Som
No primeiro verso se folheia um dia de sol
No segundo a leitura de um dia de sol
No terceiro o som da folha de papel
No quarto as letras do poema no céu
No quinto a boca que declama
No punho a mente clara do poeta
No dia a dia nas frestas coisas
incríveis como letras
como estás
Cada palavra traz o som do mar para o poema o vruuuuh do vento canta nos lábios, o sol invade o vocabulário e o calor da imaginação chama ao banho
nas ondas das palavras quebrando
agente na praia que não deixa marca
de bronze, mas marca o imaginário...
O som das ondas quebrando na areia...parece que as ouço sussurrando: maaarrrr....Você também escuta?
O silêncio não é a ausência de som, é o momento em que o ruído das mentiras sociais finalmente cessa e você é obrigado a ouvir o grito ensurdecedor da sua própria insignificância, ou, se tiver coragem, o estalar das chamas da sua própria consciência.
EU, POEMA DE MIM
Sou verso antes da palavra,
eco antes do som,
mistério que se procura
no espelho do próprio dom.
Habito em muitas moradas,
sou plural em cada fim;
às vezes nem me conheço
quando faço poema de mim.
Sou o eu lírico que canta
o amor, a dor e a esperança,
que veste roupas de sonho
e brinca com a lembrança.
Sou o eu inanimado,
pedra, estrada e paredão;
dou voz ao banco da praça,
à enxada, ao velho portão.
Sou a poeira do caminho,
a folha seca a cair,
o relógio esquecido
que continua a seguir.
Sou também o abstrato,
o que ninguém pode tocar;
sou saudade, sou silêncio,
sou vontade de ficar.
Sou a dúvida da noite,
a fé buscando razão,
o medo escondido em sombras,
a coragem do coração.
Mas sou também o real,
carne, osso e cicatriz;
sou o homem que tropeça
na procura de ser feliz.
Carrego marcas do tempo,
vitórias, perdas e ais;
sou feito de muitas vidas
que já não voltam jamais.
E quando junto esses eus
num só verso, enfim, assim,
descubro que o universo
fez um poema de mim.
Pois sou palavra e ausência,
fantasia e chão sem fim;
sou o que escrevo no mundo
e o mundo escreve em mim.
Livros e cafés
Entre o som da cidade e o silêncio das páginas,
me encontro.
Cada capítulo é uma viagem, cada gole de café, um abraço quente na alma.
Aqui, vestida de histórias, habito um universo onde o tempo se dobra e a realidade se dissolve nas entrelinhas.
A paz é um café que fumega lento,
é o livro aberto, o som do nada.
É ver que a vida, em cada momento,
mesmo sem brilho, é iluminada.
E de repente, tudo parece ir se encaixando, até que como um furacão, brlluuuu...Desmorona, ficam somente ruínas, surpresa?
Talvez, ou seja, nem sempre é assim, pois muitas vezes nos vemos parados na direção do furacão, e por uma fraqueza, não sei, ali permanecemos deixando que ele(furacão) nos acerte, mas em outros casos somos surpreendidos pela tempestade, perdemos o chão e em mais um momento de fraqueza, mais uma vez, falhamos, pois agimos nesses momentos pela emoção, naquele momento nossa mente parece ter sido formatada e nos esquecemos de tudo mais precioso que já aprendemos, amor, perdão, confiança, tudo... E nos deixamos ser levados por desejos momentâneos, da carne, do ego, do ódio... Uma empolgação... e algumas vezes chegamos a cometer erros que podem não ter mais volta, ainda assim, na maioria das vezes clamamos por uma ajuda, quem sabe mais uma chance... Bom, às vezes estamos tão acostumados com essa mediocridade que nem ao menos pedimos ajuda... Mas mesmo sendo assim, falhos, pecadores, impuros, imperfeitos como somos, ainda sim somos alcançados pela missericórdia do Senhor, ou antes, somos amados por Ele, o Deus altíssimo, o Criador, que mais uma vez se volta em favor da criatura, que Ele mesmo modelou, Ele mesmo deu vida, isso tudo sem que o menos uma, uma prova de amor fosse demonstrada de nossa parte, quanta ingratidão de uma só espécie, o que era para ser perfeito, simplesmente deixa de "existi", e não há nada, nada, definitivamente nada que nos faz existi, senão a misericórdia do Pai.
"Como som alto para quem está dormindo, assim é quando o responsável lida com um irresponsável."
— Anderson Silva
SÓ QUEM ENTROU LÁ
Um som indigente
Fez-me o espio.
Resquício afluente.
Na cena, o frio:
Trovoada.
A janela estilhaçada.
O vento na cortina
Debatendo-se no teto.
