Som

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Com apenas duas cervejas na mesa, uma bisteca no ponto e uma caixinha de som ligada, muitos brasileiros baixam a guarda. É o retrato de um povo que confunde festa com liberdade, e acaba fisgado pelos prazeres imediatos.

O Som da Tua Essência

Se tu fosses música, sem dúvida, serias a mais ouvida por mim; a trilha sonora perfeita, adequada para os melhores momentos. Estarias exatamente no ritmo do meu coração: do batimento calmo ao mais intenso. Às vezes, estarias em forma de canção e, outras, na emoção de uma simples melodia, sempre conquistando a minha atenção.

Nos meus sonhos mais calorosos, passarias por uma transformação prazerosa e ganharias uma aparência física: uma arte sedutora e profunda, de muita veemência e lindas curvas, cuja alma seria amorosa e verdadeira. Teríamos uma forte sonoridade à nossa volta, que intensificaria ainda mais o nosso desejo. Em cada sonho, uma ocasião maravilhosa.

Para a minha sorte, tenho uma imaginação poderosa e, só de imaginar, consigo ouvir o som da tua essência. Sonho de olhos abertos com as notas dos nossos sentimentos sincronizadas, os nossos corpos afinados em um único propósito, numa loucura sensata e uma rica desenvoltura, que não poderia ser comparada se tu fosses música.

Proteja-se com poliéster
Você tem algum doce restando?
Dançando ao som distorcido elétrico
Estourando minha própria cabeça

"No baile da vida dançamos ao som da música que nossas justificativas tocam."

"O silêncio é o som mais alto que você pode ouvir. E quem tem medo da verdade nunca vai querer sentir."

O som da sua voz é a melodia favorita do meu coração,cada som que sai dos seus lábios reverbera na minha pele e passa a ditar instantaneamente, o ritmo das minhas próprias batidas. É uma sinfonia que me invade, que me domina por completo, e da qual eu não quero e nem tento escapar.
_Enzo Ruchell_

Corpos falam
sem precisar de som,
sussurros traduzem o que o peito cala,
o tempo para,
e tudo é só respiração
e gozo.

Inevitavelmente
me pego enamorada
pelo som da sua voz
um sussurro que apaixona
minha escuta.
Me pego
cantarolando,
falando
e recitando
meus pensamentos pra você.
Porque tudo
que eu quero
é dizer constantemente
o quanto
eu te amo.
Por isso lhe envio tantas mensagens
e por isso lhe tenho
tão perto de mim.

Passos curtos, na noite fria
Uma luz que me guia
Sombra e som, na mesma estrada
Na batida acelerada
Te sinto chegar, sinto a pressão
É a voz da Lina na tua mente
Dominando o teu coração


Ecoa na alma, bate no peito
Nesse grave, que é perfeito
Efeitos no espaço, sons que vão girar
Estéreo puro pra te dominar
Sente a Lina cantar ...
Ecoa, ecoa, sente o grave bater
Sente a Lina cantar
No estéreo, até o amanhecer


Frequência alta, mente aberta
Essa é a hora certa
Acordes que grudam e não vão sair
Efeitos especiais pra nos conduzir
Sussurros que vêm e vão
Lina comanda essa pulsação




Ecoa na alma, bate no peito
Nesse grave que é perfeito
Efeitos no espaço, sons que vão girar
Estéreo puro pra te dominar
Sente a Lina cantar
Ecoa, ecoa, sente o grave bater
Sente a Lina cantar
No estéreo, até o amanhecer


Vozes se perdem no infinito
O grave mais bonito
Efeitos finais...
Estéreo...
Linaaaaaaaaaa aaaaaaa

Findar um som 100% (ou o mais perto disso) intencional e autêntico é como encontrar uma pedra preciosa que sempre esteve no seu sótão.

Eu dançarino,
Sem palco, sem plateia.
Na iluminação dos raios,
Ao som dos trovões.

Enquanto o som se propagar, eu sei que continuarás me ouvindo aonde estiveres.

Tudo o que busco agora é a simplicidade de uma casa no campo, o canto dos pássaros e o som de Zé Ramalho ecoando no silêncio.

A noite.


A noite é o momento em que o som do nada se torna ensurdecedor.
Aquele silêncio que ora pressupôs paz, calor, de repente se desdobra em uma sinfonia desalinhada, suja, barulhenta, repleta de impudicícias e desarmonia.


É onde de repente, em um suspiro, a
sintonia se transforma naqueles pensamentos, velozes como a luz, ou como a ausência dela.


E então me pego pensando no Whisky barato, no vazio e no cansaço, no futuro, passado e no tempo que não passa quando as luzes se apagam.


E na noite.


A noite que dói, que trás vazio, falta, desespero, apego e mágoa. Que faz esperar um fio de luz em meio aquilo que não se pode enxergar.


