalhado
Transmutado
Por todas
Num corpo que dá forma
Que se perde
Que se encontra
Um retiro de mim
Sou o eco do espelho
Entretanto,
Há várias no reflexo
Espelhada
Coletânea de mim.
Sabes? Eu não!
Não sei onde perdi meu sossego
Se no calor da tua pele
Se no sabor dos teus beijos
Nem sei como e onde foi
Sem despedir-se minha paz
Se nessa tua barba por fazer
Se no teu ar de bom rapaz
Nem sei onde encontrar esperança
Ora, em tuas poucas palavras,
Ora, em fragmentadas lembranças
E minha segurança? Essa anda por aí,
Às vezes finge que me abraça
Ocasiões faz que nem me ver
Oscilante feito brisa
Entre o querer e o poder.
No seu olhar além das colinas, onde o sossego descansa, existe o profícuo, existe a herança. Aprumam-se as esquinas, do livre-arbítrio.
E ando preferindo o sossego do meu quarto, o som da minha respiração... Preferindo cultivar aquilo que ja tenho em mãos , aprimorar alguns deveres, cultivar amores.
Assim estou amando mais, me doando mais e melhor, sendo eu.
Cansei de correr atras da quantidade, cansei de ser boa para tudo e pra todos, ser indispensável sim, todavia na vida daqueles que realmente me interessam e passam boas vibrações a mim.
Amo tranquilidade, valorizo a exatidão naquilo que se faz, que se tem e principalmente naquilo que se é!
Onde existe medo,pode existir indecisão,que banaliza um sossego e perde a vez da razão. É preciso encontrar,o ser do ser perdido,onde parou seus bocados?Em corriqueiros ouvidos?Onde está sua voz?Há quanto tempo faleceu?Um dia,um mês,vc mesmo esqueceu. Eu corro atrás do vento,porque já correu atrás de mim,na vegetação do momento,soa longe um carpe diem.
É claro que você não quer falar sobre isso. É o meu sossego que acaba toda vez que eu me lembro que você não se importa. É a minha alma que é levada a uma rua sem saída.
É meu coração que é dilacerado com o seu "não estou nem aí". Mas é claro que você não se importa. É apenas a minha alma...
Agora vejo que eu fui apenas mais um na sua coleção de "levantadores de ego".
Não se preocupe agora. Eu vou ficar bem. Eu sempre fico...
O que digo
O que digo pra mim mesmo
Se me traz o pensamento
Por arrego e sem sossego
A lembrança do teu beijo?...
Se de noite
Ou de dia
A cama é sempre tão vazia
Sem a tua companhia...
Eu me consumo neste fogo
Que me prende ao desejo
De me entregar ao teu prazer
Pra te amar até o dia amanhecer...
O que faço do meu corpo
Se não tenho os teus abraços?...
O que digo ao coração
Pra afastar a solidão?...
Edney Valentim Araújo
O vilão do seu sossego é quando chega a fatura do cartão de crédito e você não sabe de onde tirar recursos. Aprenda a viver sem "ele" (cartão de crédito) e comece a cultivar o hábito do "à vista".
A mosca entrou
O sossego tirou
A vida irritou
O Marcos chorou
Perturbado ficou
...
Às vezes é necessário algo de ruim acontecer, para perceber, que para estar feliz e viver em paz, não é preciso ter uma tonelada de dinheiro, não é preciso ser famoso; basta não ter um inseto dentro de você, fazendo você o sentir; basta estar tranquilo e convicto em suas crenças, basta estar progredindo no trilho de seus objetivos!
(Acabei descobrindo que não foi um inseto, mas houve coincidência)
Quando cheguei do trabalho o corpo clamava pelo sossego da casa vazia.
Os ombros espremidos feitos limões depois de um dia inteiro vivenciado no antes e depois. Nunca agora.
O agora pertence ao reino das pessoas bem resolvidas, do presente selvagem, da ausência de dores e dúvidas. Por isso tal lugar me é tão fantasioso e desconhecido. Estou sempre presa entre dois tempos. Meus limões e eu.
E a silenciosa ordem da casa vazia era a única coisa de que precisava para que o dia terminasse afinal. Não haveria ninguém me esperando, não precisaria contar como foi o dia, o que fiz. Tudo estaria no exato lugar que a mão desatenta deixou pela manhã.
Estaria… do Pretérito mais que perfeito condicional.
Condição em que eu teria encontrado a casa se tivesse deixado a bendita janela fechada.
Mas a mão (aquela mesma descuidada que nunca repara o que está fazendo) abriu a janela antes de sair e foi embora despreocupada como só as mãos sabem ser. Nem pensou em olhar a tempestade que se anunciava desde cedo no horizonte.
Suspeito, na verdade, que exista uma relação profunda entre mão e vento. É o que percebo toda vez que minha mão esgueira para janela aberta do carro quando ninguém está olhando. Estende-se para o vento que corre livremente do lado de fora, finge que voa enquanto o ar se espreme entre suas partes sempre tão guardadas por anéis.
Em todo caso, a mão não estava lá quando o vento entrou enfurecido procurando por ela. Raivoso brandiu com força papéis para todos os cantos, derrubou aquele vaso feio que ficava sobre a mesa, o único que aceitou receber a estranha planta que eu nunca sabia se estava viva ou morta. Agora entre os cacos de vidro no chão não restava dúvida: morta.
Os papéis que permaneceram sobre a mesa molhados pela água do vaso, o restante espalhado no chão.
As cortinas caídas sobre o sofá como se cansadas de lutar contra o vento e tivessem simplesmente desistido. Ficaram observando enquanto o caos reinava na casa.
Nada naquele lugar lembrava a paz que eu buscava quando entrei.
A mão primeiramente cobriu os olhos com mais força do que o necessário, foi se agarrando a cada osso do rosto até se prostrar entre os dente a espera de ser castigada. Respirei fundo e a coloquei em seu devido lugar ao lado do corpo.
Caminhei entre vidros, cortinas, papéis e flores que já estavam mortas muito antes do vento chegar.
No meio da sala olhei para as mãos descuidadas e famintas por vento. E por um instante me senti bem em meio ao caos. Não sabia por onde começar a arrumação e, sinceramente, não havia qualquer pressa para isso.
Soltei o peso dos ombros que pela primeira vez eram nada além de ossos, músculo e pele. Fiz um azedo suco com o saco de limões que carregava e bebi inteiro, sem açúcar.
E ali, cercada pelo silencio caótico que se estende após a tempestade não havia nenhum outro lugar em que eu pudesse estar. Só o famigerado momento presente e eu em meio a sala. Sós.
Entre o sossego e a ventania!
A "ventania" pode ter sido a melhor companhia e a gente nem sabe disso...no final das contas, ela lembra que a gente virou uma fortaleza...
Já o "sossego"... Ah, o sossego? O sossego é perigoso deixar a gente vulnerável...afinal, a vida é movimento...