Respingada.
Cortina enroscada.
No ventilador
De madeira
Inquieto.
Como fechar
A janela
Estraçalhada?
Como findar
Balbúrdia?
Como cessar
O giro
A cerrada?
Com cacos
Nessa estapafúrdia?
O linho prestes
A ser desfeito
Temo que
Nem pausa
Possa dar jeito.
Vou de fininho.
Dedo-Interruptor.
A madeira no chão
Foi-se ventila(dor).
E ao encarar todo
Aquele estrago
O sol invade.
Um caco no pé
E também um afago
Que muito me arde.
Ao menos a obra
De arte solta
Não foi levada
Junto.
Ao menos a chuva
Inda que revolta
Não poderia
Alcançar o
Conjunto.
Ao menos, oras,
A carta do vô
Repousada na escrivaninha
Nada nunca nem triscou
Porque é trancada na outra
Salinha.
A água abafada pode até ferir
O vidro, sacada, o sofá do repouso
Só que a raiz, espalhada em jardim
Não voa com vento nem mesmo teimoso.
E pela janela nem mesmo sol sabe
Coisa que só onde des(pensa) vive
Semente rara, caso tudo desabe
Ela faria o que se revive.
Um som indigente
Fez-me o espio
Levanto crente
Desse desvio.
E quando levo corpo à checagem
Janela intacta, cortina a dormir.
No ventilador, apenas bobagem
Quebrado, caído, me ponho a sorrir.
Um pingo de raio se coloca pela fresta
E vejo a verdade do sonho horroroso.
Barulho parece pior, se infesta.
Esquecer do resto da casa é que é
Perigoso.
(Vanessa Brunt)
O barulho de um tombo não pode ser mais alto do que o som de todas as vezes que você se levantou com glória.
SerLucia Reflexoes
Silêncio
O amedrontador som do nada
A ausência do falar
Por vezes representa paz
Mas às vezes solidão
Silêncio
Tão confortável
Mas tão desconfortável
Para uns é o melhor presente
Para outros é como um beijo imprudente
Que machuca sem precedentes
Silêncio
O eterno saber do desconhecer
De quem um dia pensou entender
Por isso eu te peço
Apenas me dê…silêncio
Mas eu te suplico, só não me dê…silêncio
Baila Mais
Deixa o som bater, a mente viajar
Vem chegando perto, não para de olhar
O clima tá quente, o grave vai pulsar
Você sabe o que faz quando passa assim
Esse teu sorriso jogado pra mim
Mundo tá girando, mas parei no tempo
Sentindo o perfume, pegando o momento
Passo lento, movimento que vicia
Nossa vibe combinando com essa melodia
Baila mais, deixa o corpo falar
Nesse ritmo não dá pra parar
Baila mais, vem deitar no meu peito
Do teu lado tudo fica perfeito
Sente a batida, esquece o mundo lá fora
Nossa hora é agora
O grave batendo e você na minha mente
Esse teu tempero é diferente
Mistura de calma com fogo que queima
Tento fugir, mas meu peito te teima
Vem cá, me abraça, esquece o relógio
Tudo o que eu quero é o teu monopólio
Baila mais, deixa o corpo falar
Nesse ritmo não dá pra parar
Baila mais, vem deitar no meu peito
Do teu lado tudo fica perfeito
Sente a batida, esquece o mundo lá fora
Nossa hora é agora
Só eu e você, no escuro do quarto
O som vai sumindo, mas eu não me afasto
Yeah, ah... baila mais
A palavra é magia. A língua, um cajado de feiticeiro. E o som — ah, o som — é a matéria-prima da realidade ainda informe. Quando cantamos com o coração, vibramos o campo. Quando dizemos a verdade, limpamos o espaço. Quando silenciamos com sabedoria, preservamos o templo.
No início, o silêncio dançou,
entre o nada e o tudo se criou.
A palavra, som não dito, brotou,
e a luz oculta em faíscas brilhou.
Do ponto surgiu a linha infinita,
o Nome esculpido no tempo, bendito.
Quatro letras, sopro eterno da vida;
e no sopro, o mistério não dito.
Yod é a chama que nunca se apaga,
Hei é o ventre onde o cosmos repousa.
Vav, a ponte que une o céu e a estrada;
Hei final, a vida que floresce formosa.
Ó viajante, que busca o segredo,
no coração a chave do Todo está.
No reflexo da alma, o espelho do Éden,
e o Tetragrama em seu ser pulsará.
Sou verso antes da palavra,
eco antes do som,
mistério que se procura
no espelho do próprio dom.
Habito em muitas moradas,
sou plural em cada fim;
às vezes nem me conheço
quando faço poema de mim.