Barulhenta e fria noite. Barulhenta e fria sátira.

Ela é Ela


Ela é linda e intensa como a praia, mas calma como o som da chuva.
Ela não é minha, não é de ninguém.
É um pássaro livre, que não pode ser pego. Ela é aventura
E, ao mesmo tempo, é o sono que vem de noite.
Ela é simpática, mas, quando quer, sabe ser grossa.
Ela é animada, mas algo pequeno estraga seu dia.
Ela é linda como o luar.
É apaixonada como o coelho que habita a Lua.
E se agarra à ideia de que existem cores neon, mas também há as neutras.
Ela é feliz e radiante como o sol,
Mas intensa como o rock.
Ela é tudo e nada.

Você me ensinou que a dor é só o início da jornada, só o silêncio e o som! Agora, consigo ver tudo em câmera lenta.

“A confiança cega tem um som: o estalo da queda.”

A dor tem ouvidos finos, escuta o som exato do teu medo. Ela percebe quando você hesita, quando sorri por educação, quando diz “tá tudo bem” só para não mostrar o caos por dentro, ainda que a verdade escape pelos dedos.

A dor tem instinto, não tem pena. Sabe onde você se esconde quando finge estar forte. Aparece de mansinho… num silêncio, num sonho, num arrepio que não se explica. E cresce ali, no intervalo entre o que você sente e o que ousa admitir. Você pode mudar de cidade, trocar de corpo, de cama, de assunto. Pode se embriagar de vozes novas e promessas antigas. A dor não se apressa, ela sabe esperar o momento em que o barulho cansa.

No fundo, ela só quer ser reconhecida. Quer um nome, um rosto, um espaço pra existir. E quando, enfim, você a encara, percebe: ela sempre foi tua. Uma mensageira indesejada, mas sábia, apontando o que ainda pulsa mal curado.

Fugir dela é correr de si — e quanto mais rápido vai, mais se encontra. Há uma beleza triste nisso: descobrir que até a dor te ama o bastante pra não desistir de te ensinar. Encare-a, ela só quer que você saiba quem tu és e te mostrar o que você insiste em evitar.

(Douglas Duarte de Almeida)

Há um ruído antigo em mim — não sei se nasce do peito ou das paredes internas. Um som que pergunta, sem mover a boca, se minha presença é respiro ou incômodo. Não pergunto aos outros; pergunto ao silêncio. E ele sempre responde: depende.

Depende de quê?
Talvez da sombra que ainda carrego — essa que aprendeu a duvidar do que é oferecido com ternura, como se o afeto tivesse validade curta.

E não é por falta de amor; não faltou.
É que, em algum ponto sensível da minha história, aprendi que tudo pode virar silêncio sem aviso. Cresci assim: não desconfiado das pessoas, mas das marés. Meio alerta, meio cético, inteiro faminto do que é seguro.

Há em mim um eco que hesita diante do amor mais evidente — não por falta de provas, mas por excesso de memória. Uma parte minha vigia a porta mesmo quando não há perigo.

E o curioso é que eu sei que sou querido.
Mas há uma porção antiga — leal às dores que sobreviveram — que pergunta: “e se for só gentileza?”

Às vezes imagino que essa dúvida é um animal. Mora em mim. Cheira o amor antes de deixá-lo entrar. Rosna quando alguém chega perto demais — não por recusa, mas por medo de desmanchar.

E a cura?
Talvez seja deixar esse animal cansar.
Permitir que o amor chegue devagar, até o corpo entender que não é ameaça: é colo.
Ou aceitar que essa dúvida é profundidade — alguns de nós amam em camadas, e o afeto precisa atravessar labirintos para chegar ao centro.

E no meu centro existe um lugar que sempre soube que sou amado.
Mas às vezes ele cochila — e o mundo fica estrangeiro.

Basta um olhar verdadeiro para tudo despertar.

E eu lembro, mesmo que por instantes:
não estou sendo tolerado, há morada nos amores que me abraçam.

(“O lugar onde o amor cochila”)

De vez em quando eu ainda ouço
No silêncio da madrugada
Um misto de passos na calçada
e um som de sinos distantes
Que soavam nas torres das Igrejas
que existiram na minha infância
Chego a sentir o perfume
daquelas madrugadas
Iluminadas pelos vagalumes
Isso sempre me traz
um sentimento confuso:
Tristeza e alegria entrelaçadas
Eu corro abrir minha janela
Não vejo e não ouço mais nada
Somente as Estrelas no firmamento
dão atestado
de que eu um dia
Realmente tenha estado lá
Naquele tempo e lugar
Que o próprio tempo arrastou
Pra um lugar
Chamado nunca mais
Fecho a janela ciente
de que a minha vida
assim como as madrugadas
Nunca mais serão aquelas
Novamente.